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04/12/2015

AS LÁGRIMA E OS RISOS SARCÁSTICOS DOS VAMPIROS NÃO CALAM A ESPERANÇA DOS ESFORÇADOS POR JUSTIÇA!!! TAMBÉM AS AVES DE RAPINA ENCOLHERAM AS GARRAS!!! * ESTÁ UM DIA FRIO...PRIMAVERIL!

AS LÁGRIMA E OS RISOS SARCÁSTICOS DOS VAMPIROS
NÃO CALAM A ESPERANÇA DOS ESFORÇADOS POR JUSTIÇA!!!
TAMBÉM AS AVES DE RAPINA ENCOLHERAM AS GARRAS!!!
*

ESTÁ UM DIA FRIO...PRIMAVERIL!
*
há hoje no rio
uma doce calmaria
a maré vaza
deixa mais areia varrida p'lo frio
as aves cultivam harmonia
de quando em vez batem a asa
*
patos mergulhões
gaivotas pombos maçaricos
alvéolas e pardais
não trocam ouro nem milhões
são todos naturalmente ricos
sem fronteiras nem preconceitos infernais
*
não fora ser Outono
e seria talvez tempo de Primavera
aves doces destemidas
agora que venceram medo e sono
e que afastaram a quimera
das aves de rapina mais temidas
*
ao longe um vampiro
ainda ri e chora em desespero
outros rasgam a postura
antes cívica prepotente em bom retiro
grasnam ódio sem tempero
espumam impotência em raiva pura
*
há hoje no rio
uma doce e confiante calmaria
corre uma brisa d'esperança
as pessoas sorriem de novo luzem de brio
andam mulheres em nova correria
e em cada mãe renasce uma criança
jrg

01/09/2013

OS FANTOCHES VIERAM DE FÉRIAS!

imagem pública tirada da net
*
OS FANTOCHES VIERAM DE FÉRIAS
**
vieram de férias
mortos de cansaço
porque se afadigaram
a pensar em coisas pouco sérias
inebriados com aguardente de melaço
para esquecerem quanto roubaram
*
vieram enraivecidos
pelo chumbo do constitucional
juízes que não sabem a lei interpretar
vieram são ladrões ensandecidos
que se apropriaram mentindo de Portugal
searando nos velhos a mirrar
*
vieram de ideia fisgada
"havemos de levar o país à ruína"
conhecem o povo desenrascado arredio
enquanto o país arde numa assentada
espreitam as vítimas que sussurram em surdina
por entre medos e o pasmo do tédio
*
vieram de férias sombrias
são um governo anti-constitucional
com o tempo contado na história
condensaram palavras sinistras de fantasias
acusam uivando como o chacal
sem a consciência que mataram na memória
*
que pode um homem fazer
desesperado sem uma luz que responda
à inquietação que lhe mostra o fim
é um vómito que o estômago recusa suster
se nada faz vomita a ideia que o afunda
à espera que floresçam rosas na secura do jardim
*
é preciso apagar este fogo
que lavra selvagem na nossa dignidade
onde houver uma mulher a pensar
mais um homem de ingénua coragem que a rogo
liberte a vida de falsa liberdade
para que um novo humanismo possa medrar
*
vieram de férias a sangrar
são criminosos de delitos humanitários
que preparam sangrias de medo
sobre os bravos que resistem a servir de manjar
é preciso juntar os revolucionários
para que a mentira não nos leve ao degredo
*
jrg

20/07/2013

AFINAL HAVIA MESMO UM ABISMO!...


*
AFINAL HAVIA MESMO UM ABISMO!...
ou
HÁ UM OÁSIS NO DESERTO 
**
um ministro ajavardado
com os olhos tintos de sangue
sábio de cátedra e bengala
com arte e engenhoso plano
olhou para os governados
viu tanta e crédula pasmaceira
que desatou a roubá-los
a começar pelos mais fracos
votando os mais vigorosos
às artes de exportação
carregou forte em impostos
parou a vida da nação
até que um vento contrário
ou num golpe bem pensado
reconheceu que falhou
não fora bem entendido
ou não contou com a alma
dum povo estarrecido
bateu com a porta e andou
deixando o país destruído
*
havia na cidade
um bordel de homens musculados
para mulheres
onde as excedentárias se batiam
por um momento de frescura
com o pensamento parado à beira do abismo
*
logo outro se perfilou
com seu porte metalizado
de irrevogável ensejo
intriguista antes que a fruta apodreça
demitiu-se
alentando podre esperança
alvoroçou o governo
mentindo a quem por sério o tomou
voltou atrás e cresceu
proclamou-se  a salvação
do país já naufragado
como se não fora dele a rota
que provocou um tal dano
mas era tarde ou foi longe demais
havia no habitat
um abutre taciturno encanecido
a quem a fome enraivou
disse não ao absurdo compadrio
e exigiu a mais um
um compromisso fatal
*
se o dia amanhece
de cinzento fosco carregado
se as aves tardam a trinar
o pensamento melancólico enlouquece
até que o sol volte apaixonado
e a alma se alongue além do mar
*
então subitamente
surgindo do crepúsculo enegrecido
ouve-se um grito
calam os rumores de falas moribundas
ajustam posições
as gentes do povo e seus algozes
e quando tudo indiciava
que iam a votos
o abutre entregou as almas ao destino
onde o abismo lhes sorria
.
e logo um grupo de mulheres
com seus homens
levaram sementes e gado
cavaram um túnel
rasgaram as entranhas da terra
até acharem um novo céu
e água límpida cristalina pura
sem pressas nem medos
sem deuses nem amos dementes
sem ouro nem cobiça
tomaram consciência do devir
rasgando o poder tirano
deram início à era humana do amor
*
grandes dunas ocultavam
vistas largas sobre o mar
fechando meus horizontes
quis subir mas resvalavam
mãos e pés a gatinhar
galgando os altos montes

