Blog de intervenção e reflexão e alguma literatura, numa salada que pretendo harmoniosa e saudável.
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28/01/2014
LANÇAMENTO DO LIVRO O DESASSOSSEGO DA MEMÓRIA - ALTERAÇÃO DO LOCAL
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26/01/2014
LANÇAMENTO DO LIVRO: "O DESASSOSSEGO DA MEMÓRIA"
NOVO LOCAL: HOTEL FONTE CRUZ
Avª da Liberdade,138-142-LISBOA
Avª da Liberdade,138-142-LISBOA
Sinopse da obra
O livro, “O Desassossego da Memória”, procura ir
ao encontro da memória do homem enquanto espécie
natural não massificada pelas religiões e pelo fatalismo
da liderança dos poderes compulsivamente emergentes:
militares, económicos e financeiros, em busca do homem
real, consubstanciado na sua animalidade e na alma
feminina.
É um livro contra os preconceitos e que considera
a sexualidade como um motor de libertação do
inconsciente profundo… uma sexualidade atenta aos
instintos perversos sem desrespeitar a animalidade de
que somos possuídos… mas contendo-a nos limites da
consciência em que cada um se movimenta…
É a mulher que comanda as emoções.
Porque a memória é o factor principal do desassossego
de viver aqui se procura evidenciar o papel da
mulher em todo o desenvolvimento humano e o obscu-
rantismo a que foi votado o seu pensamento ao longo de
milénios.
A história do romance vive-se num ambiente de
demência política e cultural com a transformação do
mundo em decadência e à procura dos alicerces para um
novo Humanismo.
O autor convida-vos ao salutar exercício de pensar,
simplificando o raciocínio em toda a sua amplitude…
SAMUELDABÓ/jrg
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17/01/2014
CONVITE - LANÇAMENTO DO LIVRO: "O DESASSOSSEGO DA MEMÓRIA"
Sinopse da obra
O livro, “O Desassossego da Memória”, procura ir
ao encontro da memória do homem enquanto espécie
natural não massificada pelas religiões e pelo fatalismo
da liderança dos poderes compulsivamente emergentes:
militares, económicos e financeiros, em busca do homem
real, consubstanciado na sua animalidade e na alma
feminina.
É um livro contra os preconceitos e que considera
a sexualidade como um motor de libertação do
inconsciente profundo… uma sexualidade atenta aos
instintos perversos sem desrespeitar a animalidade de
que somos possuídos… mas contendo-a nos limites da
consciência em que cada um se movimenta…
É a mulher que comanda as emoções.
Porque a memória é o factor principal do desassossego
de viver aqui se procura evidenciar o papel da
mulher em todo o desenvolvimento humano e o obscu-
rantismo a que foi votado o seu pensamento ao longo de
milénios.
A história do romance vive-se num ambiente de
demência política e cultural com a transformação do
mundo em decadência e à procura dos alicerces para um
novo Humanismo.
O autor convida-vos ao salutar exercício de pensar,
simplificando o raciocínio em toda a sua amplitude…
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20/11/2013
O DESASSOSSEGO DA MEMÓRIA ( Romance)
***
Sinopse da obra a publicar brevemente pela Chiado Editora.
*
O livro, “O Desassossego da Memória”, procura ir
ao encontro da memória do homem enquanto espécie
natural não massificada pelas religiões e pelo fatalismo
da liderança dos poderes compulsivamente emergentes:
militares, económicos e financeiros, em busca do homem
real, consubstanciado na sua animalidade e na alma
feminina.
É um livro contra os preconceitos e que considera
a sexualidade como um motor de libertação do
inconsciente profundo… uma sexualidade atenta aos
instintos perversos sem desrespeitar a animalidade de
que somos possuídos… mas contendo-a nos limites da
consciência em que cada um se movimenta…
É a mulher que comanda as emoções.
Porque a memória é o factor principal do desassossego
de viver aqui se procura evidenciar o papel da
mulher em todo o desenvolvimento humano e o obscu-
rantismo a que foi votado o seu pensamento ao longo de
milénios.
A história do romance vive-se num ambiente de
demência política e cultural com a transformação do
mundo em decadência e à procura dos alicerces para um
novo Humanismo.
O autor convida-vos ao salutar exercício de pensar,
simplificando o raciocínio em toda a sua amplitude…
SAMUELDABÓ/jrg
*
O livro, “O Desassossego da Memória”, procura ir
ao encontro da memória do homem enquanto espécie
natural não massificada pelas religiões e pelo fatalismo
da liderança dos poderes compulsivamente emergentes:
militares, económicos e financeiros, em busca do homem
real, consubstanciado na sua animalidade e na alma
feminina.
É um livro contra os preconceitos e que considera
a sexualidade como um motor de libertação do
inconsciente profundo… uma sexualidade atenta aos
instintos perversos sem desrespeitar a animalidade de
que somos possuídos… mas contendo-a nos limites da
consciência em que cada um se movimenta…
É a mulher que comanda as emoções.
Porque a memória é o factor principal do desassossego
de viver aqui se procura evidenciar o papel da
mulher em todo o desenvolvimento humano e o obscu-
rantismo a que foi votado o seu pensamento ao longo de
milénios.
A história do romance vive-se num ambiente de
demência política e cultural com a transformação do
mundo em decadência e à procura dos alicerces para um
novo Humanismo.
O autor convida-vos ao salutar exercício de pensar,
simplificando o raciocínio em toda a sua amplitude…
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31/08/2008
SAMSARA- DIÁLOGOS DA ALMA
Quando o comandante do avião anunciou a descida para o aeroporto do Funchal, um tremor de emoção percorreu o meu corpo adormecido, acordando-me de um leve torpor e deixando retidas na minha memória imagens fantásticas de nuvens a galope, sobrepondo-se umas ás outras em imensos flocos de uma brancura e de uma leveza sensual.
A dada altura, provavelmente por a descida ser bem acentuada, a pressão que se faz sentir, parece querer fazer saltar todo o cérebro, numa sensação estranha que eu já tinha sentido em África, quando viajei num pequeno avião de guerra. As entranhas a quererem saltar, todo eu. Surdo, abrir as maxilas. Uma dor fortemente aguda nas frontes. A impressão de que o cérebro vai rebentar a todo o momento. O susto e o toque salvador das rodas na pista.
Chegar numa manhã de Domingo, o Sol castigador, desde logo cedo.
Enquanto espero as malas da bagagem, acendo um cigarro e olho em volta. E dou de olhos nos teus olhos, castanhos, refulgentes de vida mas tristes. O que sobressai de ti é o sorriso, imenso de simpatia, de sinceridade plena.
Quando deste por eu te olhar, os teus tomaram uma atitude altiva. Levantaste um pouco mais os teus belos cabelos castanhos que te caíam sobre os ombros. Bonita, pensei, mas estranho aquele olhar e o que vai naquela alma.
Absorvido nos meus pensamentos de ti, deixei cair o isqueiro e tu apressaste-te a apanhá-lo. Os meus olhos nos teus olhos e o teu sorriso.
“Olá. Chamo-me neoabjeccionismo e sinto que na temperatura amena da Ilha mais cosmopolita, o teu rosto é um mimo de encantos. e a imagem de Princesa Esquimó, um sonho de mudança”.
