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13/01/2023

SOU!... SENDO!...

por de sol na Caparica

foto jrg

 *

SOU SENDO
*
sou um ser anónimo com rosto que não conta
sou números que entram na estatística
servi a dita pátria com desperdício de monta
enriqueci algozes alimentei da fé a mística
*
escrevi palavras em pedras de gelo da memória
tive pai mãe tenho esposa filhos e netos
sou um tal cujo nome não consta na história
mas não reneguei do humano os afetos
*
desde sempre a liberdade que é da alma inerente
não a liberdade do ter do parecer a limitada
tudo o que fiz aonde fui ou sei a sul e a norte fui aderente
escolhi passos locais e os momentos parti sempre do nada
*
resolvi o mistério que é saber quem sabe e manda
sondei o homem nas suas profundezas
e vi que é tudo circunstante hoje é assim amanhã desvenda
tomei a via do ser antigo que sendo assume suas tristezas
*
é isso que eu sou ou quero ser um nada que é sendo
a regurgitar memórias do meu inconsciente
à deriva sem rumo nem certezas vou-me acontecendo
sou da terra e do mar uma mera semente
*
estou cansado desta vida sem sentido intermitente
assolado por pessoas como chacais
a mesquinhez a ganância a soberba é tão indecente
de que a intriga o ódio a maldade são sinais
*
semeei a Paz o Amor a Humanidade em terra infértil
reguei com afetos sorrisos e emoções
colhi frutos e sementes cujo travo dum doce subtil
me alegra a vida cheia doutros corações
jrg

27/04/2022

NÓS TERRÁQUEOS

 NÓS TERRÁQUEOS

***
nós
o povo dos povos do mundo inteiro
repudiamos a divisão do mundo
em lotes aguerridos de nacionalismo
*
nós
a humanidade dum tempo derradeiro
repudiamos o dinheiro imundo
a usura a corrupção e o religiosismo
***
nós
que amamos paz amor humanidade
repudiamos toda violência
a cultura do medo e do racismo
*
nós
amamos uma sociedade justa em liberdade
que partilha a sua consciência
solidária com os valores do humanismo
***
nós
que nascemos do ventre de uma Mulher
queremos que ela seja parte
da organização universal da vida colectiva
*
nós
exigimos o respeito pela dignidade do Ser
que cria a vida humana com sua arte
e nela se funde pelo instinto e perspectiva
***
nós
que amamos a natureza e seus viventes
queremos o desarmamento
geral e global com o fim do fabrico bélico
*
nós
que ansiamos ser felizes sãos e sorridentes
confiando uns nos outros cada momento
sem que alguém possa usar seu poder tétrico
***
nós
que abominamos a inveja a usura e a ganância
exigimos o fim dos sistemas financeiros
e das economias corruptas dos mercados usurários
*
nós
que da humanidade queremos ser a militância
queremos ser na vida companheiros
e partilhar o mundo sem divisões nem horários
***
nós
que vimos saltar da cama uma mulher nova
disposta a partilhar sabedoria
numa organização justa sem atalhos contaminados
*
saudamos a fonte da vida que se renova
que sendo a criadora todavia
tem sido menosprezada pelos iluminados
***
nós
queremos que cesse a exploração irracional
queremos que cessem todas as guerras
queremos que cesse a destruição do planeta
*
nós
exortamos a Humanidade à disseminação da Paz universal
a Amar a vida porque não há mais Terras
a parar a competição pela mais valia da ganância obsoleta
***
nós
consideramos que o fim do sistema financeiro
ditará o fim do tráfico de drogas
e ditará o fim do fabrico de armas e da corrupção
*
nós
ansiamos por um mundo de pessoas livres de dinheiro
de pessoas felizes com vidas longas
de pessoas que partilham a vida com o coração
***
jrg





fotos públicas tiradas da net

14/11/2021

TRAGÉDIA HUMANITÁRIA





 TRAGÉDIA HUMANITÁRIA

*
a ganância projectou a derrocada
disseminou o caos
desequilibrou o periclitante equilíbrio
e deixa encurralada
gente como nós e crianças somos maus
se permitimos o livre arbítrio
*
ouço os gritos aflitos tão dilacerantes
de dor de frio e de fome
de pessoas jogadas como armas ofensivas
por mentes indignantes
importadas por criminosos com nome
ante olhadelas permissivas
*
o homem o maior predador do planeta
prepara mais uma façanha
o genocídio da mulfidão desesperada
ante a passividade de quem lamenta
sem poder para travar a artimanha
dos obscuros domínios da desumanidade assanhada
*
apelo à consciència pura da Humanidade
porque estamos perante o abismo
desenraizados de Paz de Amor
na ilusão de escravos plenos de liberdade
feridos de indiferença e egoísmo
que cesse em todo o mundo este terror
*
o clima transborda provocante o ódio avança
ou sustemos a agressividade
todos juntos cada povo a activar a consciência
por Amor que seja duma criança
ou resvalamos no vácuo da infelicidade
embrulhados na nossa demência
*
que o meu grito perfure a insensibilidade
dos insidiosos poderes ocultos
que numa dinâmica absurda dominam o mundo
porque sou Humano salvemos a Humanidade
e toda a fauna e flora quero ouvir os vossos gritos
num só grito mais profundo
jrg
fotos públicas tiradas da net

