28/02/2013

POR UM NOVO HUMANISMO...A MÁTRIA!



foto pública tirada da net
***
Um grupo de cidadãs e cidadãos, perante a destruição do sistema de organização política  em vigor nas sociedades de Civilização Ocidental, reuniram-se em assembleia e elaboraram um documento de princípios, com o fim de acautelarem as suas vidas que estão a ser destruídas dia após dias por um governo composto de mentes criminosas...
A comunidade em construção, a que chamamos Matriarcado, poderia situar-se numa vila, numa cidade ou num país, mas teria como base da sua estrutura gente de corpo e alma humanizada...pessoas mesmo, conscientes e de consciência...
...
PREÂMBULO
Libertar o povo da ditadura financeira, da opressão dos conceitos expressos como valores absolutos, da hegemonia do paradigma masculino, face à falência do sistema político actual, representa uma transformação revolucionária e o início de uma viragem histórica, civilizacional, da sociedade humana.

O poder e a organização política que o sustenta, está posto em causa pela sua própria evidência destrutiva...não tem credibilidade e é palco de trágicas comédias diárias que o paralisam e tornam patética cada tentativa de se valorizar.

O movimento Matriarcal, tem o objectivo de restituir aos cidadãos os direitos e liberdades fundamentais, consignados no ADN da espécie humana. No exercício destes direitos e liberdades, cidadãs e cidadãos livres do povo, propõem-se elaborar uma Constituição que corresponda às aspirações comuns à alma humana, sem subserviências de qualquer espécie, nem prepotências de género, de âmbito político partidário, de condição social ou de religião, procurando devolver às pessoas, a confiança, a alma e a esperança confiscadas.

O movimento Matriarcal afirma a ideia de o povo se organizar de forma autónoma, não-alinhada, neutral, no respeito pela sua cultura , como parte integrante da alma humana Universal, com o propósito de garantir os direitos fundamentais dos cidadãos, de estabelecer os princípios basilares duma democracia participativa, de assegurar o primado de comunidade de Direito Matriarcal e de abrir caminho para uma sociedade humanista, humanizante e humanitária, no respeito da vontade do povo, tendo em vista a construção de um lugar mais livre, mais justo e mais fraterno, onde amar seja o verbo e não o complemento arbitrário das conveniências individuais ou de grupo.
***
Hoje já não há nacionalismos...nem pátrias...o exercício da governação é um acto de pirataria sobre os povos ainda ingénuos, consubstanciada numa associação criminosa que se chama Estado! Nos países em vias de desenvolvimento, como Portugal, instalou-se um feudo, denominado neo-liberal...eu diria, repito, uma associação criminosa, ao serviço de interesses obscuros...ao serviço dum absolutismo financeiro...ao serviço duma ideia de cisão evolucionista em que o Humanismo cede lugar ao Despotismo "Democrático"...exercendo o seu consulado discricionáriamente, sem respeito pelos mais elementares direitos humanos e de cidadania e em harmoniosa aliança com os demais poderes hierárquicos...(Presidência, Assembleia da República e Tribunal Constitucional)...a cisão era inevitável…declaramos que somos capazes de governar as nossas vidas.

***
É preciso criar um mote de união ( A HUMANIDADE, O PLANETA, O AMOR)...um dique de esperança que evite a desagregação da dignidade humana nesta comunidade de pessoas onde vivemos...e expandi-lo pelo mundo dos outros, também eles às portas da agonia dos valores essenciais à boa convivência humana...dar as mãos...trocar as palavras...juntar as emoções...redimensionar o pensamento...auscultando a memória do inconsciente...por um novo Humanismo, a que não é alheio o florescer duma nova dimensão Planetária: o Feminino...a ideia de MÁTRIA, ou matriarcado, está em cima da mesa...e ao alcance de qualquer povo, ou comunidade que decida sufragá-lo livremente...
O novo Humanismo tem uma visão feminina da vida...porque não faz mais sentido esta barbárie em que vivemos...é neste pressuposto que vos apresentamos à discussão, o enunciado que se segue, linhas gerais de princípio, com vista à organização social, cultural, económica e política da nossa comunidade...


