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Blog de intervenção e reflexão e alguma literatura, numa salada que pretendo harmoniosa e saudável.
07/02/2012
PÁTRIA...? OU... MÁTRIA...? EIS A QUESTÃO QUE SE LEVANTA...
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09/10/2011
MEU NOME É ABSTENÇÃO !...
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02/10/2011
CANSADO DE VER... CEGUEI...
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19/06/2011
O PAÍS ONDE EU NASCI !...
tem um clima saudável
ainda que um povo bem triste
sempre queixoso do árbitro
gente humilde tão prestável
que à pobreza resiste
fazendo do pobre erudito
tem o mar por horizonte
serras e vales deslumbrantes
um povo inteligente
mesquinho se lhe vão à fonte
iroso com os farsantes
amigo de quem na alma o sente
tem elites medíocres
educadores sem brio nem ambição
sabem de tudo não conhecendo
são da eficácia predadores
promulgam o caos como evasão
são seres absolutos não sendo
tem uma história um destino
se humildemente reconhecer seus valores
se almejar de si próprio ser amante
desbravar na consciência o feminino
que é o criador dos seus amores
talvez se continue e vá avante
tem a liberdade limitada ao capital
gente que vive entre o desespero e a esperança
se penso assim é porque não esmoreço
ainda que o abismo pareça ser fatal
renasço em cada sorriso duma criança
faço por ser aquele que não pareço
é velho anquilosado e sem vergonha
paga a quem copia a vida quase de graça
promulga a criação como aviltante
quando alguém propõe erradicar toda peçonha
agarra que é ladrão se a nossa sorte traça
no baixio da maré sendo vazante
de mal dizer é protestante e laico
embrulhado numa história de invertidos valores
amotinado quando se trata de fazer
ergue-se das ruínas do mesmo modo prosaico
com que se humilha perante seus tutores
só me resta já olhar d'além o que vai acontecer
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07/04/2011
SOCIEDADE SECRETA..."A UTOPIA"...- A EDUCAÇÃO É A BASE DO NOSSO DESENVOLVIMENTO !...
Apesar de escrito em 1896, este texto não perde actualidade, ao caracterizar a
sociedade portuguesa, antes reforça uma caracteristica, talvez proveniente da nossa miscigenação
genética, que mais facilmente nos coloca de bem com um outro ( estrangeiro) do que connosco
próprios...
jrg
Caracterização do povo Português, no livro "Pátria" de Guerra Junqueiro, em 1896
"Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga,
besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um
mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas;
um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde
vai; um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência
como que um lampejo misterioso da alma nacional, reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta.
Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não descriminando já o bem do mal,
sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima,
descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a
infâmia, da mentira à falsificação, violência ao roubo, donde provem que na política portuguesa
sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis.
Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este criado de quarto do moderador; e este,
finalmente, tornado absoluto pela abdicação unânime do País. [.] A justiça ao arbítrio da Política,
torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas; Dois partidos [.] sem ideias, sem planos, sem
convicções, incapazes, [.] vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas
palavras, idênticos nos actos, iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero, e não se
malgando e fundindo, apesar disso, pela razão que alguém deu no parlamento, de não caberem todos
duma vez na mesma sala de jantar."
Guerra Junqueiro, "Pátria", 1896.
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Penso que evoluímos, apesar de tudo, não de uma forma homogénea, mas modernizamos o nosso
conhecimento, operamos mudanças na nossa mentalidade, não sendo, todavia, suficiente estamos
mais abertos a pesquisar nos novos horizontes...
Sendo a educação a força motriz que gera o desenvolvimento, é também, por consequência, a matéria
onde se movem interessses contraditórios, lobies sem escrúpulos quer ao nível da ideologia quer do
mercantilismo, dado o volumoso fluxo de capitais envolvidos, no sistema, que os torna
concomitantes...
Penso que a escola é a base fundamental da formação humana e que não tem cumprido este
pressuposto, mercê do afluxo de agentes de ensino, vulgo professores, sem vocação pedagógica, da
falta de orientação disciplinar adequada, das lutas intestinas pela hegemonia da classe, da
partidarização dos órgãos corporativos, e da obsessão com que se digladiam as eminências que
tutelam os modelos e conteúdos do sistema de ensino e os que se arrogam defensores dum certo
modelo de classe...
Convido professores e pedagogos, educadores, pais, alunos ao contributo da sua reflexão que permita
desmistificar esta fatalidade de sermos mesquinhos, miúdos, iletrados, desenrascados, tristes,
acomodados, espertos, mas pouco convictos da nossa consciência...
jrg
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19/11/2009
7 VAGAS E O MAR AMANSA
quatro diabos aos remos
um ao leme é o arrais
o mar encapelado de manso parco
a cada 7 vagas o mar é chão avançaremos
grita o mestre para os demos
a Lua num momento sob nuvens oculta
ou a iliteracia de quem o dever erra
por ventura a incerteza do que é dado como certo
uma vaga imensa de súbito se avulta
só o mestre a vê e grita ou berra
rema "caralho" rema tirem-nos deste aperto
os homens remam com a força inconsciente
de encontro à poderosa onda tresmalhada
e no embate brutal a proa sobe a pique
há um que arrancado ao banco o remo perde e sente
o barco rasga a onda que ruge e se desfaz apavorada
e faz-se ao mar que acalma da ânsia a psique
autor: JRG
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30/04/2009
AS CRISES, O DESEMPREGO, O CAOS GLOBAL
As crises modernas que se vêm tornando cíclicas e cada vez mais afrontosas da condição humana, tocou o fundo do problema, a financeira.
Desta vez é a sério porque toca no dinheiro, não já na matéria prima que se encontra prestes a esgotar-se, tal a devassa que a procura do lucro crescente e sem fim levou a ganância do homem.
