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07/09/2012

TRAFARIA ou o MITO DA ESPERANÇA MORTA


imagem pública tirada da net
«««//»»»
TRAFARIA ou o 
MITO DA ESPERANÇA MORTA
***
a vila pasma moribunda
de silêncio frente a Lisboa adormecida
um barco de pesca atraca sem ruído
no cais da lota enquanto o país se afunda
grita a gaivota alerta à vida
na mansidão do Tejo ouço um vagido
é a esperança que minh'alma ronda
*
é tempo de incendiarmos as palavras
inflamá-las de coragem e amor
e atirá-las sobre os vermes que avançam
incólumes sobre a terra que lavras
pela planície humana apavorada uma flor
que ao soprar dos ventos ranjam
as portas que na tua alma de combate abras
*
cheira a pólvora seca
fulminante ou rastilhos de uma revolta
explodem palavras obscenas
na vila onde um vagabundo disseca
a vida que parou à sua volta
caras vermelhas de indignação serenas
pela sordidez do poder à solta
*
é preciso salvar a esperança
vitima de minorias absolutas obscuras
dada à praia ainda em agonia
se for preciso convoquemos uma criança
ou mulheres livres de roupas escuras
para comandar a força da nossa cobardia
a vila treme a ver se Lisboa avança
*
e é todo um clamor a norte a sul
de mães e filhos saídas do silêncio a acordar
fecharam escolas asilos e tavernas
a estrada tomou da luz a cor do céu azul
fábricas escritórios bancos a encerrar
porque a esperança é o que faz andar as pernas
é a alma de viver fora do casul (o)
*
marcham bombeiros e polícias à paisana
chegam à vila dos passos os rumores
das vozes saem cânticos de esperança a renascer
Lisboa a fervilhar de emoção abana
é um país que se agiganta sem medos nem temores
por uma vez a verdade sem mentira vai vencer
num volte face sobre a loucura agreste e desumana
*
quem disse que a esperança morreu
ou que o silêncio a mataria por demência
não viu que havia gente a pensar
nem o ventre da mulher onde ela renasceu
só havia nas crianças essa consciência
quando sorriam sobre a tristeza dum povo a definhar
Vitória! em Portugal a Primavera amanheceu!

autor: jrg

26/10/2011

CHOVE...


imagem pública tirada da net
*
CHOVE!
*
pudera esta chuva já tardia
que fertiliza e renova a natureza
operar na mente humana
corrigindo a tenebrosa fantasia
de mergulhar nossa tristeza
no abismo de que a mentira se ufana

pudera esta chuva à revelia
dos conceitos servis por anedóticos
arrastar na lama da corrente
impelida pela nossa portentosa rebeldia
agentes da desgraça patrióticos
salvadores de pátrias vazias de gente

pudera esta chuva cósmica
fertilizar a alma da indignação
corrigindo a trajectória
da dinâmica que se manifesta harmónica
onde falta a humana ambição
de inverter os desígnios da história

pudera esta chuva úbere
e o cheiro a húmus que dela se eleva agreste
penetrar as mentes que ultrajam
os que procuram no amor quem os lidere
uma mulher uma criança que se preste
a ser maior que os torcionários que nos esmagam

pudera esta chuva ser alegria
tocada de sudoeste pela dança do vento forte
agigantar as ondas do mar revolto
que acordassem os povos da endémica apatia
entregues a mudanças sem norte

pudera esta chuva ser um vómito
que nos acordasse deste pesadelo colossal
como lava saída dum vulcão
inundasse de loucura o pensamento atónito
ante tanta cobardia sepulcral
que nos tolhe o movimento sem acção

pudera esta chuva ser a dinâmica
que acelera o motor e põe em marcha a consciência
à procura de respostas radicais
que confrontem a sordidez da orgia messiânica
arrasadora dos valores da nossa essência
e se erguessem luz e fogo em auroras boreais

autor: jrg

15/09/2011

MÃE ABSOLUTA



MÃE ABSOLUTA
***
pela noite de breu
uma mãe armada de coragem
caminha no desassosego
à procura do filho que a droga venceu
tão menino ainda de passagem
mal a vida lhe mostrara seu apego
«/»
pela noite calada
vergada pela angústia vencia o medo
no silêncio da mata
onde uma geração jazia drogada
a mãe solitária envolta em segredo
na madrugada de seu filho à cata
«/»
pela noite sem estrelas
só a alma no instinto de mãe a guiava
por entre arbustos e silvados
o ouvido atento não fossem balelas
os sons que o coração palpitava
vindos tão de dentro roucos abafados
«/»
pela noite de esperança
uma mulher que de amor se iluminava
na escuridão que adensa o mistério
como pode alguém enriquecer da vida duma criança
sem ter a resposta perguntava
ansiosa de entender qual o critério
«/»
pela noite de vozes o murmúrio
o cheiro húmido da terra em putrefacção
um grito saído expontâneo
filhooo! era dele o arfar o augúrio
o encontro dos genes em contra-mão
no calor do frio subcutâneo
«/»
pela noite de coração sangrando
a mulher de corpo franzino e de alma gigante
abraçou a cria desconexada no vício
dos afectos agora dispersos se confrontando
és de mim e eu tua única amante
dizia na dor de o ver tão magro em silêncio
«/»
pela noite já a estrela d'alva se fazia
os pés tocando o chão orvalhado com firmeza
doravante tantas vezes repetida
pelos antros onde a droga adregava a fantasia
mãe eximia rumo ao norte sua fortaleza
mãe sem fim nem tempo até levar a morte de vencida
***
autor: jrg

