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06/03/2012

CATARSE...


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CATARSE
**
vejo os abutres
os caça euros dólares e royalties
constituídos em grupos de opinião
que condensam palavras
torrentes de avulsas ideias programadas
que espalham aos ventos
do alto de suas cátedras virtuais
a bem de quem melhor lhes paga o verbo
para que as propostas sejam
condensadas
livres do pensamento objectivo
oblíquas oblongas rombas
aptas a serem interiorizadas no medo
dos inocentes

por comentaristas sociólogos oportunistas

medo de perderem o pão as "certezas"
do incerto caminhar
levado a conta gotas para dar tempo
a quem tem o poder de atinar
o saque mais eficaz à miudezas

e penso
porque  me recuso a não pensar

o porquê desta sociedade do conhecimento
nascida da tecnologia
dirigida por argutos puritanos
de sábios economistas obscuros estrategas
apressada normalizada 
por leis ambiciosas arrogantes prepotentes
ao arrepio da sabedoria
avessa à racionalidade do entendimento
se deixa resvalar para o abismo
do mesmo modo cego absurdo e confiante
que os encarcerados de Auschwitz

"levantai-vos hoje de novo..."
ou pela primeira vez
pelo esplendor da alma humana
contra o Troikismo
e a prepotência desumanizada
vencer! vencer!...

jrg
(pária...apátrida...cidadão da MÁTRIA em construção)

02/03/2012

AS SETE PRAGAS DA HUMANIDADE...SOBRE PORTUGAL E GRÉCIA...

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AS SETE PRAGAS DA HUMANIDADE
SOBRE PORTUGAL  E GRÉCIA...
***
1 - engrossa o volume dos desempregados...
2 - os velhos morrem aos milhares, de solidão, frio, fome e indignação...
(que são doenças não contabilizáveis...)
3 - o medo espalha desespero entre os que ainda têm trabalho...
4 - disparam as falências individuais e colectivas...
5 - cresce o desrespeito pela condição humana e os direitos 
universalmente reconhecidos e consagrados...
6 - as condições climáticas estão em constante e contraditória mutação...
7- o poder oligárquico, encapotadamente discricionário
queima os últimos cartuxos, face à emergente revolta dos povos atraídos
pelo conhecimento e a sabedoria
***
jrg
É neste clima à beira da insustentabilidade que ganha valor a ideia duma revolução humanista que altere os dados viciados, desde a origem, por este sistema de organização patriarcal das sociedades humana... os povos exigem uma clarificação da sua existência...livres ou escravos?...liberdade ou submissão ao medo?...dignidade ou humilhação?...pais tiranos ou mães equilibradas?...ódio ou amor?...
proponho que se aprofunde a ideia de MÁTRIA...nos arquivos que ainda existem...na memória que guarda a sensatez e as virtualidades, dum período longo da existência humana...por um novo HUMANISMO...
autor: jrg
(pária...apátrida...cidadão da MÁTRIA em construção...)

07/02/2012

PÁTRIA...? OU... MÁTRIA...? EIS A QUESTÃO QUE SE LEVANTA...


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PÁTRIA...? OU...MÁTRIA...? EIS A QUESTÃO QUE SE LEVANTA


**
lemos relemos poemas
romances contos crónicas ensaios
extractos de burilada história
armazenamos as palavras e sistemas
que trituramos nos neurónios
a fazermos emergir rasgos da memória
que nos soltem das algemas
*
aprendemos a soletrar
caracteres alinhados como convém
sem questionar o significado
a significação ou o significante modular
que atribuímos à palavra mãe
e torna-mo-nos num rebanho tresmalhado
sem arte nem engenho para amar
*
usamos a dialéctica
o sofisma a retórica a metáfora a metafísica
e outros atributos ultra-racionais
adulteramos o sentido racional da ética
criamos deuses de dimensão atípica
esquecemos as origens os valores universais
manipulados pela gerência mediática
*
acreditamos na demagogia
tudo tão belo assim pintado de fresco
à medida dos nossos interesses
não importa saber quanto é de fantasia
ou aparato de teor picaresco
o que temos é medo que nos cortem benesses
para aumentar a sua mais valia
*
fazemos revoluções de bancada
acirramos nos outros a tragédia da indignação
convocamos a protesto os perturbados
porque há sempre alguém que dá e leva porrada
que sejam outros nós somos pacificação
não entendemos se ao convocar somos convocados
ou se somos matéria humana reservada
*
em todos os tempos as gerações
se misturaram prós e contra a mudança
verteram sangue inflamaram
a ideia o pensamento a troca d'emoções
na senda evolutiva da esperança
que derrota a ingenuidade dos que acreditaram
ser possível vencer sem corte nas tradições
*
como pode alguém
sentir-se confiante e justiçado
a salvo de quem rouba a montante
não levantar a voz a quem saqueia pai e mãe
temente que seja ele o mais roubado
como se não fosse esse o princípio dominante
da arte de rapina imposta pela lei
*
levantai-vos cidadãos do mundo
é tanta a incerteza de sobreviver ao naufrágio
melhor que esperar em agonia
é ocupar o espaço em movimento profundo
desmascarar a sordidez deste presságio
que afronta a dignidade e a esvazia
que manieta a alma e leva o barco ao fundo
*
porque há alternativas ao bloqueio
da alma e dos acessos ao puro pensamento
sistemas mais simples de proximidade
sem o embuste faustoso que criou fútil anseio
com a sabedoria do conhecimento
por um novo humanismo numa nova cidade
saudemos a era nova sem rodeio
*

autor: jrg
(pária...apátrida...cidadão da MÁTRIA em construção...)

