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24/03/2012

DEUSA... MÃE..MULHER...À TUA ESPERA...

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*
DEUSA...MÃE...MULHER...À TUA ESPERA
não é um culto ou religião é a esperança Terra
*
um gato mia na madrugada
um cão solta latidos lúgrubes
morcegos esvoaçam agitados sob os telhados
não há pontos luminosos no céu
a noite é cinza de nuvens condensadas
os meus pés tocam o chão de negro
toco em vultos de arbustos entre árvores fantásticas
rumores de pássaros inquietados
África geme no silêncio da sua inquietude
"civilizada" a retalhos desnutrida
de comida de água e de valores humanizantes
sopra o vento de sudoeste
sôfrego de varrer a absurda calmaria
a Ásia emerge das profundezas
contraditada contraditória imersa em obscuros desígnios
vai chover... raios de luz... trovões...
penso na América...na Europa...em plena sintonia
sob o declínio inevitável da abastança
caminho sem rumo na rota cósmica da esperança
tropeço em preconceitos decadentes
falsos pudores abandonados à ética insolvente
o piar do mocho arrepia-me
ou será uma coruja agoirenta ou o chiar do vento
Oceania porque me interpelas de tão longe?
um rato morto dissecado por um vai e vem de formigas
a chuva forte faz um ruído estranho
na folhagem no asfalto no oleado que me cobre
toca-me fria e húmida de silêncio
quebrado no chapinhar pausado dos meus passos
quantos terão sobrevivido?
crucifixos amuletos restos de religiões obsoletas
resquícios de certezas na enxurrada
há quanto tempo caminho na procura da esperança?
dizem-me os sonhos que se refugiou algures
que importa não haverá mais dias meses nem anos
tão só dia e noite sol e lua...estrelas...
e não apenas eu ou nós caminhando a par do tempo
que se regenera em pousio a fermentar
*
quando de súbito um facho de luz intensa na escuridão
me dá a ver da rota recta a dimensão
vultos femininos almas e corpos em passos gigantescos
quero gritar mas não ouço mais que o vento
Ana...Rita...Marta...Maria...Joana...Sofia...Edite...Conceição...
sufoco a memória dói-me o pensamento
Paula...Marisa...Raquel...Rosa..Isabel...Luísa...Leonor...
nem me adiante correr por mais que o faça ou grite não alcanço
mas saber que não vou só dá novo alento
hei-de chegar à meta nova de que almejo a projecção
*
autor: jrg
(pária...apátrida...cidadão da MÁTRIA em construção...)

06/03/2012

CATARSE...


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CATARSE
**
vejo os abutres
os caça euros dólares e royalties
constituídos em grupos de opinião
que condensam palavras
torrentes de avulsas ideias programadas
que espalham aos ventos
do alto de suas cátedras virtuais
a bem de quem melhor lhes paga o verbo
para que as propostas sejam
condensadas
livres do pensamento objectivo
oblíquas oblongas rombas
aptas a serem interiorizadas no medo
dos inocentes

por comentaristas sociólogos oportunistas

medo de perderem o pão as "certezas"
do incerto caminhar
levado a conta gotas para dar tempo
a quem tem o poder de atinar
o saque mais eficaz à miudezas

e penso
porque  me recuso a não pensar

o porquê desta sociedade do conhecimento
nascida da tecnologia
dirigida por argutos puritanos
de sábios economistas obscuros estrategas
apressada normalizada 
por leis ambiciosas arrogantes prepotentes
ao arrepio da sabedoria
avessa à racionalidade do entendimento
se deixa resvalar para o abismo
do mesmo modo cego absurdo e confiante
que os encarcerados de Auschwitz

"levantai-vos hoje de novo..."
ou pela primeira vez
pelo esplendor da alma humana
contra o Troikismo
e a prepotência desumanizada
vencer! vencer!...

jrg
(pária...apátrida...cidadão da MÁTRIA em construção)

02/03/2012

QUEM É ESTA GENTE?...