O sistema financeiro é um logro que assenta no crédito sugerido, alimentado pela dinâmica do conforto possível para todos, segundo os parâmetros das modas inventadas a cada trimestre. Acumula-se os excedentes sem préstimo, nem compradores, as empresas vivem da ficção das bolsas, reorganizam-se segundo critérios de optimização que obrigam ao despedimento colectivo de de cada vez maior número de trabalhadores. A máquina, a tecnologia, impõe-se como suficiente face à imobilidade do homem, ofuscado pelas facilidades com que acede ao crédito e pelo deslumbramento ante o desempenho prodigioso das novas máquinas inventadas para o substituir.
Florescem as sociedades financeiras de prestação de crédito que atraem a aderência de um crescente número de pessoas, endividadas, absolutamente falidas, que confiaram no ganhar tempo, na progressão de rendimentos e se vêem de súbito mergulhados numa das maiores crises, a financeira, sem solução credível à vista, que assola a humanidade.
Estas sociedades financeiras, imunes à crise, porque rapasses, agiotas protegidos pela lei, com juros absolutamente surreais, posso dizer que numa divida de 1474,02 euros e de uma prestação de 55 euros, apenas 14,o8 é abatido ao capital em dívida, daí resultando que num ano é abatida à divida a importância de 168.96 euros e que para completa liquidação serão precisos dez anos mais...Estão na crista da onda do sucesso empresarial.
Insolúveis, as empresas fecham portas e lançam pessoas no desemprego, outras aproveitam-se dos efeitos colaterais da crise e reduzem empregos. Dia após dia, engrossam por todo o mundo os sem emprego, as dividas por saldar, habitação, carro, créditos pessoais, cartões de crédito, empréstimos particulares.
Os governos estão manietados sem meios que os habilitem a resolver o problema. Limitam-se a apoiar a economia, os mesmos poderes financeiros que chantageiam com o agudizar da crise, que os desafiam a idealizar soluções de entre os sábios, acodem como podem ao desespero dos desempregados, emitem mensagens de optimismo.
Penso que podemos estar perante, ou no limiar, de acontecimentos imprevisíveis de caos, de saque dos com fome de direitos, sobre estas máfias legalmente organizadas, consideradas impunes, por mais atropelos que tenham cometido sobre a humanidade e o Planeta. O fim do dinheiro, como fonte de alimentação, agora que Deus e o Diabo são uma miragem recôndita na memória do homem, ou o advento da nova ordem que tenha o homem como fim e indissociável da preservação do Planeta,na sua globalidade.
A ver vamos...
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18/04/2009
QUEM QUER CASAR COM A PRINCESINHA...
cansada de desamor
fez-se ao mundo publicitada
em imagem multicolor
quem quer casar com a princesinha
que é bonita e formosinha
e tem amor na gavetinha?
quero eu! Disse o macaco
saltando de galho em galho
solta a tua fala um naco
quero ver se em ti me valho
lançado o grito estridente
do símio escandalizado
a princesa inconsistente
ah não quero és muito alarvado
quem quer casar com a princesinha
que é bonita e formosinha
e tem memórias na gavetinha?
quero eu! Disse o mocho sabichão
Fala para que eu aquilate
Se és macho e tens tesão
Se não faço um disparate…
ao ouvir tal estrugido penetrante
a princesa ironiza cerra os lábios
sem o sorriso é uma careta irritante
que diz ah não quero ser dos sábios
quem quer casar com a princesinha
que é bonita e formosinha
e é fiel à gavetinha?
quero eu disse zurrando o burro
sou silêncio só falo durante o cio
prometo que não te empurro
sou forte e meigo quando te arrelio
seduzida pela voz grave e doce
ou pela robustez do duro falo
a princesa do burro enamorou-se
casaram amantes até ao cantar do galo
quem quer casar com a princesinha
que é bonita e formosinha
viajada tem lugares na gavetinha?...
quem quer? quem quer?
experimentar da princesinha
o desfolhar do malmequer
18/09/2008
BRASIL - BRASILEIROS - A RECONQUISTA
Um dia, alguém descobriu que o Brasil perdeu os Portugueses de si próprios. Reduzindo-os a esta incessante procura de uma identidade vencedora que se esvaziou de nós desde que o ouro fácil, os diamantes e o frutuoso comércio de escravos, tudo tão fácil de obter, se estancou lá de onde vinha, para servir uma outra classe de vampiros, gananciosa de poder e que vinha conspirando na sombra contra o envio da riqueza para os madraços de Lisboa.
O Brasil continuou, durante muitos anos, a ser a porta de escape dos que, fracassados nas suas terras, se metiam ao caminho, valendo de tudo para lá chegar: cartas de chamada, clandestinamente a bordo de navios mercantes, como marinheiros ou moços de fretes, e já então através de máfias suficientemente organizadas.
Com o advento da Democracia Portuguesa e o crescimento económico que a adesão Europeia vinha proporcionando, a realidade alterou-se e virou sonho de efeitos controversos.
Os Brasileiros procuraram sair do Brasil em massa, asfixiados por uma inflação galopante, e seduzidos pelos relatos de compatriotas mais ousados que mandavam noticias do novo Eldorado: Portugal. É que se não desse certo aqui, sempre tinham a porta aberta para a E.Europa, onde a riqueza da economia se mostrava consistente e imparável.
Márcia, vivia no estado de Goiás e tinha um pequeno salão de cabeleireira, casada com Flávio, mulher bonita, alegre e plena de vida, não via como mudar o seu Flávio, madraço, vivendo ás sua custas e quando a coisa apertava, virando-se para os pais, pedindo ajuda que sempre vinha.
Um dia, desafiado por amigos e pela irmã a viver em Londres, meteu-se à aventura da nova Europa. Veio só, Márcia e os filhos ficaram a aguardar que ele se instalasse.