autor: jrg
nota: texto extraído dum romance em construção...jrg

20/02/2013

SOMOS POVO MAIOR



*
SOMOS POVO MAIOR
**
quero dizer-vos
que ainda há esperança
se unirmos a luz
que em cada um de nós em sonho brilha
para romper o terror das trevas
se formar-mos uma cadeia de vontades
em que os elos são as nossas mãos
de gente cansada de ciclos e eras torpes
corações e almas livres
*
quero dizer-vos
que mais vale ser pastor da Lusitânia
que vitimas desta tirania
voltemos ao campo à serra aos baldios
e partilhemos as nossas almas
deixando a banditagem de mãos vazias
retornemos à vida
porque esta morte em que vivemos
assusta até a natureza
*
quero dizer-vos
que uma a uma as empresas vão fechando
e que em breve não haverá mais
um sítio onde trocar trabalho por rendimento
ninguém será poupado ao caos
que se instala a coberto do marasmo
tracemos o nosso rumo
onde houver terra ar fogo e mar
lancemos a semente
*
quero dizer-vos
que estamos mal acompanhados
mais valia orgulhosos
de nem sós nem cheios de amargura
a florir em cada vida um gosto
de braços dados com os olhos no norte
lançando alvíssaras
a cada criança que passasse
e nos sorrisse
*
quero dizer-vos
desafiando os limites das palavras
o terror veste-se de fatalidade
arrasa tudo à sua volta e vem carpir
que gastaram tudo
não há mais nada a repartir
num dilema absurdo
ou pagamos mais ou o barco vai ao fundo
choram flores sem rega
*
quero dizer-vos
porque me arrepia a evidência histórica
de ter errado ou não sabido
que ciclicamente há uma mudança estratégica
nas leis que regulam a vida
mas porque calhou no nosso tempo
não viremos as costas
enfrentemos determinados a besta da tirania
temos sabedoria para vencer
*
quero dizer-vos
que tenho esperança no meu povo
de quem sinto o sangue
nos corredores confrontado com a desgraça
sinto-lhe a força galvanizada
pela vergonha humilhante do flagelo
não tarda o seu grito ecoará
e sete vagas de mar pleno de maresia
inundarão a toca do tirano
*
jrg

18/02/2013

REFUNDAÇÃO DO ESTADO... O QUE O POVO NÃO QUER PAGAR...




REFUNDAÇÃO DO ESTADO...
O QUE O POVO NÃO QUER PAGAR:
«««//»»»
01- não queremos pagar a instituição presidência da República.
02-não queremos subsidiar fundações.
03-não queremos pagar PPP danosas.
04-não pagamos nem mais um euro para o BPN.
05-não pagamos mais derrapagens nas obras públicas quando as houver.
06-não queremos pagar a tantos deputados na Assembleia da República.
07-não queremos subsidiar os partidos políticos.
08-não queremos pagar festas e ou comemorações dispendiosas.
09-não admitimos o enriquecimento ilícito.
10-não queremos pagar tantos carros, nem viaturas de alta cilindrada, ao serviço
     do governo,presidência e assembleia da república, bem como nas autarquias,
     desde que sejam pagos pelo erário público.
11-não queremos mais cortes nos salários e nas pensões, nem por via directa nem
     por via de outra manigância qualquer.
12-não queremos tanta gente desempregada.
13-não queremos pagar institutos públicos de fachada.
14-não queremos pagar vencimentos milionários, nem na administração pública nem nos privados.
15-não queremos pagar subvenções vitalícias para políticos de curta duração.
16-não queremos pagar assessorias e pareceres.
17-não queremos pagar a governos elitistas, de mesa farta e com excesso de membros extensíveis.
18-não queremos pagar reformas a quem não tenha atingido o limite geral da idade para o efeito,
     salvo por doença ou outra insuficiência para a vida activa.
19-não queremos a privatização da água, da electricidade, e dos transportes, bem como de outros
     bens julgados de interesse público
20-não queremos pagar por quem beneficiou dos desarranjos orçamentais.
21-não queremos pagar a divida excessiva e não documentada, nem os juros usurários.

autor:jrg

INDIGNEI-ME !...