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QUEM É ESTA GENTE ?
*
quem é esta gente
que sacrifica os povos até à morte
que estabelece os critérios
e logo os desrespeita e corta rente
que espalha medo e tira o norte
que semeia discórdia entre hemisférios
são os meninos da Entente
*
quem é esta gente
que ciclicamente atravessa o planeta
que pontua aqui ali seu desvario
que promete fazer aquilo que não sente
que surge tão veloz como o cometa
orgulhosos sobre a miséria sem desvio 
são os meninos da Entente
*
que é esta gente
vampiros sedentos de carniça
que os povos acolhem da nortada
que chafurdam na rapina permanente
têm por ética apenas a cobiça
jogam aos dados a sorte premeditada
são os meninos da Entente
*
autor: jrg

07/02/2012

PÁTRIA...? OU... MÁTRIA...? EIS A QUESTÃO QUE SE LEVANTA...


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PÁTRIA...? OU...MÁTRIA...? EIS A QUESTÃO QUE SE LEVANTA


**
lemos relemos poemas
romances contos crónicas ensaios
extractos de burilada história
armazenamos as palavras e sistemas
que trituramos nos neurónios
a fazermos emergir rasgos da memória
que nos soltem das algemas
*
aprendemos a soletrar
caracteres alinhados como convém
sem questionar o significado
a significação ou o significante modular
que atribuímos à palavra mãe
e torna-mo-nos num rebanho tresmalhado
sem arte nem engenho para amar
*
usamos a dialéctica
o sofisma a retórica a metáfora a metafísica
e outros atributos ultra-racionais
adulteramos o sentido racional da ética
criamos deuses de dimensão atípica
esquecemos as origens os valores universais
manipulados pela gerência mediática
*
acreditamos na demagogia
tudo tão belo assim pintado de fresco
à medida dos nossos interesses
não importa saber quanto é de fantasia
ou aparato de teor picaresco
o que temos é medo que nos cortem benesses
para aumentar a sua mais valia
*
fazemos revoluções de bancada
acirramos nos outros a tragédia da indignação
convocamos a protesto os perturbados
porque há sempre alguém que dá e leva porrada
que sejam outros nós somos pacificação
não entendemos se ao convocar somos convocados
ou se somos matéria humana reservada
*
em todos os tempos as gerações
se misturaram prós e contra a mudança
verteram sangue inflamaram
a ideia o pensamento a troca d'emoções
na senda evolutiva da esperança
que derrota a ingenuidade dos que acreditaram
ser possível vencer sem corte nas tradições
*
como pode alguém
sentir-se confiante e justiçado
a salvo de quem rouba a montante
não levantar a voz a quem saqueia pai e mãe
temente que seja ele o mais roubado
como se não fosse esse o princípio dominante
da arte de rapina imposta pela lei
*
levantai-vos cidadãos do mundo
é tanta a incerteza de sobreviver ao naufrágio
melhor que esperar em agonia
é ocupar o espaço em movimento profundo
desmascarar a sordidez deste presságio
que afronta a dignidade e a esvazia
que manieta a alma e leva o barco ao fundo
*
porque há alternativas ao bloqueio
da alma e dos acessos ao puro pensamento
sistemas mais simples de proximidade
sem o embuste faustoso que criou fútil anseio
com a sabedoria do conhecimento
por um novo humanismo numa nova cidade
saudemos a era nova sem rodeio
*

autor: jrg
(pária...apátrida...cidadão da MÁTRIA em construção...)

21/01/2012

PENSIONISTA...REFORMADO..PÁRIA...APÁTRIDA...NÃOOOOOOOOOOO!!!


PENSIONISTA---REFORMADO...PÁRIA...APÁTRIDA...NÃOOOOOOOOOOOOOOO!!!
*
Nasci e vivo em Portugal há 66 anos...52 dos quais a produzir riqueza em arca alheia...confesso que estou numa fase de pensamento

recessiva, perante a ignominosa aprovação por todos os poderes da Democracia Portuguesa e Internacional, do pacote orçamental que me

rouba dois meses da pensão de reforma, no ano de 2012...
*
A cada nova noticia de isenções, a este roubo mesquinho, que vou conhecendo, bancários, banco de Portugal, talvez forças de manutenção

da ordem e outros doutos prestigiados intocáveis, e perante o silêncio dos roubados, mais se me torna fixa a ideia de que sou o único a ser

vítima desta extorsão...
*
É o que eu já sinto nos olhares das pessoas que por mim passam e me fixam com desdém ou comiseração...inquisidores ou inquiridores...a

