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07/08/2016

FESTIVAL SOLDACAPARICA


imagem pública tirada da net
***

SOLDACAPARICA
*
lembro as árvores frondosas
e o mato diverso
com azedas e acácias emaranhadas
os pinhões graciosos
as toalhas estendidas no chão
para o pic-nique
dos fins de semana d'Agosto
as crianças subindo
árvores e valados escorridos
imagem bucólica
da minha e de tantas infâncias
quando a mata
esta mesma a de Santo António
era mata Nacional
com direito a guarda e lei
***
agora o parque
neste século XXI atravessado
pelo embuste e a mentira
de tantas valências que a Polis projectou
tem um festival que o anula
enquanto espaço lúdico de pessoas
de cães e gatos e de crianças
com ruas e espaços de estacionamento
interditos para obras
de montagem e aprisionamento do lazer
mais a norte a mata
foi vendida a privados com carta de alforria
a sul foi-se extinguido
ocupada por habitação e hortas de regadio
salva-se a mata dos medos
até que um fogo bandido a consuma
***
": QUE PODE FAZER UM HOMEM DESESPERADO
QUANDO O AR É UM VÓMITO E NÓS SERES ABJECTOS?
- Pedro Oom"
***
a resposta tarda por encontrar
neste e noutros domínios
em que a nossa dignidade é ultrajada
que mãe fecharia um espaço de lazer
aos seus filhos e os obrigaria a pagar bilhete
pelo usufruto da natureza
nenhum evento ou festival pode cortar a liberdade
e o direito de viver ao natural
jrg

12/01/2012

ESTÁ EM MARCHA...O CLIMA DE EXCEPÇÃO...


imagem pública tirada da net
*
ESTÁ EM MARCHA...
O CLIMA DE EXCEPÇÃO...
***
já Salazar o dizia
instalada a ditadura
rodeado de degredo
ser Maçon é heresia
condenado à clausura
não vá espantar o medo
que a mudança trazia
*
est'outros em desespero
vendo o barco afundar
gestores de massa falida
sem solução nem tempero
nem arte para inventar
atiram maçons à vida
criados com tanto esmero
*
bem criados para gerir
e a seu tempo merecer
honras de golpe estrutural
dissidentes para rir
de antes quebrar que torcer
e enterrar Portugal
secretamente ao porvir
*
é um braço clandestino
de franco-degeneradores
que mancham a maçonaria
num golpe de desatino
servindo amplos senhores
da rica mercadoria
salva de outro destino
*
fecha-se gritam uns o feudo maçónico
refúgio de humanismo gritam outros
confisca-se dos maçons suas riquezas
d'oiro d'ideias em tom irónico
que empolam de falso alarmismo
o governo das fantásticas certezas
sob pano de fundo bucólico

***
por enquanto é ainda só o levantar do pó...
a ver se pega...
*
autor: jrg

18/11/2011

O QUE AÍ VEM...É A MÁTRIA!...

imagem pública tirada da net
***
Em discurso aos manifestantes de Nova York, o filósofo esloveno Slavoj Žižek, adverte sobre desafios que virão após a catarse política das ocupações...
***
Não se apaixonem por si mesmos, nem pelo momento agradável que estamos tendo aqui. Carnavais custam muito pouco – o verdadeiro teste

de seu valor é o que permanece no dia seguinte, ou a maneira como nossa vida normal e cotidiana será modificada. Apaixone-se pelo

trabalho duro e paciente – somos o início, não o fim. Nossa mensagem básica é: o tabu já foi rompido, não vivemos no melhor mundo

possível, temos a permissão e a obrigação de pensar em alternativas. Há um longo caminho pela frente, e em pouco tempo teremos de

enfrentar questões realmente difíceis – questões não sobre aquilo que não queremos, mas sobre aquilo que queremos. Qual organização

social pode substituir o capitalismo vigente? De quais tipos de líderes nós precisamos? As
alternativas do século XX obviamente não servem.