INDIGNEI-ME

dentro do tempo tanto
já vivido de viver
quanta indignação
sovado sem tempero
por pai e mãe
vaiado por ser fraco e pobre
sem vintém

indignaram-me!...

fiz-me à vida sem cansaço
no percurso desigual
quase sempre em contra mão
subi montanhas
donde a meio me resvalei
fui do amor amante
de ser capaz sempre acreditei

indignado!...

fui à guerra África minha
bebi da luz do entendimento
porque não bastava conhecer
por mais deus que poluísse o pensamento
o básico era entender
desmistificar em mim o preconceito
deixar a vida acontecer

indignei-me!...

atirei mitos ao chão
ídolos inventados no imaginário surreal
amei a mulher como Tristão
e todo o mundo vivo original
até que entrei em derrapagem
queria andar escorregava
vivi na natureza como um selvagem

indigna-me!...

lancei escoras por amparo
construi pontes túneis viadutos
atravessei abismos infernais
em cada esquina parei a tomar fôlego
a regurgitar da consciência
a luz oculta da memória
a desvendar dos seus segredos

indignidade!...

atravessei conceitos absurdos
cada cabeça sua sentença
dividido em labirintos da intriga
a descobrir que havia outro submundo
além do da malta o das elites
o mesmo assalto com fins diferentes
ambos a seu modo de viver

indignação!...

descobri a falsidade de argumentos
em que nos encaixam pelo medo
políticos religiosos ladrões e usurários
movendo-se entre capitais de risco
de que somos o aval instante
quando cessa o prazo de validade
da sabedoria que emolduraram

indigno!...

descobri que o espírito
é uma emanação da matéria decomposta
em consonância com o ar que se respira
e que prolonga ou elimina
em razão da concistência orgânica
e dos fluxos cósmicos à deriva
o tempo de viver sem remissão

indignar!...

ao invés da alma que é insana
alimenta o corpo amplia a fantasia
reune os elementos decompostos
separa os sem remédio 
revitaliza os apenas adormecidos
capta os iãos e os mistura
e lança farpas sobre a morte entontecida

indignidade!...

a alma sim é da humanidade a dimensão
exprime-se através dum sorriso
os olhos são o portal via d'entrada
ilumina todo o ser por mais humilde
não pergunta se tens mas se queres ser
exibe a força gigantesca do querer
e envolve tudo em puro amor

autor: jrg

10/02/2013

A REVOLUÇÃO DA IDEIA...



**
A REVOLUÇÃO DA IDEIA...
***
a ideia
desce vertiginosamente
das alturas
onde a tinham em clausura
os artificies
da grande mentira do século
e fez-se luz
**
a ideia
definiu as forças em presença
dum lado
os poderes do crime financeiro
oratória armas ouro
e meios de transmissão d'elite
arreganha dentes
**
a ideia
contrapõe a ode com alegria
a expansão do amor
a inversão da podre hegemonia
pela força feminina
assente na visão Matriarcal da vida
reforçando a esperança
**
a ideia
exalta a consciência da mulher
a não confiar
seus filhos seus sonhos e a memória
ao poder da tirania
porque o tempo é de mudança
para a vida
**
a ideia
fomenta a partilha d'emoções
afronta o medo
convida a resistir à ilusão
da perda do salário
por ter parado o país desconjuntado
e não pensar
**
a ideia
pensa que a perda ocorre em dobro
no vício do jogo
que o tirano baralha a seu favor
sem limites
porque é criminosa a sua índole
não dá mais ir a jogo
**
a ideia
clama evolução de pensamento
se não faz sentido
dar passos infrutíferos em volta
por um pouco de nada
mudemos a direcção fantasmagórica
de sinal tirânico
**
a ideia 
manda parar a actividade humana
sem pedras da calçada
nem archotes para destruir vingando
os crimes do poder
antes o silêncio dos corpos ou o batucar
de tachos e panelas
**
a ideia
proclama a alma genuína inteira
das mulheres de bem
dos homens sensatos a condenarem o crime
perpetrado por mentes criminosas
dissolvendo na rua o sistema corrupto
e mudarem a vida
**
a ideia
exige a saída da palavra armada
delineada a estratégia
evitando as armadilhas venenosas
fechadas as saídas
as palavras calam o vómito arrogante
e inversam o poema
**
a ideia
sai à rua disposta a combater
a déspota governação
emitido o mandato popular de captura
dá ordem de prisão
e leva a julgamento os criminosos
fim de citação