fazer-me pensar que este poder político, económico e financeiro que se instalou em Portugal, me atirou ao lixo, sem rodeios de ética ou de

pudor humano...e se vangloria de o ter feito em nome das garantias e direitos de outros idiotas como eu, que vão acreditando nas promessas num dado futuro promissor...
*
Outras vezes dou com olhares escondidos, de pessoas como eu angustiadas, que se expressam vencidos, ou que ciciam palavras indignadas que se fecham no medo para não serem publicamente ouvidas...
*
Subrepticiamente a aranha, à falta de baba própria, tece a teia onde a todos enreda, usando a baba dos que ingénuamente acreditam que a história é irrepetível...mas não é...por mor de tal frieza humana, a guerra inteira deflagrou por duas vezes e não passaram cem anos...
*
Ora, o corte de dois meses na minha pensão de reforma...porra, serei só eu??? configura uma alteração da minha personalidade cívica..deixei

de ser tido como cidadão de plenos direitos...a qualquer momento podem cortar-me o resto que me sustenta...tratado como mercadoria fora de prazo...excluído da unidade da "Pátria", passei a ser um pária, apátrida...aos olhos que me fintam na rua, a viver de "subsídios" sem outro préstimo que não o de dar passagem a quem tem pressa de passar...
*
Por isso anseio o regresso da velha MÁTRIA...que num toque cósmico de magia reponha a ordem natural do planeta...invertendo o conceito de riqueza...acolhendo tudo e todos com amor de mãe...

autor: jrg  (pária...apátrida...cidadão da MÁTRIA em construção...)

22/12/2011

NATAL POR LOTES DE POVO...


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NATAL POR LOTES DE POVO...
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quanto de natal ainda nos resta
neste glaciar de gente que nos afunda
num mar de fogo das palavras que  resistem
quanta mentira mora nesta festa
recheio d'hipocrisia que nos circunda
dentro dum mundo de ladrões que coexistem

um cometa guiou-me até à tela
vejo gaspar o mago mimando a cena
do lider laico que expulsa vermes excedentes
onde a negro o fundo me revela
esta miserável gente que nos governa
rumo ao abismo do não sermos conscientes

tolhidos na surpresa os idosos
aura do poente fora de prazo insólito 
vêem saqueado sem apelo seu parco espólio
enquanto lhes pregam ruidosos
sermões de equidade ao roubo público
em nome de um estado do direito perdulário

eles bem esgrimem argumentos
masturbações frustradas da oratória
aplaudidas de pé por medíocres salafrários
bênçãos de sábios e unguentos
criminosos assumidos nesta história
que partilham entre si honras e honorários 

o mar cresce na revolta a dor
as aves procuram poiso espavoridas
as crianças de rua suspendem o andamento
se faz sentido que falte amor 
quando celebram austeras medidas
em lotes de povo avesso a todo pensamento 

sou reformado ou pensionista
acreditei de boa fé na avara fidúcia
que amealhou investiu e programou o crédito
onde já rejubila o prestamista
fora da lei na pilhagem com argúcia
uma matilha de agiotas a subverter o mérito

não há futuro para um tal país
que repudia seus velhos e os maltrata
que os reduz a lixo sem préstimo irreciclável
não pode o povo loteado na raíz
ser orgulhoso de alma justa na sucata
refém passivo desta súcia de si tão execrável

autor: jrg

18/11/2011

PROJECTO DE CONSTITUIÇÃO DA COMUNIDADE MATRIARCAL...



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***
PROJECTO DE CONSTITUIÇÃO DA COMUNIDADE MATRIARCAL...(continuação)
...
Princípios fundamentais
Artigo 1.º
(Comunidade Matriarcal)

A MÁTRIA é uma comunidade soberana, baseada na dignidade da pessoa humana e na vontade popular, empenhada na construção de uma sociedade livre, justa e solidária, assente no princípio matriarcal da origem da vida .