14/01/2012

LIXO...LIXO...LIXO...



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LIXO...LIXO...LIXO...
***
clubes secretos
mercados
agências de notação
usura financeira
governos
presidentes
comentadores de encomenda
tipos convencidos
esfomeados
ante o manjar de carniça
a tentarem a chance 
de vender
a ideia de um outro já vencida
*
queimaram a terra
derrubaram as árvores
mataram
homens mulheres
e outros animais
crias crianças
inquinaram os mares
chafurdados em sexo
proliferam
entre a alma do mundo
sem solução que emende
o seu erro fatal
vão a pique vão ao fundo
*
poluíram os ventos
inventaram o mal humanitário
criaram deuses
culpados
absurdos 
corruptos
confessos
mártires
inocentes
irresponsáveis
hipócritas
conceitos dúbios
que hoje rompem as amarras
*
rasgaram a esperança
adúlteros
violentaram mulheres
maltrataram os velhos
violaram crianças
com palavras
sexo e fantasias
fantabulásticas orgias
naufrágios
de sonhos vontades
enganos mentiras
da vã e inglória cobiça
varridos a lixo
*
quem é esta gente
tão importante
sábios sem conhecimento
seguidores de bitola
venerados
prepotentes pedantes
projectos adiados
dum outro tempo
jurássicos
escolhidos a dedo
para decadenciar
fazer ruir
a alma dos povos
*
irritados os deuses
mandaram seleccionar o lixo
mímico
patético
anedótico
sarcástico
purulento
hediondo
corrosivo
bombástico
vergonhoso
revolução impiedosa
sem heróis vítimas do heroísmo
*
eles não sabem da emoção
que é amar e ser mãe
amizade profunda
que se alevanta
enérgica e determinada
que toca a alma
com magia de força e de vontade
ser inteira mulher
a limpar a limpar a limpar
desde mais acima
e aos cantos onde escondidos
dejectos invasivos
se reciclam em faustos e luxos
*
autor: jrg

10/12/2011

GRITO PARA MEMÓRIA FUTURA !...



O Grito (Edvard Munch)
*
GRITO PARA MEMÓRIA FUTURA!...
**
hoje
dia dez do mês de Dezembro
do ano judaico cristão
de dois mil e onze
o meu grito de indignação e revolta
de impotência
sem direito de defesa
ecoa para que se fixe na memória
futura dos tempos
**
hoje
porque é o dia dez de todos os meses
o governo deste país
onde faz anos que nasci
consumou em mim e mais uns quantos
a sua sanha vampiresca
de submeter ao medo a liberdade
cortando o rendimento
aos que na escravidão o suportam
**
hoje
décimo dia do mês hipócrita de Natal
o meu grito delirante
denuncia esta associação criminosa
que me nos saqueia impunemente
e se ri no momento da sórdida partilha
dos despojos dum povo
hipotecando o seu valor por cobardia
de pensar um mundo novo
***
autor: jrg

18/11/2011

O QUE AÍ VEM...É A MÁTRIA!...

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***
Em discurso aos manifestantes de Nova York, o filósofo esloveno Slavoj Žižek, adverte sobre desafios que virão após a catarse política das ocupações...
***
Não se apaixonem por si mesmos, nem pelo momento agradável que estamos tendo aqui. Carnavais custam muito pouco – o verdadeiro teste

de seu valor é o que permanece no dia seguinte, ou a maneira como nossa vida normal e cotidiana será modificada. Apaixone-se pelo

trabalho duro e paciente – somos o início, não o fim. Nossa mensagem básica é: o tabu já foi rompido, não vivemos no melhor mundo

possível, temos a permissão e a obrigação de pensar em alternativas. Há um longo caminho pela frente, e em pouco tempo teremos de

enfrentar questões realmente difíceis – questões não sobre aquilo que não queremos, mas sobre aquilo que queremos. Qual organização

social pode substituir o capitalismo vigente? De quais tipos de líderes nós precisamos? As
alternativas do século XX obviamente não servem.

Então não culpe o povo e suas atitudes: o problema não é a corrupção ou a ganância, mas o sistema que nos incita a sermos corruptos. A

solução não é o lema “Main Street, not Wall Street”, mas sim mudar o sistema em que a Main Street não funciona sem o Wall Street.