Chegado a Paris não o deixaram seguir para Londres. Ficou desorientado sem saber o que fazer. Falou ao telefone com Márcia, falou com mamãe, falou consigo próprio, ouviu os amigos na mesma situação e resolveu seguir para Portugal.
Arranjou trabalho pesado, foi aldrabado, humilhado na sua condição de noviço, mas foi aprendendo. Mudando de trabalho, aprendendo artes e manhas. Inscreveu-se num curso de canalizador e montou uma pequena empresa com outro brasileiro. Legalizou-se e mandou vir Márcia e os filhos.
Márcia chegou e viu em que se transformara seu Flávio. Um homem dinâmico e com objectivos. Um trabalhador exemplar. Os filhos inscritos na escola, Márcia arranjou trabalho numa pastelaria onde já havia outros Brasileiros. E foram alimentando o sonho de voltar a Goiás com um pedacinho mais de dinheiro para recomeçar vida nova na sua terra natal.
Os filhos cresceram, Rubinho, o mais velho já está tirando um curso de informática e elegeu a sua nova Pátria para fazer carreira, Taís, na idade púbere, só pensa em voltar, seus amigos, suas amigas e todo um mundo inventado que deixou há já três longos anos.
O Cruzeiro valorizou face ao Euro e as condições de poupança não são as mesmas agora que eram a quando da vinda. Mas o sonho está lá, como que a justificar a continuidade da descoberta.
Celsinho também tem um sonho, voltar e ajudar sua família, construir uma casa nova, casar com sua noiva que ainda o espera.
Os Brasileiros e as Brasileiras instalaram-se para ficar, como todos os emigrantes, eles ocupam hoje uma faixa considerável em muitos aspectos da vida Portuguesa e estão a mudar Portugal.
São médicos, enfermeiras, cabeleireiras, trabalhadores dos serviços, administradores de empresas, atletas de alta competição, pastores evangélicos...
As cores das suas vestes, a sua alegria contagiante, o seu positivismo face à adversidade, entraram no coração e nos hábitos de um povo que era triste, que sempre foi triste, e que abraçou, desde as telenovelas, uma nova relação de proximidade com a sonoridade da voz e a ternura dos modos. Os brasileiros são hoje uma mais valia para os Portugueses.
Relembro a enfermeira, linda, morena e linda que me falava, cantante:
_Está doendo? Estou sendo mázinha, mas é para seu bem?
E o meu sorriso que aceita a pica sem um ai.
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É o que me proponho. Escrever sobre vidas anónimas que valem as luzes da ribalta ou a fixação histórica e que traduzem a essência de um povo. Primeiro de uma família. Primeiro ainda, ou antes de tudo, a essência de um homem, de uma mulher.
Escreverei por encomenda, preços de acordo com extensão e pesquisa de documentação. Mas com a paixão que o percurso proposto me suscitar.
Aguardo a vossa proposta. É uma oferta bonita de Natal ou Aniversário.
J.R.G.
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28/08/2008
A N A B E L A - DIÁLOGOS DA ALMA
Anabela. Hã!!!??? Que se passa amiga? Fui ver. E lá está de facto ...a Anabela... antes de loucos e depois de a voz ouve-se...E penso na virtude que é ter a fortuna de te haver achado entre a palavra loucos e a palavra voz e não saber o motivo. Sonhei-te. Já sei! Tínhamo-nos cruzado no blog de Samsara . Tinhas feito um, desafio, após uma prédica aos loucos . E eu ia perguntar a Samsara se a Anabela era sua amiga. foi isso. Só pode. Apareces sempre tão misteriosa, vais e vens pelos caminhos do Planeta Terra. Não dizes de onde vens, quem és, para onde vais depois de aqui, só sabes que vais pelos teus próprios pés. Saúdo-te mulher bela e formosa, e a harmonia das palavras que já de ti ouvi. O teu rosto é sereno, sabe à lírica de doce poesia. E porque não comentas a saga dos amantes desesperados, afogados em volúpia de prazeres sórdidos mas reais.? Amiga, não se passa nada. Tão só o que te expliquei acima.
Anabela a tua exclamação e o tom irritado, quase colérico da tua voz, sentida, inspirou-me esta breve composição. Achas que me saí bem? É isso, julgo que ia escrever a pergunta, se ela sabia quem eras, ou para não formular toda a pergunta deixei em uma espécie de código. Que pelos vistos a dita Samsara não ligou muito porque nunca mais me respondeu.
Fazes um compasso de espera na penumbra da sala onde o computador sobre a mesa repousa das consultas frenéticas que executas amiúde, para saberes de ti, a informação conflituosa que te vem de fora do mundo, do teu mundo, e onde reaprendes o retorno das palavras, a sua acutilância em aspectos importantes do teu viver.
Estás enganado Neo.Digo quem sou, sim...devo ser a única que assina com o seu verdadeiro nome...já te disse de onde venho...que queres saber mais?Olho de onde me vêm as tuas palavras, suaves, quentes, irritadas, ou serão maliciosas?O que eu queria e não digo, penso apenas à espera de ter a coragem de te dizer, era saber o lugar onde nasceste, onde correste a infância e viveste a adolescência, onde amaste pela primeira vez, onde aprendeste os segredos da descrição, a sublimidade dos gestos e da sabedoria. De onde vieste menina para continuar o sentido de ser mulher. Se amas, se és amada, se queres amar se esperas por ser amada, se sofres...