Artigo 2.º
(Comunidade de direito democrático)
A MÁTRIA é uma comunidade de direito democrático, baseada na soberania popular das assembleias matriarcais, no pluralismo de expressão e organização social democráticas, no respeito e na garantia de efectivação dos direitos e liberdades fundamentais de toda a criatura humana, bem como da natureza e outros seres vivos envolventes, no âmbito da mais ampla democracia participativa

Artigo 3.º
(Soberania e legalidade)
1. A soberania, reside no povo, que a exerce segundo as formas previstas na Constituição, tendo como base as suas origens, diversidade cultural e respeito pelo direito à diferença.
2. A administração comunitária subordina-se à Constituição e funda-se na legalidade da democracia participativa.
3. A validade das leis e dos demais actos da administração, e de quaisquer outras entidades públicas, por ela delegadas, depende da sua conformidade com a Constituição.

Artigo 4.º
(Cidadania )
São cidadãos da MÁTRIA todos aqueles que como tal sejam considerados pela lei ou por adesão aos princípios fundamentais do Matriarcado e ao novo Humanismo nela inerente.

Artigo 5.º
(Território)
1. A MÁTRIA abrange o território historicamente definido no continente europeu e os arquipélagos adjacentes, se estes não optarem por outra via de desenvolvimento ou de soberania.
2. A lei define a extensão e o limite das águas territoriais, a zona económica exclusiva e os direitos da MÁTRIA aos fundos marinhos contíguos.
3. A administração não aliena qualquer parte do território ou dos direitos de soberania que sobre ele exerce, sem a devida rectificação, referendada pela parcela de comunidade que fundamente e consubstancie tal alienação.

...continua...
contribuição de jrg

O QUE AÍ VEM...É A MÁTRIA!...

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***
Em discurso aos manifestantes de Nova York, o filósofo esloveno Slavoj Žižek, adverte sobre desafios que virão após a catarse política das ocupações...
***
Não se apaixonem por si mesmos, nem pelo momento agradável que estamos tendo aqui. Carnavais custam muito pouco – o verdadeiro teste

de seu valor é o que permanece no dia seguinte, ou a maneira como nossa vida normal e cotidiana será modificada. Apaixone-se pelo

trabalho duro e paciente – somos o início, não o fim. Nossa mensagem básica é: o tabu já foi rompido, não vivemos no melhor mundo

possível, temos a permissão e a obrigação de pensar em alternativas. Há um longo caminho pela frente, e em pouco tempo teremos de

enfrentar questões realmente difíceis – questões não sobre aquilo que não queremos, mas sobre aquilo que queremos. Qual organização

social pode substituir o capitalismo vigente? De quais tipos de líderes nós precisamos? As
alternativas do século XX obviamente não servem.

Então não culpe o povo e suas atitudes: o problema não é a corrupção ou a ganância, mas o sistema que nos incita a sermos corruptos. A

solução não é o lema “Main Street, not Wall Street”, mas sim mudar o sistema em que a Main Street não funciona sem o Wall Street.

Tenham cuidado não só com os inimigos, mas também com falsos amigos que fingem nos apoiar e já fazem de tudo para diluir nosso

protesto. Da mesma maneira que compramos café sem cafeína, cerveja sem álcool e sorvete sem gordura, eles tentarão transformar isto aqui

em um protesto moral inofensivo. Mas a razão de estarmos reunidos é o fato de já termos tido o bastante de um mundo onde reciclar latas de

Coca-Cola, dar alguns dólares para a caridade ou comprar um cappuccino da Starbucks que tem 1% da renda revertida para problemas do

Terceiro Mundo é o suficiente para nos fazer sentir bem. Depois de terceirizar o trabalho, depois de terceirizar a tortura, depois que as

agências matrimoniais começaram a terceirizar até nossos encontros, é que percebemos que, há muito tempo, também permitimos que nossos
engajamentos políticos sejam terceirizados – mas agora nós os queremos de volta.

Dirão que somos “não americanos”. Mas quando fundamentalistas conservadores nos disserem que os Estados Unidos são uma nação

cristã, lembrem-se do que é o Cristianismo: o Espírito Santo, a comunidade livre e igualitária de fiéis unidos pelo amor. Nós, aqui, somos o

Espírito Santo, enquanto em Wall Street eles são pagãos que adoram falsos ídolos.

Dirão que somos violentos, que nossa linguagem é violenta, referindo-se à ocupação e assim por diante. Sim, somos violentos, mas somente

no mesmo sentido em que Mahatma Gandhi foi violento. Somos violentos porque queremos dar um basta no modo como as coisas andam –

mas o que significa essa violência puramente simbólica quando comparada à violência necessária para sustentar o funcionamento constante

do sistema capitalista global?