Tenham cuidado não só com os inimigos, mas também com falsos amigos que fingem nos apoiar e já fazem de tudo para diluir nosso

protesto. Da mesma maneira que compramos café sem cafeína, cerveja sem álcool e sorvete sem gordura, eles tentarão transformar isto aqui

em um protesto moral inofensivo. Mas a razão de estarmos reunidos é o fato de já termos tido o bastante de um mundo onde reciclar latas de

Coca-Cola, dar alguns dólares para a caridade ou comprar um cappuccino da Starbucks que tem 1% da renda revertida para problemas do

Terceiro Mundo é o suficiente para nos fazer sentir bem. Depois de terceirizar o trabalho, depois de terceirizar a tortura, depois que as

agências matrimoniais começaram a terceirizar até nossos encontros, é que percebemos que, há muito tempo, também permitimos que nossos
engajamentos políticos sejam terceirizados – mas agora nós os queremos de volta.

Dirão que somos “não americanos”. Mas quando fundamentalistas conservadores nos disserem que os Estados Unidos são uma nação

cristã, lembrem-se do que é o Cristianismo: o Espírito Santo, a comunidade livre e igualitária de fiéis unidos pelo amor. Nós, aqui, somos o

Espírito Santo, enquanto em Wall Street eles são pagãos que adoram falsos ídolos.

Dirão que somos violentos, que nossa linguagem é violenta, referindo-se à ocupação e assim por diante. Sim, somos violentos, mas somente

no mesmo sentido em que Mahatma Gandhi foi violento. Somos violentos porque queremos dar um basta no modo como as coisas andam –

mas o que significa essa violência puramente simbólica quando comparada à violência necessária para sustentar o funcionamento constante

do sistema capitalista global?

Seremos chamados de perdedores – mas os verdadeiros perdedores não estariam lá em Wall Street, os que se safaram com a ajuda de

centenas de bilhões do nosso dinheiro? Vocês são chamados de socialistas, mas nos Estados Unidos já existe o socialismo para os ricos. Eles

dirão que vocês não respeitam a propriedade privada, mas as especulações de Wall Street que levaram à queda de 2008 foram mais

responsáveis pela extinção de propriedades privadas obtidas a duras penas do que se estivéssemos destruindo-as agora, dia e noite – pense

nas centenas de casas hipotecadas...

Nós não somos comunistas, se o comunismo significa o sistema que merecidamente entrou em colapso em 1990 – e lembrem-se de que os

comunistas que ainda detêm o poder atualmente governam o mais implacável dos capitalismos (na China). O sucesso do capitalismo chinês

liderado pelo comunismo é um sinal abominável de que o casamento entre o capitalismo e a democracia está próximo do divórcio. Nós somos comunistas em um sentido apenas: nós nos importamos com os bens comuns – os da natureza, do conhecimento – que estão ameaçados pelo sistema.

Eles dirão que vocês estão sonhando, mas os verdadeiros sonhadores são os que pensam que as coisas podem continuar sendo o que são por

um tempo indefinido, assim como ocorre com as mudanças cosméticas. Nós não estamos sonhando; nós acordamos de um sonho que está se

transformando em pesadelo. Não estamos destruindo nada; somos apenas testemunhas de como o sistema está gradualmente destruindo a si

próprio. Todos nós conhecemos a cena clássica dos desenhos animados: o gato chega à beira do precipício e continua caminhando,

ignorando o fato de que não há chão sob suas patas; ele só começa a cair quando olha para baixo e vê o abismo. O que estamos fazendo é

simplesmente levar os que estão no poder a olhar para baixo...

Então, a mudança é realmente possível? Hoje, o possível e o impossível são dispostos de maneira estranha. Nos domínios da liberdade

pessoal e da tecnologia científica, o impossível está se tornando cada vez mais possível (ou pelo menos é o que nos dizem): “nada é

impossível”, podemos ter sexo em suas mais perversas variações; arquivos inteiros de músicas, filmes e seriados de TV estão disponíveis

para download; a viagem espacial está à venda para quem tiver dinheiro; podemos melhorar nossas habilidades físicas e psíquicas por meio

de intervenções no genoma, e até mesmo realizar o sonho tecnognóstico de atingir a imortalidade transformando nossa identidade em um

programa de computador. Por outro lado, no domínio das relações econômicas e sociais, somos bombardeados o tempo todo por um

discurso do “você não pode” se envolver em atos políticos coletivos (que necessariamente terminam no terror totalitário), ou aderir ao

antigo Estado de bem-estar social (ele nos transforma em não competitivos e leva à crise econômica), ou se isolar do mercado global etc.

Quando medidas de austeridade são impostas, dizem-nos repetidas vezes que se trata apenas do que tem de ser feito. Quem sabe não chegou a hora de inverter as coordenadas do que é possível e impossível? Quem sabe não podemos ter mais solidariedade e assistência médica, já que não somos imortais?

Em meados de abril de 2011, a mídia revelou que o governo chinês havia proibido a exibição, em cinemas e na TV, de filmes que falassem de

viagens no tempo e histórias paralelas, argumentando que elas trazem frivolidade para questões históricas sérias – até mesmo a fuga fictícia

para uma realidade alternativa é considerada perigosa demais. Nós, do mundo Ocidental liberal, não precisamos de uma proibição tão

explícita: a ideologia exerce poder material suficiente para evitar que narrativas históricas alternativas sejam interpretadas com o mínimo

de seriedade. Para nós é fácil imaginar o fim do mundo – vide os inúmeros filmes apocalípticos –, mas não o fim do capitalismo.