Levantaste-te com um ar irritado pelo tom atrevido das minhas palavras. Nem eu sei porque as disse, como fui capaz de as dizer. Foi um impulso abusivo de mim, de algo de mim que subiste em mistério. Os teus lábios fecharam o sorriso, uma nuvem espessa cobriram a retina dos olhos que antes brilhavam, e disseste, a voz trémula, grave
“Não sei se dê a boas vindas a uma pessoa que se chama "neoabjeccionismo". Os teus pais não gostavam de ti, ou o "Neo" quer dizer algo "muito à frente" que só um Uraniano compreenderia? Mas como sou um Rato Balança...Vou dar o benefício da dúvida e vou mesmo fazer um esforço para acreditar que o que disseste é cheio de boas intenções. Sou a Samsara.
Chegaram-me as malas e a pessoa que esperavas e saíste deitando-me um olhar de despeito.
Chegado ao hotel tomei um duche para me refrescar e fui ver a Cidade.
A primeira impressão de uma estranha e sensual beleza. O asseio nos passeios. O casario subindo os declives, o mar azul e a lembrança de miúdos, quando brincávamos no juncal, em jeito de desafio.
-É malta, levamos uma chata e vamos a remar até à Madeira. No mapa era como se a distância se medisse com um palmo.
Estava tão longe de um dia ser possível realizar esse sonho. E aqui estava eu. Madeira, a Pérola do Atlântico.
Comecei por vaguear por toda a parte baixa da cidade, encantando-me da arquitectura, das belas mulheres encaloradas, de múltiplas Nacionalidades, da vista sob as íngremes montanhas, até aos picos, nublados por densas nuvens, aqui e ali deixando que se abrisse o azul do céu.
A marina e os restaurantes em forma de barco, ou mesmo de antigos barcos recuperados para o efeito, A alameda ajardinada e embelezada de quiosques entre palmeiras e outras plantas e flores exóticas.
Percorrer a via Atlântica, longa e recheada de motivos de paragem, a fortaleza, os jardins em escada que vão dar ao casino e os próprios jardins do casino, de plantas luxuriantes e lindas de uma beleza de verdes e multi cores que contrasta com a imensidão azul do mar.
E como aquilatar da beleza sem ter por oposição a coisa feia, o desajuste da harmonia que se sente em canta encanto. Nos olhos das pessoas que não sorriem. Nos miúdos andrajosos que vagueiam desajustados do fausto da paisagem. O clima quente e húmido que me cola a camisa ao corpo.
Eu fora convidado para a inauguração duma livraria que se propunha ser um veículo de cultura, moderno e diferente de outros modelos já existentes na Cidade, a temática da cultura para todos e ao serviço de todos, as novas fronteiras do conhecimento e do saber...
Jantei nos Combatentes, servido por empregadas de Libré e um sorriso de enorme simpatia, em frente um dos belos jardins da cidade.
Quando cheguei ao local do evento, no Madeira shopping, a noite descera sobre a cidade e mostrava-me um deslumbrante espectáculo de cor e luz, das casas que subiam a montanha em toda a volta para onde eu olhasse. É um êxtase.
Já havia muitos convidados que se passeavam de copo na mão e petiscando das iguarias espalhadas em pequenas mesas ao redor da sala. E dei de caras com ela, que se ria em cristalinas gargalhadas com um grupo de amigas e que se quedou ao ver-me, de repente, como se de um fantasma.
Sorri para ela e disse em jeito de cumprimento:
“Olá, Samsara, para quem me dá um desprezível beneficio da dúvida, vê-la duas vezes num mesmo dia, não está nada mau. Quero reafirmar a sinceridade do que disse. E quanto ao neoabjeccionismo, é uma corrente de escrita, como que uma filosofia do desespero, que deriva do abjeccionismo, que não procura ofender ninguém em particular. E não me pareceu nada ético, que da sua principesca tribuna tenha chamado à vida, os meus falecidos pais. Mas vindo desta região , já nada me admira”
Tinha-se feito um silêncio em volta. As tuas amigas não perceberam o que se passava, o porquê daquelas palavras e ditas com um sorriso. Tu ficaste vermelha , mas os teus olhos brilhavam e intempestivamente largaste uma sonora gargalhada.
Uma das tuas amigas, a Luísa não gostou do meu tom, nem de algumas das minhas palavras e sem rodeios, citando-me, para melhor se situar:
“ “Mas vindo desta região, já nada me admira?”...Que engraçado, pelos vistos não a conhece, a Samsara não é Madeirense. Apenas costuma dizer que se sente mais Madeirense. Ou está a dizer que as gentes do Continente são mal educadinhas? Hum...talvez seja mesmo isso que quis dizer.
Ups...ou será que não?...”
Luísa, penso num relâmpago, tão bonito o teu rosto, tão jovem, os olhos grandes cintilantes, os lábios sedutores, o cabelo negro, a tua pele. Uma beleza que dói de olhar. O teu ar de desafio a parecer uma galinha da Índia empoleirada. Mas séria.. e ainda uma menina...
A anfitriã interrompe o nosso diálogo, surgindo admirada por nos ver em acalorado diálogo e sem se aperceber que eram tensas as palavras trocadas sob o ruído das conversas envolventes.
“Viva, Neo, Chegou e nem dei por si. Mas vejo que já fez amigas!...”
Carla, tinha vindo dos Açores apaixonada por um homem que lhe prometera a Lua e o Sol, sem se aperceber que o Sol e a Lua eram dois amantes condenados à solidão estática da distância. Que se encontravam de tempos a tempos quando, por motivos cósmicos, um deles eclipsa o outro dos nossos olhos. Desesperara de raiva porque se tinha entregue na sua totalidade à ilusão de um amor eterno, que não soubera distinguir da simples atracção física e do encanto das palavras galantes. ”Carla!...Valquíria da Terceira!. Exclamei, beijando-a nas faces coradas pelo ambiente ou pelo champanhe que já corria de boca em boca, gelado, doce entre acepipes de sabor contrário.
“Faço já as apresentações. A Samsara- Ui...o teu perfume, mulher, os teus lábios quentes sobre a minha pele, a sensação de frescura que deixaram. – A Luísa...- o teu beijo de lado, em falso, descomprometido de qualquer sentido que indicie amizade, mas o teu aroma a chegar-me fresco, sedutor, inocente. - A Anabela...tens um olhar longínquo, ausente, como se procurasses alguém em abstracto, mas és bela e o teu sorriso aprisiona-me. - E esta a Infiel.., o teu abraço confiante, expansivo e os beijos nas faces quase a tocar-me os lábios, atrevida, como se me quisesses sorver no momento. - Desculpem, meninas, mas vamos começar e o Neo vai ter que se sentar na mesa dos discursos..
nota:" o texto é pura ficção,qualquer semelhança de nomes é pura coincidência."
...................................................................................................................................................
É o que me proponho. Escrever sobre vidas anónimas que valem as luzes da ribalta ou a fixação histórica e que traduzem a essência de um povo. Primeiro de uma família. Primeiro ainda, ou antes de tudo, a essência de um homem, de uma mulher.
Escreverei por encomenda, preços de acordo com extensão e pesquisa de documentação. Mas com a paixão que o percurso proposto me suscitar.