Anabela.Admiro-te pela graça, pela ousadia e o tom das tuas palavras. Imagino que és uma mulher de grande sensibilidade. Que estás ferida de uma qualquer situação mas não sentes ainda, espero que venhas a sentir, a confiança neste espaço onde entraste e só viste mixórdia e insanidade, ou aparente insanidade. Quero dizer-te que aqui tudo é falso menos as palavras de todos os intervenientes, eu devia falar só por mim, mas atrevo-me a acreditar nas análises das palavras e a atribuir-lhes vida e conexões várias de per si e entre si. ( e da música, gostas?), Quem aqui entra é porque está interessado na procura, para mais se entra e fala. Tu falaste minha amiga, e eu acredito que tens de ter algo de mais substancial para nos ajudar e te ajudar na busca do sentido dos desejos, de como desmistificar os dramas que as pessoas enfrentam e fortalecermos a confiança de cada um para enfrentar-se enquanto destino.As tuas palavras acima, querem dizer intervenção. E eu digo que sim, intervém. Ganha confiança em mim, em nós.
A tua voz ainda soa longe do tom amigo e fraterno com que te falo, com que tento ganhar-te, porque te sinto importante, porque a tua luminosidade confunde-me com o êxtase da Luz Divina, e quero beber de ti, imbuir-me de ti...Neo. Não sinto confiança, pois para esta existir, a meu ver, tem que se olhar para a outra pessoa, sentir o seu olhar...podemos trocar ideias, espicaçar-nos mentalmente, aprendermos coisas uns com os outros...mas confiar plenamente?... desculpa-me mas não consigo...Espero ser uma mulher de grande sensibilidade...e por isso mesmo sinto também quem tem essa sensibilidade...a Samsara, por exemplo, é de uma sensibilidade extrema, linda como só ela..
nota parte ( II ) esá editada no blog http://neoabjeccionismo.blogs.sapo.pt/
parte (III) está editada no blog http://samueldabo.blogs.sapo.pt/
É o que me proponho. Escrever sobre vidas anónimas que valem as luzes da ribalta ou a fixação histórica e que traduzem a essência de um povo. Primeiro de uma família. Primeiro ainda, ou antes de tudo, a essência de um homem, de uma mulher.
Escreverei por encomenda, preços de acordo com extensão e pesquisa de documentação. Mas com a paixão que o percurso proposto me suscitar.
Aguardo a vossa proposta.
J.R.G.
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15/08/2008
MEMÓRIAS DA GUERRA - RAFA
A especialidade dele era Cripto, o que fazia da sua figura, um anátema de perdição, por tudo o que nele era enigma, os olhos sempre sorridentes, sagazes a perscrutarem semblantes, movimentos de lábios, gestos, e o indiciavam como um bufo ao serviço dos interesses.
As conversas mais politizadas cessavam , passavam a banalidades, à sua aparição, sarcasticamente sorridente. Rafa, o cripto. O que fazia as ligações do comando do aquartelamento, com o comando territorial. Só ele sabia as horas de saída em patrulha simples ou em missão de combate. As operações com grande movimento de tropas.
Rafa era mais importante que o capitão e não granjeava amigos.
Mas Rafa subsistia apenas. Como a grande parte deles, Rafa fora recrutado, arrancado a uma carreira promissora, à continuidade dos estudos que o levariam à formação em Psicologia, a sua paixão desde a adolescência.
É verdade que os observava, atento ao pormenor de um esgar, os gestos distraídos, que são os mais verdadeiros de uma pessoa. Uma palavra vaga, pitoresca, ou picaresca, ou séria e profunda mas aleatória, saída do vácuo da memória .
Amava cada um deles, uns mais que outros, questão de empatia, se superficialidade ou de profundidade, mas amava-os como pessoas genuínas, cobaias únicas reunidas num laboratório imenso e soltas.
Quando saíam para uma operação que só ele sabia podia ser fatal para alguns. Levantava-se à hora. E fica a vê-los, a galhofarem uns com os outros para afastarem o medo, de cada um de si. Os rostos apagados de outros, em período de concentração, de oração ou encomenda da alma. Ficava escondido, na penumbra da aurora que lá vinha. Os olhos toldados por lágrimas atrevidas que não podiam ser vistas. Um homem não chora. Um cripto é um homem que se quer frio, independente de emoções. Como se fosse possível...
Admirava Manuel António em especial. O seu ar aparentemente sereno, sorumbático por vezes, ou quando o via expectante, olhando a Lua num recanto da noite, poético, pensante de vá lá saber-se o quê...E como gostaria de o interpelar, discutir com ele nuances da politica, ensejos da alma, perspectivas do homem, os insondáveis segredos da mente que se deixam escapar em momentos de êxtase do ser, desapercebidos do consciente.
Manuel António parecia-lhe uma figura ímpar de humanidade. Acompanhava os indígenas em tarefas pesadas, dançava com as crianças na alegria das cantigas ao som do batuque do pilão, falava-lhes da metafísica de ser povo, o ar incrédulo e estranho dos jovens...
A importância de se assumirem como pessoas em evolução. Não que a evolução fosse uma meta, uma imposição de ser homem pleno, mas porque no estádio em que se encontravam eram uma presa fácil dos oportunismos encapotados de civilizacionais.
Rafa observava estas prédicas, de longe, mas suficientemente perto para perceber que os indígenas o ouviam por respeito, que achavam piada ao ênfase que punha nas palavras. Os olhos brilhantes de emoção.
Rafa admirava Manuel António pela sua camaradagem com os outros, da Companhia, o seu sentido do dever de instruir, de clarear ideias preconcebidas , de desfazer equívocos sobre o direito de soberania, o dever de lealdade. E nós, onde ficamos nós nas obrigações e nos deveres? Era um grito frequente de Manuel António, no meio da parada, sem medo.
Ter o homem como fim. A entreajuda o repartir do pão e da palavra. O entendimento do todo, do papel de cada um para o todo, da partícula ínfima de cada um, do seu corpo, do seu espírito, para o seu todo de si que iria reforçar o todo total, o todo absoluto.
Rafa sabia que não o devia interpelar nestes momentos de ousadia espiritual. O mais certo seria que debandasse, que se furtasse ao diálogo com ele, Rafa, o Cripto, conotado de bufo.