Em uma velha piada da antiga República Democrática Alemã, um trabalhador alemão consegue um emprego na Sibéria; sabendo que todas

as suas correspondências serão lidas pelos censores, ele diz para os amigos: “Vamos combinar um código: se vocês receberem uma carta

minha escrita com tinta azul, ela é verdadeira; se a tinta for vermelha, é falsa”. Depois de um mês, os amigos receberam a primeira carta,

escrita em azul: “Tudo é uma maravilha por aqui: os estoques estão cheios, a comida é abundante, os apartamentos são amplos e aquecidos,
os cinemas exibem filmes ocidentais, há mulheres lindas prontas para um romance – a única coisa que não temos é tinta vermelha.” E essa

situação, não é a mesma que vivemos até hoje? Temos toda a liberdade que desejamos – a única coisa que falta é a “tinta vermelha”: nós nos

“sentimos livres” porque somos desprovidos da linguagem para articular nossa falta de liberdade. O que a falta de tinta vermelha significa é

que, hoje, todos os principais termos que usamos para designar o conflito atual – “guerra ao terror”, “democracia e liberdade”, “direitos

humanos” etc. etc. – são termos falsos que mistificam nossa percepção da situação em vez de permitir que pensemos nela. Você, que está aqui

presente, está dando a todos nós tinta vermelha.

Por Slavoj Žižek | Tradução: Rogério Bettoni, Blog da Boitempo

nota: texto partilhado do mural dos escritores

***
O filósofo sente que algo está para acontecer...mas não sabe o quê...eu penso que a grande revolução iminente tem raízes na memória livre da humanidade...o sistema caduco do capitalismo financeiro e a falência pré-anunciada do seu modelo económico, colocam um ponto final no desvario de viver em louca correria para ser o primeiro de nada...sendo uma revolução profunda, ela tenderá a virar o avesso da história para a sua origem natural...a MÁTRIA é a grande oportunidade do homem se remir dos erros e dos medos da sua atribulada evolução...
jrg

15/11/2011

AOS "MERCADOS" PEDEM EMPRESTADO...AOS POVOS, CONFISCAM SALÁRIOS!...


AOS MERCADOS PEDEM EMPRESTADO...AOS POVOS, CONFISCAM SALÁRIOS!...

Aos ricos financeiros...aos "mercados"...os governos pedem emprestado...financiam-se... financiam a economia...e pagam juros vultuosos! o governo de Portugal também...enquanto que aos reformados, aos cumpridores individuais das leis tributárias, confiscam pensões e salários...

Melhor será que passemos todos, os atingidos, à clandestinidade contributiva...a economia paralela está no cerne da nova cidadania...não vota, não paga impostos...paga luvas de alforria...do mesmo jeito...paralelo...

Apenas para os reformados não há volta a dar, senão a morte...por carência e ou indignação, ante esta tragédia que os toma por indigentes...inúteis...teimosamente resistentes às leis da vida...e não como beneficiários intocáveis nas poupanças que confiaram aos governos, desde a mais tenra adulta ingenuidade...

Esta estranha forma de Democracia que nos governa, de súbito, tornou-se na mais hedionda ditadura...e diz: não há dinheiro! amanhem-se! ou deixem-nos governar-vos-nos!

Então e a Constituição?... e os garantes da Constituição e da Democracia?.. O Tribunal Constitucional?..Os Militares?...Os Juristas?...o país vive em estado de emergência, sem declaração prévia e fundamentada de tal estado?

autor: jrg

02/11/2011

GRÉCIA...PORTUGAL...IRLANDA...BOM DIA ! europa...



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GRÉCIA...PORTUGAL..IRLANDA...BOM DIA! europa...

Os Portugueses devem dizer bem alto e em tom claro e convincente, se apoiam os esforços do povo Grego para se libertar do terrorismo

financeiro Internacional...basta de ficar à espera a ver o que dá...com a onda prestes a rebentar-nos à porta...porque a onda do terror é

enorme, geral e demolidora...é preciso construir diques Universais...não há povos menores...há almas humanas...
Eu quero saudar a coragem, perante a imundice de ideias e de propósitos dos seus parceiros Europeus, de Papandreou e seu conselheiros, ao

submeterem as medidas de austeridade a referendo popular...basta de cozinhar acordos ofensivos da dignidade humana que mais não satisfazem senão a gula e os proventos dos insaciáveis vampiros financeiros...
Os Portugueses devem seguir um caminho semelhante...Passos Coelho e os seus acólitos, não têm essa coragem...é preciso aumentar a pressão popular e exigir que seja referendado o orçamento de estado para 2012...
Eu apoio o povo Grego e todos os povos à mercê dos agiotas...
Eu apoio um referendo em Portugal sobre o orçamento de estado para 2012...
Eu apoio os esforços para erigir as bases dum novo humanismo...
autor. jrg

22/10/2011

SALVADORES DA PÁTRIA...