autor: jrg

O DIA DA SALVAÇÃO NACIONAL!...




**
O DIA 

DA SALVAÇÃO NACIONAL

***
à porta do supermercado
há um ministro vencido
recolhendo assinaturas
para o país naufragado
ser salvo e não foragido
por entre salmos e juras
*
à porta do banco cerrado
um presidente caduco
pede um chavo p'rás alminhas
ruge o mar encapelado
o povo estarrece maluco
do desnorte das galinhas
*
à porta d'empresa falida
um governo incompetente
diz que ruma rumo certo
não fora a quebra de vida
a salvação desta gente
é gizar um novo aperto
*
à porta o apelo dramático
para a salvação cabal
entreguem ouro e haveres
a alma se não for patético
para salvar Portugal
do domínio dos credores
*
à porta da Salvação
gritam ladrões usurários
e sábios clarividentes
em Portugal a Nação
foi vítima dos operários
não dos roubos inocentes
*
incrédulo o povo astuto
vê o barco a afundar
e numa maré de feição
inverte o seu estatuto
passa a ser ele a mandar
prendendo a governação
*
à porta da solução
fazem fila para o trabalho
na ânsia do mundo novo
quem comanda a salvação
novas cartas no baralho
não é o ladrão é o povo
autor: jrg

"OS TRÊS PARTIDOS DEMOCRÁTICOS", ou A DITADURA DA DEMOCRACIA!!!






"OS TRÊS PARTIDOS DEMOCRÁTICOS", ou A DITADURA DA DEMOCRACIA!!!


Ao ouvir hoje na Assembleia da República, a voz arrebatada do senhor Paulo Portas, referindo-se aos "TRÊS PARTIDOS DEMOCRÁTICOS", existentes na AR, que discutem os termos da "SALVAÇÃO DE PORTUGAL", ao ler o discurso do senhor Passos Coelho, com a confiança reposta para a prossecução dos seus propósitos de contínua delapidação dos proventos de trabalhadores e reformados, bem como a consequente falência dos serviços públicos fundamentais e ao tomar conhecimento do manifesto "Pa(trio)tético dos Senhores mais ricos de Portugal...(de onde lhes virá tanta riqueza?) acentua-se, no meu pensamento, a ideia que uma feroz ditadura "democrática" está em marcha, sob os auspícios do Senhor Cavaco Silva e de outras eminências pardas que pululam nesta terra de gente habilmente desenrascada...não tarda o PCP,Os Verdes, O bloco de Esquerda e as iniciativas ou organizações que procuram um novo sistema de organização da vida serão proibidos de se manifestarem...
Vivi 30 anos em ditadura...sei o que custa a asfixia do pensamento...e agora...que já me tinha habituado a pensar!...eis que uma noite mais negra se aproxima, no epicentro da tempestade centrifugadora...
autor:jrg

06/07/2013

UMA TRÍADE DE "PARECER" SER..."PORTUGAL APODRECE...

UMA TRÍADE DE "PARECER" SER...
ou mais vale ser que parecer...

***
O que é que esta situação política que estamos a viver em Portugal configura? Vejamos as últimas cenas:
.
O "ilustre técnico financeiro" Vítor Gaspar,falhadas todas as suas tentativas para descobrir a arca do tesouro, demitiu-se porque não sentia o apoio suficiente...à continuação do massacre sobre os reformados,pensionistas e funcionários públicos...

O ilustre P. de Portas, de olhar sinistro e voz metálica, nervos de aço,contorcionista aprimorado,demitiu-se, por não lhe ter sido dada a importância a que se julga com direito...

O pedante Coelho e o obscuro Cavaco, pressionados pelos mandadores sem lei, tecem um enredo escabroso com ares de parecer uma emergência Nacional...porque o que importa é parecer!!! pelo maior tempo possível...parecer que há consenso, parecer que há governo, parecer que há paz e determinação para continuar o terror sobre o povo Português...apagar, quanto antes, esta nódoa de desagregação governamental...Porque Portugal não é a Grécia!!! Custe o que custar!