05/09/2010

PENSAMENTOS ADIADOS...

assim como os responsáveis pelos massacres da segunda grande guerra e outros genocidios, não foram até hoje julgados, nem condenados...assim no grande julgamento do chamado caso Casa Pia...os predadores são condenados a penas irrisórias de que recorrerão...em breve estarão livres do peso da censura...as forças ocultas ...que permitem estas situações...essas não serão julgadas...nem condenadas...fomentam novas violações da personalidade...e minam a seriedade dos que investigam...

 *****

 

O primeiro round do chamado caso da Casa Pia, teve o seu desfecho com a leitura da sentença...

agora seguem-se os recursos...até à absolvição final...o crime contra a personalidade de uma criança nunca será reparado...os predadores ficam referenciados e dificilmente serão esquecidos pela sociedade...

A pedofilia...o facto em si é um crime hediondo...demonstra à evidência que pouco evoluímos como espécie...o julgamento, como todos os julgamentos complexos, é "Kafkiano", são todos inocentes...reclamam os predadores...vitimas de uma monstruosidade jurídica...vitimas de não saberem de que são acusados...e os outros?...os que, na sombra, manobram... os mandadores sem lei...? esses continuarão na senda do crime...impunes...pagam o silêncio...ameaçam de morte...pertencem aos grupos secretos que dominam todos os poderes...menos o da alma de cada um de nós...
é preciso reescrever um novo humanismo que nos coloque a par com as outras espécies que florescem no Planeta...

09/09/2009

A M O R...

amor é um continente de emoções
flores mares tempestades e bonança
tudo estremece de amor os corações
porque somos no amor como criança
*****
o que não sente a alma enternecida
quando beijada com fervor nos seus lábios
exulta inebriada confusa convencida
que o que o corpo sente são contrários
:::::
surge quase sempre nuns olhos brilhantes
que se agarram noutros olhos com feitiço
é uma leitura sedutora dos amantes
que chamam logo amor e pode ser enguiço
=====
lembro o amor testado namoradeiro
a conhecer-se dia a dia ajustes frustrações
sentir que não há amor como o primeiro
nem sempre é um consolo falho de emoções
»»»»»
amor é fruto que na amizade amadurece
é sentimento nobre não deve machucar
além do gozo é criação de vida o ser que cresce
é fogo e ar é água e terra vamos amar
«««««
autor J.R.G.

03/05/2009

MÃE MULHER GUERREIRA

que linda aquela criança
que riso cristalino tem
que sorriso encanto confiança
que segurança pela mão da mãe
mãe mulher plena amante
mãe esforçada de amor amada
mãe rebelada por não ser bastante
mãe não por todos considerada
mulher de enfeites ornamentada
mulher sentida por tanto desdém
mulher feitiço magia aromada
mulher maior suprema de mãe
guerreira ferida da maldade humana
guerreira sem medo que filhos sustém
guerreira aguerrida vaidosa se abana
guerreira da vida que é vida de mãe
autor: J.R.G.

18/04/2009

QUEM QUER CASAR COM A PRINCESINHA...

certa vez uma princesa
cansada de desamor
fez-se ao mundo publicitada
em imagem multicolor

quem quer casar com a princesinha
que é bonita e formosinha
e tem amor na gavetinha?

quero eu! Disse o macaco
saltando de galho em galho
solta a tua fala um naco
quero ver se em ti me valho

lançado o grito estridente
do símio escandalizado
a princesa inconsistente
ah não quero és muito alarvado

quem quer casar com a princesinha
que é bonita e formosinha
e tem memórias na gavetinha?

quero eu! Disse o mocho sabichão
Fala para que eu aquilate
Se és macho e tens tesão
Se não faço um disparate…

ao ouvir tal estrugido penetrante
a princesa ironiza cerra os lábios
sem o sorriso é uma careta irritante
que diz ah não quero ser dos sábios

quem quer casar com a princesinha
que é bonita e formosinha
e é fiel à gavetinha?

quero eu disse zurrando o burro
sou silêncio só falo durante o cio
prometo que não te empurro
sou forte e meigo quando te arrelio

seduzida pela voz grave e doce
ou pela robustez do duro falo
a princesa do burro enamorou-se
casaram amantes até ao cantar do galo

quem quer casar com a princesinha
que é bonita e formosinha
viajada tem lugares na gavetinha?...

quem quer? quem quer?
experimentar da princesinha
o desfolhar do malmequer

01/11/2008

AO MEU NETO - COM AMOR!...