Ganhava mais observando-o de longe, medindo-lhe os gestos, os suspiros de ânsia ou enfado. As mãos inquietas que procuram posição sobre o tronco velho de uma árvore.
E era tudo o que lhe afluía à memória, neste instante único que há muito desejava, o convívio anual, ao vê-lo a rir-se despreocupado com outros companheiros, tantos anos passados, vividos em ausências.
_Rafa!...
_Manuel António!...
Um abraço emotivo , um beijo em cada uma das faces, o selo antigo da amizade profunda.
Falar dos percursos, andanças, vivências, tragédias e amores felizes.
_Sempre pensei que me consideravas um bufo.
Os olhos nos olhos, límpidos, por entre o nublado das emoções.
_Mas não, Rafa, os teus olhos eram leais. Se nos tornássemos íntimos, daria nas vistas, seríamos conotados como traidores.
Riram-se ambos num reforçado abraço, com palmadas amplas e fortes de Rafa nas costas de Manuel António.
_Sabes, Manuel António, ainda tenho um sonho que quero realizar.
_Sonhar até ao infinito do ser que vamos sendo. E que é?...
Rafa inquieta-se, agita o corpo, as mãos saracoteiam no ar leve da meia manhã, os olhos chispam raios de luz, uma luz de tipo novo.
_Reunir fundos, já tenho algum, saber a morada de todos e visitá-los, um a um, para saber se têm fome, qualquer tipo de fome...
_Rafa!!!...
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Podia ser o inicio de uma história de vida romanceada, a envolver negócios, empresas de estilo familiar que ainda são o sustentáculo do país. E a tragédia que os apanha desprevenidos e vai condicionar toda a estrutura familiar futura. Ou o êxito de empreendimentos pessoais, conquistados e construídos a pulso.
É o que me proponho. Escrever sobre vidas anónimas que valem as luzes da ribalta ou a fixação histórica e que traduzem a essência de um povo. Primeiro de uma família. Primeiro ainda, ou antes de tudo, a essência de um homem, de uma mulher.
Escreverei por encomenda, preços de acordo com extensão e pesquisa de documentação. Mas com a paixão que o percurso proposto me suscitar.
Aguardo a vossa proposta.
J.R.G.
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28/06/2008
OUSAR VENCER A MEDIOCRIDADE
Isto, em plena convenção, que é um nome pomposamente atribuido a uma reunião que congrega os elementos consederados chave duma empresa.
Após o intervalo encontrei-me com ele na casa de banho do hotel local do evento. E entre sacudidelas de pichas, eu na minha e ele na dele, atenção ás ilacções, diz-me ele em tom distante e altivo:
-Ora, o meu amigo a pensar que me queria referir a si!...
A minha interpretação:
-Estulticia a tua, fulano menor na estrutura da empresa, pensares que me afadigava em conceitos de elevada indole comercial, atribuindo-te um valor que não consta na minha apreciação de conceitos.
Mais tarde, não muito, fui colocado na lista restrita dos elementos a abater. E por uma compensação ridicula face ao valor que eu tinha de mim.
Ousei recusar. Esperei em baixa médica impeditiva de acção, baixa sustentada, claro.
Ousei ainda litigar em local próprio, o tribunal, e escudado na baixa médica sustentada ,dividas vencidas por trabalhos descomunais a desoras.
E não é que venci! Em toda a linha!...
O tipo foi afastado por inoperância de resultados.
E eu, grão insignificante no sistema, sózinho com a minha vontade, com a minha revolta e apoiado num defensor autorizado e competente, assinei um acordo com o novo e efémero administrador, dez vezes superior ao inicialmente proposto.
É o que eu chamo por em causa o triundo da mediocridade na nossa sociedade
A verdade é que eles continuam lá, mas por pouco mais tempo.
Assim nós queiramos. Rompamos de vez com a humildade bacoca que nos arreda da ribalta.
Ousemos, ousai, arrebatar o que nos,vos pertence, a criatividade, o sucesso, as boas práticas, os lucros na economia e na educação, o reconhecimento por nós do valor que temos
Eu estou aqui. Teso, mas aqui, na primeira linha contra a usurpação da glória de ser parte
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10/06/2008
MEMÓRIAS DA GUERRA - DESERÇÃO
Deixar tudo para´trás, a família, o grande amor da sua vida. Sim era aqui que tudo esbatia e se embrulhava em reflexos de si e do problema que de si evoluía em emanações voláteis e pouco consistentes para agir.
Seria de noite, ma não enquanto todos dormissem, porque havia as sentinelas e toda a Aldeia para atravessar. Também não adejava que fosse pegando o vento, em metáfora de fuga alada. Mas fugir, queria. Não fugir como soe dizer-se por cobardia, por não ter argumentos que satisfizessem a sua consciência, mas por sentir que era uma violência inútil, o que lhe ordenavam que fizesse. E havia as crianças que podiam morrer, nas armadilhas, nas emboscadas. As violações consentidas de mulheres, de crianças.
A palavra coragem a desenraizar-se, batendo nas têmporas latejantes, tornando-se grande e tapando a palavra amor que procurava subsistir em toda a plenitude da negativa de não o fazer, de ficar e aguentar.
Havia quem o tivesse feito antes. Paris, Argel. Uns tinham apoio financeiro, outros não. Chegados lá faziam-se à vida. Procuravam ajuda entre os que lá viviam e tinham segurado a existência e alargado o fio condutor. Digladiavam-se provavelmente noutras lutas não menos sórdidas.
Mas ele, Manuel António estava ali naquele fim de mundo. cheirando a catinga, suado e debatendo-se com a coragem e a cobardia, a razão e a ilusão do nada absoluto, onde a palavra amor ganhava uma particular acuidade. Sonhava com o amor de uma mulher absoluta de carisma na sua essência dela e na sua própria, dele, Manuel António.
