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24/12/2014

PERDOA-ME CRIANÇA!...


PERDOA-ME CRIANÇA

disseram-me que o natal
era a festa de todas as crianças
que a luz do sol irradiava
saúde amor e alegria por igual
era mentira só de doenças
e fome a muitas o natal matava
*
mais as que a hipocrisia
de santos e pudicas beatificadas
mortificavam nas guerrilhas
cansei de ser natal por um só dia
à mesa de iguarias afiadas
e acordar no mundo onde definhas
*
perdoa-me criança se menti
quando acreditava que presentes
e pão por um dia te aquecia
é preciso que o natal renasça aqui
e a festa seja como a sentes
sendo feliz por ser real e ser magia
*
disseram-me que o natal
era a paz dos homens na igualdade
que a riqueza era pecado
ser pobre era ser de deus ao natural
e era mentir sem piedade
pelas crianças que choram o seu fado
*
perdoa criança a cobardia
de ao saber ter validado esta farsa
trocar atenção pelo segredo
de o natal ser uma prenda da heresia
que desvalida já se não disfarça
de corromper a verdade através do medo
jrg

15/10/2012

TOC'ARUFAR !!!


fotos telem. do autor
**
TOC'ARUFAR
*
a pele curtida do tambor
faz ecoar a força
da alma Portuguesa indignada
homens e mulheres com amor
rufam nos tambores e na mordaça
sorrindo com alegria n'arrufada
*
mas há também meninas
infantas alegres tão destemidas
marchando por entre a multidão
almas gigantes femininas
que fortalecem o ritmo das batidas
também as do meu coração
*
*
e logo emocionado as imagino
tocarufar à frente
o povo atrás armado de poemas
contra o poder tão pequenino
que vendeu a alma pura desta gente
presa a estranhas algemas
*
de outro ponto surgem trompetes
tubas violinos pandeiretas
e cânticos de cristal vozes sonantes
se elevam do arraial em sons agrestes
punhos erguidos como baionetas
a alma é nossa a alma é nossa seus tratantes
*
*
gritam meninas e meninos às cavalitas
e pais e mães que perderam medo
na frente tocarufar aumenta a cadência
há um clamor de ti que acreditas
na força que se soltou do teu degredo
fazendo despertar a consciência
*
escravos não! somos humanos!
o sonho cresce em cada alma de criança
do suor dos corpos nascem flores
contra o terror da governança dos tiranos
renasce a cor feita de esperança
no estilhaçar das grilhetas tocarufar tambores

autor: jrg

18/12/2011

MENSAGEM DE NATAL !...



foto de : Photobucket
*

MENSAGEM DE NATAL !...

*
natal era
a refeição de carne
os doces os presentes
a magia
de haver um deus igual a mim
*
natal era
rapar os tachos de iguarias
estrear roupa e
bota nova o banho
colher sorrisos de fraternidade
*
natal era
sonhar em cada sobressalto
da madrugada
espreitar o sapatinho à chaminé
a ver se o sonho me acordava
*
natal era 
a matança galinácea
a família a tribo à braseira
as conversas solidárias
à luz dos candeeiros a petróleo
*
natal era
já então a hipocrisia do amor
o beijo comprometido
os brindes a troca dos interesses
dum povo orgulhoso de si só
***
natal passou a ser
um dia virginal de vasto amor
dois dias de descanso
o negócio dos afectos com deus a morrer
vitima do conhecimento
*
o natal passou a ser
a tradição saudosa dos avós
o alimentar de ilusões
nas crianças bajuladas de atenção
famintas de afectos
*
o natal passou a ser
as férias a festa orgásmica fugaz
o ser natal pelas crianças
a exibição de mais ter que parecer
a sentir os outros por rivais
*
o natal passou a ser
o dia de partilhar a solidão
de olhar o outro sem ver nele o estranho
mas atento ao ser demais
de perder na festa o valimento
*
natal passou a ser
dia de boa disposição obrigatória
oferecem flores livros aromas
sobem os juros e mais valias agiotas
dum povo global de euforia
***
natal hoje é
o volte face com deus fora de cena
se não fossem as crianças
intoxicadas pelo fluxo da propaganda
a mesa menos farta de alegria
*
natal hoje é
na ostentação o brilho da tristeza
o medo a perda da ilusão
a exaltar o ânimo do homem como meio
vencido pela técnica e a usura
*
natal hoje é
um compasso de espera na esperança
a dar um tempo à revolta
de toda a fera quando aprisionada
que até a natureza espanta
*
natal hoje é
dia mítico de memória recente
que já não vale a pena de todo engalanar
carente de humanidade
dia festivo dos abutres da rapina
*
natal hoje é
uma festa sem emoção nem tréguas marginal
à beira de total incumprimento
onde o beijo o abraço o sorriso
são manjar de esperança do novo renascimento

*
felizes os pobres de "amor" infectados
será deles o reino do novo humanismo

autor: jrg