São 50 centímetros de gente, que se movimenta em pequenos gestos de abrir e fechar de mãos, esticar os pés, bocejar, caretas que querem talvez afugentar espíritos que procuram entrar na sua alma iniciada.
Emite sons que já são uma comunicação e olha-me nos olhos, um pouco estranho de mim, como quem quer inteirar-se do que sou, se sou, quem sou. Enterneço-me de o olhar, de o sentir e levanto-o nos meus braços, aconchego-o ao meu peito e ele deixa-se ficar. Aceitou-me. E é , somos, já, uma evidência um do outro
Coloco um dos meus dedos entre uma das suas mãos pequeninas, os dedos dele esguios, longos, e a mão fecha-se sobre o meu dedo, numa primeira saudação, a dizer que me aceita, que podemos vir a descobrir juntos outros caminhos...
Fecha os olhos e dorme enquanto lhe observo os pequenos movimentos com que procura fixar-se na vida. E relembro nele os meus filhos, os traços que se afirmam indeléveis, os lábios,o mexer dos lábios, o queixo saliente, mas sobretudo a expectativa do ser que irão sendo, que foram sendo e que são hoje e que ele, esta pequena parte de mim, irá ser, sendo, a cada momento.
Olho os seus cabelos negros e a penugem que o cobre nas partes visíveis do corpo. E penso que seria assim, talvez tivesse sido, quando tudo começou, e as crias nasciam num qualquer recanto da natureza. Os pelos como vestimenta única e universal de igualitarismo.
Chama-se Pedro e é, segundo as convenções que organizam as hierarquias da família, meu neto. Eu chamo-lhe uma parte de mim. Não é meu, não sou dele, somos uma ligação intemporal e imaterial da espécie.
Nasceste Escorpião, como a avó, e vais por certo saber amar e sofrer, e ganhar vencendo todas as barreiras.
Temos genes comuns e vamos provavelmente amar-nos como só nós sabemos amar.
Olho as tuas mãos que se fecham e se abrem, como se me quisesses dizer, desde já, recebo e dou, recebo e dou, ou dou e recebo, dou e recebo...E fico na dúvida em qual dos dois termos deverei iniciar-te...ou de cujo espírito já vens imbuído...
Os teus olhos miram-me de novo, franzes a testa , semi cerras os olhos, interrogas-me, interrogas-te. Quem és?... Quem sou?...E eu não tenho respostas, meu amor...