Seremos chamados de perdedores – mas os verdadeiros perdedores não estariam lá em Wall Street, os que se safaram com a ajuda de

centenas de bilhões do nosso dinheiro? Vocês são chamados de socialistas, mas nos Estados Unidos já existe o socialismo para os ricos. Eles

dirão que vocês não respeitam a propriedade privada, mas as especulações de Wall Street que levaram à queda de 2008 foram mais

responsáveis pela extinção de propriedades privadas obtidas a duras penas do que se estivéssemos destruindo-as agora, dia e noite – pense

nas centenas de casas hipotecadas...

Nós não somos comunistas, se o comunismo significa o sistema que merecidamente entrou em colapso em 1990 – e lembrem-se de que os

comunistas que ainda detêm o poder atualmente governam o mais implacável dos capitalismos (na China). O sucesso do capitalismo chinês

liderado pelo comunismo é um sinal abominável de que o casamento entre o capitalismo e a democracia está próximo do divórcio. Nós somos comunistas em um sentido apenas: nós nos importamos com os bens comuns – os da natureza, do conhecimento – que estão ameaçados pelo sistema.

Eles dirão que vocês estão sonhando, mas os verdadeiros sonhadores são os que pensam que as coisas podem continuar sendo o que são por

um tempo indefinido, assim como ocorre com as mudanças cosméticas. Nós não estamos sonhando; nós acordamos de um sonho que está se

transformando em pesadelo. Não estamos destruindo nada; somos apenas testemunhas de como o sistema está gradualmente destruindo a si

próprio. Todos nós conhecemos a cena clássica dos desenhos animados: o gato chega à beira do precipício e continua caminhando,

ignorando o fato de que não há chão sob suas patas; ele só começa a cair quando olha para baixo e vê o abismo. O que estamos fazendo é

simplesmente levar os que estão no poder a olhar para baixo...

Então, a mudança é realmente possível? Hoje, o possível e o impossível são dispostos de maneira estranha. Nos domínios da liberdade

pessoal e da tecnologia científica, o impossível está se tornando cada vez mais possível (ou pelo menos é o que nos dizem): “nada é

impossível”, podemos ter sexo em suas mais perversas variações; arquivos inteiros de músicas, filmes e seriados de TV estão disponíveis

para download; a viagem espacial está à venda para quem tiver dinheiro; podemos melhorar nossas habilidades físicas e psíquicas por meio

de intervenções no genoma, e até mesmo realizar o sonho tecnognóstico de atingir a imortalidade transformando nossa identidade em um

programa de computador. Por outro lado, no domínio das relações econômicas e sociais, somos bombardeados o tempo todo por um

discurso do “você não pode” se envolver em atos políticos coletivos (que necessariamente terminam no terror totalitário), ou aderir ao

antigo Estado de bem-estar social (ele nos transforma em não competitivos e leva à crise econômica), ou se isolar do mercado global etc.

Quando medidas de austeridade são impostas, dizem-nos repetidas vezes que se trata apenas do que tem de ser feito. Quem sabe não chegou a hora de inverter as coordenadas do que é possível e impossível? Quem sabe não podemos ter mais solidariedade e assistência médica, já que não somos imortais?

Em meados de abril de 2011, a mídia revelou que o governo chinês havia proibido a exibição, em cinemas e na TV, de filmes que falassem de

viagens no tempo e histórias paralelas, argumentando que elas trazem frivolidade para questões históricas sérias – até mesmo a fuga fictícia

para uma realidade alternativa é considerada perigosa demais. Nós, do mundo Ocidental liberal, não precisamos de uma proibição tão

explícita: a ideologia exerce poder material suficiente para evitar que narrativas históricas alternativas sejam interpretadas com o mínimo

de seriedade. Para nós é fácil imaginar o fim do mundo – vide os inúmeros filmes apocalípticos –, mas não o fim do capitalismo.