A seguir (1), o tal Portas, rasga a carta de demissão para que não conste em memória, redime-se de si próprio, e volta ao governo, sabe-se lá com que poderes reforçados...

A seguir (2),o tal Gaspar será chamado para salvar as finanças públicas, com poderes ilimitados para a chacina dos mesmos...mas terá de queimar a sua própria carta de demissão.

E, quando o povo acordar, estremunhado pela sordidez do plano e dos actores em palco, pelo pacto insidioso que os principais protagonistas engendraram em segredo...

Saem os militares a terreiro, não para reporem a ordem constitucional a favor da Nação, mas para reprimirem a contestação, enfim, generalizada, dum povo maior, digno, mas incrivelmente crédulo que o pai natal ainda desce pela chaminé no dia de natal...


Entram os tambores, tocados por mãos hábeis femininas, TOCARUFAR, na frente da manifestação...são um mar de gente de boca aberta que não aceita parecer ordeira quando a alma arde em indignação...são gente tocada pelos ventos insurrectos...porque CHEGA DE PARECER!...QUEREMOS SER!...

Porque a gesta é outra...já não há milicianos...nem ideólogos...nem pensadores e as máquinas estão ao serviço dos tiranos...só nos resta vir para a rua, e defender as nossas vidas com dignidade...salvar a nossa dignidade, desta catástrofe que nos tira o pão e a alma...

MAIS VALE SER QUE PARECER!!!
jrg

04/07/2013

TIREM-ME DESTE FILME TERRORISTA!



Tirem-me deste filme...porra!!! digo eu!

Tirem-me deste filme vergonhoso...porque é asqueroso...é monstruoso...é dispendioso...nem como figurante quero participar...nas cenas histriónicas de antes e depois...é um filme de terror...que nos apresenta um governo terrorista...abjecto...de gatunos verdadeiros, mentirosos compulsivos, senis...uma demência absoluta...

Que povo é este de onde eu nasci que se sujeita a esta malfeitoria? Que se dispõe a participar num filme que ficará na história como deprimente,indecente,indigno,catastrófico...que povo se verga à chantagem duma minoria desgovernada? 

Se não poder sair deste filme quero sair deste povo. Num filme Maquiavélico, depressivo, agressivo, ganancioso...com personagens nojentas...com tantas qualificações que se tornam inqualificáveis...é que eu não quero morrer...

pirei-me!!! jrg

30/06/2013

ALGUNS ASPECTOS DA "VERDADE" HISTÓRICA!



ALGUNS ASPECTOS DA VERDADE HISTÓRICA, 
ditos de uma forma NAIF:

*
Alguns aspectos da verdade histórica: Os Portugueses de 500, hábeis marinheiros, sem terra nem barcos próprios, mas com os olhos brilhantes de cobiça, andavam à gandaia pelo imenso Oceano , entretidos na arte de descobrir novos mundos.

Com o tempo de feição, foram "achando" terras, umas habitadas por" selvagens "que, confrangedoramente, foram civilizando, de Cruz em riste e chicote aperrado...outras vazias de gente onde deixaram a marca do brasão...para mais tarde as povoarem com escravos e famílias de bem, trazidas da lusa Pátria.


Ocuparam as terras assim achadas e exploraram as suas riquezas...venderam os selvagens para trabalhos forçados noutras terras...obrigaram-nos a converterem-se à religião Católica...e de "achado" em "achado", chegaram ao Brasil, Angola,Moçambique,Guiné,Cabo Verde, Timor, S. Tomé e Príncipe, Macau e Índia...um verdadeiro Império de barbárie, não isento, também ele, da cobiça e interesses de outras potências da época.


Algumas destas terras, foram povoadas com colonos esfomeados de ganância, trazidos dos feudos da Pátria Lusa, já então endividada, noutras foram corridos pela crueldade que manifestavam na satisfação da gula...

Depois. muito depois, quando já não era mais possível branquear a "verdade" histriónica da história, tiveram de largar tudo atabalhoadamente...após mais duma década de guerra fratricida...

À luz do presente, seriam julgados por crimes contra a humanidade... 

autor:jrg

29/06/2013

A PONTE 25 DE ABRIL É UMA PASSAGEM OBSTACULIZADA


*
A PONTE 25 DE ABRIL É UMA PASSAGEM OBSTACULIZADA!...
Exigimos uma passagem pedonal!