03/10/2008

O DIA "D" DA ALMA APAIXONADA - O DESFECHO

O meu avô hoje levou-me ao parque para um dia especial. Disse que eu ia participar na parte final de uma história que ele escreveu com muito amor. Estou contente e curiosa de ver e sentir o escrever da história contada pelo meu avô querido.
Estou a andar no baloiço que eu gosto muito e vejo entrar um menino que parecia um príncipe e que eu nunca tinha visto brincar neste parque.
O menino vinha com um homem de olhar triste e que parecia ter estado a chorar. Devo dizer que o menino tinha um olhar ainda mais triste e eu franzi a testa, curiosa, porque estou muito habituada a ver os meninos e meninas muito felizes e risonhos nas brincadeiras.
Fui ter com o menino e perguntei como se chamava e ele disse que era Bernardo e baixou os olhos para o chão, de braços caídos, como quem espera que o levem, ou lhe tragam algo que perdeu.
_Bernardo, queres andar no meu baloiço?
Ele disse que sim com a cabeça e encolheu os ombros em simultâneo. Agarrei na mão dele e levei-o para o baloiço. O pai dele,de olhos tristes, ficou a olhar embevecido e ausente, como se a visão do filho fosse uma miragem.
_ E tu, como te chamas?
_Eu sou a Tita, mas na história sou a Princesa do amor "Criz"
_O menino sorriu avô!...
Eu disse ao Bernardo que estava no parque com o meu avô e perguntei quem era aquele senhor que estava com ele. O Bernardo disse que era o pai dele. Que ele gostava muito do pai.
_ E a tua mamã? Perguntei curiosa por ele não falar da mamã.
O bernardo encolheu-se todo e baixou a cabeça. Os olhos ficaram ainda mais tristes e disse muito baixinho que a mamã dele tinha partido. Não sabia se voltava. E tinha muitas saudades de estar com ela, de a ter. E desatou a chorar.
O pai aproximou-se e pegou no Bernardo fazendo.lhe festas na cabeça de cabelos castanhos. E eu disse.
_Não chora, Bernardo, vais ver que a tua mamã não partiu. Eu sou a Princesa Criz,do amor entre os meninos e vou fazer uma magia.
E fiz uns gestos no ar com uma varinha imaginária. E disse umas palavras que eu dizia serem mágicas. E abracei o Bernardo que deixara de chorar e dei-lhe um beijinho e um abraço forte.
_Vamos jogar a bola?
Mas o Bernardo já não me ouvia, um sorriso lindo, enorme deixava ver uns dentes lindos e certinhos, tão brancos como os meus. Os olhos dele iluminaram-se de uma luz maravilhosa como eu só vira, ainda num sonho que tive.
_Mamã!...
Eu vi o Bernardo correr para uma senhora muito bonita, que também parecia uma Princesa. Vestia um vestido azul bebé e tinha um sorriso do tamanho do mundo. Os olhos tinham lágrimas e eram grandes. Pegou no Bernardo com uma alegria que parecia o meu avô quando está uma semana sem me ver.
O pai do Bernardo ficou parado onde estava, a ver o filho correr e disse apenas, com os olhos muito abertos-
_Cristina!...
Fiquei a saber que a mamã do Bernardo era Cristina. E que por qualquer razão tinha partido.
E que por qualquer outra razão tinha voltado.
_Avô, é o fim da história?
_Não meu amor, nas histórias da vida não há fim, aprenderás pelo tempo.
_Ainda bem, disse eu.
E fiquei pensativa a ver como a Cristina abraçava o Bernardo e o pai dele e ouvia a voz do Bernardo a dizer " mamã, papá, vamos brincar.
Um homem que parecia o meu avõ olhava também ele a cena da Cristina reunida à família, como se fosse parte do elo que os fazia caminhar numa direcção única.
_Avô, quem é este?
_ Um mistico, Anastácio Bandarra, um poeta.
_Avô e o que é um poeta?...
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É o que me proponho. Escrever sobre vidas anónimas que valem as luzes da ribalta ou a fixação histórica e que traduzem a essência de um povo. Primeiro de uma família. Primeiro ainda, ou antes de tudo, a essência de um homem, de uma mulher.
Escreverei por encomenda, preços de acordo com extensão e pesquisa de documentação. Mas com a paixão que o percurso proposto me suscitar.
Aguardo a vossa proposta.

J.R.G.