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SALVADORES DA PÁTRIA
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é um vómito 
de escárnio
obsceno
o daqueles senhores
tão delicados
de palavras frias
insolentes

é duro dramático
mas que podemos fazer
que importa
se somos nós amigos nossos 
ou contrários
temos de roubar a todos
vós
por mais que sejam indignados

é um vómito
tão degradante
de delinquentes
aquelas figuras arregimentadas
olhares de aço
sorrisos tétricos
ameaçadores

são ingénuos figurantes
baralham dados
viciam jogo ateiam fogos
a nós que já vimos outros iguais
caçados como ratos
nas próprias armadilhas que tecem
acobardados

é um vómito
asco nojo repugnância
de mentes odiosas
cujas palavras
olhares
lábios conspurcam
a humana virtude

transmitem por omissão
a mensagem do larápio
ou se deixam roubar
ou morrem
não há como vos pagar o pão
podem gritar
porque somos nós os herdeiros da nação

é um vómito
de sábios ajavardados
acintosos
melhor será que partam
poupando-nos
os actos de violência
o cheiro pestífero 
do vosso sangue purulento 

não há homens
nem povos de natureza mansa
a ordem natural da vida é a ferocidade
apenas o medo
a cobardia da mentira
num falso equilíbrio instável
de silêncios suspensos

é um vómito
sobre a esperança
uma tortura permanente
na crista da arrogância 
já Kadhafi morreu
vitima da mesma ousadia
ante os povos em fúria

vêm de norte do sul
da raia do interior e litoral
enchem as ruas
de silêncio nos gritos de coragem
as crianças empunham sorrisos
as mães olhares
sobre um país de homens enfeudados

autor:jrg

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17/10/2011

CARTA ABERTA ÀS MENTES CRIMINOSAS...


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CARTA ABERTA ÀS MENTES CRIMINOSAS...
...
Senhores do mundo...

considerando que toda a criatura foi e é gerada no ventre de uma mulher...

considerando que os conceitos de riqueza e de poder absoluto sobre todas as almas da humanidade, não evita que morram como os demais...

considerando que as medidas de segurança de que vivem rodeados, vos ocultam das maiores maravilhas deste Planeta...

considerando que, apesar das vossas certezas, nada pode impedir que morram, sem glória, como muitos dos criminosos que se julgavam imortais...

considerando que a paz do mundo está ameaçada pela tragédia da insurreição dos povos indignados...falidos...desesperados pelos seus filhos...

considerando que, dada a mediocridade daqueles que vos servem, já ninguém acredita no sucesso das vossas estratégias de domínio sobre uma parte importante da civilização Ocidental...

considerando que a ideia de deus que vos dava a omnipresente protecção, para subjugarem os povos pelo medo...morreu...

considerando que está cada vez mais a nu, apesar de alguns esforços da propaganda obscurantista, a evidência que as leis da gravitação do mundo económico e financeiro, são estimuladas sob vossa orientação e critério...

considerando que o homem falhou...e se encontra no limiar da sua própria recessão...

considerando que as crianças do mundo e os vossos filhos e netos não vos perdoarão a origem do pesadelo que virão a sentir...

considerando que, por mais criminosa, uma mente tem momentos de dúvida que ecoam de dentro da alma, talvez tocados por uma qualquer energia cósmica...

considerando que pelo facto de mandarem, não verem, não sentirem, a vossa consciência permanece imune, à insanidade dos povos em desagregação...

considerando que fostes gerados por uma mulher...o ser supremo da humanidade...

em nome do amor...do novo humanismo em construção...da MÁTRIA que se perfila na aurora do tempo,

venho dizer-vos que os povos perderam o medo que estão dispostos a vencer o que lhes apresentam como uma fatalidade sistémica...unidos em volta dum novo conceito de sociedade humana...

venho dizer-vos que cessem de imediato a pressão absurda, do ponto de vista do humanismo, que exercem, através dos vossos servis mandatários, sobre os povos que acreditaram na vossa propaganda de abundância para todos...

venho dizer-vos Basta!

autor jrg
lisboa - portugal

16/10/2011

15 DE OUTUBRO 2011 NA RUA...A MANIFESTAÇÃO DE LISBOA...


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15 DE OUTUBRO 2011 NA RUA...
A MANIFESTAÇÃO DE LISBOA...
***
Outubro solarengo
as folhas mal começam a cair
o trânsito cortado
policias fardados e à paisana
apitos desesperados
de pessoas acossadas medianas

ligo o rádio
a ver se há noticias
Antena um relato de futebol
TSF bola em movimento
Antena dois toca musica sacra
algo no mundo está morrendo

lá vem a massa humana
será gente?
será extensa espessa?
ou um filamento a conta gotas
que murmura e grita
sem medo do sistema que a agita

entro pela cabeça embandeirada
a ver em cada rosto
o propósito de ir até ao fim
olho por olho e o sorriso
o gesto a força da alma indignada
aspiro dos corpos a esperança

crianças a pé ao colo
mulheres da nova MÁTRIA em construção
empunham as palavras
empunham a vontade de vencer
acreditando na evidência
de serem a força insubmissa da revolta