Aguardo a vossa proposta.
J.R.G.
A dada altura, provavelmente por a descida ser bem acentuada, a pressão que se faz sentir, parece querer fazer saltar todo o cérebro, numa sensação estranha que eu já tinha sentido em África, quando viajei num pequeno avião de guerra. As entranhas a quererem saltar, todo eu. Surdo, abrir as maxilas. Uma dor fortemente aguda nas frontes. A impressão de que o cérebro vai rebentar a todo o momento. O susto e o toque salvador das rodas na pista.
Chegar numa manhã de Domingo, o Sol castigador, desde logo cedo.
Enquanto espero as malas da bagagem, acendo um cigarro e olho em volta. E dou de olhos nos teus olhos, castanhos, refulgentes de vida mas tristes. O que sobressai de ti é o sorriso, imenso de simpatia, de sinceridade plena.
Quando deste por eu te olhar, os teus tomaram uma atitude altiva. Levantaste um pouco mais os teus belos cabelos castanhos que te caíam sobre os ombros. Bonita, pensei, mas estranho aquele olhar e o que vai naquela alma.
Absorvido nos meus pensamentos de ti, deixei cair o isqueiro e tu apressaste-te a apanhá-lo. Os meus olhos nos teus olhos e o teu sorriso.
“Olá. Chamo-me neoabjeccionismo e sinto que na temperatura amena da Ilha mais cosmopolita, o teu rosto é um mimo de encantos. e a imagem de Princesa Esquimó, um sonho de mudança”.
Levantaste-te com um ar irritado pelo tom atrevido das minhas palavras. Nem eu sei porque as disse, como fui capaz de as dizer. Foi um impulso abusivo de mim, de algo de mim que subiste em mistério. Os teus lábios fecharam o sorriso, uma nuvem espessa cobriram a retina dos olhos que antes brilhavam, e disseste, a voz trémula, grave
“Não sei se dê a boas vindas a uma pessoa que se chama "neoabjeccionismo". Os teus pais não gostavam de ti, ou o "Neo" quer dizer algo "muito à frente" que só um Uraniano compreenderia? Mas como sou um Rato Balança...Vou dar o benefício da dúvida e vou mesmo fazer um esforço para acreditar que o que disseste é cheio de boas intenções. Sou a Samsara.
Chegaram-me as malas e a pessoa que esperavas e saíste deitando-me um olhar de despeito.
Chegado ao hotel tomei um duche para me refrescar e fui ver a Cidade.
A primeira impressão de uma estranha e sensual beleza. O asseio nos passeios. O casario subindo os declives, o mar azul e a lembrança de miúdos, quando brincávamos no juncal, em jeito de desafio.
-É malta, levamos uma chata e vamos a remar até à Madeira. No mapa era como se a distância se medisse com um palmo.
Estava tão longe de um dia ser possível realizar esse sonho. E aqui estava eu. Madeira, a Pérola do Atlântico.
Comecei por vaguear por toda a parte baixa da cidade, encantando-me da arquitectura, das belas mulheres encaloradas, de múltiplas Nacionalidades, da vista sob as íngremes montanhas, até aos picos, nublados por densas nuvens, aqui e ali deixando que se abrisse o azul do céu.
A marina e os restaurantes em forma de barco, ou mesmo de antigos barcos recuperados para o efeito, A alameda ajardinada e embelezada de quiosques entre palmeiras e outras plantas e flores exóticas.
Percorrer a via Atlântica, longa e recheada de motivos de paragem, a fortaleza, os jardins em escada que vão dar ao casino e os próprios jardins do casino, de plantas luxuriantes e lindas de uma beleza de verdes e multi cores que contrasta com a imensidão azul do mar.
E como aquilatar da beleza sem ter por oposição a coisa feia, o desajuste da harmonia que se sente em canta encanto. Nos olhos das pessoas que não sorriem. Nos miúdos andrajosos que vagueiam desajustados do fausto da paisagem. O clima quente e húmido que me cola a camisa ao corpo.
Eu fora convidado para a inauguração duma livraria que se propunha ser um veículo de cultura, moderno e diferente de outros modelos já existentes na Cidade, a temática da cultura para todos e ao serviço de todos, as novas fronteiras do conhecimento e do saber...
Jantei nos Combatentes, servido por empregadas de Libré e um sorriso de enorme simpatia, em frente um dos belos jardins da cidade.
Quando cheguei ao local do evento, no Madeira shopping, a noite descera sobre a cidade e mostrava-me um deslumbrante espectáculo de cor e luz, das casas que subiam a montanha em toda a volta para onde eu olhasse. É um êxtase.
Já havia muitos convidados que se passeavam de copo na mão e petiscando das iguarias espalhadas em pequenas mesas ao redor da sala. E dei de caras com ela, que se ria em cristalinas gargalhadas com um grupo de amigas e que se quedou ao ver-me, de repente, como se de um fantasma.
Sorri para ela e disse em jeito de cumprimento:
“Olá, Samsara, para quem me dá um desprezível beneficio da dúvida, vê-la duas vezes num mesmo dia, não está nada mau. Quero reafirmar a sinceridade do que disse. E quanto ao neoabjeccionismo, é uma corrente de escrita, como que uma filosofia do desespero, que deriva do abjeccionismo, que não procura ofender ninguém em particular. E não me pareceu nada ético, que da sua principesca tribuna tenha chamado à vida, os meus falecidos pais. Mas vindo desta região , já nada me admira”
Tinha-se feito um silêncio em volta. As tuas amigas não perceberam o que se passava, o porquê daquelas palavras e ditas com um sorriso. Tu ficaste vermelha , mas os teus olhos brilhavam e intempestivamente largaste uma sonora gargalhada.
Uma das tuas amigas, a Luísa não gostou do meu tom, nem de algumas das minhas palavras e sem rodeios, citando-me, para melhor se situar:
“ “Mas vindo desta região, já nada me admira?”...Que engraçado, pelos vistos não a conhece, a Samsara não é Madeirense. Apenas costuma dizer que se sente mais Madeirense. Ou está a dizer que as gentes do Continente são mal educadinhas? Hum...talvez seja mesmo isso que quis dizer.
Ups...ou será que não?...”
Luísa, penso num relâmpago, tão bonito o teu rosto, tão jovem, os olhos grandes cintilantes, os lábios sedutores, o cabelo negro, a tua pele. Uma beleza que dói de olhar. O teu ar de desafio a parecer uma galinha da Índia empoleirada. Mas séria.. e ainda uma menina...
A anfitriã interrompe o nosso diálogo, surgindo admirada por nos ver em acalorado diálogo e sem se aperceber que eram tensas as palavras trocadas sob o ruído das conversas envolventes.
“Viva, Neo, Chegou e nem dei por si. Mas vejo que já fez amigas!...”
Carla, tinha vindo dos Açores apaixonada por um homem que lhe prometera a Lua e o Sol, sem se aperceber que o Sol e a Lua eram dois amantes condenados à solidão estática da distância. Que se encontravam de tempos a tempos quando, por motivos cósmicos, um deles eclipsa o outro dos nossos olhos. Desesperara de raiva porque se tinha entregue na sua totalidade à ilusão de um amor eterno, que não soubera distinguir da simples atracção física e do encanto das palavras galantes. ”Carla!...Valquíria da Terceira!. Exclamei, beijando-a nas faces coradas pelo ambiente ou pelo champanhe que já corria de boca em boca, gelado, doce entre acepipes de sabor contrário.