jrg

03/02/2013

UM DISCURSO DO MÉTODO!


...ou a constituição amordaçada...
«««//»»»
UM DISCURSO DO MÉTODO!
ou a constituição amordaçada
***
este governo
apresenta sinais de demência
avançada
é esquecido e incapaz de vislumbrar
o norte
justifica o confisco de bens
por emergente
caucionando o acto vil de roubar
com emergência financeira
este governo é loquaz na mentira
perturba a mente humana
subverte a ordem constitucional
é subversivo
julgado pelo povo descontente
no tribunal da rua
veste a pele ensanguentada do cordeiro
baralha o jogo
e rouba agora mais descaradamente
lançando o pânico
por onde já espalhara o medo
é cruel e desvalido
incompetente para ser humano
trogloditas das trevas
deve por isso ser pela ideia travado e abatido
à memória futura
custe o que custar à nação inteira
Venceremos!
tenho dito!!!
jrg

28/01/2013

QUERO EU LÁ SABER...




*
QUERO EU LÁ SABER...

***

desde há décadas
praticamos a indiferença
convictos d'autosuficiência
sedentários sendo nómadas
perdido sem a confiança
da ego consciência
*
se um vizinho padece de solidão
se a injustiça bate à porta dum bom amigo
se a morte desampara a criança
se alguém passa por nós e nos pede um pão
se me arrepio de frio sem abrigo
se me catam cada tempo na luz d'esperança
*
marginalizados
reformados pensionistas
e outros estratos
selectivamente amordaçados
somos egoístas
perdidos da razão cordatos
*
somos amorfos colectivamente
pueris povo astuto mas sem personalidade
apanhados nus e em flagrante
não será boa gente aquela que se não sente
no ar purificado da liberdade
no amor livre a paixão ardente do amante
*
quero eu lá saber
de um povo que se amedronte
do sul até ao norte
por um punhado de ladrões lhe bater
se gostam eu fico a monte
sou infiel ao medo até à minha morte
*
impotente para travar o roubo
irei à terra  e ao fundo do mar serei pastor
olhos nos olhos com a tirania
a vida é minha não cedi nem cedo o probo
da minha integridade e do amor
porque quero viver o meu fim com alegria
*
incitarei crianças
a se rebelarem contra o tirano
fundamentalistas
de cabelo rapado ou de tranças
fiéis ao amor humano
que deflagrará em actos terroristas
*
resisto à imobilidade dum povo
que arrasta o estigma da sua sofreguidão
a raça é a mesma não me iludo
bárbaros entre si e outros  o que reprovo
queria-os salvadores da nação
que lutassem de alma aberta e contudo
*
vejo a tirania a rir
sobre o sufoco dos mais puros
palavras bonitas a adejar
levo-as é o tempo certo de partir
saltarei os muros
com a coragem vencida de voltar

jrg

23/01/2013

O REGRESSO AOS MERCADOS DEPOIS DO POGROM SOBRE OS REFORMADOS...



O REGRESSO AOS MERCADOS DEPOIS DO POGROM SOBRE OS REFORMADOS...