choro de emoção
a lembrar outros já longínquos momentos
atravesso a humana multidão
que sai à rua a tomar da consciência
que não são reses 
apascentadas por pastores sem dimensão

murmuro Mátria..à Mátria...pela Mátria
toco corpos e palavras
troco sorrisos desfaço teias
são muitos trazem de sonhos a alma cheia
são como um rio que anseia o mar
da liberdade em abundância

procuro a ver de quem conheça
mas os rostos são todos tão iguais
e volto à cabeça
a ver se me acho nas parecenças
com a sensação de ser eu em cada um
no rompimento do silêncio

penso nas centenas de cidades
nos oitenta países todos juntos na corrente
que decretam o fim da insanidade
por um conceito novo de humanismo emergente
que liberte a cativa humanidade
que a devolva sem demora à sua gente

o rio de gente desagua em delta
numa envolvência frente ao parlamento
empunham cartazes exigentes
exibem pensamentos virtudes de excelência
contra a rapina que os quer insolventes
reclamam BASTA não pagamos mais

autor: jrg

09/10/2011

MEU NOME É ABSTENÇÃO !...


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MEU NOME È ABSTENÇÃO
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sou candidata doravante
a todos os sufrágios
para vencer plena a solidão
trago a força do amor 
na alma humana 
sou imune a corruptos e a contágios
que desbaratam sem apuro 
a riqueza da nação
trago a esperança intacta

a minha equipa 
se eu como espero ganhar
é composta de brancos e nulos
além de mim e de outros tão imensos 
votos não contados
que vogam sem destino 
por além mar
os indignados os indiferentes 
que se perderam em medos sufragados

sou candidata a ministro
primeiro dum governo
que a ampla maioria suporte
declaro que não possuo nem quero 
rendimentos da usura
apenas os gastos de viver e os do oficio
não faço promessas nem tolero 
do carácter o ar sinistro
a palavra de ordem é esperança 

meu nome é  abstenção
sem preconceitos
ninguém me insulta ou provoca
gratuitamente
sei os meus direitos vou a votos
digo não a todos os lamentos
subscrevo o fim dos vícios
o fim das mordomias
da corrupção dos usurários

comigo na primazia
instituirei o tráfico do absurdo
na proliferação do amor
sem armas nem drogas nem influências nocivas
anularei as dividas sociais
e as soberanas catastróficas
abolirei o ouro como moeda de troca
os bens privados 
que geram e promovem a inveja

somos um só mundo
à volta da esfera que adeja no universo
onde a partilha justa
foi sendo malevolamente viciada
é falso que tenhamos todos 
entre barreiras as mesmas oportunidades
uns fundaram o sistema
os outros partem de trás com a cartilha sobre a mesa
soletrada nos corredores do medo

trago no ventre os princípios
rasgo os compromissos com os abutres
se alguém ainda que seja comandante
diz que não tenho mais direitos
é por despeito e ignorância
que o direito assiste a quem suporta
a arbitrariedade deste jogo
onde quem perde ganha por suspeita
do outro estar fora de jogo

sou a abstenção sonhadora
hoje dou a cara
convoco a assembleia dos devotos
porque o tempo urge
sou mais de quatro milhões aqui agora
mas não peso nada
ainda que me temam se me alevanto
se saio à rua de enxurrada
vamos a votos a ver quem ganha

autor:jrg

04/10/2011

WALLSTREET


WALLSTREET foto pública tirada da net

Em Portugal as reivindicações, orientadas pelas organizações da chamada esquerda que, não obstante, estiveram na primeira linha da vergonhosa campanha contra Sócrates, são meras formalidades de pormenor utópico, nas condições actuais da humanidade...eles mandam alunos atirar ovos e insultar a ministra da educação, eles mandam chamar ladrões aos governantes...eles dizem que não pagamos a dívida soberana...eles exigem que se confisquem os bens do enriquecimento ilícito...eles mandam pedir aumentos de salários, quando o que acontece é o corte de salários e o desemprego...eles mandam dizer que saiamos da dita Comunidade Europeia..que protestemos na rua sob as suas  palavras de ordem obsoletas...eles vão a eleições para retirar votos a outros, não para as ganharem...em 1975 fizeram o mesmo...foram uns meses de eufórica ilusão...no governo de Vasco Gonçalves...reforma agrária...ocupação de empresas...saneamentos selvagens...o que aconteceu..foi que o país esteve à beira da bancarrota e não mais deixámos de pagar as facturas...

Que fazer...nesta conjuntura, quando o pão escasseia, todos ralham  e ninguém tem razão...o país tem uma estrutura económica e financeira viciada...o país que a quando da sua formação prestou vassalagem ao Papa e durante largos ano, ao Vaticano...grassa na corrupção ...não há obra pública que não derrape...os concursos públicos carecem de seriedade...criam-se obras e empresas para justificar desvios avultados de fundos...há um complôt de interesses que partilham os dinheiros públicos...o país presta hoje vassalagem à União Europeia...e de lá tem vindo uma boa parte dos dinheiros que vão alimentando esta voragem desenfreada de enriquecimento rápido...o resto dos dinheiros, vêm dos mercados, da usura financeira...o país tem uma educação deficiente...grande parte da população tem dificuldade em entender...logo...são facilmente manipulados pela oratória empolada, quer no discurso oral, quer nos meios de propaganda escrita e e falada, que são propriedade dos grandes grupos financeiros...o país perdeu a sua identidade cultural e histórica...já ninguém admira ou quer saber de Camões, de Pessoa e das Descobertas...Camões e Pessoa porque são difíceis de entender...as Descobertas porque se vão descobrindo embustes sobre a sua patriótica e civilizacional dimensão...