Então não culpe o povo e suas atitudes: o problema não é a corrupção ou a ganância, mas o sistema que nos incita a sermos corruptos. A

solução não é o lema “Main Street, not Wall Street”, mas sim mudar o sistema em que a Main Street não funciona sem o Wall Street.

Tenham cuidado não só com os inimigos, mas também com falsos amigos que fingem nos apoiar e já fazem de tudo para diluir nosso

protesto. Da mesma maneira que compramos café sem cafeína, cerveja sem álcool e sorvete sem gordura, eles tentarão transformar isto aqui

em um protesto moral inofensivo. Mas a razão de estarmos reunidos é o fato de já termos tido o bastante de um mundo onde reciclar latas de

Coca-Cola, dar alguns dólares para a caridade ou comprar um cappuccino da Starbucks que tem 1% da renda revertida para problemas do

Terceiro Mundo é o suficiente para nos fazer sentir bem. Depois de terceirizar o trabalho, depois de terceirizar a tortura, depois que as

agências matrimoniais começaram a terceirizar até nossos encontros, é que percebemos que, há muito tempo, também permitimos que nossos
engajamentos políticos sejam terceirizados – mas agora nós os queremos de volta.

Dirão que somos “não americanos”. Mas quando fundamentalistas conservadores nos disserem que os Estados Unidos são uma nação

cristã, lembrem-se do que é o Cristianismo: o Espírito Santo, a comunidade livre e igualitária de fiéis unidos pelo amor. Nós, aqui, somos o

Espírito Santo, enquanto em Wall Street eles são pagãos que adoram falsos ídolos.

Dirão que somos violentos, que nossa linguagem é violenta, referindo-se à ocupação e assim por diante. Sim, somos violentos, mas somente

no mesmo sentido em que Mahatma Gandhi foi violento. Somos violentos porque queremos dar um basta no modo como as coisas andam –

mas o que significa essa violência puramente simbólica quando comparada à violência necessária para sustentar o funcionamento constante

do sistema capitalista global?

Seremos chamados de perdedores – mas os verdadeiros perdedores não estariam lá em Wall Street, os que se safaram com a ajuda de

centenas de bilhões do nosso dinheiro? Vocês são chamados de socialistas, mas nos Estados Unidos já existe o socialismo para os ricos. Eles

dirão que vocês não respeitam a propriedade privada, mas as especulações de Wall Street que levaram à queda de 2008 foram mais

responsáveis pela extinção de propriedades privadas obtidas a duras penas do que se estivéssemos destruindo-as agora, dia e noite – pense

nas centenas de casas hipotecadas...

Nós não somos comunistas, se o comunismo significa o sistema que merecidamente entrou em colapso em 1990 – e lembrem-se de que os

comunistas que ainda detêm o poder atualmente governam o mais implacável dos capitalismos (na China). O sucesso do capitalismo chinês

liderado pelo comunismo é um sinal abominável de que o casamento entre o capitalismo e a democracia está próximo do divórcio. Nós somos comunistas em um sentido apenas: nós nos importamos com os bens comuns – os da natureza, do conhecimento – que estão ameaçados pelo sistema.

Eles dirão que vocês estão sonhando, mas os verdadeiros sonhadores são os que pensam que as coisas podem continuar sendo o que são por

um tempo indefinido, assim como ocorre com as mudanças cosméticas. Nós não estamos sonhando; nós acordamos de um sonho que está se

transformando em pesadelo. Não estamos destruindo nada; somos apenas testemunhas de como o sistema está gradualmente destruindo a si

próprio. Todos nós conhecemos a cena clássica dos desenhos animados: o gato chega à beira do precipício e continua caminhando,

ignorando o fato de que não há chão sob suas patas; ele só começa a cair quando olha para baixo e vê o abismo. O que estamos fazendo é

simplesmente levar os que estão no poder a olhar para baixo...