“Faço já as apresentações. A Samsara- Ui...o teu perfume, mulher, os teus lábios quentes sobre a minha pele, a sensação de frescura que deixaram. – A Luísa...- o teu beijo de lado, em falso, descomprometido de qualquer sentido que indicie amizade, mas o teu aroma a chegar-me fresco, sedutor, inocente. - A Anabela...tens um olhar longínquo, ausente, como se procurasses alguém em abstracto, mas és bela e o teu sorriso aprisiona-me. - E esta a Infiel.., o teu abraço confiante, expansivo e os beijos nas faces quase a tocar-me os lábios, atrevida, como se me quisesses sorver no momento. - Desculpem, meninas, mas vamos começar e o Neo vai ter que se sentar na mesa dos discursos..
nota:" o texto é pura ficção,qualquer semelhança de nomes é pura coincidência."
...................................................................................................................................................
É o que me proponho. Escrever sobre vidas anónimas que valem as luzes da ribalta ou a fixação histórica e que traduzem a essência de um povo. Primeiro de uma família. Primeiro ainda, ou antes de tudo, a essência de um homem, de uma mulher.
Escreverei por encomenda, preços de acordo com extensão e pesquisa de documentação. Mas com a paixão que o percurso proposto me suscitar.
Aguardo a vossa proposta.
J.R.G.
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13/04/2008
S.MIGUEL,AÇORES,O SONHO DE ESTAR VIVO-Parte II
A garrafa vazia/de Manuel Maria. A voz rouca, dolente, de Zeca Medeiros, no Cantinho dos Anjos, café rente à rua, na esquina de quem sai do Alcides, onde o Sr. José grava com mestria e paciência Franciscana, o nome de clientes afectos em taças de vinho ou licor, balões de Whisky e os oferece agradecendo a visita . A paixão de ser pessoa.
A decoração a lembrar outros povos, vitórias e derrotas, evidências de culturas, mimos de simpatia Açoriana , num ambiente acolhedor onde bonitas raparigas a sós ou em grupo falam de realidades e de sonhos e soltam gargalhadas diáfanas de alegria esfusiante, construindo certezas no perfume dos aromas.
Que povo é este? Que cruzamento, ou raça pura?
A bela Estela, briosa, de aspecto grave, atento, responsável no atendimento de e sobre cultura e que se diverte à noite em paródias inocentes de procura.
A divina Venilde , linda, o nome a sugerir veleidades de Olimpo, mas terrena, sonhadora e as partidas que a vida lhe pregou. Marco! Como te meteste, meteram nisso? Que tragédia ou ambição te levou ao tráfico, a destruir em lágrimas de sofrimento e dor, os sonhos encantados da mulher que te amava? Do povo que te gerou? As noites pela madrugada na explanação de projectos limpos de droga!...
O Gil do Couto, homem grande na sabedoria humilde sobre a superficialidade enfatuada. A paixão na crença dos milagres do Senhor Santo Cristo. A lisura de uma personalidade sã e conjugativa de amores comuns. O filho Francisco e a pesquisa dos fundos Oceânicos em busca, talvez de Atlântida e Znaida , artesã, o sentido prático da vida, taxativa.
A visita à estufa onde crescem, eu diria milagres gustativos, os saborosos ananases . Abastecer a garrafeira com o licor afrodisíaco do seu néctar.
O dia, onde o Sol e a humidade confraternizam, convida à procura de ambientes mais frescos.
O aroma especifico das infusões naturais. A única plantação em toda a vasta Europa. Os processos manuais de escolha, purificação e embalagem.
A Ribeira Grande. A escavação natural das água vindas da serra em direcção ao mar. O aproveitamento magnifico das margens, convertidas em lugares aprazíveis de lazer e convívio entre povos. As pessoas. Clara, a contagiante melodia das palavras.
E Rabo de Peixe. O lugar maldito, onde a vida se faz ao mar. Tido como perigoso, povoado por inadaptados da comum das gentes da ilha. Bêbados , arruaceiros, oportunistas que obrigam os filhos a não faltar à escola para não lhes cortarem os subsídios estatais, pescadores invejosos, ladrões, piratas. Tudo isto me foi dito. Mas, a avaliar pela obrigação de mandar os filhos à escola, tenho esperança na regeneração.
registed by: Samuel Dabó
A decoração a lembrar outros povos, vitórias e derrotas, evidências de culturas, mimos de simpatia Açoriana , num ambiente acolhedor onde bonitas raparigas a sós ou em grupo falam de realidades e de sonhos e soltam gargalhadas diáfanas de alegria esfusiante, construindo certezas no perfume dos aromas.
Que povo é este? Que cruzamento, ou raça pura?
A bela Estela, briosa, de aspecto grave, atento, responsável no atendimento de e sobre cultura e que se diverte à noite em paródias inocentes de procura.
A divina Venilde , linda, o nome a sugerir veleidades de Olimpo, mas terrena, sonhadora e as partidas que a vida lhe pregou. Marco! Como te meteste, meteram nisso? Que tragédia ou ambição te levou ao tráfico, a destruir em lágrimas de sofrimento e dor, os sonhos encantados da mulher que te amava? Do povo que te gerou? As noites pela madrugada na explanação de projectos limpos de droga!...
O Gil do Couto, homem grande na sabedoria humilde sobre a superficialidade enfatuada. A paixão na crença dos milagres do Senhor Santo Cristo. A lisura de uma personalidade sã e conjugativa de amores comuns. O filho Francisco e a pesquisa dos fundos Oceânicos em busca, talvez de Atlântida e Znaida , artesã, o sentido prático da vida, taxativa.
A visita à estufa onde crescem, eu diria milagres gustativos, os saborosos ananases . Abastecer a garrafeira com o licor afrodisíaco do seu néctar.
O dia, onde o Sol e a humidade confraternizam, convida à procura de ambientes mais frescos.
O aroma especifico das infusões naturais. A única plantação em toda a vasta Europa. Os processos manuais de escolha, purificação e embalagem.
A Ribeira Grande. A escavação natural das água vindas da serra em direcção ao mar. O aproveitamento magnifico das margens, convertidas em lugares aprazíveis de lazer e convívio entre povos. As pessoas. Clara, a contagiante melodia das palavras.
E Rabo de Peixe. O lugar maldito, onde a vida se faz ao mar. Tido como perigoso, povoado por inadaptados da comum das gentes da ilha. Bêbados , arruaceiros, oportunistas que obrigam os filhos a não faltar à escola para não lhes cortarem os subsídios estatais, pescadores invejosos, ladrões, piratas. Tudo isto me foi dito. Mas, a avaliar pela obrigação de mandar os filhos à escola, tenho esperança na regeneração.
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S.MIGUEL AÇORES-O SONHO DE ESTAR VIVO-Parte I
O pequeno avião inicia a descida e já se vislumbra a escarpa de rocha , magnífica de força, em cujo topo se situa o aeroporto.