***
Um grupo de manifestantes descuidados seguia na direcção da ponte 25 de Abril, única via terrestre de ligação da Capital, Lisboa, à outra margem e ao mundo Muçulmano do Sul...por isso existia uma portagem para controlar todas as passagens e impedir qualquer invasão sem aviso prévio...
O Governo, alertado para a possibilidade do encerramento da ponte, por pouco mais ou menos 300 manifestantes, mandou a polícia de intervenção cívica e militar para travar os energúmenos, arrivistas, Anarquistas,Terroristas, que punham em causa a segurança do estado...armados de Varas com pontas de Sílex...barbudos os homens e de sorriso em riste as mulheres...
A polícia foi e, para provar que tem aprendido a estratégica e a táctica, formou um quadrado em jeito de cerco à multidão, conduzindo-a para terreno mais favorável, passando a identificá-los um por um, bem como procedendo a uma minuciosa revista ao seu armamento...com o fito de os acusar de atentado à segurança do estado e outros crimes que oportunamente ocorressem.
Convém frisar que os polícias estavam armados até aos dentes e possuíam treino adequado para desmantelar qualquer tipo de manifestação que atentasse, ou prometesse atentar, contra o bom nome de governantes ou a unidade da Pátria.
A um que trazia uma faca, perguntaram, para que a queria...
_Para descascar a fruta....
A outro que trazia uma garrafa com gasolina...
_Tenho carro ali em baixo que parou por falta de combustível...
A outro que trazia isqueiro...
_Sou fumador...é proibido fumar em marcha?
A todos perguntaram o que estavam a fazer na faixa de rodagem, pondo em perigo a segurança dos automobilistas...
Ao que todos responderam que apenas queriam chamar a atenção para a precariedade das suas vidas...sem emprego...sem esperança de futuro..."queríamos mesmo eliminar obstáculos do nosso caminho...passear a ver se surgiam ideias...ir ao outro lado tomar um banho de mar...porque não há direito que a ponte seja uma passagem obstaculizada com uma portagem e sem permissão para apeados"...
Ai os agentes acharam que era provocação a mais e logo ali deram ordem de dispersão com a obrigatoriedade de se apresentarem a juízo na manhã seguinte...
Os manifestantes dispersaram entoando palavras de ordem:
"Liberdade de circulação...portagem na ponte não..."
"Liberdade de circulação...passagem pedonal na ponte em contra-mão"
"25 de Abril no coração...Tirania vai ao chão...!
autor: jrg


22/05/2013

O ESCRITOR LUÍS MACHADO NO LANÇAMENTO DO LIVRO "A Insurreição das PALAVRAS" de joão raimundo gonçalves

O ESCRITOR LUÍS MACHADO NO LANÇAMENTO DO LIVRO 
"A Insurreição das PALAVRAS
de joão raimundo gonçalves
***
Foto António Vieira da Silva
*
REVOLUÇÃO CÓSMICA
...
sou mulher!
Ah Ah Ah Ah Ah Ah Ah Ah
sou mulher!
cuidem-se os agiotas e outros trafulhas
os políticos e maridos valentões
armados até aos dentes contra cidadãos
mulheres velhos e crianças
sou livre das amarras da história
sarei feridas humilhações
cansei do riso à socapa por me entenderem mais fraca
*
e agora?
*
sou simplesmente mulher
ou fêmea
adúltera bígama polígama lésbica
mas pura
serei o que eu quiser
o instinto de mãe e do prazer
sem luxúria nem lascívia
porque não tenho medo e reúno a coragem do mundo
erguerei bem alto
a bandeira flamejante do ser
*
acabou-se!
*
não há mais trocos nem prostitutas
nem favores
nem violência de estirpe duvidosa
nem a condescendênciazinha das quotas
nem da paridade dos sexos
nem os lugares de estimação por troca de silêncios
nem modas astutas
nem corrupções sensuais
nem trabalhos duplamente esforçados
nem cama mesa e roupa lavada
*


basta!
*
ouviram bem?
*
BASTA!
*

sou a fonte de onde brota a criação
sou a direcção dos ventos
sou o mar salgado a mina de água doce
sou o fogo que espalha fertilidade
sou a terra em movimento nos círculos etéreos da eternidade
sou a força de todo o pensamento
sou a mãe que pariu em dor suprema toda a gente
sou dócil de amor a quem me ama
sou o cheiro e o sabor que há na natureza
sou um animal no reino da animália
*
olhos nos olhos!
*
declaro iniciada a revolução
sobre as mentalidades desumanas mesquinhas
sobre as leis absurdas que escravizam
sobre a organização monoparental das sociedades
sobre todas as lideranças
sobre o medo e a violência dos poderes
sobre a manipulação dos gestos e das palavras
vamos a votos nas ruas
se o estado faliu está em bancarrota
a nação é nossa vamos a ela

***
jrg

poema incluído no livro: A insurreição das PALAVRAS" de joão raimundo gonçalves, editado por edições Vieira da Silva.

29/03/2013

SÓCRATES !