Há dias que mal dormia. Debatia-se no infinito da virtude que se evadia de si enovelada em argumentos fantásticos de ser homem. Ser homem pela primeira vez, assumindo toda a responsabilidade de o ser e não mais se escudar em estímulos estereotipados de que alimentava o próprio ego.
Podia ser morto na fuga. Ou no acto de captura, se os outros não se apercebessem que queria passar para o lado deles. Como entender-se com os dialectos da guerrilha? Não iria encontrar, por grande sorte , quem falasse Português e Amílcar Cabral estava morto.
A estratégia estava delineada na sua mente febril. Havia ainda os prós e os contras. A loucura total da irrazão. Vencer a todo o custo a mediocridade que se achava por não ser.
Na coluna os homens iam sempre em fila e ele escolheria ser o último. Ninguém gostava de ir em último. Olhar para trás e saber que não havia nada, gente sua. E deixar-se-ia ficar, como se tivesse perdido o contacto e ficado desorientado do rumo e não quisera gritar.
Levaria as cartas e os escritos que criara no tempo passado naquele pesadelo de mistério onde as pessoas tinham olhos profundos e as crianças olhavam abismados para a pele diferente.
A decisão aprumava-se na ideia em concreto. Ainda uns pequenos pormenores. Alguma resistência. Quando as cartas que enviava diariamente não chegassem. Imaginar a dor daquele corpo franzino e belo de mulher que amava do interior de si e que sentia ser igualmente amado visceralmente. Como cortar este elo que o ligava em espírito.?
Tentou afastar as ideias por um momento. mas não, voltava tudo de novo, insistente, e a dor nas têmporas latejantes, como se fosse explodir a cabeça e tudo terminasse ali sem que tivesse de mover-se, em atitude.
Dois dias depois desta batalha mental, a noite pusera-se apática e dolorosamente quieta de luz do luar. Tudo opaco em redor de onde a luz dos candeeiros não chegava.
Os homens ,convocados durante a tarde reuniam-se na parada. Peitos arfantes de confusão interior não manifestada. Gente boa dos campos e das cidades. Gente inteira, como os negros que agora em silêncio, também eles preparavam mais uma saída, como guias das picadas que iriam percorrer toda a noite em patrulha de reconhecimento. Prevenção.
Manuel António vai atrás, seguro de si, convicto da temeridade da ideia. Do que deixava ficar.
Os homens deambularam a noite toda e não encontraram a caça. Aos primeiros alvores da manhã entraram no quartel visivelmente cansados. Os rostos cor de cera. As pernas bambas, indolentes e iam-se deixando cair pelos cantos de encontro à caserna.
O Alferes conta os homens, reconta e ,em sobressalto, diz que falta um homem.
Chama-os um por um. manda alguém ás latrinas, ao interior da caserna, que voltam dizendo não haver ninguém mais.
Falta o Manuel António, o cabo.
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09/06/2008
SCOLARI A MINISTRO DA EDUCAÇÃO
São um conjunto de jovens, briosos, elegantes, ricos e que do futebol têm o engenho e a arte não querem mais do que isso, ser da arte interpretes valorosos e de tal tirarem proveitos financeiros.
Mas o povo a Nação, que sempre se levanta por uma boa causa, enorme e em emoção se agiganta, vê, na selecção, a oportunidade de ser grande, de ver reconhecido o valor de ser Nação.
Tarefa dura, ser a parte maior da ambição, onde outros também o são.
Que interessa o poema, a ficção, as artes e as ciências do homem, da civilização, a medicina, A engenharia, onde a grandeza que somos é uma evidência, calada na propaganda de que somos os últimos em quase tudo o que edifica uma Nação?
Dirão que são pequenas ilhas sem honra Universal e que o futebol, isso sim, é toda uma Nação.
E não é Português, o homem que idealizou e conseguiu unir um povo inteiro à volta de uma ideia, a selecção. Seria desperdício cooptá-lo para Ministro da Educação?
Sabendo nós que o verdadeiro déficit do País, é na área da educação, porque espera o Primeiro Ministro?
Scolari, já a Ministro da Educação.
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04/05/2008
AS DROGAS-O FIM DA TRAGÉDIA
Os teus olhos ainda grandes, mal me olham, assustados. A pele do rosto descuidada e manchada pelo cisco das poeiras adejantes . Magra, diria escanzelada, enferma de carinhos e de ambição.
O sistema traiu-te e tu trais o sistema. Pagar na mesma moeda. Dente por dente. Sem olhar atrás nem para a frente nebulosa do caminho. Para ti, chegaste ao termo da etapa que para outros ainda é tão curta
Amparas-te no meu braço enquanto caminhamos lado a lado como dois amantes estranhos que tivessem combinado encontrar-se a esta hora, no momento estremo em que deambulavas na ânsia de encontrar algo, alguém que te bastasse o consumo da tragédia que já és.
Congregas o absoluto da tragédia. É isso.
Deixo-te sentada no carro e volto à porta do bar. Não ao Bar. Apenas a porta, onde um tipo de assobio saltitante, a barba indigente, puxa fumaças agressivas de uma espécie de cigarro
Compro três tomas do produto que me indicaste e regresso ao carro em passos decididos. Tenho pressa.
Estás inclinada para a frente e uma humidade indecisa a bailar-te, escorrendo dos lábios entreabertos. Cai sobre o banco. Tremes alucinações. Balbucias palavras inteligíveis .
Arranco com o carro, tenho pressa, enquanto preparas o produto e o injectas numa das veias disponíveis, sob o meu olhar de soslaio.
