07/03/2010

A TRAGÉDIA NA ILHA DA MADEIRA

 é usual quando acontece uma tragédia

esquecer por um momento a picardia

agora é pedida solidariedade e não comédia

muda o discurso há que acudir à agonia



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não há culpados nem subserviências

são precisos milhões para dirimir os prejuízos

os que morreram se forem da maralha levam condolências

se da matilha levam quinhões para os jazigos



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bem os técnicos avisaram por antecipação

que ribeiras tão estreitas diminutas de cimento

não seriam eficazes no boom de  construção

substituir  as naturais caleiras sem dar à natura solvimento



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os cientistas esforçam-se em avisos

estamos a destruir por ambição e incúria o Planeta

em nome da riqueza recebem sorrisos

o aquecimento é uma ilusão apenas  se comenta

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se olharmos a dimensão do prejuízo

os poderosos estão sempre na tragédia  protegidos

quem perde morada e bens não tem juízo

por morar em lugares de perigo tão desabridos

***

como um castelo de cartas ruiu toda a beleza virtual

a natureza é mais poderosa que o poder montado

o jardim que era no Atlântico um fausto a pedra filosofal

mostrou ao homem o que poderia talvez ser evitado

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os governados têm que interpelar quem diz que os governa

melhor que ser uma pérola sem concha que a proteja

é ter a vida protegida ainda que seja na caverna

em vez de ornada a sala puro luxo para que turista a veja

***

cessou a jactância o epíteto o palavrão
depois da discussão da lei por uns tantos milhões
agora é a fartar sem lei nem roque
é preciso enfeitar de novo depressa até ao Verão
dinheiro não faltará à vista das razões
e todos ganham menos os que foram das águas a reboque

***

houve de tudo nesta nesta trapalhada
vitimas que iam subindo mal contadas
apelos para esconder a dimensão de estragos
houve até entendimento com os da canalhada
havendo disponibilidade novas obras agendadas
sem vistos haja bananas bolo de mel e cubanos gagos

***

nesta triste história da tragédia da Madeira
sou solidário com quem morreu no feudo e inocente
"penso que os deusos estão do lado da ignomínia"
e com os que ficam mais pobres na subida da ladeira
a beleza é da natura  rainha soberana imponente
mau grado o propósito insano que a contagia







autor: JRG





04/03/2010

ESTRANHO!...

imagem tirada da net

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Estranho!...
*
estar em frente do espelho
e o rosto que eu vejo
não é já o meu
é o teu
**
Estranho!...
*
que me tenhas tomado
num ponto algures difuso
e eu te tenha pensado
do pensamento sem uso
**
Estranho!...
*
após o estremecer do medo
esta súbita alegria
o desvanecer do teu rosto o segredo
a tua alma em sangria
**
Estranho!...
*
que dentro da mesma hora
num outro lugar
talvez distante embora
tu me olhes no espelho a pensar
**
Estranho!...
*
ver o teu coração
 a batida nele constante
o sangue o fogo a ilusão
ser dele teu amante
**
Estranho!...
*
ver meu rosto no centro dele
teus beijos salpicos de sangue
sob a mesma fina pele
que nos cobre a alma e expande
**
Estranho!...
*
a suave e pura sinfonia doce paz
ser na tua raiz  estranha víscera
aquietando a dúvida onde jaz
teu medo de ser mulher adúltera
**
Estranho!...
*
*navegar em tuas veias
exuberar-me nos pontos luminosos
arrancar os pontos negros densas teias
sentir anseios vertiginosos
**
Estranho!...
*
esta viagem que não quero tenha fim
dentro da tua alma amorosa
cheirar a essência de teu cheiro de jasmim
ver-te no espelho bela e ditosa
**
Estranho!...
*
a magia que o espelho me transmite
era o teu corpo em mim a penetrar
e por ele se avivou sublime meu apetite
quando voltei de ti a soletrar...

a m o - t e...a m o - t e...a m o - t e

autor; JRG

01/03/2010

SER TOCADO DE VOCÊ !...