Então, a mudança é realmente possível? Hoje, o possível e o impossível são dispostos de maneira estranha. Nos domínios da liberdade

pessoal e da tecnologia científica, o impossível está se tornando cada vez mais possível (ou pelo menos é o que nos dizem): “nada é

impossível”, podemos ter sexo em suas mais perversas variações; arquivos inteiros de músicas, filmes e seriados de TV estão disponíveis

para download; a viagem espacial está à venda para quem tiver dinheiro; podemos melhorar nossas habilidades físicas e psíquicas por meio

de intervenções no genoma, e até mesmo realizar o sonho tecnognóstico de atingir a imortalidade transformando nossa identidade em um

programa de computador. Por outro lado, no domínio das relações econômicas e sociais, somos bombardeados o tempo todo por um

discurso do “você não pode” se envolver em atos políticos coletivos (que necessariamente terminam no terror totalitário), ou aderir ao

antigo Estado de bem-estar social (ele nos transforma em não competitivos e leva à crise econômica), ou se isolar do mercado global etc.

Quando medidas de austeridade são impostas, dizem-nos repetidas vezes que se trata apenas do que tem de ser feito. Quem sabe não chegou a hora de inverter as coordenadas do que é possível e impossível? Quem sabe não podemos ter mais solidariedade e assistência médica, já que não somos imortais?

Em meados de abril de 2011, a mídia revelou que o governo chinês havia proibido a exibição, em cinemas e na TV, de filmes que falassem de

viagens no tempo e histórias paralelas, argumentando que elas trazem frivolidade para questões históricas sérias – até mesmo a fuga fictícia

para uma realidade alternativa é considerada perigosa demais. Nós, do mundo Ocidental liberal, não precisamos de uma proibição tão

explícita: a ideologia exerce poder material suficiente para evitar que narrativas históricas alternativas sejam interpretadas com o mínimo

de seriedade. Para nós é fácil imaginar o fim do mundo – vide os inúmeros filmes apocalípticos –, mas não o fim do capitalismo.

Em uma velha piada da antiga República Democrática Alemã, um trabalhador alemão consegue um emprego na Sibéria; sabendo que todas

as suas correspondências serão lidas pelos censores, ele diz para os amigos: “Vamos combinar um código: se vocês receberem uma carta

minha escrita com tinta azul, ela é verdadeira; se a tinta for vermelha, é falsa”. Depois de um mês, os amigos receberam a primeira carta,

escrita em azul: “Tudo é uma maravilha por aqui: os estoques estão cheios, a comida é abundante, os apartamentos são amplos e aquecidos,
os cinemas exibem filmes ocidentais, há mulheres lindas prontas para um romance – a única coisa que não temos é tinta vermelha.” E essa

situação, não é a mesma que vivemos até hoje? Temos toda a liberdade que desejamos – a única coisa que falta é a “tinta vermelha”: nós nos

“sentimos livres” porque somos desprovidos da linguagem para articular nossa falta de liberdade. O que a falta de tinta vermelha significa é

que, hoje, todos os principais termos que usamos para designar o conflito atual – “guerra ao terror”, “democracia e liberdade”, “direitos

humanos” etc. etc. – são termos falsos que mistificam nossa percepção da situação em vez de permitir que pensemos nela. Você, que está aqui

presente, está dando a todos nós tinta vermelha.

Por Slavoj Žižek | Tradução: Rogério Bettoni, Blog da Boitempo

nota: texto partilhado do mural dos escritores

***
O filósofo sente que algo está para acontecer...mas não sabe o quê...eu penso que a grande revolução iminente tem raízes na memória livre da humanidade...o sistema caduco do capitalismo financeiro e a falência pré-anunciada do seu modelo económico, colocam um ponto final no desvario de viver em louca correria para ser o primeiro de nada...sendo uma revolução profunda, ela tenderá a virar o avesso da história para a sua origem natural...a MÁTRIA é a grande oportunidade do homem se remir dos erros e dos medos da sua atribulada evolução...
jrg