SÓCRATES
***
a palavra Sócrates
coloca tanta muita gente furibunda
primeiro o Grego da filosofia
depois foi o Brasileiro e seus fortes remates
agora é o político Tuga que a circunda
depois de condenado perfidamente à revelia
*
se o filósofo Sócrates
em vez de condenado a tomar cicuta
pudesse litigar sua defesa
talvez houvesse menos mais disparates
nem a razão pareceria tão estulta
quando esgrimida sem sofisma à tibieza
*
se o médio Sócrates
em vez de defender ousasse ser só ataque
quem sabe no Brasil o que faria
talvez se confrontado com os dislates
mandasse golear toda a claque
estendendo à verborreia a certeira pontaria
*
o grande erro de Sócrates
o político mais audaz da nossa Lusa história
foi ter ido a combate sem defesa
traído por alguns amigos vaiado pelo orates
vítima da mais cobarde oratória
que o culpou de crimes imputados até à realeza
*
é mentira que o homem
seja na natureza o ser mais que perfeito
sendo tão frágil ao nascer e na morte
cresce a aldrabar o mundo para que o tomem
por deus do universo rarefeito
submetendo o fraco à lei imbecil do mais forte
*
melhor seria se houvesse
de cada acção ou ideia melhor entendimento
que nos estimulasse a alegria
de acharmos na vida o sentido que fizesse
luz na consciência e pensamento
que a palavra Sócrates carrega em energia
*
melhor fora se houvesse
a noção exacta da nossa ínfima pequenez
num mundo giro e maravilhoso
onde cada qual de nós tão se incumbisse
de livrar na vida a sordidez
que mancha o pensamento livre mais ditoso
*
jrg


07/03/2013

GRÂNDOLA O HINO DOS HUMILDES !



**
ouço a Grândola Vila morena
que venceu a ditadura
vejo o ar de enfado dos bandidos
se a alma é grande tudo vale a pena
falam demais mentira pura
acabou o jogo não seremos vencidos
*
a protectora dos animais
ofendeu-se com o coelho enforcado
num protesto de estudantes
é bárbaro ofende a honra dos samurais
um coelho mata-se a punhado
e come-se às escondidas dos tratantes
*
Ouço a "Grândola" ecoar pelo país
a revolta revigora a alastrar
qualquer criança canta à despedida
do bando que insiste ser raiz
estando a soldo dos interesses doutro mar
e recusando a ordem de saída
*
o presidente mouco acordou
do sono longo letárgico profundo
veio falar da maré viva
ouviu o clamor do povo e julgou
que era já o fim do mundo
num mar de gente cansada à deriva
*
ouço Grândola a matinal canção
Primavera amanhecida
aos ventos erguida por povo valente
para expulsar o ladrão
mais a dívida forjada e a já vencida
que querem cobrar novamente
*
os criminosos resistem
à ordem feminina de imediata demissão
inglória vontade a dos arguidos
o crime não compensará por mais que gritem
que foram eleitos pela nação
já se ouvem os rumores de novos sentidos
*
ouço Grândola o hino dos humildes
de vilas morenas cidades
rufam tambores cresce o alarido da revolta
mulheres que suspendem as lides
crianças famintas homens sem idades
anda uma revolução à solta

autor: jrg

04/03/2013

VIVA A MULHER PORTUGUESA!


VIVA A MULHER PORTUGUESA!
**

viva a Maria da Fonte
com seus olhos cintilantes
a alma de fora a arfar
arrasta a multidão a monte
para varrer os tratantes
que ao povo querem matar
*

viva Deu-La-Deu Martins
com sua sabedoria
cercado o povo e já faminto
atirou pão aos mastins
vencendo tão feroz a tirania
que nos apertava o cinto
*

viva a Brites de Almeida
padeira em Aljubarrota
não se rendia o tirano
foi à toca matou sete dessa feita
tendo evitado a derrota
mais parecendo um ser insano
*

Viva a Florbela Espanca
com seu amor infinito
afrontou o másculo conceito
que uma mulher não se espanta
se o pensamento vence o mito
e faz dela o ser perfeito

*

viva Catarina Eufémia
sem medo da força bruta
manchou de sangue a campina
com coragem foi-se à tirania
mais vale uma morte abrupta
que ser por vâ feminina
*

viva a Luisa Trindade
frente ao batalhão do poder
sem medo a pedir pão
nem trabalho nem liberdade
só palavras de roer
exigindo dos traidores a rendição
*

viva Ana Maria Pinto
em toda a parte e frente ao parlamento
a voz que acorda o povo
onde houver uma mulher o que eu sinto
é um país a renascer no pensamento
na hora de acender o fogo