Em baixo o mar ataca a estrutura natural com a doçura das ondas espumando de alegria alvoroçada. O meu peito a transbordar de emoções vividas na Terceira.
A espera pela bagagem, adivinhando originalidades nos outros, a ansiedade daquela jovem, o homem de negócios impaciente, rostos abertos, diálogos leves, olhos brilhantes de vida.
O dia quente e húmido, odores marinhos a requerer a minha capacidade de adaptação. Afinal já estive em África e na Guiné o sol era mais intransigente.
A residencial Alcides, o bife especial duma carne macia e sem igual, o delicioso ananás.
O passeio a pé pelas ruas de pedra preta, reluzente. Rostos amigos de gente anónima que se cruza, que pára para comunicar, sem pressas. Caminhar até ao mar. A Avenida marginal com palmeiras e largo passeio. A baía calma e os barcos acostados no cais. A muralha que defende a cidade e esconde o mar
A visão sublime duma espécie nova de mulher: a mulher de cabelos loiros, tez clara e olhos verdes de um verde irisado de outros verdes, como cristal colorido, esmeralda de veios intrusantes , ou outra preciosidade que não acho na memória. A simbiose entre o mar, o verde das árvores e a riqueza dos templos? Onde andam os pintores?
E ali fiquei, abstraído do todo que me envolvia,, seguindo a imagem delicada e segura em passadas confiantes, qual deusa idolatrada. De uma beleza contagiante de mulher, divinizada por mim, naquele instante. Basbaque continental envolto em perfumes sobrenaturais. Como queria registar a tua imagem em papel ou fita de cinema. Que medo eu tenho de me perder na memória. Hoje aqui ficas, para que conste.
As pessoas de Ponta Delgada, já tinha constatado na Terceira, são de uma afabilidade que ultrapassa a mera educação da hospitalidade. Criámos empatias e intimidades conluiadas na disputa de quem me levava ali ou além. Os lugares imprescindíveis Os almoços, os jantares, as noites em diálogos do saber e da solidão permitida.
Ganhou o Neves da papelaria, tipografia. Portugal aqui, liberto de preconceitos. E seguimos viagem por estradas pitorescas de verdes e encantos. Parámos num miradouro para que eu visse em absoluto na sua magnitude exuberante de beleza natural, As Sete Cidades, o contraste entre o azul e o verde das lagoas, a pequena cidade para lá do monte junto ao mar.
Apanhar umas quantas pedra ume que abundam nas margens, como ovos deixados ao abandono. Aspirar os aromas, a sensação de liquidez ambiental e voltar, rumo à cidade.
Passear à noite, na marginal, as luzes lá à frente de outra cidade, Vila Franca e deglutir-me na Sol mar com as queijadas da vila. Junto ao clube naval, num terreiro em frente, jovens estudantes divertem-se nos festejos do inicio do ano académico. Gritos e cantorias, o som das guitarras na noite calma de S.Miguel .
O pequeno almoço, o leite, o queijo, os Açores a entrarem nas minhas entranhas, a adoptarem-me.
Admirar a beleza da igreja matriz. Sentir a religiosidade de um povo aqui cercado e com uma história de abandono por séculos de inércia. Visitar o Santuário do Senhor Santo Cristo. A imagem enclausurada atrás das grades, ao fundo da sala, majestosa , mítica de olhos grandes e comunicantes, com penitentes ajoelhados, gente que se entrega na crença da salvação ou que pede perdão por actos irreflectidos.
Almoçar em Lagoa num restaurante especializado em peixe. Os barcos em terra para arranjos. Pescadores que amanham o peixe junto à muralha. O complexo de piscinas naturais.
A Lagoa do Fogo é um assombro de emoção. A neblina que cobre a paisagem paradisíaca de vegetação luxuriante e que de quando em quando se entreabre movida por aragens frias e nos permite desvendar a cratera coberta de água estanhada, quieta, escondida.
O Zé Carlos da livraria foi o anfitrião deste desvendar de sonhos e, no regresso, mostrou-me outras pequenas delicias, como praias de areia e pedra negra com recantos únicos. Mas é muita emoção acumulada numa só viagem. Ainda não me tinha refeito do deslumbramento causado pela Terceira.
registed by: Samuel Dabó
Em baixo o mar ataca a estrutura natural com a doçura das ondas espumando de alegria alvoroçada. O meu peito a transbordar de emoções vividas na Terceira.
A espera pela bagagem, adivinhando originalidades nos outros, a ansiedade daquela jovem, o homem de negócios impaciente, rostos abertos, diálogos leves, olhos brilhantes de vida.
O dia quente e húmido, odores marinhos a requerer a minha capacidade de adaptação. Afinal já estive em África e na Guiné o sol era mais intransigente.
A residencial Alcides, o bife especial duma carne macia e sem igual, o delicioso ananás.
O passeio a pé pelas ruas de pedra preta, reluzente. Rostos amigos de gente anónima que se cruza, que pára para comunicar, sem pressas. Caminhar até ao mar. A Avenida marginal com palmeiras e largo passeio. A baía calma e os barcos acostados no cais. A muralha que defende a cidade e esconde o mar
A visão sublime duma espécie nova de mulher: a mulher de cabelos loiros, tez clara e olhos verdes de um verde irisado de outros verdes, como cristal colorido, esmeralda de veios intrusantes , ou outra preciosidade que não acho na memória. A simbiose entre o mar, o verde das árvores e a riqueza dos templos? Onde andam os pintores?
E ali fiquei, abstraído do todo que me envolvia,, seguindo a imagem delicada e segura em passadas confiantes, qual deusa idolatrada. De uma beleza contagiante de mulher, divinizada por mim, naquele instante. Basbaque continental envolto em perfumes sobrenaturais. Como queria registar a tua imagem em papel ou fita de cinema. Que medo eu tenho de me perder na memória. Hoje aqui ficas, para que conste.
As pessoas de Ponta Delgada, já tinha constatado na Terceira, são de uma afabilidade que ultrapassa a mera educação da hospitalidade. Criámos empatias e intimidades conluiadas na disputa de quem me levava ali ou além. Os lugares imprescindíveis Os almoços, os jantares, as noites em diálogos do saber e da solidão permitida.
Ganhou o Neves da papelaria, tipografia. Portugal aqui, liberto de preconceitos. E seguimos viagem por estradas pitorescas de verdes e encantos. Parámos num miradouro para que eu visse em absoluto na sua magnitude exuberante de beleza natural, As Sete Cidades, o contraste entre o azul e o verde das lagoas, a pequena cidade para lá do monte junto ao mar.
Apanhar umas quantas pedra ume que abundam nas margens, como ovos deixados ao abandono. Aspirar os aromas, a sensação de liquidez ambiental e voltar, rumo à cidade.
Passear à noite, na marginal, as luzes lá à frente de outra cidade, Vila Franca e deglutir-me na Sol mar com as queijadas da vila. Junto ao clube naval, num terreiro em frente, jovens estudantes divertem-se nos festejos do inicio do ano académico. Gritos e cantorias, o som das guitarras na noite calma de S.Miguel .
O pequeno almoço, o leite, o queijo, os Açores a entrarem nas minhas entranhas, a adoptarem-me.