«««»»»
Depois do Pogrom sobre os reformados, confiscando-lhes parte das pensões, comparados aos Cristãos-Novos da crónica de Damião de Góis abaixo transcrita, da devastação da economia, com o consequente aumento do desemprego, da destruição do SNS, da conspurcação da alma Portuguesa, este governo de Portugal, manda anunciar o regresso aos Mercados, única bandeira que serviram desde que assumiram o poder de governar o Estado/Nação...
Não tarda, se conseguir provocar a euforia entre os trabalhadores que ainda têm emprego, sitiados pelo corte de salários, de sonhos e aumento de impostos, a cena descrita na Crónica de Damião de Góis, que originou o massacre de Lisboa de 1506, pode voltar a renascer, culpando os pensionistas, reformados e idosos em geral, por todos os males de que a Nação padece...Já hoje é igualmente notícia a sentença do" Imperador" do Japão..."só quando os velhos morrerem...ou...se todos os velhos morrerem, será a salvação dos estados em crise financeira...
Estamos no limiar duma revolução cósmica...o velho humanismo definha sem nunca se ter afirmado na plenitude dos seus propósitos e objectivos...os direitos humanos ficam de novo à mercê do livre arbítrio, da insaciabilidade financeira das obscuras entidades que dominam o mundo,,,
Quero gritar a esperança, sem medo, aquela luz que vedes, não é um milagre...é apenas uma luz que alguém acendeu com o propósito de vos, nos cegar a consciência...com o tempo ela se apagará e voltaremos a mergulhar na escuridão...
A esperança reside na organização do estado em plano raso...sem faustos nem iluminados...partindo dum princípio de liberdade e democraticidade participada e autêntica, tendo em conta o elemento feminino como a génese da história da humanidade...
autor: jrg

Damião de Góis in «Chronica do Felicissimo Rey D. Emanuel da Gloriosa Memória»:
«No mosteiro de São Domingos existe uma capela, chamada de Jesus, e nela há um Crucifixo, em que foi então visto um sinal, a que deram foros de milagre, embora os que se encontravam na igreja julgassem o contrário. Destes, um Cristão-novo (julgou ver, somente), uma candeia acesa ao lado da imagem de Jesus. Ouvindo isto, alguns homens de baixa condição arrastaram-no pelos cabelos, para fora da igreja, e mataram-no e queimaram logo o corpo no Rossio.
Ao alvoroço acudiu muito povo a quem um frade dirigiu uma pregação incitando contra os Cristãos-novos, após o que saíram dois frades do mosteiro com um crucifixo nas mãos e gritando: “Heresia! Heresia!” Isto impressionou grande multidão de gente estrangeira, marinheiros de naus vindos da Holanda, Zelândia, Alemanha e outras paragens. Juntos mais de quinhentos, começaram a matar os Cristãos-novos que encontravam pelas ruas, e os corpos, mortos ou meio-vivos, queimavam-nos em fogueiras que acendiam na ribeira (do Tejo) e no Rossio. Na tarefa ajudavam-nos escravos e moços portugueses que, com grande diligência, acarretavam lenha e outros materiais para acender o fogo. E, nesse Domingo de Pascoela, mataram mais de quinhentas pessoas.
A esta turba de maus homens e de frades que, sem temor de Deus, andavam pelas ruas concitando o povo a tamanha crueldade, juntaram-se mais de mil homens (de Lisboa) da qualidade (social)dos (marinheiros estrangeiros), os quais, na Segunda-feira, continuaram esta maldade com maior crueza. E, por já nas ruas não acharem Cristãos-novos, foram assaltar as casas onde viviam e arrastavam-nos para as ruas, com os filhos, mulheres e filhas, e lançavam-nos de mistura, vivos e mortos, nas fogueiras, sem piedade. E era tamanha a crueldade que até executavam os meninos e (as próprias) crianças de berço, fendendo-os em pedaços ou esborrachando-os de arremesso contra as paredes. E não esqueciam de lhes saquear as casas e de roubar todo o ouro, prata e enxovais que achavam. E chegou-se a tal dissolução que (até) das (próprias) igrejas arrancavam homens, mulheres, moços e moças inocentes, despegando-os dos Sacrários, e das imagens de Nosso Senhor, de Nossa Senhora e de outros santos, a que o medo da morte os havia abraçado, e dali os arrancavam, matando-os e queimando-os fanaticamente sem temor de Deus.
Nesta (Segunda-feira), pereceram mais de mil almas, sem que, na cidade, alguém ousasse resistir, pois havia nela pouca gente visto que por causa da peste, estavam fora os mais honrados. E se os alcaides e outras justiças queriam acudir a tamanho mal, achavam tanta resistência que eram forçados a recolher-se para lhes não acontecer o mesmo que aos Cristãos-novos.
Havia, entre os portugueses encarniçados neste tão feio e inumano negócio, alguns que, pelo ódio e malquerença a Cristãos, para se vingarem deles, davam a entender aos estrangeiros que eram Cristãos-novos, e nas ruas ou em suas (próprias) casas os iam assaltar e os maltratavam, sem que se pudesse pôr cobro a semelhante desventura.
Na Terça-feira, estes danados homens prosseguiram em sua maldade, mas não tanto como nos dias anteriores; já não achavam quem matar, pois todos os Cristãos-novos, escapados desta fúria, foram postos a salvo por pessoas honradas e piedosas, (contudo) sem poderem evitar que perecessem mais de mil e novecentas criaturas.