Chegados, a casa não tem adornos nem vistas. É soturna, com livros e papeis espalhados sem critério. Ainda se o tivesse, se escolhesse o sitio onde o livro tal num determinado lugar do chão, ou o papel em relevo, atirado num momento de raiva ou de simples abstracção
Olho para ti, o teu corpo ainda de criança, mal cresceste, rodeado de feridas provocadas em improvisos da tragédia. A garro-me a esta palavra: TRAGÉDIA, ao seu significado linguístico quando incluída num contexto, a esmiuçá-la quanto à significação da palavra em si e o que representa para ti e para mim, necessariamente emoções contrárias e não porque sejas mulher e eu homem, mas por força de outras eminências do ser e do não ser neste momento.
Olhas para mim enquanto despes, peça a peça, com falsa volúpia nos meneios do corpo, tentando induzir-me em eróticos fluidos inexistentes . Os olhos mortiços, apagados, sem brilho, sem luz, mas olhos e com um certo tipo de visão. evasiva, turva
Atiras-me a cueca mal cheirosa. Mijo e esperma de momentos antigos.
No quarto de banho a água morna sobre o teu corpo. Deixas que as minhas mãos o percorram em movimentos lentos com a esponja embebida em gel e a espuma abundante a cobrir a pele, as chagas ainda não abertas. Os meus dedos penetram o canal anal em movimentos suaves retirando a merda acumulada. Há quantos dias, meses, anos. Desde quando. Dilatado o teu cu por enrabadelas consentidas em sôfregas investidas de gente tão sem ser como tu. O teu sexo original. Que te fizeram? Queimada com cigarro.? elástica pelo uso sem nexo e a violência da irracionalidade.
Os teus pés tão delicados, gretados e as pernas que foram belas e agora encanecidas de veias duras, chagadas . As mamas são dois balões que se foram esvaziando. Espremidas, a carne, as glândulas , a seiva.
Seco o teu corpo com a toalha grande de todos os banhos e estendo-te a camisa de dormir da última mulher que amei. Escovo o teu cabelo. Abraço-te para te sentir. Para que me sintas.
-Estou limpa, vá. podes-me foder .
Olho para ti de novo. estás limpa por fora. Quase linda. Se tu quisesses!!! Se tu quiseres!!!
Preparo uma refeição para nós dois. Bifes grelhados e batatas fritas. Faço sumo de laranja.
Sentados em frente, os meus olhos nos teus olhos até que me fixas e te deixas fixar.
Falas-me do desacerto da família. As carências de amor e de ódio. Apenas indiferença que dói , manipula a pessoa e a degrada. As noitadas sem registo, o desinteresse de tudo. A venda dos sentidos. Por momentos alucinantes de loucura. e as ressacas são uma outra espécie de prazeres ocultos que nos inibem de nós e nos transportam para o outro lado do ser, o não ser. Onde já ninguém se importa de nós, até que um dia, Bah . Apaga-se.
Perdeste os modos de comer. Tens fome e fastio. Sem pressa e enquanto experimento sondar o que resta do teu eu, da essência que resta, que a droga não extinguiu.
-Gostava que ficasses aqui.
-O quê? Viver contigo?
-Não. Ficares aqui, simplesmente e deixares que que te reaprenda e que tu própria reaprendas a pessoa que há em ti.
Choras. As lágrimas escorrem desabridas pelo teu rosto que vem ganhando alguma cor.
Abraço-te e levo-te para a cama. Vejo que ficas na expectativa do que vou fazer a seguir e ensaias as posições aprendidas na tragédia.
-Fazemos um tratado.
-O que é isso?
-Um acordo de princípios . Vou colocar as duas doses que restam ali, ante ti. Para que os teus olhos as vejam. Em cima da mesa das fotos de família . E tu vais resistir-lhes. Que dizes?
Viras-me o cu. E momentos depois, emocionada, a voz embargada numa aura de esperança, envolta em amor, sem palavras, o sentido diáfano do conceito.
-Porque esperas? Acaba com isto de vez. Faço tudo o que quiseres, Na cona , no cu, na boca. E deixa-me seguir o caminho. Podes ficar com a merda da droga. está pago.
Ela disse as palavras sem o olhar. a cabeça enterrada na almofada, a aspirar os aromas lavados há tanto esquecidos.
Levantou-a docemente da cama. Ele. O corpo dela a exalar os cheiros que cativam encantos.
-Esquece tudo. Apaga. Agora és uma outra pessoa, sem passado e de presente suspenso.
Estou aqui para te amar num pleno de intenções e conceitos da palavra. Não quero ter nada contigo do que dizes. Não quero foder . Quero-te num todo onde
tu também és querer. O que eu quero agora é amar-te por todos os que não te amaram.
-Ufa! Queimas-me . Onde é que eu assino.
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02/05/2008
ABJECCIONISMO
O Abjeccionismo basear-se-á na resposta de cada um à pergunta : Que pode fazer um homem desesperado, quando o ar é um vómito e nós seres abjectos? (De Pedro Oom)
Ora, sendo o ar que respiramos um vómito continuado, quase irrespirável, nas sua componentes de gases e palavras que procuram definir conceitos e intenções. Palavras que ofendem a razão pura e nos reduzem à qualidade de seres abjectos e desesperados por nos libertarmos das palavras que nos circundam, dos sistemas em que nos deixámos enrodilhar e de que não vislumbramos a alternativa porque nos fizeram esquecer o que somos, nos tiraram o significado do ser.
O que vos proponho é um desafio à vossa capacidade de pensar de e para vós, na resposta possível à pergunta que ficou no ar e à qual, eminentes criadores tentaram responder sem sucesso e por via disso condenados ao ostracismo implacável da mediocridade actuante que nos rege a matéria e o espírito.
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21/04/2008
NOVAS GERAÇÕES-UM EXEMPLO
É uma noticia que nos alerta para os valores que subsistem. E nos evidencia que nem tudo vai mal no reino da educação.
O professor disponibilizou a viatura para uma prova de aferição de conhecimentos no terreno.
Houve um acidente sem feridos, onde a viatura ficou muito danificada. Provavelmente o arranjo ficou de fora das coberturas de seguro contratadas.