Admirar a beleza da igreja matriz. Sentir a religiosidade de um povo aqui cercado e com uma história de abandono por séculos de inércia. Visitar o Santuário do Senhor Santo Cristo. A imagem enclausurada atrás das grades, ao fundo da sala, majestosa , mítica de olhos grandes e comunicantes, com penitentes ajoelhados, gente que se entrega na crença da salvação ou que pede perdão por actos irreflectidos.
Almoçar em Lagoa num restaurante especializado em peixe. Os barcos em terra para arranjos. Pescadores que amanham o peixe junto à muralha. O complexo de piscinas naturais.
A Lagoa do Fogo é um assombro de emoção. A neblina que cobre a paisagem paradisíaca de vegetação luxuriante e que de quando em quando se entreabre movida por aragens frias e nos permite desvendar a cratera coberta de água estanhada, quieta, escondida.
O Zé Carlos da livraria foi o anfitrião deste desvendar de sonhos e, no regresso, mostrou-me outras pequenas delicias, como praias de areia e pedra negra com recantos únicos. Mas é muita emoção acumulada numa só viagem. Ainda não me tinha refeito do deslumbramento causado pela Terceira.
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S.MIGUEL,AÇORES - AS FURNAS
"Com um brilhozinho nos olhos" (Sérgio Godinho), a subir a montanha por estradas sinuosas de bom piso e vegetação rica e variada, a ver o mar de um e outro lado da Ilha, a saborear aromas e sabores que nos entram em catadupa a cada inalação.
As furnas, expelindo vapores diáfanos e sugerindo imagens grotescas de vultos que se movem do outro lado de nós, em frente. O cheiro a enxofre . A água azeda que escorre da bica que bebemos para curar enredos e invejas trazidas de longe. O borbulhar da água fervente brotando do chão e elevando-se em espessa névoa de que nos deixamos envolver em brincadeiras gaiatas. A caldeira num ruído cavo de agonia, um estertor de vida a estremecer o chão que pisamos. Água e lama fervem e extravasam do interior da terra e é como um prato de farinha no clímax da cozedura. A sensação estranha de pensar que pisamos uma camada fina de solo, pronta a estalar a todo o momento, por um qualquer fenómeno que não conhecemos nem dominamos.
Com os sentidos em êxtase continuo, desço à lagoa de águas mansas em cujas margens escavaram, aqui e ali, buracos onde a terra treme e expele vapores em surdina, que as pessoas utilizam para a confecção do famoso cosido da furnas.
O cozido das Furnas é um banquete de deuses, confeccionado ao vapor, deixando entranhar um leve odor a enxofre que o torna um manjar a repetir. O sabor único das carnes, o gosto dos legumes e dos enchidos, a envolvência da paisagem.
Um passeio digestivo pelo parque Terra Nostra , era o convite, em jeito desportivo, para obstar a uma qualquer indigestão, não sem antes beber um pouco mais de água azeda que, dizem, ajuda a digerir tão farto repasto.
Pelo caminho, Zé Carlos foi-me dizendo que as Ilhas que compõem o Arquipélago são como bairros de Lisboa, ciosas das suas belezas particulares e exigentes na implementação de estruturas, rivalizando umas com as outras e todas com S.Miguel .
- Nós, em Ponta delgada dizemos que os Terceirenses são como os Alentejanos. São indolentes. Só querem festas e mordomias.
Os Terceirenses dizem que em S.Miguel os homens têm a ponta delgada.
E eu a lamentar não ter visitado o Algar do Carvão, nem ter visto as célebres corridas de touro à corda na Terceira e a não ter oportunidade de sentir o fervor e a religiosidade destas gentes nas festas do Senhor Santo Cristo do Milagres, ou as Festas do Espírito Santo nos Açores: factos que me ajudariam, por certo, a entender este espírito acolhedor e de grande humanidade.
Chegámos à porta do Parque Terra Nostra , cuja visita é paga. Estranhei. Pagar para visitar um parque?
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As furnas, expelindo vapores diáfanos e sugerindo imagens grotescas de vultos que se movem do outro lado de nós, em frente. O cheiro a enxofre . A água azeda que escorre da bica que bebemos para curar enredos e invejas trazidas de longe. O borbulhar da água fervente brotando do chão e elevando-se em espessa névoa de que nos deixamos envolver em brincadeiras gaiatas. A caldeira num ruído cavo de agonia, um estertor de vida a estremecer o chão que pisamos. Água e lama fervem e extravasam do interior da terra e é como um prato de farinha no clímax da cozedura. A sensação estranha de pensar que pisamos uma camada fina de solo, pronta a estalar a todo o momento, por um qualquer fenómeno que não conhecemos nem dominamos.
Com os sentidos em êxtase continuo, desço à lagoa de águas mansas em cujas margens escavaram, aqui e ali, buracos onde a terra treme e expele vapores em surdina, que as pessoas utilizam para a confecção do famoso cosido da furnas.
O cozido das Furnas é um banquete de deuses, confeccionado ao vapor, deixando entranhar um leve odor a enxofre que o torna um manjar a repetir. O sabor único das carnes, o gosto dos legumes e dos enchidos, a envolvência da paisagem.
Um passeio digestivo pelo parque Terra Nostra , era o convite, em jeito desportivo, para obstar a uma qualquer indigestão, não sem antes beber um pouco mais de água azeda que, dizem, ajuda a digerir tão farto repasto.
Pelo caminho, Zé Carlos foi-me dizendo que as Ilhas que compõem o Arquipélago são como bairros de Lisboa, ciosas das suas belezas particulares e exigentes na implementação de estruturas, rivalizando umas com as outras e todas com S.Miguel .
- Nós, em Ponta delgada dizemos que os Terceirenses são como os Alentejanos. São indolentes. Só querem festas e mordomias.
Os Terceirenses dizem que em S.Miguel os homens têm a ponta delgada.
E eu a lamentar não ter visitado o Algar do Carvão, nem ter visto as célebres corridas de touro à corda na Terceira e a não ter oportunidade de sentir o fervor e a religiosidade destas gentes nas festas do Senhor Santo Cristo do Milagres, ou as Festas do Espírito Santo nos Açores: factos que me ajudariam, por certo, a entender este espírito acolhedor e de grande humanidade.
Chegámos à porta do Parque Terra Nostra , cuja visita é paga. Estranhei. Pagar para visitar um parque?
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12/04/2008
AS MULHERES LOIRAS DE OLHOS VERDES DOS AÇORES
Talvez devesse dizer de S. Miguel, porque na Terceira não as vi, e nas restantes não tive a fortuna de conhecer ainda.
De entre as brumas da Lagoa do Fogo, da doce beleza das Sete Cidades, a majestade da ribeira atravessando a cidade do mesmo nome, passando ao lado da ovelha ranhosa, rabo de peixe, a destoar enquanto lugar de fama duvidosa, dum todo quase sem mácula, dos calafrios emotivos ao respirar as entranhas da terra nas caldeiras das furnas, o cozido, o cheiro e sabor a enxofre, até à indescritível sedução do Nordeste, o recorte da costa a pique, as pequenas cascatas nas montanhas verdes de vida, sobressai a mulher loira de olhos verdes e tez clara.