27/10/2021

APETECIA-ME

 


foto jrg

APETECIA-ME

*
apetecia-me dar uma festa
em honra da vida
e da sua irmã gémea morte
apetecia-me dormir a sesta
à hora da partida
antes que a consciência perca o norte
*
convidaria Amigas e Amigos
para celebrar-mos a minha despedida
um porto de honra à alegria
honra à memória dos antigos
oportunidade perdida
não fiz nada não sei nada mais valia
*
não ter visto a luz do dia
não ter não sentir esta sensação
de ter vivido sem sentido
fui aprendiz de poeta sem saber de poesia
sou da minha morte meio irmão
e temo que ela me culpe por não ter Sido
*
apetecia-me dar uma festa
para alegrar o sentir mórbido de viver
fui aprendiz de aprender
bate chapas mecânico pescador de besta
pedreiro vendedor até escurecer
fui amante filho neto pai avô a aprender
+
do meu testamento não consta dinheiro
nem nada a que chame de meu
sou um pária dos valores fiduciários
cultivo o amor por inteiro
sou o que não sendo na vida aconteceu
de pensamentos perdulários
+
brindemos á vida e á morte com alegria
não sabemos nada a cada passo aprendemos
persiste o mistério de saber ao que viemos
esta ânsia de viver a vida em fantasia
a angústia quando chega a hora de morrermos
viva a morte e tudo o que não soubemos
+
tudo que vive morre a qualquer tempo´
há um turbilhão de gente
que aguarda sem o saber a sua sorte
ervas daninhas baloiçam ao vento
o mar ruge espuma amarela também ele doente
quando eu morrer não me chorem a morte
jrg



foto jrg

27/09/2021

VIDA E MORTE SÃO ALMAS GÉMEAS

 VIDA E MORTE

SÃO ALMAS GÉMEAS
+
a vida e a morte
são almas gémeas siamesas
pegadas á nascença
a última avança quando a outra perde o norte
a primeira resiste ás surpresas
a outra teme que que a vida sempre vença
*
a morte e a vida
são almas gémeas siamesas
quando uma foge a outra chega
a morte ganha sempre a corrida
apesar das tristezas
e das partidas que a vida prega
*
morre-se de tanto viver
seja muito ou pouco o tempo decorrido
quem morre não sente mais nada
outros dirão que é uma vida que deixa de sofrer
sofre quem fica pela vida vencido
paira no tempo a memória pela morte geminada
+
as gémeas vida e morte
jogam na rabia do medo ao destemor da aventura
escorregam na mais valia do segredo
onde se escondem os mitos do azar e da sorte
ignoram os sinais de ruptura
os avisos da memória colectiva quase a medo
+
ouço e sinto sinais que se confundem
tal é a desordem de mentes obscuras em desatino
que oprimem as gémeas rente ao abismo
o pulmão da terra borbulha na poeira da ferrugem
uma partida de vida e morte ao seu destino
ou a última oportunidade da morte ao cepticismo
+
jrg
foto
foto pública tirada da net
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Tu, Paulo Zé Silva, Amelio da Silva e 3 outras pessoas

05/05/2020

ANSEIO UM NOVO ILUMINISMO OU O RENASCER DA ESPÉCIE HUMANA






Desenhos de Nuno Gonçalves
ANSEIO UM NOVO ILUMINISMO
OU O RENASCER DA ESPÉCIE HUMANA
*
como o homem primitivo
faço caçadas furtivas
caço numa grande superfície
passo rápido olho vivo
que o vírus não vai em cantigas
e o medo é próprio da espécie
*
a máscara protege-me o rosto
a lista de compras atenua a demora
percorro os corredores a correr
os olhos à procura do que preciso e gosto
as mãos ágeis como quem chora
sabendo que o tempo não é para perder
*
o carro cheio carrego os sacos
limpo-os com desinfectante
arrumo-os na viatura de transporte
perdi a lista esqueci os trocos
limpo os sapatos o casaco a mente
e rumo à toca mais a norte
*
a máscara aperta quase me sufoca
o corpo sua pelo medo agitado
regresso ao silêncio do confinamento
limpar os produtos que o vírus provoca
sinto a falta do mar alterado
com a pandemia colada ao pensamento
*
às vezes vagueio na raia da loucura
rompo o silêncio grito
mas ninguém me responde nem o vento
as notícias aumentam a amargura
os pássaros no quintal o cão o tempo infinito
sufoco na inquietude do pensamento
*
o mundo afunda-se num turbilhão
falham as comunicações
gente indiferente corrompe a ordem estabelecida
resisto a romper a barreira do paredão
onde o mar me espera para descarregar emoções
a organização da vida desmorona-se vencida
*
depois da tempestade vem a bonança
dizem todos os povos na sua ancestral sabedoria
não quero ditaduras nem ditadores
que o mundo e a vida renasçam como uma criança
o homem e a mulher na mesma sintonia
sem ganância sem guerras nem usurpadores
*
uma só língua uma só nação na terra
chamem-lhe Pátria ou Mátria eu chamo-lhe Humanidade
onde não há lugar a injustiça ou abandono
com normas incutidas que valorizem a paz em vez da guerra
que valorizem Amor e a mais ampla liberdade
a humanidade somos todos e livres sem grades nem dono
*
anseio pelo renascimento dum novo iluminismo
sem o servilismo a deuses e tecnologias
quero saber quem sou o que sou e o sentido que faço
quero ser um elo do todo sem absolutismo
de seitas secretas de facções ou obscuras confrarias
quero viver a vida a cada passo
*
jrg