19/08/2008

UMA HISTÒRIA DA VIDA - O COXO

O Cocho e eu tínhamos um compromisso de partilha, selado na taberna da Americana num dia chuvoso de Dezembro, e frio, entre dois cortadinhos de excelsa qualidade, que ele bebia de um trago, numa pausa, enquanto eu os sorvia gole a gole, guloso de os saborear com evidente luxuria gustativa.
Ele desabafava de si, do interior de si, as memórias de acontecimentos da sua vida simples, eu ouvia-o .O sr. Manuel, como vimos anteriormente em http://neoabjeccionismo.blogs.sapo.pt/ ,.
O COXO, ficou sem uma perna e usava uma prótese artificial metálica, que os anos tornaram obsoleta, mas era o que tinha e que concertava inventando enhenhocas, sistemas alternativos de molas e engates com arames, de forma a torná-la funcional.
Tinha quatro filhas, a Gi, a Bé, a Lu e a An. Quatro lindas meninas criadas ao sabor do tempo e de uma ampla solidariedade, num tempo em que vingava um tipo de humanismo saído da Revolução Francesa e que vinha vingando na civilização Ocidental, permitindo olhar para o homem como um ser infeliz de se encontrar amargurado ao levantar e bêbado ao deitar e que era preciso dignificar, estabelecido o conceito de ter o homem como fim., para cujo alcance valiam todos os meios: declarar a guerra, roubar, espoliar, prender, arrasar a natureza e exterminar os animais "nocivos" ao homem.
O pais vivia sob uma ditadura politica e económica, em ambiente semi rural, vida simples, beatificada pela Igreja e o temor a Deus e aos poderosos.
O Coxo viera para Lisboa ainda novo, ordenhara vacas e fora condutor de sidecar, ficara sem a perna, como vimos,e no tempo que vamos descrever, no inicio dos anos 50 do século XX, o coxo era continuo numa instituição de " previdência " do estado.
Casara com uma mulher oriunda de famílias poderosas, mas que fora excomungada, deserdada à nascença, em virtude de dois acontecimentos, o pai ter casado a contragosto da família, com uma mulher de meio diferente e por ter nascido gémea, as duas tão sem graça, felosas, e haver uma outra menina esplendorosa, irmã mais velha que morreu pouco depois por ciúmes? constituir o motivo de as considerar culpadas de terem nascido. Só a Maria sobreviveu, destas três e logo que ganhou corpo foi posta a servir em casas de famílias.
O Coxo conheceu-a como sopeira e viveram uma relação apaixonada. Maria era uma linda mulher, analfabeta, mas linda. O Coxo ainda frequentara a escola, sabia ler e escrever um pouco. Era um homem bonito, bem parecido, baixo, moreno, olhos escuros e vivos.
Ele já tinha mais de quarenta anos, ela à beira dos trinta. Ela deserdada pelos seus, ele deserdado pela vida e estavam na iminência de herdar uma família.
Maria ficou grávida e logo pensaram em casar, porque o Coxo era homem de palavra. Gostava dela e queria seguir o tempo. Se o tempo era o mestre, como que um Deus, se havia um mínimo, uma base de partida, uma casa de família para os abrigar, se havia a possibilidade de uma casa social, era dar tempo ao tempo.
Nasceram as três com intervalos curtos. A Gi, a Bé, a Lu, esta já na casa nova. Maria trabalhava agora numa fábrica de conservas de peixe que abrira de novo. Trazia peixe escondido entre as mamas. O trabalho de continuo acabara porque o Coxo apanhou tuberculose. Esteve à morte, mas o tempo deu-lhe a mão, recuperou-o para o que havia de vir. E tornou-se carpinteiro de arranjos e de pequenas peças de utilidade que fazia no quintal da casa, sob um pinheiro manso, frondoso e entre canteiros de uma horta que lhe
fornecia a sopa. Tinha arte nas mãos calejadas que lhe advinha da alma simples.
Havia momentos de alegria, as raparigas faziam peças de teatro inventadas na imaginação,
por histórias e anedotas picarescas que o Coxo contava e pelos livros de leitura que a mais velha já lia e crescia nos enredos.
Maria engravidou novamente. Ficou furiosa, que a vida já era difícil e mais um , como ia ser!...
O Coxo, sereno, que se arremediariam como até então. Havia trabalho. O tempo era a favor. A favor de quê? De quem?
O que ele escondia era a sua ansiedade, pela primeira vez sentia alguma pressa, por saber se seria enfim o filho varão que tanto ambicionara. Se não fosse não era, mas gostava, era a sua paixão há anos. Um filho homem, em que pudesse reinventar-se ao vê-lo crescer, estudar, ser homem completo, como o Jean Valgean dos Miseráveis de Victor Hugo, personagem que elegia como simbolo de bondade e de justiça.
Nasceu. E era um menino, como o Coxo desejava. O seu sorriso iluminou a noite, aquela noite em que a Gi foi chamar a correr a Tia Mariana, parteira oficial do bairro, e ele a colocar a panela sobre as brasas do fogareiro, para que tivesse tempo de ferver.
Ouviu o seu berro, um grito imenso que parecia de glória, pleno de pulmões, de vida. Comoveu-se, como não se lembrava á quanto. Fumou mais que o normal. E riu-se para dentro de si, olhando a Lua que se avolumava no cèu estrelado. Um filho varão!...
As filhas traziam leite do centro social. Os visinhos, uma galinha, um coelho, umas couves. O trabalho, pequenos arranjos, ia aparecendo e o JoMa, o seu rebento crescia e já se sentava num caixote de madeira que ele fizera em jeito de parque, de recinto só dele, para que não se sujasse na areia do quintal.
O Coxo no rasg, rasg do serrote e o puto brincando com pequenas peças que ele lhe fizera em madeira boleada e leve. E já queria falar : Pá ...e mais à frente, ainda disperso Pá.... E o Coxo, sorridente, a quem aparecia, a dizer que o miúdo parecia querer dizer papá.
Dava-lhe o biberão embevecido. As miúdas mimavam-no. O JoMa era um Sol.
_É pá, traz lá mais um traçado, mas cheio. _ os olhos dele brilhavam de humidade cristalina e eu surpreso, indaguei.
_Mas então, não foi um momento único de alegria?_ ele, dum trago, o copo cheio, a limpar os lábios, os olhos, os óculos, a colocá-los novamente em movimentos pausados.
Um dia, enquanto lhe dava o biberão de leite da manhã, sentiu que o menino parou. Não ria, os olhos parados, os braços caídos, quase inertes, convulsões estranhas.Fazia frio, mas o Coxo estava afogueado sem perceber o que se passava. Chamou uma vizinha. Ela veio e viu que o menino estava mal. Pediu a alguém que fosse chamar a Gi, a mais velha e que estava na escola. A Gi veio, oito anos, uma menina. Alarmou-se. Era preciso ir chamar a mãe à fábrica e foi, numa correria, por entre os arbustos da mata de Pinheiros, veloz como uma gazela fugindo ao predador.
Maria, esforçada desde as 6 da manhã, arrancada à disciplina mórbida imposta na fábrica, por um motivo de força maior. Chegou e viu que o menino respirava com dificuldade, mas respirava, embrulhou-o numa mantinha e correu para o barco. Em Lisboa apanhou o electrico, o menino nos braços, os olhos baços, o coração asfixiado num espaço tão curto do seu peito que arfava. Silêncio. Alguém perguntou sobre o menino e ela, que ia simplesmente ao hospital. Estava mal, não chorava, não gemia, mas respirava, ou era ela que o fazia por ele, que lhe emprestava do seu ar, ou que se confundia, o confundia.
No hospital o médico olha o menino, olha Maria, levanta os olhos a querer talvez fugir dali e diz-lhe:
_Está morto!...Maria incrédula, mas.. e o médico
_Se não quer que ele fique cá, leve-o para evitar mais despesa. Vá num táxi, ninguém pode saber que o leva morto.
-Num táxi? Diz Maria entre lágrimas. Não tenho dinheiro para isso.
O médico deu-lhe o dinheiro e disse que fosse em siêncio. E ela foi, com o seu menino nos braços.
No táxi, em silêncio, contendo as lágrimas, comprimindo o peito, em ânsias por chegar.
No barco, vizinhas, conhecidas, amigas. _ Então e o menino, está melhor? E Maria respondia que sim, que não podiam vê-lo porque dormia, dormia...
Á chegada a casa, o Coxo em pé, amparado à cancela do quintal, o vulto de Maria ao cimo da rua, A mata de Pinheiros mansos, o abraço de ambos, sem gritos nem choros. À espera do tempo...