Em uma velha piada da antiga República Democrática Alemã, um trabalhador alemão consegue um emprego na Sibéria; sabendo que todas

as suas correspondências serão lidas pelos censores, ele diz para os amigos: “Vamos combinar um código: se vocês receberem uma carta

minha escrita com tinta azul, ela é verdadeira; se a tinta for vermelha, é falsa”. Depois de um mês, os amigos receberam a primeira carta,

escrita em azul: “Tudo é uma maravilha por aqui: os estoques estão cheios, a comida é abundante, os apartamentos são amplos e aquecidos,
os cinemas exibem filmes ocidentais, há mulheres lindas prontas para um romance – a única coisa que não temos é tinta vermelha.” E essa

situação, não é a mesma que vivemos até hoje? Temos toda a liberdade que desejamos – a única coisa que falta é a “tinta vermelha”: nós nos

“sentimos livres” porque somos desprovidos da linguagem para articular nossa falta de liberdade. O que a falta de tinta vermelha significa é

que, hoje, todos os principais termos que usamos para designar o conflito atual – “guerra ao terror”, “democracia e liberdade”, “direitos

humanos” etc. etc. – são termos falsos que mistificam nossa percepção da situação em vez de permitir que pensemos nela. Você, que está aqui

presente, está dando a todos nós tinta vermelha.

Por Slavoj Žižek | Tradução: Rogério Bettoni, Blog da Boitempo

nota: texto partilhado do mural dos escritores

***
O filósofo sente que algo está para acontecer...mas não sabe o quê...eu penso que a grande revolução iminente tem raízes na memória livre da humanidade...o sistema caduco do capitalismo financeiro e a falência pré-anunciada do seu modelo económico, colocam um ponto final no desvario de viver em louca correria para ser o primeiro de nada...sendo uma revolução profunda, ela tenderá a virar o avesso da história para a sua origem natural...a MÁTRIA é a grande oportunidade do homem se remir dos erros e dos medos da sua atribulada evolução...
jrg

15/11/2011

AOS "MERCADOS" PEDEM EMPRESTADO...AOS POVOS, CONFISCAM SALÁRIOS!...


AOS MERCADOS PEDEM EMPRESTADO...AOS POVOS, CONFISCAM SALÁRIOS!...

Aos ricos financeiros...aos "mercados"...os governos pedem emprestado...financiam-se... financiam a economia...e pagam juros vultuosos! o governo de Portugal também...enquanto que aos reformados, aos cumpridores individuais das leis tributárias, confiscam pensões e salários...

Melhor será que passemos todos, os atingidos, à clandestinidade contributiva...a economia paralela está no cerne da nova cidadania...não vota, não paga impostos...paga luvas de alforria...do mesmo jeito...paralelo...

Apenas para os reformados não há volta a dar, senão a morte...por carência e ou indignação, ante esta tragédia que os toma por indigentes...inúteis...teimosamente resistentes às leis da vida...e não como beneficiários intocáveis nas poupanças que confiaram aos governos, desde a mais tenra adulta ingenuidade...

Esta estranha forma de Democracia que nos governa, de súbito, tornou-se na mais hedionda ditadura...e diz: não há dinheiro! amanhem-se! ou deixem-nos governar-vos-nos!

Então e a Constituição?... e os garantes da Constituição e da Democracia?.. O Tribunal Constitucional?..Os Militares?...Os Juristas?...o país vive em estado de emergência, sem declaração prévia e fundamentada de tal estado?

autor: jrg

02/11/2011

GRÉCIA...PORTUGAL...IRLANDA...BOM DIA ! europa...



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GRÉCIA...PORTUGAL..IRLANDA...BOM DIA! europa...

Os Portugueses devem dizer bem alto e em tom claro e convincente, se apoiam os esforços do povo Grego para se libertar do terrorismo

financeiro Internacional...basta de ficar à espera a ver o que dá...com a onda prestes a rebentar-nos à porta...porque a onda do terror é

enorme, geral e demolidora...é preciso construir diques Universais...não há povos menores...há almas humanas...
Eu quero saudar a coragem, perante a imundice de ideias e de propósitos dos seus parceiros Europeus, de Papandreou e seu conselheiros, ao

submeterem as medidas de austeridade a referendo popular...basta de cozinhar acordos ofensivos da dignidade humana que mais não satisfazem senão a gula e os proventos dos insaciáveis vampiros financeiros...
Os Portugueses devem seguir um caminho semelhante...Passos Coelho e os seus acólitos, não têm essa coragem...é preciso aumentar a pressão popular e exigir que seja referendado o orçamento de estado para 2012...
Eu apoio o povo Grego e todos os povos à mercê dos agiotas...
Eu apoio um referendo em Portugal sobre o orçamento de estado para 2012...
Eu apoio os esforços para erigir as bases dum novo humanismo...
autor. jrg

09/10/2011

MEU NOME É ABSTENÇÃO !...