16/10/2011

15 DE OUTUBRO 2011 NA RUA...A MANIFESTAÇÃO DE LISBOA...


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*
15 DE OUTUBRO 2011 NA RUA...
A MANIFESTAÇÃO DE LISBOA...
***
Outubro solarengo
as folhas mal começam a cair
o trânsito cortado
policias fardados e à paisana
apitos desesperados
de pessoas acossadas medianas

ligo o rádio
a ver se há noticias
Antena um relato de futebol
TSF bola em movimento
Antena dois toca musica sacra
algo no mundo está morrendo

lá vem a massa humana
será gente?
será extensa espessa?
ou um filamento a conta gotas
que murmura e grita
sem medo do sistema que a agita

entro pela cabeça embandeirada
a ver em cada rosto
o propósito de ir até ao fim
olho por olho e o sorriso
o gesto a força da alma indignada
aspiro dos corpos a esperança

crianças a pé ao colo
mulheres da nova MÁTRIA em construção
empunham as palavras
empunham a vontade de vencer
acreditando na evidência
de serem a força insubmissa da revolta

choro de emoção
a lembrar outros já longínquos momentos
atravesso a humana multidão
que sai à rua a tomar da consciência
que não são reses 
apascentadas por pastores sem dimensão

murmuro Mátria..à Mátria...pela Mátria
toco corpos e palavras
troco sorrisos desfaço teias
são muitos trazem de sonhos a alma cheia
são como um rio que anseia o mar
da liberdade em abundância

procuro a ver de quem conheça
mas os rostos são todos tão iguais
e volto à cabeça
a ver se me acho nas parecenças
com a sensação de ser eu em cada um
no rompimento do silêncio

penso nas centenas de cidades
nos oitenta países todos juntos na corrente
que decretam o fim da insanidade
por um conceito novo de humanismo emergente
que liberte a cativa humanidade
que a devolva sem demora à sua gente

o rio de gente desagua em delta
numa envolvência frente ao parlamento
empunham cartazes exigentes
exibem pensamentos virtudes de excelência
contra a rapina que os quer insolventes
reclamam BASTA não pagamos mais

autor: jrg

29/09/2011

TOQUE DE SILÊNCIO...


TOQUE DE SILÊNCIO

{#emotions_dlg.redflower}
hoje
porque me apetece
conhecer
no matraquear da memória
sobre os mortos
clamando esperança
ingénuos
que esperaram um toque 
de rebate
que os despertasse 
da insónia 
na letargia da espera
por um momento

um toque de silêncio

{#emotions_dlg.redflower}
hoje
porque me lembro
de ser jovem
no despertar desta aventura
de viver
das mulheres de xaile negro
do sangue vítreo
dos mortos
de olhos esbugalhados
acusadores inquiridores
ante a indiferença
ou a cobardia
por um momento

um toque de silêncio
{#emotions_dlg.redflower}

hoje
porque me sinto num turbilhão
de surdos rumores
que escorrem ilesos
por entre as camadas tectónicas
e me enchem a alma
no éter da existência
sobrecarregam neurónios
quase extintos
que ainda regurgitam amor
onde o sentimento
é aço gelo glaciar
por um momento

um toque de silêncio


autor: jrg
imagens do YouTube



17/09/2011

POVO VAGABUNDO !...


foto pública tirada da net

POVO VAGABUNDO !...
«««//»»»

prólogo...

***
um povo tão ordeiro em demasia
orgulhoso em seu destino
perdeu da musa bela a poesia
ao deixar-se governar em desatino