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Podia ser o inicio de uma história de vida romanceada, a envolver negócios, empresas de estilo familiar que ainda são o sustentáculo do país. E a tragédia que os apanha desprevenidos e vai condicionar toda a estrutura familiar futura. Ou o êxito de empreendimentos pessoais, conquistados e construídos a pulso.

É o que me proponho. Escrever sobre vidas anónimas que valem as luzes da ribalta ou a fixação histórica e que traduzem a essência de um povo. Primeiro de uma família. Primeiro ainda, ou antes de tudo, a essência de um homem, de uma mulher.
Escreverei por encomenda, preços de acordo com extensão e pesquisa de documentação. Mas com a paixão que o percurso proposto me suscitar.
Aguardo a vossa proposta.

J.R.G.

11/05/2008

MEMÓRIAS DA GUERRA - A EMBOSCADA

Na densa mata de aromas a avivar a memória, no limiar da infância, os homens acoitados de armas aperradas, tensos, olhos vivos no estreito carreiro eleito como objectivo da morte.
O silêncio, cortado de avisos da macacada inquieta por intrusão abusiva do seu espaço, sem permissão para ciciar o medo ou a revolta.
Imagino as pessoas que se põem ao caminho algures no interior da mata. Mulheres que vão labutar na bolanha, que levam crianças, algumas, de colo. Gente distraída, indefesa, gente que fala uma outra língua.
Os insectos colados no suor do corpo, num acto supremo de amor sádico, mas amor, porque se bastam em nós, em mim, se fertilizam e multiplicam.
Lembrar as emboscadas de outros caminhos, na vida já vivida e na que espera por viver, na solicitude de nos acharmos no direito de decidir o tempo do outro, ali, no silêncio da mata, floresta de árvores enormes, amantes taciturnas de ervas daninhas e bichos ainda não adulterados, ainda não manipulados.
Olho os rostos dos outros numa tentativa de ver o meu próprio rosto. De achar os contornos da razão que nos, me motiva ou que nos, me permite, não ser e sendo os criminosos que matam à distância e a coberto da cilada, surpresa, se bem que a mando, ainda que a mando, de quê? de quem? E como vou, vamos viver depois, após o descarregar das balas agigantadas pelo percutir do cão da arma feita monstro em mãos que se permitem não saber?
Tu, Transmontano, recto na apreciação dos usos e costumes e aberto à junção de novos conhecimentos, que respeitas a integridade e zeloso dos fracos.
Aquele, beirão, entre a alta, a baixa e o litoral. O olhar franco, o espírito fraterno, cioso de estender a mão a quem venha por bem.
Pássaros grandes, abutres, aguardam pacientes a orgia da carne esventrada por instantes e atirada em lascas à súcia dos milhafres expectantes.
Olho ainda o rosto do tripeiro, do minhoto. Gente esforçada e penitente, afiançada nos baptismos de Sés, ermidas e oradas.
Olho e não vejo como subsiste este estar aqui, estando noutro lugar. E volto a procurar, nos rostos inocentes que queremos ser, uma luz que me permite ver na escuridão.
O sol afecta os neurónios já empobrecidos por décadas de ostracismo cultural. Não fomos habituados a pensar. Na adversidade, lá estavam: Deus, Jesus, Maria e os Santos Apóstolos.
E agora que era preciso raciocinar, servimo-nos dos mesmos postulados. Que Deus nos salve, enquanto matamos o filho, o pai, a mãe, de adeptos de outro Deus e Santidades.
O rosto envergonhado do Algarvio, A tez morena do alto e do baixo Alentejano dum cabrão, e é o mesmo sentir de não sou eu, quem aqui está de olhos fitos numa imagem de terra no carreiro.
O capitão, da fina elite Lisboeta, despreocupado, sem galões, como um igual a tantos, a justificar que a cultura não é desculpa para não vencer, matando a estupidez que se quer impor à história. Olhando um por um a a cada instante.
E eu? A quem pertenço? De que região sou oriundo? De Portugal inteiro, ou cidadão do mundo?
Foi quando o tiroteio irrompeu com fragor de explosões de granadas de morteiro e os uivos sibilantes das balas tracejantes por entre as folhas verdes do sibilino e majestoso arvoredo.
Saltam macacos apavorados, guinchando em estrondos de ódio ou medo. Aves que piam, e são gritos aflitos de mães obrigadas a abandonar o ninho.
Como começou, parou, o tiroteio. Foram ver.
Uma criança, talvez de 2 ou 2 e meio, ilesa, chorava sobre o corpo crivado e o sangue de sua mãe.