O loiro dos seus cabelos, escorridos sobre os ombros, ondulantes ao vento, não é oxigenado nem platinado, nem louro como eu conhecia, é um loiro diferente e o verde dos olhos não são enganos, como diz o povo, é um verde esmeralda, ou outra preciosidade por mim desconhecida, raiado de outros verdes e denotam esperança.
Observo a silhueta que se aproxima, com uma fixação quase deselegante, desvio-me para ver o perfil da direita, dou uns passos à frente e volto-me, como que alheado, para mirar o perfil da esquerda, e uma vez mais de frente, apanho os olhos nos meus olhos, sorrio e encolho os ombros a disfarçar, e fico ali, a envolver-me, à beira do santuário do Senhor Santo Cristo, a interiorizar uma ideia quase absoluta da beleza feminina.
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De entre as brumas da Lagoa do Fogo, da doce beleza das Sete Cidades, a majestade da ribeira atravessando a cidade do mesmo nome, passando ao lado da ovelha ranhosa, rabo de peixe, a destoar enquanto lugar de fama duvidosa, dum todo quase sem mácula, dos calafrios emotivos ao respirar as entranhas da terra nas caldeiras das furnas, o cozido, o cheiro e sabor a enxofre, até à indescritível sedução do Nordeste, o recorte da costa a pique, as pequenas cascatas nas montanhas verdes de vida, sobressai a mulher loira de olhos verdes e tez clara.
O loiro dos seus cabelos, escorridos sobre os ombros, ondulantes ao vento, não é oxigenado nem platinado, nem louro como eu conhecia, é um loiro diferente e o verde dos olhos não são enganos, como diz o povo, é um verde esmeralda, ou outra preciosidade por mim desconhecida, raiado de outros verdes e denotam esperança.
Observo a silhueta que se aproxima, com uma fixação quase deselegante, desvio-me para ver o perfil da direita, dou uns passos à frente e volto-me, como que alheado, para mirar o perfil da esquerda, e uma vez mais de frente, apanho os olhos nos meus olhos, sorrio e encolho os ombros a disfarçar, e fico ali, a envolver-me, à beira do santuário do Senhor Santo Cristo, a interiorizar uma ideia quase absoluta da beleza feminina.
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S.MIGUEL, AÇORES - TERRA NOSTRA
A entrada no parque Jardim Terra Nostra mergulha-me em silêncios profundos à medida que vou avançando e descobrindo imagens absurdas de tamanha beleza botânica, de recantos criados por artistas de outros mundos mais perfeitos.
O Sol no zénite a refulgir raios cintilantes através das folhas de árvores centenárias, altivas e lindas de grande e pequeno porte. Pássaros que cruzam a densidade do ar em brincadeiras atrevidas, poisando nas ramadas, ou abeirando-se dos lagos e sobre extensas camadas de nenúfares , saltitarem de uma em outra e chapinhando a água morna e quieta.
As flores de cores absolutas, exóticas, múltiplas de género e efeitos sibilinos, transformando os nossos olhos em mirabolantes rodas giratórias.
Subimos carreiros, contornamos lagos e riachos, e voltamos a percorrer, como se de um labirinto que não quiséssemos encontrar o fio.
Os meus olhos emotivos, a voz abafada, tímida , afónica, contrastando com a grandeza que sinto de fazer parte, por um momento, de tão Edílica paisagem.
No cimo de uma elevação, por entre a folhagem de palmeiras e outras maravilhas arborícolas cujos nomes não registei, o edifício adaptado a hotel de grande magnitude arquitectónica a lembrar um conto de fadas, infância, lucidez adormecida. Só pode ser um sonho..
A piscina de águas lamacentas, sulfurosas, onde adultos e crianças se banqueteiam em movimentos ablativos da inércia citadina.
É um ambiente indescritível . Não é possível traduzir em palavras a cor e o enquadramento que os artistas se permitiram para criar uma atmosfera única de emoções sublimes e apaziguadoras.
Venham ver!.
Saímos pela mesma porta e lembrei-me, de repente , que tinha estranhado a entrada paga!... e sorri de felicidade.
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O Sol no zénite a refulgir raios cintilantes através das folhas de árvores centenárias, altivas e lindas de grande e pequeno porte. Pássaros que cruzam a densidade do ar em brincadeiras atrevidas, poisando nas ramadas, ou abeirando-se dos lagos e sobre extensas camadas de nenúfares , saltitarem de uma em outra e chapinhando a água morna e quieta.
As flores de cores absolutas, exóticas, múltiplas de género e efeitos sibilinos, transformando os nossos olhos em mirabolantes rodas giratórias.
Subimos carreiros, contornamos lagos e riachos, e voltamos a percorrer, como se de um labirinto que não quiséssemos encontrar o fio.
Os meus olhos emotivos, a voz abafada, tímida , afónica, contrastando com a grandeza que sinto de fazer parte, por um momento, de tão Edílica paisagem.
No cimo de uma elevação, por entre a folhagem de palmeiras e outras maravilhas arborícolas cujos nomes não registei, o edifício adaptado a hotel de grande magnitude arquitectónica a lembrar um conto de fadas, infância, lucidez adormecida. Só pode ser um sonho..
A piscina de águas lamacentas, sulfurosas, onde adultos e crianças se banqueteiam em movimentos ablativos da inércia citadina.
É um ambiente indescritível . Não é possível traduzir em palavras a cor e o enquadramento que os artistas se permitiram para criar uma atmosfera única de emoções sublimes e apaziguadoras.
Venham ver!.
Saímos pela mesma porta e lembrei-me, de repente , que tinha estranhado a entrada paga!... e sorri de felicidade.
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S.MIGUEL, AÇORES - O NORDESTE
Hoje o Sol pregou-me uma partida de menino mimado e irresponsável. Enredou-se em neblinas maviosas e pertinentes, deixando que miríades de lágrimas de outras tantas saudades ululantes, se abatessem nos corpos desafectados de protecção adequada.
As Queijadas da Vila, após o pequeno almoço madrugador. O café, Delta, claro, a despertar renovadas atenções. a Afinar sensibilidades parecendo exaustas, mas que renasciam, qual Fénix, temperadas pela visão dos fieis que se dirigiam à primeira missa da manhã, indiferentes à morrinha, de rostos abertos e confiantes.
Fiz a viagem de Ponta Delgada ao Nordeste na carreira, a primeira da manhã percorrendo a estrada pouco movimentada e readmirando paisagens e recortes, a fixar imagens e momentos, as vacas nos pastos, as carrinhas que transportam o leite, pequenas povoações e gente que entra, gente que sai, as crianças, os jovens a caminho da escola e eu a lembrar-me de mim.
Tinham-me falado do Nordeste como uma miragem num deserto rodeado de oásicos sistemas floridos e verdejantes, numa abordagem surrealista da visão, de quem chega e se depara, com um quadro pintado em fervorosos momentos de arrebatação criadora.
A povoação de casas típicas , arejadas, a casa museu João de Melo, o jardim, o café onde me resguardo e abasteço de iguarias. O miradouro sobre o mar, a rocha a pique, o verde a envolver as casa em cima, num clima de silêncios, voltar ao miradouro, e novamente o mar estanhado, verde chumbo, denso na voragem da maré, a igreja.