não há mais imprensa demagógica
que vasculhe indignamente
a honra e o prestígio de forma trágica
quando esta rotura era evidente
***
não há mais...
*
não há mais pão vindo da padeira
nem arroz pelado na mercearia
não tem livros a estante na prateleira
a mando da sábia tecnologia
*
não há mais a sensível consciência
nem mente sã da sabedoria
não basta mandar reger pela ciência
se de humanidade ela é vazia
*
não há mais quem na luz se acredite
nem espaço para demagogia
não faz sentido haver tanto deficit
senão para pagar a mordomia
*
não há mais santa milagrosa solução 
nem na alma se faz vontade
não existe mundo sem haver corrupção 
a começar desde a tenra idade
*
não há mais dinheiro para a Madeira
que vendam a zona franca
confisquem os lucros da bandalheira
não ao medo que nos tranca
*
não há mais tempo para pensar
os genéricos no silêncio aumentaram
a luz os transportes é a fartar 
as comparticipações é que desceram
*
não há mais educação nem economia
a solidariedade é uma metáfora
produtos escasseiam no mercado por magia
o prémio é para exportar a toda a hora
*
não há mais saúde nem cultura
é um país sem alma num povo milenar
a quem trocam pensamento pela desventura
de ser um vagabundo a pedinchar
*
não há mais terror do que não saber
em que dia o bolso fica vazio
que gente é esta que nos quer insolver
e condena um povo todo a erradio
*
não há mais pachorra para aguentar
os sindicatos perderam adesão
os partidos contra não páram de enganar
só falta que nos taxem o tesão
*
autor: jrg

05/09/2011

APRENDIZ DE VIVER !...


APRENDIZ DE VIVER

*
«««//»»»
*
nada me dá mais gozo de viver
que o começar a coisa nova
a ser do aprender a vida inteira
correr a onda da ideia a crescer
sentir que algo me sorri e me aprova
quando a esperança ganha a dianteira

aprendiz de viver
sou do povo do meio
penso na vida a acontecer 
sem da morte ter receio

as palavras são comuns à espécie humana
um sorriso é conversa Universal
a mímica das mãos do corpo dos olhares
são marcas indeléveis até em mente insana
que sulcam sentimentos da memória original
onde o homem se procura além dos mares

nem sou vagabundo
nem excêntrico
nem de sábio sou profundo
dá-me gozo ser autêntico

ser aprendiz convicto na humanidade
de não saber quando ocorre a mudança
nem porque gravita o planeta atracado à luz solar
ser aprendiz de menor ou de maior idade
entender de todo o outro a tempestade e a bonança
eis o homem que sou a madrugar

não sou nem mestre
nem nada que de perto se veja
mal apreendo que me entre
tantas vezes a parte de mim que me sobeja

fui à guerra aprendiz de ser soldado
numa bomba que explodiu
vi a fragilidade humana ante a morte
não matei nem fui matado
mas ganhei esta visão dum povo a quem se mentiu
tão longe à procura do seu norte

com medo de ser e me achar
descobridor do segredo
que me nos pôs neste lugar
masturbante masturbado tão cedo

dei por mim a ser da mulher o mais amante
pouco me importa que seja vento
tufão furacão tornado tempestade tropical
porquê colar a tragédia ao semblante
à alma feminina tão amena se tida em seu contento
Cátia Irene Katrina não é justo é imoral

o bastante e irresoluto
para não deixar morrer
o absurdo o absoluto
que me absorve sem eu saber

quanto de tudo o que vivi é incerteza
ainda é porque todo o passado se renova
os mesmos conceitos que me te nos projectam
na amplitude do sonho a leveza
com que sobrevoo a experiência posta à prova
e redundam em verdades que me rejeitam

ser ainda pensante
tanto de outros que sou
na procura de mim maré vazante
entre sol e lua quem me achou

e agora humanos inteligentes à deriva?
depois da droga da abastança sem medida
conquistadores sem terra ou gente conquistada
regredimos no tempo para acerto da passiva
a dar lugar aos emergentes nova esperança deprimida
que o tempo é de voltar à memória estagnada

partir de toda a memória
genuínos na onda altiva
a soletrar a nossa história
envolta na maré viva

autor: jrg


04/09/2011

REFORMAS...REFORMADOS...DO DIREITO...À SUBSERVIÊNCIA


REFORMAS...REFORMADOS...DO DIREITO À SUBSERVIÊNCIA!...