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MEU NOME È ABSTENÇÃO
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sou candidata doravante
a todos os sufrágios
para vencer plena a solidão
trago a força do amor 
na alma humana 
sou imune a corruptos e a contágios
que desbaratam sem apuro 
a riqueza da nação
trago a esperança intacta

a minha equipa 
se eu como espero ganhar
é composta de brancos e nulos
além de mim e de outros tão imensos 
votos não contados
que vogam sem destino 
por além mar
os indignados os indiferentes 
que se perderam em medos sufragados

sou candidata a ministro
primeiro dum governo
que a ampla maioria suporte
declaro que não possuo nem quero 
rendimentos da usura
apenas os gastos de viver e os do oficio
não faço promessas nem tolero 
do carácter o ar sinistro
a palavra de ordem é esperança 

meu nome é  abstenção
sem preconceitos
ninguém me insulta ou provoca
gratuitamente
sei os meus direitos vou a votos
digo não a todos os lamentos
subscrevo o fim dos vícios
o fim das mordomias
da corrupção dos usurários

comigo na primazia
instituirei o tráfico do absurdo
na proliferação do amor
sem armas nem drogas nem influências nocivas
anularei as dividas sociais
e as soberanas catastróficas
abolirei o ouro como moeda de troca
os bens privados 
que geram e promovem a inveja

somos um só mundo
à volta da esfera que adeja no universo
onde a partilha justa
foi sendo malevolamente viciada
é falso que tenhamos todos 
entre barreiras as mesmas oportunidades
uns fundaram o sistema
os outros partem de trás com a cartilha sobre a mesa
soletrada nos corredores do medo

trago no ventre os princípios
rasgo os compromissos com os abutres
se alguém ainda que seja comandante
diz que não tenho mais direitos
é por despeito e ignorância
que o direito assiste a quem suporta
a arbitrariedade deste jogo
onde quem perde ganha por suspeita
do outro estar fora de jogo

sou a abstenção sonhadora
hoje dou a cara
convoco a assembleia dos devotos
porque o tempo urge
sou mais de quatro milhões aqui agora
mas não peso nada
ainda que me temam se me alevanto
se saio à rua de enxurrada
vamos a votos a ver quem ganha

autor:jrg

02/10/2011

CANSADO DE VER... CEGUEI...



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CANSADO DE VER CEGUEI
*
cansado de ver naufragar
meu barquinho de papel
criei um outro de lata
mais forte na força do mar
feri dedos rasguei pele
em meu barquinho pirata
e fui na vida a sonhar
tracei rotas de sal e mel
subi a vida em cascata

cansado de ver morrer
em cada sonho sonhado
uma ideia a alvorar
criei um sonho p'ra ser
na alma inquietado
sem ter sempre que acordar
no mesmo amanhecer
onde a palavra coitado
não deixa a coragem medrar

cansado de ver certezas
pelo conhecimento anuladas
em sábios enfatuados
criei em mim as defesas
na consciência formadas
fiz da história meus cuidados
juntei as minhas fraquezas
de não saber desfraldadas
sem mitos premeditados

cansado de ver ignorância
em muito conceito endeusado
pais que maltratam filhos
mães submissas vitimas da jactância
criminosos soltos por juiz de estado
homem justo metido em sarilhos
criei com a natureza em consonância
um pacto do absurdo aprimorado
que solta os nós de todos os atilhos

cansado de ver sempre na guerra
motivo de força maior
da mais simples controvérsia
criei no cimo da serra
uma plataforma de amor
que arrasta sorrindo a fantasia
e toda a maldade que encerra
o mundo ao meu redor
náufrago dum mar de maresia

cansado de ver entender
por interesse da pasmaceira
a paz que adeja sobre os mortos
criei fogos para arder
a sombra que grassa rasteira
que oculta da alma os corpos
sujos podres do poder
em que a moralidade inteira
afunda os sonhos utópicos