Levaram as pessoas a um consumo exagerado de energia anímica, quando protestaram, aviltantemente, sob propaganda insidiosa que pretendia afastar Sócrates da cena política...não o partido que ele representava...não as forças secretas que o sustinham..apenas o homem, que, tal como Viriato na antiga Lusitânia, se opunha veementemente a capitular face à investida do Capital sem nome nem pátria...e  face a alguns interesses que,cá dentro, se sentiram ameaçados pela sua capacidade de confronto...o mal de Sócrates, foi o de se evidenciar sobre a mediocridade que se instalou nos lugares de topo da sociedade Portuguesa e a quem convém, quanto mais lama melhor, quanto mais caos  melhor, quanto mais medo melhor...

É preciso olhar o mundo global e procurar entender os sinais que se elevam no ar rarefeito, à espera de quem os decifre...em WallStreet há um  paiol de pólvora humana pronta a explodir...de onde poucos esperavam, surge um movimento e a reivindicação central...que cesse este sistema financeiro, desumano, gerido por mentes criminosas que se alimentam de toda a humanidade em jogos perversos de bolsa e agiotagem...

É preciso estar atento aos sinais que percorrem o planeta sitiado à procura de respostas...se temos que ser espoliados que não seja para pagar a quem usufruiu das mais valias geradas pelo despesismo selvagem...é preciso unir os fios da indignação generalizada...América..África...Ásia...Europa...Oceania...um só mundo..uma só alma...a Humana

autor: jrg

02/10/2011

CANSADO DE VER... CEGUEI...



foto pública tirada da net

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CANSADO DE VER CEGUEI
*
cansado de ver naufragar
meu barquinho de papel
criei um outro de lata
mais forte na força do mar
feri dedos rasguei pele
em meu barquinho pirata
e fui na vida a sonhar
tracei rotas de sal e mel
subi a vida em cascata

cansado de ver morrer
em cada sonho sonhado
uma ideia a alvorar
criei um sonho p'ra ser
na alma inquietado
sem ter sempre que acordar
no mesmo amanhecer
onde a palavra coitado
não deixa a coragem medrar

cansado de ver certezas
pelo conhecimento anuladas
em sábios enfatuados
criei em mim as defesas
na consciência formadas
fiz da história meus cuidados
juntei as minhas fraquezas
de não saber desfraldadas
sem mitos premeditados

cansado de ver ignorância
em muito conceito endeusado
pais que maltratam filhos
mães submissas vitimas da jactância
criminosos soltos por juiz de estado
homem justo metido em sarilhos
criei com a natureza em consonância
um pacto do absurdo aprimorado
que solta os nós de todos os atilhos

cansado de ver sempre na guerra
motivo de força maior
da mais simples controvérsia
criei no cimo da serra
uma plataforma de amor
que arrasta sorrindo a fantasia
e toda a maldade que encerra
o mundo ao meu redor
náufrago dum mar de maresia

cansado de ver entender
por interesse da pasmaceira
a paz que adeja sobre os mortos
criei fogos para arder
a sombra que grassa rasteira
que oculta da alma os corpos
sujos podres do poder
em que a moralidade inteira
afunda os sonhos utópicos

cansado de ver ceguei
procuro algures a caverna
de Viriato ou d'álguém
onde os sonhos que criei
acordem na paz eterna
já órfãos de pai e de mãe
nem fujo nem seguirei
afronto a quem me governa
e de lá vos gritarei

não embarquem nesta aventura
o barco nem fundo tem
remar sempre também cansa
nem a ideia se apura
no lixo que fede de além
acordem na alma a esperança
abominem da usura
de que o pensamento é refém

não fujam confrontem o medo
unam as linhas globais
que indignam o conformismo
subam os rios em segredo
arrasem as mentiras fatais
clamem por um novo humanismo
que emerge do mar tecendo
regras novas de paridades iguais
transpondo o sórdido abismo

a fanfarra toca o hino à alegria
cego é o que ver não quer
nesta encenação de evidência mímica
num tropel de vampiros à revelia
que nos corta a vontade de vencer
um sinal da força anímica
como o verso no poema gera a poesia
num sorriso de criança a correr
sobre a lixeira de natureza atípica

cansado de ter de inventar
mais robusto de ousar em mar agitado
meu barquinho frágil de papel
criei na vastidão da alma o cogitar
que irrompe do silêncio amordaçado
antes que o mundo expluda ou o sangue gele
na voraz tentativa de matar
a coragem do homem acossado
que responde com a fúria que há nele

autor: jrg


27/09/2011

UM SÁBIO SENHOR DE FINANÇAS...ZÉ POVINHO...E O SAMURAI DO FEUDO...