07/05/2008

DROGA-A RESSACA

Era um quadro considerado importante. Pode dizer-se , um alto quadro de empresa farmacêutica , com direito a assessores e outras mordomias instituídas .
Telefonou a antecipar um período de férias por quinze dias
O dia amanhecera fresco, com o sol de uma cor amarelada a despontar por sobre a falésia, enquanto em frente o mar de infinito, a cor verde adensada, espelhada numa larga extensão até que a linha de horizonte , como um traço fino de lápis afiado, se esbatia abruptamente no alcance da visão .
Dormitara na cadeira em frente da cama onde o corpo dela meio despido se espraiava em movimentos lentos , quase doces , por vezes convulsivos. E acordava, ele, em cada instante, sobressaltado , olhando de imediato o volume pequeno mas visível dos 2 panfletos de droga em cima do pequeno móvel das fotografias.
Será que vou ser capaz ? interrogou-se no silêncio do quarto amplo e meio na sombra dos cortinados corridos que escondiam a luz, prolongando a ideia de noite.
O corpo da mulher jovem e talvez bela um dia , ainda, que já fora . Parecia-lhe mais cheio. Que a carne ressequida voltava a ocupar, muito lentamente, os espaços escavados pela fome de anos. Um corpo de mulher na sua cama de desimpedido, livre de grilhetas legais .
Ele e ela como um só, o pensamento dele a vogar um sentido, enquanto o dela imerso em sonhos de afogada salva no ultimo instante, permanecia inacessível a qualquer apelo da razão
Pensava na essência do amor , O sentido presente da significação da palavra enquanto entidade que lhes proporcionava uma oportunidade de redenção. A cama dele, onde vivera noites fatídicas de orgasmos múltiplos com mulheres carenciadas de afectos, perfumadas de aromas exóticos e que ao acordar pela manhã se mostravam na verdade puras de odores imcompativeis com a sua genética do cheiro.
Não havia perfumes adulterados naquele corpo de mulher e no entanto, o ar do quarto estava purificado pela maresia que entrava na fresta da janela e os inundava num amplexo terno e sedutor.
Levantou a perna, ela, num gesto descuidado descobrindo a púbis luzidia, os pelos emaranhados mas soltos, leves, seco de pruridos ou corrimentos o sexo de crostas ainda agarradas no clitóris engelhado, como sem vida.
Levantou-se aturdido pela imagem dum ontem que procurava esquecer e com um sorriso. ainda tímido nos lábios carnudos, foi preparar o pequeno almoço.
Estava acordada, quando voltou de tabuleiro recheado, e o melhor dos sorrisos, a dizer a palavra bom dia.
Recomposta, esclarecida da nova situação, mastigando cada pedaço, rebuscando na memória escaldante, justificações quase pueris.
Os pais separados. A preocupação com a carreira de cada um. O irmão que era a glória da família. Namoricos desinteressantes de adolescente fugidia. Uma mudança de escola intempestiva.
-Seria melhor avisá-los que está bem?
-Não. Puseram-me fora, acreditaram nas palavras de psicólogos imbecis.Que eu havia de me cansar da rua. Quando o que eu precisava era que me amassem sem reservas. Que atendessem ao eclodir de mim como pessoa. Que se confiassem em mim.
Parou. Os olhos febris e suores pelo rosto. Os olhos castanhos, chocolate, a olhar os panfletos em cima da mesa dos retratos. o corpo a contorcer.se em espasmos incontroláveis.
-O que foi? Ele, com mel na voz, quase ciciando as palavras.
Os olhos dela nos panfletos, a levantar-se, encolhida, agarrada a si própria, os braços magros em volta do corpo, a chegar à mesa, a poisar a mão no objecto de toda a fixação, o sonho, a libertação afrodisiaca. Um gesto brusco e o ar desvairado na procura, de quê, ainda.
Os olhos dele em ela, como que guiando o sentido da vontade.
-Não!. O tratado! Quase um grito alucinado, a fugir do nada que não sendo é quase tudo.
Voltou, deixando os panfletos no local exacto onde estavam. Não já para a cama, mas deixando-se escorregar em tremuras, num canto do quarto, o mais escuro dos quatro, continuamente agarrada a olhar aquele homem que não a quisera ter como tantos outros e a perguntar-se porquê. Que fazia ela ali, a sofrer dores insuportáveis. Se bastava uma simples dose do produto. E outra. E outra até à finitude de toda a matéria que ainda era.
Foram oito dias das férias. Fechados os dois, no quarto amplo de cortinas corridas. O comer encomendado pela Net. a langerie umas roupas bonitas para que se gostasse, os sapatos.
Três dias a implorar, ela , em delirios lancinantes. Por mais de uma vez segurara os panfletos entre as mãos trémulas e por entre soluços os largara.
Ao oitavo dia, ele tinha adormecido, por um momento. Acordou ao bater de palmas repetidas. O primeiro olhar foi para a mesa dos retratos. O coração em estrondos de batuques frenéticos. Desapareceram.
Olhou em volta e na expressão de espanto dos seus olhos, a imagem raiada de luz, em catadupas de luz, como um sol dos principios do mundo, intenso, espalhando sonoridades na luz. como se um coro de meninos entoasse uma canção de amor
O vestido vermelho cingido no corpo renovado de carne. Os olhos com uma expressão tão viva de felicidade. Sobretudo os olhos. Castanhos chocolate.
O vermelho sangue do vestido. O cabelo brilhante caído a raiar os ombros a descoberto pela cava do vestido.
Olhou a mesa. os panfletos que haviam desparecido. E o riso dela, cristalino, aberto, confiante a levantar a moldura de criança em cima da mesa, deixando ver os pacotinhos. o papel branco sujo.
Levantou-se, os olhos toldados e abraçou aquele corpo bem cheiroso de aromas únicos, naturais, as mãos dele nas faces da menina bonita que ela se transformara, macias agora, os braços, os seios a voltarem a uma normalidade estranha ao corpo de antes.
Abraçou o corpo em êxtase.
-Minha menina! Minha menina! Como tu estás linda e vistosa.
Como eu amo o que tu és agora. Um amor diferente de todas as espécies de amor. Um amor da ideia que consubstancias na forma do teu ser absoluto.
Vou amar-te e mimar-te sem limites.