*
viva a mulher Portuguesa
porque é dela o movimento
que traz a revolução
na força da sua grandeza
produz novo o pensamento
com seus filhos pela mão

autor: jrg

03/03/2013

A REVOLUÇÃO ADIADA


*
A REVOLUÇÃO ADIADA
**
no palco havia
uma frente de mulheres aguerridas
ante uma multidão
de gente sofrida que grita abaixo a tirania
fora com os ladrões
era Lisboa no terreiro do povo
rendida ao canto
das palavras vestidas de indignação
vibrantes as vozes
dessas mulheres que da frente liam
proclamando um manifesto
do que não queremos para as nossas vidas
emocionam-se os poetas
as gentes e as crianças manifestam-se
está tudo ali quase um milhão
a ver se sai a palavra do povo que mais ordena
a ordem de ali mesmo acampar
até que os bandidos larguem o osso
mas o que sai são pedidos pungentes de fora troika
nada de violência
havemos de os cansar bramando até à insolvência
enquanto o país se arruína
porque a alma do povo ainda anda à deriva
eram tantas as mulheres
que naquele palco ante a multidão havia
mas nenhuma era Maria da Fonte
e se fossem! que desígnios de governo nos traziam?
quase um milhão de gente
inundou o Terreiro do Povo em Lisboa
e a revolução parou à hora da saída
***
autor: jrg

18/02/2013

REFUNDAÇÃO DO ESTADO... O QUE O POVO NÃO QUER PAGAR...




REFUNDAÇÃO DO ESTADO...
O QUE O POVO NÃO QUER PAGAR:
«««//»»»
01- não queremos pagar a instituição presidência da República.
02-não queremos subsidiar fundações.
03-não queremos pagar PPP danosas.
04-não pagamos nem mais um euro para o BPN.
05-não pagamos mais derrapagens nas obras públicas quando as houver.
06-não queremos pagar a tantos deputados na Assembleia da República.
07-não queremos subsidiar os partidos políticos.
08-não queremos pagar festas e ou comemorações dispendiosas.
09-não admitimos o enriquecimento ilícito.
10-não queremos pagar tantos carros, nem viaturas de alta cilindrada, ao serviço
     do governo,presidência e assembleia da república, bem como nas autarquias,
     desde que sejam pagos pelo erário público.
11-não queremos mais cortes nos salários e nas pensões, nem por via directa nem
     por via de outra manigância qualquer.
12-não queremos tanta gente desempregada.
13-não queremos pagar institutos públicos de fachada.
14-não queremos pagar vencimentos milionários, nem na administração pública nem nos privados.
15-não queremos pagar subvenções vitalícias para políticos de curta duração.
16-não queremos pagar assessorias e pareceres.
17-não queremos pagar a governos elitistas, de mesa farta e com excesso de membros extensíveis.
18-não queremos pagar reformas a quem não tenha atingido o limite geral da idade para o efeito,
     salvo por doença ou outra insuficiência para a vida activa.
19-não queremos a privatização da água, da electricidade, e dos transportes, bem como de outros
     bens julgados de interesse público
20-não queremos pagar por quem beneficiou dos desarranjos orçamentais.
21-não queremos pagar a divida excessiva e não documentada, nem os juros usurários.

autor:jrg

23/01/2013

O REGRESSO AOS MERCADOS DEPOIS DO POGROM SOBRE OS REFORMADOS...



O REGRESSO AOS MERCADOS DEPOIS DO POGROM SOBRE OS REFORMADOS...




«««»»»
Depois do Pogrom sobre os reformados, confiscando-lhes parte das pensões, comparados aos Cristãos-Novos da crónica de Damião de Góis abaixo transcrita, da devastação da economia, com o consequente aumento do desemprego, da destruição do SNS, da conspurcação da alma Portuguesa, este governo de Portugal, manda anunciar o regresso aos Mercados, única bandeira que serviram desde que assumiram o poder de governar o Estado/Nação...
Não tarda, se conseguir provocar a euforia entre os trabalhadores que ainda têm emprego, sitiados pelo corte de salários, de sonhos e aumento de impostos, a cena descrita na Crónica de Damião de Góis, que originou o massacre de Lisboa de 1506, pode voltar a renascer, culpando os pensionistas, reformados e idosos em geral, por todos os males de que a Nação padece...Já hoje é igualmente notícia a sentença do" Imperador" do Japão..."só quando os velhos morrerem...ou...se todos os velhos morrerem, será a salvação dos estados em crise financeira...
Estamos no limiar duma revolução cósmica...o velho humanismo definha sem nunca se ter afirmado na plenitude dos seus propósitos e objectivos...os direitos humanos ficam de novo à mercê do livre arbítrio, da insaciabilidade financeira das obscuras entidades que dominam o mundo,,,
Quero gritar a esperança, sem medo, aquela luz que vedes, não é um milagre...é apenas uma luz que alguém acendeu com o propósito de vos, nos cegar a consciência...com o tempo ela se apagará e voltaremos a mergulhar na escuridão...
A esperança reside na organização do estado em plano raso...sem faustos nem iluminados...partindo dum princípio de liberdade e democraticidade participada e autêntica, tendo em conta o elemento feminino como a génese da história da humanidade...
autor: jrg