Os alunos, jovens, disponibilizaram-se em angariar fundos para ajudar o professor e é emocionante a descrição dos meios, a criatividade, o empenho das famílias, da comunidade.
Um exemplo a ser divulgado por todos os meios. É possível congregar valores em torno da batalha pela educação. Afinal as novas gerações têm valores. Não são só cabeças ocas e insurrectas .
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15/04/2008
A ILHA DA MADEIRA, O SR. JARDIM E NÓS
Sinto uma pressão intensa que me incita a dizer que não compreendo, como já no meu tempo de menino se dizia, da Madeira, que era a pérola do Atlântico. E não compreendo depois de ter visitado os Açores.
A dizer que tenho um estigma que se chama Alberto João Jardim, cravado na memória e me impede a progressão das palavras.
De um lado os prepotentes, arrogantes, ao estilo dos governantes, empresários (Sá), os taxistas. No hotel, paguei a conta com um cheque, porque não tinham multibanco ou visa, a um Sábado. Tendo o cheque sido descontado momentos depois. Que estranhas intimidades. A maior livraria do mundo, ou quase. Corredores e andares pejados de livros, em prateleiras, em mesas, em estendais de cordas e presos por alfinetes de roupa. É uma Fundação!...O Bispo do Funchal é parte. Um casal é parte. Os funcionários são parte. Mas, estes últimos recebem como mais valia a formação. Não há livraria no Funchal que não se tenha abastecido de mão de obra na Fundação livraria Esperança.
Nem tudo é negativo.
Num todo não existe o "tudo negativo". Nem no regime do Sr. Jardim, como não no Regime do Sr. . Salazar. É preciso ver o saldo. Não em obra, Não em aparato. Mas na substância do Ser.
No outro, a multidão de assalariados, servidores apáticos, submissos, deixa andar, nada de politica, nem de cultura, humildes, assistindo ás tramóias dos amos e senhores, votando intimidados pela dinâmica da vozearia contra os Continentais, Colonialistas e opressores do bom povo da Madeira .
Seria mais fácil, se se tratasse de um outro país. Um povo oprimido pela virulência dum astuto ditador de fachada democrática. Mas a Madeira ainda faz parte do meu país. O povo da Madeira é solidariamente ressarcido pelo povo do Continente, ainda que pareça não o saber, para que tenha um rumo, uma vida sã e não tenha que andar à bolina dum nauta emplumado e sem classificação.
O povo da Madeira, pode contar com a solidariedade do povo do Continente, na hora em que tomar consciência do seu isolamento e quiser pôr fim ás diatribes do senhor Jardim.
Eu, enquanto membro do povo do Continente, tenho vergonha de ouvir sistematicamente as atoardas do Sr Jardim, contra o povo do Continente, contra os membros do povo da Madeira que se permitem discordar da sua faustosa politica de endividamento.
O Sr. Jardim é um funcionário público, como o Sr.Sócrates , O Sr. Cavaco Silva, ou a Dona Rosa e o Sr. Edmundo da repartição de finanças. Porque estará ele sempre acima da lei, da natural e da institucional?
Sinto vergonha do povo da Madeira, porque o "diz-me com quem andas" fica-lhe mal. Tenho até, muita dificuldade em apresenta-lo a quem quer que seja. E há tanta gente boa na Madeira. Tanta que podia ser um orgulho Nacional
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09/04/2008
DEIXEM VIVER ESMERALDA
A menina tem cinco anos hoje. O pai biológico que entretanto fez testes de paternidades viu confirmada a génese e quer a menina de volta, contra a opinião de psicólogos, sociólogos , pedopediatras e os pais adoptivos.
O caso é levado aos tribunais. Os juízes não se entendem. Ora ordenam a entrega, ora favorecem compassos de espera. A última página, à porta do tribunal, com a criança a recusar sair do carro e alguém abalizado a instigar o pai adoptivo para que tomasse uma atitude de força contra a criança.
Juízes, advogados, gente a que nos habituámos o devido respeito.
Não há quem pare esta tragédia que se abateu sobre uma criança que não pediu a ninguém para vir?
A declaração universal dos direitos da criança não é suficiente para acabar com este suplicio?
Não será tempo de fazermos ouvir o nosso : Nãããããããããoooooooooo !!!!!!!!!!!!, em uníssono , de Norte a Sul, para que os hipócritas do direito deixem esta criança em paz?
Não basta perguntar à criança. Onde , com quem queres ficar?
Vamos, nós gente que habitamos este país, que pagamos impostos directos e indirectos, permitir que uma criança de cinco anos seja disputada na praça pública, nas salas frias dos tribunais, despojada da sua personalidade, interditada de amar a quem ama e de querer a quem quer?
Estendo-te a minha mão, Esmeralda, temendo que não vá a tempo de a poderes agarrar. E apelo às pessoas, chamadas povo, do meu país, e aos que têm a responsabilidade pelo nosso bem estar, para que termine esta chacina da tua identidade.
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31/03/2008
EU, homem,macho latino-ELA mulher, fêmea latina
Arrumei a louça na máquina.
Levei o lixo para o caixote. Dei comer, restos, aos gatos a cães vadios, da rua.
Ela, fêmea Latina, hoje, pôs e tirou roupa por duas vezes, na máquina. Estendeu a roupa nas cordas e apanhou-a mais tarde, quando secas e antes de começar a chover. Desinfectou a casa de banho, o sitio do fogão, a cozinha, a sala, o quarto, fez o almoço, o jantar, engomou roupa e cozeu algumas peças, minhas e dela, desconcertadas e ainda lavou as escadas, que hoje era o nosso dia, isto é, dela.
Á noite, no balanço do dia, prometi que no futuro, se lá chegar com saúde, tomarei conta de mais algumas tarefas para a ajudar.
Quanto ao resto.!... Claro que levei nega.
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