09/04/2008

DEIXEM VIVER ESMERALDA

Um homem em uma relação fortuita com uma mulher. Da relação nasce uma menina. A mãe diz-lhe que ele é o pai. Ele duvida e não assume a paternidade. A menina nasce e a mãe, considerando que não tem condições para a criar, entrega-a, à revelia do direito, para adopção.
A menina tem cinco anos hoje. O pai biológico que entretanto fez testes de paternidades viu confirmada a génese e quer a menina de volta, contra a opinião de psicólogos, sociólogos , pedopediatras e os pais adoptivos.
O caso é levado aos tribunais. Os juízes não se entendem. Ora ordenam a entrega, ora favorecem compassos de espera. A última página, à porta do tribunal, com a criança a recusar sair do carro e alguém abalizado a instigar o pai adoptivo para que tomasse uma atitude de força contra a criança.
Juízes, advogados, gente a que nos habituámos o devido respeito.
Não há quem pare esta tragédia que se abateu sobre uma criança que não pediu a ninguém para vir?
A declaração universal dos direitos da criança não é suficiente para acabar com este suplicio?
Não será tempo de fazermos ouvir o nosso : Nãããããããããoooooooooo !!!!!!!!!!!!, em uníssono , de Norte a Sul, para que os hipócritas do direito deixem esta criança em paz?
Não basta perguntar à criança. Onde , com quem queres ficar?
Vamos, nós gente que habitamos este país, que pagamos impostos directos e indirectos, permitir que uma criança de cinco anos seja disputada na praça pública, nas salas frias dos tribunais, despojada da sua personalidade, interditada de amar a quem ama e de querer a quem quer?
Estendo-te a minha mão, Esmeralda, temendo que não vá a tempo de a poderes agarrar. E apelo às pessoas, chamadas povo, do meu país, e aos que têm a responsabilidade pelo nosso bem estar, para que termine esta chacina da tua identidade.