Um táxi, carro de aluguer, parado num lugar reservado. Procuro com os olhos o motorista e não vejo ninguém, até que ouço uma voz, vinda de onde?
-Bom dia, precisa que o leve.
Olhei a figura, magro, rosto bonançoso, olhos que reflectem amor, lealdade a procurar saber ao que vinha. Como te chamas, amigo?
Disse-lhe ao que vinha. Desvendar a meus olhos o infinitamente belo. A pretensa miragem. A descoberta de mais uma das maravilhas açorianas, mas que o tempo, chuviscoso , não estava a colaborar.
Os olhos dele iluminaram-se num clarão de empatia a mandar-me entrar.
- A viagem até à cidade de Povoação são vinte euros, o resto é por minha conta.
Homem grande e destemido, homem bom. Como te atreves a acreditar que acertaste em tomar-me como amigo?
Pelo caminho, também eu confiante, sem saber das rotas, adivinhando boas intenções, foi-me falando de si, dos tempos difíceis da emigração na América, o trabalho quase esforçado para amealhar o suficiente e voltar. Na que ele não era dos que se bastavam com dinheiro. Ali é que era a sua paixão e comprara o táxi, algum dinheiro de parte, uma vida sonhada nas refegas erradicas, naquele deserto apaixonante, apaixonado.
-Olhe, ali, aquelas vivendas no alto da montanha, são de pessoas importantes do Continente, casas de férias.
E eu a imaginar, para mim próprio, os senhores importantes do Continente a julgarem-te parolo, imbecil, por teres trocado a vida faustosa das Américas por um lugar pasmado de beleza. E a contextualizar-te comigo.
Parou o táxi junto a um jardim que abarcava uma vasta área em planalto, delineado de formas graciosas, ramadas em túnel, palmeiras anãs , flores, o vermelho, o azul, o rosa, o lilás , o amarelo e os verdes, numa deambulação de cores e odores. Numa simbiose de deuses tocando trombetas melodiosas e eis a placa de homenagem ao homem e à beleza reunida num feixe, com o mar por fundo, escarpa a pique, o poema:
Toda a beleza é beleza
Para quem na beleza crê
A beleza é só certeza
Conforme a vista que a vê
Silêncio de calma
Mudez carinhosa
Afagas muralha
Na noite nervosa
Silêncio que alentas
Meu sonho desfeito
Ai como atormentas
O mal do meu peito
E quando te calas
Calado me dizes
Que as horas sem falas
São horas felizes
De João Teixeira de Medeiros
Embevecido por tanta beleza, recolho-me junto ao murete que limita a queda abrupta e desvenda plena de epopeica visão o mar imenso, ondulante e a esfregar-se, preguiçoso,na base das rochas que já foram suas amantes e agora, só enamoradas.
O homem do táxi e eu, em silêncio, ambos sabendo que amávamos a mesma substância mítica e sem ciúmes nem desavenças fruíamos desse amor, partilhando emoções vindas do sonho de sermos homens.
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As Queijadas da Vila, após o pequeno almoço madrugador. O café, Delta, claro, a despertar renovadas atenções. a Afinar sensibilidades parecendo exaustas, mas que renasciam, qual Fénix, temperadas pela visão dos fieis que se dirigiam à primeira missa da manhã, indiferentes à morrinha, de rostos abertos e confiantes.
Fiz a viagem de Ponta Delgada ao Nordeste na carreira, a primeira da manhã percorrendo a estrada pouco movimentada e readmirando paisagens e recortes, a fixar imagens e momentos, as vacas nos pastos, as carrinhas que transportam o leite, pequenas povoações e gente que entra, gente que sai, as crianças, os jovens a caminho da escola e eu a lembrar-me de mim.
Tinham-me falado do Nordeste como uma miragem num deserto rodeado de oásicos sistemas floridos e verdejantes, numa abordagem surrealista da visão, de quem chega e se depara, com um quadro pintado em fervorosos momentos de arrebatação criadora.
A povoação de casas típicas , arejadas, a casa museu João de Melo, o jardim, o café onde me resguardo e abasteço de iguarias. O miradouro sobre o mar, a rocha a pique, o verde a envolver as casa em cima, num clima de silêncios, voltar ao miradouro, e novamente o mar estanhado, verde chumbo, denso na voragem da maré, a igreja.
Um táxi, carro de aluguer, parado num lugar reservado. Procuro com os olhos o motorista e não vejo ninguém, até que ouço uma voz, vinda de onde?
-Bom dia, precisa que o leve.
Olhei a figura, magro, rosto bonançoso, olhos que reflectem amor, lealdade a procurar saber ao que vinha. Como te chamas, amigo?
Disse-lhe ao que vinha. Desvendar a meus olhos o infinitamente belo. A pretensa miragem. A descoberta de mais uma das maravilhas açorianas, mas que o tempo, chuviscoso , não estava a colaborar.
Os olhos dele iluminaram-se num clarão de empatia a mandar-me entrar.
- A viagem até à cidade de Povoação são vinte euros, o resto é por minha conta.
Homem grande e destemido, homem bom. Como te atreves a acreditar que acertaste em tomar-me como amigo?
Pelo caminho, também eu confiante, sem saber das rotas, adivinhando boas intenções, foi-me falando de si, dos tempos difíceis da emigração na América, o trabalho quase esforçado para amealhar o suficiente e voltar. Na que ele não era dos que se bastavam com dinheiro. Ali é que era a sua paixão e comprara o táxi, algum dinheiro de parte, uma vida sonhada nas refegas erradicas, naquele deserto apaixonante, apaixonado.
-Olhe, ali, aquelas vivendas no alto da montanha, são de pessoas importantes do Continente, casas de férias.
E eu a imaginar, para mim próprio, os senhores importantes do Continente a julgarem-te parolo, imbecil, por teres trocado a vida faustosa das Américas por um lugar pasmado de beleza. E a contextualizar-te comigo.
Parou o táxi junto a um jardim que abarcava uma vasta área em planalto, delineado de formas graciosas, ramadas em túnel, palmeiras anãs , flores, o vermelho, o azul, o rosa, o lilás , o amarelo e os verdes, numa deambulação de cores e odores. Numa simbiose de deuses tocando trombetas melodiosas e eis a placa de homenagem ao homem e à beleza reunida num feixe, com o mar por fundo, escarpa a pique, o poema:
Toda a beleza é beleza
Para quem na beleza crê
A beleza é só certeza
Conforme a vista que a vê
Silêncio de calma
Mudez carinhosa
Afagas muralha
Na noite nervosa
Silêncio que alentas
Meu sonho desfeito
Ai como atormentas
O mal do meu peito
E quando te calas
Calado me dizes
Que as horas sem falas
São horas felizes
De João Teixeira de Medeiros
Embevecido por tanta beleza, recolho-me junto ao murete que limita a queda abrupta e desvenda plena de epopeica visão o mar imenso, ondulante e a esfregar-se, preguiçoso,na base das rochas que já foram suas amantes e agora, só enamoradas.
O homem do táxi e eu, em silêncio, ambos sabendo que amávamos a mesma substância mítica e sem ciúmes nem desavenças fruíamos desse amor, partilhando emoções vindas do sonho de sermos homens.
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