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20/01/2012

ERA UMA VEZ ...O HOMEM...



homem de vitrúvio
por Leonardo da Vinci
*
ERA UMA VEZ...O HOMEM...
*
nasceu menino pobre pobre
tão de tanto entre outros pobretanas
pé descalço pila ao léu
a roupa que mal no corpo o cobre
ramela entre pestanas
nariz empinado rumando ao céu
por medo da gente nobre
*
cresceu triste sonhador
aprendeu timidamente a soletrar
puberdade adolescência
na areia quente do sol abrasador
a voz seca de tanto apregoar
bebidas frescas p'ra sair da insolvência
menino anseio da vida escultor
*
metodicamente se achou 
em ascendente na plena juventude
rebelde exigente e humanista
de tão pacifico que nem à guerra escapou
por teimosia frontal na atitude
e por um amor maior a uma artista
cuja seta de cupido lhe acertou
*
amar assim num absoluto 
irresistível ao toque do cósmico contacto
foi construindo a tribo do amor
trabalho aventura ingénuo de viver resoluto
crente de ser homem em abstracto
na procura paciente de quem foi o seu mentor
alma humana ou um duende douto
*
viver simples confortável
apesar do pensamento se bater à ditadura
solidário intransigente de humanismo
sem ambição de poder nem luxo descartável
crente que o mal nem sempre dura
mente aberta à mudança que trouxe o oportunismo
eis o homem puritano num planeta habitável
*
foi quando sobreveio o pesadelo
um filho púbere sucumbiu às drogas emergentes
foi ao fundo em desespero naufragou
vendeu tudo foi despejado sem abrigo ao gelo
a desejar a morte em todas as vertentes
porque um filho seu só ele poderia aceitar que o matou
e não por mais absurdo a fantasia do flagelo
*
o lado fundo das coisas é tétrico
a vontade adere ao desespero  a força amolecida
só a agudeza da tragédia se fixa na mente
ah morrer matar todos duma assentada frenético
mas ela resiste acredita ver a droga vencida
há-de trazer de volta seu menino de amor presente
é dela gerou-o no ventre  quase poético
*
reuniu a tribo de amor iluminado
o homem a mulher e o primogénito ainda inteiro
o outro era um farrapo esquelético
deram as mãos o sopro d'alma que guia até ao almejado
a começar de novo o caminho pioneiro
avança cai levanta tropeça levanta rasteja levanta patético
à espera dum espaço no tempo que seja acertado
*
o tempo pariu a esperança num dia de luz
o menino foi sendo recuperado do antro das trevas
e o homem emocionado se descansou
aposentou-se queria viver o resto dos dias de fora da cruz
o menino agora maior fez-se a vidas novas
a tribo reconfortada reuniu de novo o amor se acertou  
em volta duma mulher que ainda seduz
*
mas não... mesmo à beira do fim veio o tufão
um grupo de piratas secou a esperança ocupou o território
posto a saque com medidas rapinantes
o homem indignou-se perante o confisco da pensão
a queda do direito a promoção do peditório
a inércia que cala a revolta e fortalece os algozes sitiantes
o homem grita: salvem o que resta da constituição
***
e morre na praça pública ante o gelo da nação...
***

autor: jrg (pária...apátrida...cidadão da MÁTRIA em construção)

15/09/2011

MÃE ABSOLUTA



MÃE ABSOLUTA
***
pela noite de breu
uma mãe armada de coragem
caminha no desassosego
à procura do filho que a droga venceu
tão menino ainda de passagem
mal a vida lhe mostrara seu apego
«/»
pela noite calada
vergada pela angústia vencia o medo
no silêncio da mata
onde uma geração jazia drogada
a mãe solitária envolta em segredo
na madrugada de seu filho à cata
«/»
pela noite sem estrelas
só a alma no instinto de mãe a guiava
por entre arbustos e silvados
o ouvido atento não fossem balelas
os sons que o coração palpitava
vindos tão de dentro roucos abafados
«/»
pela noite de esperança
uma mulher que de amor se iluminava
na escuridão que adensa o mistério
como pode alguém enriquecer da vida duma criança
sem ter a resposta perguntava
ansiosa de entender qual o critério
«/»
pela noite de vozes o murmúrio
o cheiro húmido da terra em putrefacção
um grito saído expontâneo
filhooo! era dele o arfar o augúrio
o encontro dos genes em contra-mão
no calor do frio subcutâneo
«/»
pela noite de coração sangrando
a mulher de corpo franzino e de alma gigante
abraçou a cria desconexada no vício
dos afectos agora dispersos se confrontando
és de mim e eu tua única amante
dizia na dor de o ver tão magro em silêncio
«/»
pela noite já a estrela d'alva se fazia
os pés tocando o chão orvalhado com firmeza
doravante tantas vezes repetida
pelos antros onde a droga adregava a fantasia
mãe eximia rumo ao norte sua fortaleza
mãe sem fim nem tempo até levar a morte de vencida
***
autor: jrg