Ninguém podia imaginar, há cinquenta anos, que os descontos para a Previdência, que consubstanciavam, também, uma precaução para depois do limite da idade , vulgo reforma, descontos, na sua totalidade, retirados da mais valia do trabalho gerado pelo trabalhador  e que, entre outras manigâncias financeiras, sustentou, significativamente, a guerra colonial, fosse posto em causa por uma geração visivelmente cansada de aturar o envelhecimento natural da espécie humana...
***
Hoje, com a nova engenharia de cálculos para atribuição de reforma, com o congelamento permanente da progressão dos valores pecuniários, face ao aumento do custo de vida, com o confisco, em forma de taxa extraordinária, de parte do 13º mês, com o previsível corte
*
nos valores das pensões, com os aumentos de transportes, electricidade, gás e outros bens essenciais de consumo, com a febre de reduzir despesas sociais até ao limite do absurdo, na saúde, na educação, na solidariedade social, as mentalidades mudaram...
*
hoje, as reformas são consideradas um peso excessivo "colossal" para o orçamento do estado...
hoje, os reformados sentem-se uns Párias que vivem à custa do erário público...
hoje, não faz mais sentido cuidar da saúde dos chamados idosos, porque tal prolonga a idade "insustentável" da reforma...
hoje, talvez as "mentes brilhantes" já pensem na instituição de um tecto limite de idade, a partir do qual, cessa a prestação da reforma...
hoje, o conhecimento adquirido é tido como escória, cuja mistura, pode conspurcar o ideal duma sociedade de "elites"...
hoje, há já quem pense na inutilidade da sua contribuição para a solidariedade do sistema, porque se antevê a extinção ou mutação pré-conceitual do conceito de direitos adquiridos, quando chegar a sua idade de os poder usufruir...
hoje, estamos no limiar da mudança para uma idade retrógrada, onde os mais capazes vingam sobre os despojos dos mais humildes...
***
Hoje, exorto ao espírito solidário que caracteriza a espécie humana...à "reinvenção" do amor sobre os seus diversos aspectos...ao entrelaçar das mãos e das vontades para resistir à voragem deste ciclo intermédio, desesperado, que se interpõe nas correntes de ar da efectiva mudança, da velha para a nova humanidade...vai dar-se um salto gigantesco...e nós, os descatologados do sistema, somos a diferença que faz a ligação positiva...sem nós...a humanidade seria um deserto polvilhado de idiotas mimicos...
**
autor: jrg

14/08/2011

O ATESTADO DE POBREZA!...


«««//»»»

Este governo que hoje governa Portugal, instituiu de novo o atestado de pobreza, alargado e com carácter permanente...a partir de agora, um cidadão vai comprar o passe social, leva o atestado de pobreza...vai pagar a electricidade, idem...vai ao médico, exibe o atestado...medicamentos na farmácia, atestado...filhos na escola, atestado...ignorância, atestado...banco alimentar contra a fome, atestado...não sabemos ainda se dá para alugar casa...comprar roupa e calçado...ir ao super mercado...sequer sabemos qual o prazo de validade...se diário, semanal, mensal ou anual...eis os cortes na despesa...

*
Lembro-me...o atestado de pobreza era um estigma disso mesmo...pobreza...uma família que queria galgar o patamar da fome e da escassez de produtos essenciais, procurava outros artifícios...trabalho...trabalho e mais trabalho...os filhos saíam da escola para o trabalho...ser pobre era um estigma de não ser capaz...de pouca dignidade...

*
Lembro-me...mudámos do bairro velho...abarracado...o meu pai tinha um emprego precário...carregador e descarregador do tráfego do porto de Lisboa..uns dias sim..outros não...valia a abundância dos recursos 
naturais...cadelinhas..berbigão...lingueirão...e caracóis...mudámos para uma casa decente..com casa de banho e banheira...na expectativa de que alugando no verão aos veraneantes, desse para pagar o aluguer que contrataram anual...aos Sábados e Domingos de Verão, vendíamos refrigerantes na praia...alcofas carregadas de garrafas e gelo...apregoando bebidas frescas...sobre a areia escaldante... ao sol tórrido... só com a mudança de regime político conseguimos melhorar...