UM SÁBIO SENHOR FINANÇAS...
ZÉ POVINHO...
E O SAMURAI DO FEUDO...
imagem pública: obra de Rafael Bordalo Pinheiro

*
1º acto (sábio senhor finanças)
**
um sábio senhor finanças
quer casar o Zé povinho
com forças de outras andanças
julgando o povo parvinho

um sábio que mima a pilhagem
com doses de dramatismo
quer casar a "malandragem"
à sombra do despesismo

um sábio que em palco alheio
se curva subserviente
quer casar o papo cheio
com povinho obediente

um sábio que corta na luz
sobe gás transportes salários
quer casar quem ele seduz
Zé povinho com usurários

um sábio senhor de magia
de aspecto mítico louco
quer sem dote a fantasia
 a casar com filantropo

um sábio assim tão de rico
não merece abstenção
por querer casar o onírico
com a sua maldição

um sábio senhor financeiro
das longas noites refém
não pode perder dinheiro
casando povo e desdém
***


imagem pública:obra de Rafael Bordalo Pinheiro
*
2º acto (zé povinho)
**
sai à rua indignado
Zé povinho de tanta suficiência
não quer ser à força mimado
nem casar por mera conveniência

porque há ainda mais
estagnaram salários pensões
confiscaram os natais
subiram medicamentos com menos comparticipações

gastaram-me as energias
puseram a nu o estafado segredo
quem corre por mordomias
esconde dos outros seu medo

afinal o outro é que era ladrão
mentiroso incompetente
perdeu por insidia vossa a razão
à custa do povo indiferente

o feudo está paralisado
desemprego nem rei nem roque de emoção
sujeito sem predicado
não faz do verbo oração

quem chamou o vento que colha a tempestade
sou Zé povinho à condição
um povo que se deixa casar com a insanidade
perde o seu lugar de livre cidadão

deste modo não me casam não
perdi a maré da vontade
por mais que me empolem de nação
quero a minha liberdade

***
imagem pública: obra de Rafael Bordalo Pinheiro
*
3º acto (samurai do feudo)
**

não te minto agora Zé povinho
são mais dois anos de abstémia financeira
sou eu quem te dá o pão e o vinho
mandei varrer o jardim mais a sua bandalheira

não escutes as vozes estranhas
que falam de novos intensos tornados
nem cuides que são patranhas
quando ameaço os mais indignados

é preciso trabalhar mais e melhor
ganhar menos por emprego
libertar o subsidio para o financeiro mor
que de dinheiro anda sôfrego

os ventos mandam mudar
do social a ventura
somos marinheiros temos mar
e terra de semeadura

não faz sentido ignorar
que conhecimento empanturra
por isso mandei mandar
que se despromova a cultura

nem dá saúde manter
cuidados e descontos exacerbados
melhor será ver morrer
os doentes mais acomodados

casa Zé com esta nova postura
talha a tua vida à maré da boa sorte
que os ventos são de rotura
com o estado previdência a monte sem norte

***
imagem pública: obra de Rafael Bordalo Pinheiro
*
4º acto (zé povinho)
**
indigna-me ser povo e Zé tido por ignorante
basta de insultos à minha inteligência
digam a essa corja que vos manda que sou eu o mandante
não caso com a usura nem com a emergência
sou povo e Zé da arte amante
trabalhador insigne pago com insuficiência

indigna-me ser povo e Zé amedrontado
alvo de arremessos e picardias
não pago mais a corruptos já sou casado
com os de humanidades mais sadias
nem quero ser dos meus direitos mais castrado
o que exijo dos eleitos são valores não cobardias

indigna-me saber que não dormem na voragem
de conjugar o verbo ter com a rapina
não caso a minha humilde sabedoria com a chantagem
sou povo e Zé mas já nem uso a barretina
exijo ser achado no emprego e na saúde não à margem
vou para a rua, já! de palavra e concertina

indigna-me ser povo e Zé na orgia global
onde se discute grão a grão o que cabe a cada um na partilha
a minha pátria é a alma humana Universal
não caso com quem a minha alma omina e não perfilha
antes a definha pelo terror transversal
se o barco vai ao fundo eu Zé não vou na quilha

indigna-me ser presa ingénua de agiotas
que chafurdam legalmente nas minhas frustradas ilusões
promovidas por pérfidos sábios patriotas
conjugados com os outros para encontrarem soluções
não caso basta! sou Zé dentro de portas
mas do mundo inteiro sou a alma cheia d'emoções

indigna-me ser povo e Zé no limiar da pobreza
catalogado de má fé e vadiagem
num feudo onde produzo e não se vê minha riqueza
especulada nas roletas da triagem
onde se definem os lucros maquilhados de esperteza
basta não caso com a bandidagem

indigna-me ser o Zé povinho sempre alegrete
rosto da opinião pública economicamente controlada
na realidade sou de fortuna até pobrete
mas de alma pura empunhando da esperança a alvorada
não caso com a perfídia nem a porrete
sou povo de paz e amor se saio à rua é pela liberdade ameaçada

fim
autor: jrg