Damião de Góis in «Chronica do Felicissimo Rey D. Emanuel da Gloriosa Memória»:
«No mosteiro de São Domingos existe uma capela, chamada de Jesus, e nela há um Crucifixo, em que foi então visto um sinal, a que deram foros de milagre, embora os que se encontravam na igreja julgassem o contrário. Destes, um Cristão-novo (julgou ver, somente), uma candeia acesa ao lado da imagem de Jesus. Ouvindo isto, alguns homens de baixa condição arrastaram-no pelos cabelos, para fora da igreja, e mataram-no e queimaram logo o corpo no Rossio.
Ao alvoroço acudiu muito povo a quem um frade dirigiu uma pregação incitando contra os Cristãos-novos, após o que saíram dois frades do mosteiro com um crucifixo nas mãos e gritando: “Heresia! Heresia!” Isto impressionou grande multidão de gente estrangeira, marinheiros de naus vindos da Holanda, Zelândia, Alemanha e outras paragens. Juntos mais de quinhentos, começaram a matar os Cristãos-novos que encontravam pelas ruas, e os corpos, mortos ou meio-vivos, queimavam-nos em fogueiras que acendiam na ribeira (do Tejo) e no Rossio. Na tarefa ajudavam-nos escravos e moços portugueses que, com grande diligência, acarretavam lenha e outros materiais para acender o fogo. E, nesse Domingo de Pascoela, mataram mais de quinhentas pessoas.
A esta turba de maus homens e de frades que, sem temor de Deus, andavam pelas ruas concitando o povo a tamanha crueldade, juntaram-se mais de mil homens (de Lisboa) da qualidade (social)dos (marinheiros estrangeiros), os quais, na Segunda-feira, continuaram esta maldade com maior crueza. E, por já nas ruas não acharem Cristãos-novos, foram assaltar as casas onde viviam e arrastavam-nos para as ruas, com os filhos, mulheres e filhas, e lançavam-nos de mistura, vivos e mortos, nas fogueiras, sem piedade. E era tamanha a crueldade que até executavam os meninos e (as próprias) crianças de berço, fendendo-os em pedaços ou esborrachando-os de arremesso contra as paredes. E não esqueciam de lhes saquear as casas e de roubar todo o ouro, prata e enxovais que achavam. E chegou-se a tal dissolução que (até) das (próprias) igrejas arrancavam homens, mulheres, moços e moças inocentes, despegando-os dos Sacrários, e das imagens de Nosso Senhor, de Nossa Senhora e de outros santos, a que o medo da morte os havia abraçado, e dali os arrancavam, matando-os e queimando-os fanaticamente sem temor de Deus.
Nesta (Segunda-feira), pereceram mais de mil almas, sem que, na cidade, alguém ousasse resistir, pois havia nela pouca gente visto que por causa da peste, estavam fora os mais honrados. E se os alcaides e outras justiças queriam acudir a tamanho mal, achavam tanta resistência que eram forçados a recolher-se para lhes não acontecer o mesmo que aos Cristãos-novos.
Havia, entre os portugueses encarniçados neste tão feio e inumano negócio, alguns que, pelo ódio e malquerença a Cristãos, para se vingarem deles, davam a entender aos estrangeiros que eram Cristãos-novos, e nas ruas ou em suas (próprias) casas os iam assaltar e os maltratavam, sem que se pudesse pôr cobro a semelhante desventura.
Na Terça-feira, estes danados homens prosseguiram em sua maldade, mas não tanto como nos dias anteriores; já não achavam quem matar, pois todos os Cristãos-novos, escapados desta fúria, foram postos a salvo por pessoas honradas e piedosas, (contudo) sem poderem evitar que perecessem mais de mil e novecentas criaturas.

09/12/2012

OS DEZ MANDAMENTOS QUE CONDENAM O XIX GOVERNO CONSTITUCIONAL DA REPÚBLICA PORTUGUESA !!!