*
Indigna-me esta forma de fazer política...dum lado os poderosos das finanças...com seus sábios de pacotilha...malabaristas de escolástica numa sociedade de conhecimento...e penso...qualquer cidadão medianamente instruído governava desta forma...confiscando os direitos...aumentando os rendimentos do estado...sem solução para reduzir a despesa, tida como gorda, o que poria em risco a sua base social de sustentação...

*
Indigna-me a encenação pública do ministro das finanças...a mímica das mãos inquietantes...sedentas de saque...os olhares de espanto perante a nossa ignorância...as justificações paradoxais sobre o absurdo das medidas tomadas...

*
Indigna-me que nivelem a pobreza a um nível inferior de dignidade humana...já ninguém consegue viver com o salário mínimo nacional, se quiser viver fora da família de origem... uma pessoa a ganhar 485 euros mensais, recebe 431,65, aluga um quarto por 200 euros...compra um passe por 60 euros...e restam-lhe  171,65 euros... toma o pequeno almoço no Pingo Doce (pastel de nata e café) 0.75... almoça no Pingo Doce (sopa,queijo fresco e pão) 1,85...janta no Pingo doce (sopa,queijo fresco e pão) 1,85...soma total da alimentação do dia 4,45 euros...30 dias 133,35 euros...nos meses de 31 dias são 137,95...os gastos do mês ficam em  393,50 euros nos meses de 30 dias e 397,95 nos meses de 31 dias...sobram-lhe 39,35 euros ou     33,65 euros, conforme a duração dos meses...

*
estou exausto...diria o ministro das finanças...ainda podia taxar estes 30 e tal euros...com o atestado de pobreza ele poupa nos transportes...pode vestir-se numa instituição de solidariedade...pode comer os restos 
arrebanhados nos restaurantes...

*
e nada disto que está a acontecer em Portugal acaba aqui...porque já não há milagres fiáveis...nem providências imortais...porque não está a acontecer só em Portugal...porque é uma pandemia marginal à humanidade...tecida por mentes criminosas que travaram, em dado momento, a evolução lenta e natural do 
homem...cortaram as linhas do pensamento...aceleraram os ritmos naturais de crescimento para níveis incomportáveis...englobaram-nos em teorias absurdas  de engrandecimento pela materialidade...e agora tratam-nos por milionários, acima dos mil euros...
*
dêem as mãos...resistam à torrente da enxurrada...de mãos dadas em volta da terra...pela humanidade!...

autor: jrg

07/07/2011

EXORTAÇÃO À ALMA DAS MULHERES PORTUGUESAS...

«««//»»»

A Mood'ys classifica Portugal abaixo de lixo...será que somos fósseis?...logo, uns tantos puritanos proclamam que é uma atitude vergonhosa...se o governo mal tomou posse...se a primeira medida que tomou, para demonstrar a sua firmeza, foi confiscar parte dum mês de salário a todos os trabalhadores...é terrorismo...terrorismo financeiro...melhor chamar a NATO...accionar os mecanismos de defesa por invasão estranha de país membro...


Eu não vejo qualquer diferença nesta atitude e na do governo, na sua primeira "grande medida administrativa", ao confiscar parte dum mês de salário a todos os trabalhadores Portugueses, no valor de 50% do total, a partir de 485 euros...para uns e para outros, o conceito de vergonha não muda..o que muda é a atitude face a quem é cometido o acto vergonhoso...