cansado de ver ceguei
procuro algures a caverna
de Viriato ou d'álguém
onde os sonhos que criei
acordem na paz eterna
já órfãos de pai e de mãe
nem fujo nem seguirei
afronto a quem me governa
e de lá vos gritarei

não embarquem nesta aventura
o barco nem fundo tem
remar sempre também cansa
nem a ideia se apura
no lixo que fede de além
acordem na alma a esperança
abominem da usura
de que o pensamento é refém

não fujam confrontem o medo
unam as linhas globais
que indignam o conformismo
subam os rios em segredo
arrasem as mentiras fatais
clamem por um novo humanismo
que emerge do mar tecendo
regras novas de paridades iguais
transpondo o sórdido abismo

a fanfarra toca o hino à alegria
cego é o que ver não quer
nesta encenação de evidência mímica
num tropel de vampiros à revelia
que nos corta a vontade de vencer
um sinal da força anímica
como o verso no poema gera a poesia
num sorriso de criança a correr
sobre a lixeira de natureza atípica

cansado de ter de inventar
mais robusto de ousar em mar agitado
meu barquinho frágil de papel
criei na vastidão da alma o cogitar
que irrompe do silêncio amordaçado
antes que o mundo expluda ou o sangue gele
na voraz tentativa de matar
a coragem do homem acossado
que responde com a fúria que há nele

autor: jrg


29/09/2011

TOQUE DE SILÊNCIO...


TOQUE DE SILÊNCIO

{#emotions_dlg.redflower}
hoje
porque me apetece
conhecer
no matraquear da memória
sobre os mortos
clamando esperança
ingénuos
que esperaram um toque 
de rebate
que os despertasse 
da insónia 
na letargia da espera
por um momento

um toque de silêncio

{#emotions_dlg.redflower}
hoje
porque me lembro
de ser jovem
no despertar desta aventura
de viver
das mulheres de xaile negro
do sangue vítreo
dos mortos
de olhos esbugalhados
acusadores inquiridores
ante a indiferença
ou a cobardia
por um momento

um toque de silêncio
{#emotions_dlg.redflower}

hoje
porque me sinto num turbilhão
de surdos rumores
que escorrem ilesos
por entre as camadas tectónicas
e me enchem a alma
no éter da existência
sobrecarregam neurónios
quase extintos
que ainda regurgitam amor
onde o sentimento
é aço gelo glaciar
por um momento

um toque de silêncio


autor: jrg
imagens do YouTube



25/09/2011

QUISERA EU VER...



foto pública da net
«««//»»»
*
quisera eu ver
no céu de luto estrelado
a constelação do amor
vi luz intensa a arder
me arrepiei abismado
da exuberância da cor

quisera eu ver
no céu de de negro doirado
a âncora do teu naufrágio
vislumbrei fogo a morrer
que assoprei desesperado
não fosse real o presságio

quisera eu ver
no céu de luz apagada
um sinal de outra gente
achei diáfana no seu prazer
a marca sofisticada
da humanidade doente

quisera eu ver
no céu de preto ofuscado
um asilo humanitário
mirei sonhos a derreter
silêncios dum povo calado
vagamente solitário

quisera eu ver
no céu escuro de tristeza
ténue que fosse a esperança
olhei mitos a sofrer
cansados de tanta certeza
no declínio que avança

quisera eu ver
no céu atro de tragédia
um sorriso aberto confiante
encontrei medos a tecer
no riso hilariante da comédia
ante o pasmo do mirante

quisera eu ver 
no céu lúgubre a consciência
tão de tanto olvidada
senti alma humana a crescer
traçando nova vivência
à humanidade humilhada

quisera eu ver
no céu então já amanhecido
uma evidência fantástica
o sol rompia a acontecer
rasgando as brumas refulgindo
quebrando a indolência apática

quisera eu ver
no céu de fogo o que então vi
um rasto de sangue em fuga
a usura a traficância ultra-poder
um mar de gente atrás que não se ri
varrendo de uma vez só a sanguessuga

quisera eu ver
no céu a serenar da tempestade
a cor azul suave majestosa
adejando sobre o homem a renascer
na paz no amor e na amizade
que brotam da alma calorosa

e vi!!!

autor: jrg