quadro de Rembrandt
«««//»»»
OS DEZ MANDAMENTOS QUE CONDENAM
O XIX GOVERNO CONSTITUCIONAL
DA REPÚBLICA PORTUGUESA !!!
I
não roubarás
mas passos e gaspar roubaram
primeiro os reformados
que indefesos já não distinguem deus de barrabás
depois os outros que acreditaram
que era já farta a fome dos poderes esfaimados
II
não matarás
mas os macedos sanguinários
sinistros de pica e bastão
condenaram à morte lenta sem pira nem gaz
sob aplausos correligionários
os demais sobreviventes da inclitica nação
III
não cobiçarás
nem a mulher nem a coisa alheia
mas as portas corriqueiras
abrem a frente aos negócios com a mão atrás
e abrem a traseira coisa feia
com as luvas sempre cheias e certeiras
IV
Não mentirás
nem sobre os ídolos da constituição
que reconhece o povo soberano
por falsa castidade  ou desgoverno  não te rirás
enquanto vendes alma e coração
que é dos bens terrenos o mais humano
V
não governarás
adorando os ídolos ímpios estrangeiros
reduzindo à miséria o teu povo
ao demónio a tua alma e a riqueza entregarás
como resgate dos dinheiros
que perdeste no vício do viciado jogo
VI
não honrarás
a memória dos teus egrégios e santos avós
destruindo tudo o que deixaram
a dignidade de livre não precisa d'alvarás
ou da caridadezinha dum motar a sós
condeno-vos a devolverem o que já roubaram
VII
não odiarás
sobre todas as coisas o reformado e o trabalhador
nem mulher que anseia pão para seu filho
contra o senhor dos exércitos não mais te revoltarás
farei que pagues por toda justiça sem amor
condeno-vos ao exílio para que aprendeis o novo trilho
VIII
não ignorarás
a vontade e o saber no povo acumulado
nem o Sábado e o Domingo
porque são os dias da marcha contra o teu ídolo Satanás
a quem seguis de veras obstinado
condeno-vos à fuga permanente e sem abrigo
IX
Não sobreviverás
ao adultério das leis comuns e das constitucionais
à falsa castidade nem aos ardis
por onde rastejais... de onde vindes? de Alcoentre ou Alcatraz?
mando que acordem os lusos que apagais
que em cada coração se eleve a chama dos amores que fiz

X
Não Passarás
incólume pelo silêncio protestativo da multidão
em cada lamento nasce a coragem
perante a qual ao seres derrubado te calarás
de nada te valendo a oração
porque deus não perdoa à vilanagem

autor: jrg

25/11/2012

PAZ OU IMPLOSÃO HUMANITÁRIA ???





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PAZ OU IMPLOSÃO HUMANITÁRIA ???
***
que paz quereis
que paz é esta que atormenta
que paz fazemos
que paz é esta que me vos nos mata
que paz erguemos
que paz é esta que nos guerreia
que paz vivemos
que paz é esta cheia de medos
que paz companheiras
que paz é esta carente de amor
*
a paz que eu quero
é a da alegria
dos vales férteis de ecos vadios
a paz que eu quero
é a do amor
da justiça e dos valores humanos
a paz que eu quero
é a do humanismo
sem inveja sem luxúria sem cobiça
a paz que eu quero
*
que paz me trazeis
se não me dais senão desassossego
e medo de me perder
que paz cheia de terrores me ofereceis
se já não chega o pão
e o salário mingua a cada saque
que paz me paga
a insolvência de não ter com que pagar
à mercê do garrote
que paz senão a que sobre vêm à morte
*
a paz que eu quero
é a de trabalhar e receber a paga
o justo e meu salário
a paz que eu quero
é a da não violência
recuso a paz insólita do cemitério
a paz que eu quero
é a de viver em paz com a natureza
e respeitar os bichos
a paz que eu realmente quero
*
que paz é esta senhoril
que paz alevantais com a força bruta
que paz no roubo das pensões
que paz sobre os velhotes a tropeções
que paz é esta de  funil
que paz nos rouba água e alimento
que paz nos programais
que paz de desamor ódio e desemprego
que paz é esta vingadora
que paz nos divide e farta a mesa da ganância
*
olho duas mulheres pela paz
escrevem no chão com círios a palavra União
face a face com o parlamento
de onde parte a ordem para toda a violência
faz frio sentadas na laje da desdita
devem pensar que são crianças a brincar
os cidadãos que passam
sem se darem conta da tragédia que é viver
acorrentado ao livre arbítrio
no dia seguinte a chuva invade a paz sem solução
*
porque era mentira
*
não havia guerra nem povo revoltado
mas elas não sabiam
acreditavam ser porta voz da alma ou a bandeira
dos que tinha fome de justiça
mas elas não sabiam
acreditavam ser capazes de vencer
a inércia dum povo dividido
mas elas não sabiam
acreditavam na sublimação da arte em movimento
a unir um povo acéfalo
*
porque era mentira
*
que houvesse fome mais do que já havia
que o desemprego fosse flagelo
que houvesse tristeza nas mesas da alegria
que a alma deixasse o corpo ao abandono
que a economia rastejasse
que os mais ricos repartissem entre si a mais valia
que a revolução está em marcha
que havia corrupção fugas ao fisco e à balança
que se morria nas ruas
que havia em paralelo outra economia
*
duas mulheres enfrentam os carrascos
fica a pergunta
*
que é do povo pequeno
que é do povo do meio e do intermédio
que é da sabedoria e do alento
que é dos jovens sem futuro mandados emigrar
que é das mães em desespero
que é das mulheres que a longa história violentou
que é da fraternidade 
que é da alma solidária que resiste
que é da vergonha idólatra
que nos deixa em casa enquanto a paz insiste
autor: jrg