Penso que não é a Mood'ys que condiciona o desenvolvimento da nação, mas sim o governo que desmotiva o cerne da alma Portuguesa...os gurus da Mood'ys sabem bem que com tais medidas, a economia estagna por muitos e muitos anos...que os Portugueses são desenrascados por natureza e vão tentar escapar ao saque do imposto sobre o salário, usando toda a astúcia que a vida lhes vai ensinando...os que não conseguirem escapar, ficam mais pobres, tristes, sem força nem coragem para absorver os incitamentos ao despertar da alma... claro que há outras razões para a Mood'ys ter declarado abaixo de lixo a divida Portuguesa..mas, nesse campo, toda a alta finança está comprometida...é uma questão de partilha..de oportunidade..ou de rasteira entre pares...no fim acabam todos por ganhar uma parte de leão...


Penso que a sociedade machista...esta que concede quotas de participação às mulheres...que as seduz pela negativa, colocando-as em pedestais de barro...está em declínio acentuado...as mulheres são a maioria da população...são mais sensatas...têm uma dimensão maior da realidade humana dentro da realidade envolvente...são a origem de toda a criatura humana...i isso também as torna responsáveis pelo bem estar pleno dos seus filhos...
É o tempo de assumirem o novo rumo...traçarem a nova rota para Portugal e para a humanidade toda, deixando de lado os atavios que as tornam peças de ornamentação masculina...


-reúnam os sábios e sábias, as mentes ocultas do conhecimento, os que exercitam a memória, os anciãos da tribo , descomprometidos com os sistemas de governação vigentes...
-estudem uma nova organização do estado, da sociedade, da economia...
-formem um conselho das mulheres Portuguesas, aberto a outras nacionalidades, com representação de todas as regiões do país...
-discutam ponto por ponto uma constituição que seja o orgulho de todo o povo e uma plataforma de orientação para sermos mais humanidade...
-levantar o estímulo de ser povo...levantar o brio da alma Portuguesa...porque queremos ser os melhores cá dentro e não só quando laboramos fora de portas...
-defender com veemência uma língua comum a toda a humanidade...
-eleger o amor e o entendimento, como a moeda de troca de todos os sentimentos interpessoais...
-disciplinar o uso da máquina, colocando-a ao serviço do homem e sob seu controlo...
-sem patriotismos provincianos...porque somos parte da alma humana e queremos honrar a espécie a que pertencemos...
-é preciso varrer com os conceitos e preconceitos que infligem rótulos  despropositados e injustos a quem quer ser apenas livre...
-não nos revemos nesta sub-espécie humana que coloca o dinheiro, o valor do poder financeiro, acima da dignidade humana...


Estamos no epicentro da tempestade...ou damos as mãos para uma nova ordem humanitária, ou andaremos à deriva dos ventos...jogados de mão em mão pouco escrupulosa...manipulados por interesses e mentes que se movem contra o tempo...a razão...o amor...


autor: jrg

06/07/2011

A ALMA DOS POVOS!...A ALMA PORTUGUESA!...E EU!...


«««//»»»

***

a alma dos povos
não se alevanta com lamurias
nem com medidas prepotentes de austeridade
nem com lutas fúteis fratricidas
nem com criticas de conduta

a alma dos povos 
empolga-se com emoções concretas
empolga-se com os estrategas a seu lado
empolga-se com valores de humanidade
empolga-se com o abrir da consciência

a alma dos povos
já não se alevanta a toque de tambores
nem com odes patriotas
nem com medos sorrateiros
nem com cortes na parca ementa

a alma dos povos 
empolga-se quanto maior for a sua dignidade
empolga-se pela auto-confiança
empolga-se pela expansão da alegria
empolga-se pelo acreditar da esperança

a alma Portuguesa
não se alevanta pelo miserabilismo
tão pouco com objectivos plenos de incerteza
sequer com mestres de ilusionismo
nem por artes de magia manhosa

a alma Portuguesa
agiganta-se pela grandeza do desígnio
agiganta-se quanto maior for a afronta
agiganta-se se cada um participar
com a medida da sua riqueza

da alma Portuguesa
eu sou um milésimo de milionésimo
ou pouco mais que zero  mas vivi
a alma lusa em momentos de excepção
peguem-lhe fogo qu'ela ateia mas ácido não

autor: jrg