17/01/2013

A PALAVRA VOMITA ACÇÃO!



*
A PALAVRA VOMITA ACÇÃO
«««//»»»
faço alto continência
à palavra capitão
submeto a reticência
e entro no pelotão
*
peço se me dá licença
à palavra sargento
sem nada que me pertença
a não ser o juramento
*
passo de ganso no desfile
da palavra coronel
tropeço ergo o perfil
de meu país já sem pele
*
faço respeitoso sentido
na palavra general
sou soldado e mal vestido
não posso honrar Portugal
*
passei tanto distraído
à palavra major
nem vi que o símbolo caído
era dum povo maior
*
assim é minha recruta
ante a palavra revolta
sentinela alerta escuta
morre gente à tua volta
*
sem encontrar meu abrigo
na palavra exercitar
voltei-me abri o postigo
num avião quis entrar
*
mas era tropa de elite
na palavra condição
não pode voar quem vomite
mesmo que a bem da nação
*
ergo meus olhos ao céu
à palavra comandante
se tanto mar é só meu
só me falta um ajudante
*
ouço o toque de silêncio
a palavra emudece também
não mexo nem cheiro o cio
mas ouço rumores de alguém
*
mulheres com filhos ao colo
reformados sem vintém
doentes rastejam no solo
nem o silêncio os detém
*
empresários falidos
desempregados com fome
estudantes revertidos
tanta vergonha sem nome
*
mas havia sorrisos de mulheres
com palavras armadas
de justiça e humanizados alvoreceres
que tocaram as almas piradas
*
instalaram um cerco de cobiça
tropa de choque da tirania
frente a frente com a razão que atiça
do baluarte a chama a ousadia
*
as palavras na parada
inverteram a posição
basta de terra queimada
criminosos para a prisão
*
ordena o general atrás das lentes
às palavras que marchem
despidas também elas sem patentes
nem flores que também murchem
*
o soldado responde prontidão
à ordem do general
cumprindo a constituição
vamos salvar Portugal
*
juízes juramentados
aos interesses financeiros
foram pelo povo julgados
como meros trapaceiros
*
reformados e pensionistas
e outros que foram roubados
juntaram-se aos humanistas
aos jovens desempregados
*
a batalha foi tremenda 
tão feroz que atirou
os tiranos para a contenda
e nem um só se safou
*
o caos durou cinco dias
das palavras desagravos
já a Primavera servias
mas livres não mais escravos
*
se as quadras desassossegassem
meu povo em estranho quebranto
se as palavras se revoltassem
quebrando o feitiço com espanto
*
ninguém mais se descansou
a governos confiados
a tropa que então desfilou
eram civis dedicados
*
chamada à ordem a alma lusa
unida para tudo vencer
qualquer tragédia difusa
que o mundo possa sofrer
*
de alma nova risonha
meu povo se revezou
não mais a palavra tristonha
a lua nova ofuscou
*
autor: jrg