quando toco em você e se abre um esplendor

é luz é fogo é chuva miríade de estrelas

se toco em seus lábios me queima seu calor

se num abraço toco sua alma se acendem velas



gosto no cumprimento sentir seus lábios febris

em cada face do meu rosto quente ruborizado

é um toque com sentido meio e fim e que me diz

que estou na sua alma de ternura etilizado



quando toco você e você me toca de seu jeito

abraço ou beijo ou um simples toque de seu olhar

minhas mãos desastradas procuram socorrer meu peito

sufocado na pressão que o toque provoca em meu sonhar



quando seu corpo toca no meu me aperta no abraço

seus seios estremecem meu coração enfeitiçado

minha mente rejubila em cada toque que faço

quando a sua alma desce e me encontra apaixonado



ah o toque que se expande eléctrico nos sentidos

toque choque toque emoção toque da alma inteiro

fico esperando você infinitude tempos infindos

onde quer que a esperança faça toque verdadeiro



autor: JRG


20/02/2010

"QUANDO UM HOMEM SE PÕE A PENSAR!..."s

a lua é um fio dourado em foice crescente
a noite fria no silêncio da cidade
falamos de amor no jardim da alma transparente
trocamos beijos carícias sensualidade

em cada noite atraídas pelo luar
as palavras se libertam dos ancestrais conceitos
escorrem pelos corpos docemente devagar
deleitam-se e entram persistentes em nossos peitos

já não se ouvem grilos nem o cantar das cigarras
por sorte ainda cintilam no céu estrelas
damos as mãos sorrimos quando me olhas ou agarras
desembrulhamos segredos ocultos nas almas belas

lembro de ouvir dizer aos cientistas
que a máquina viria devastadora substituir o homem
gerando abastança e desgraças nas conquistas
dum lugar seguro entre blocos de cimento e a desordem

lembro que a ideia era dar tempo à vida se realizar
reduzir o esforço e a carga do horário
enriquecer o homem no lazer em sabedoria e em pensar
não era atormenta-lo com encargo e sem emprego triste binário

entre o tempo de pensar e o deleite de amar
a lua percorre a sua rota envolta de magia
sorri e tem olhos que entram na alma para a encantar
tem um halo de mistérios que nos provoca e inebria

porque viemos que tempo é este que nos espera
enlaçamos os corpos na ansiedade da procura
sabemos que o homem deixou de pensar que desespera
que entregou à máquina esse esforço sem alma nem ternura



autor: JRG

14/02/2010

A TUA VOZ

há na tua voz a harmonia
entre os sons que a alma dá ao coração
é suave e doce sensual melodia
a envolver-me a mente na tua sedução

na raiz as palavras enformam sentimentos
que a tua voz as tornam emotivas
teus lábios que as pronunciam alimentos
estremecem de memórias invasivas

há uma simbiose perfeita quando dizes
entre os olhos e os lábios  o corpo se agita
porque sentes as palavras que nos fazem felízes
e te encantas de dizê-las como um pintor as pinta

na tua voz  a palavra é uma sinfonia
com todos os elementos afinados
há ternura amor firmeza doce e subtil
há um halo de ligação ou uma fantasia
que perfura silêncios modulados
e se evidencia na alma absoluta e dúctil

a tua voz minha alma amante
que se aninha no meu orgão dos sentidos
se expande a me sentir teu instante
de sentir meus versos por tua voz vertidos

autor: JRG

  

07/02/2010

UMA VIDA DE AMOR ENTRE SONS DE GRITOS

Quando a tua voz na discussão se altera e grita

Som estridente que gera confusão e fere

Onde a alma amante que te sente e se agita

Saber que é efémera a revolta que o corpo gere





Ao discutirmos dilemas palavras malditas

Revolve-se a alma no corpo a quente

Palavras que ecoam entre palavras quase infinitas

Até que a calmaria nos sossega a mente





Terá a ver com o momento em que nasceste e eu nasci

O ano o mês os genes que nos dão a consistência

Ou é do saber sem preconceitos que contigo discuti

E do respeito que temos ao sermos na nossa existência





Quando discutimos os olhos tensos alvorotados

E nos dizemos os lábios em trejeitos fartos um do outro

Se saímos em busca de solidão amarrotados

Logo a doçura de nós invade o coração afoito e douto





Faz quarenta anos que te amo e nos gritamos

Gritos que fortalecem nossos desejos

Depois do grito fazemos sexo e nos beijamos

Entre silêncios gritados nos teus beijos





Quando te calas imagino o som do grito sem gritar

A vida deificada fica suspensa de valor

Inventamos factos discordantes entre o sono e o despertar

Na labareda dos sonhos que alimentam nosso amor





Porque te amo sem conscientemente te adorar

Porque te sinto inteira e pura em mim

Sou teu vassalo quando me gritas sem te avassalar

És o meu alimento gritante até ao fim





Autor: JRG

05/02/2010

A CONCORDATA DA OPOSIÇÃO!...

imagem tirada da net
 

Que viva eterno no belo jardim seu presidente

Ele conseguiu ter contra si toda a Nação

Apesar de não haver mais quem o aguente

Ele virou de truão a boa gente para a enfatuada oposição



Numa ilha onde grassa o endividamento

É moda pagar tarde ou nunca a quem fornece se é do Continente

Não sendo de estranhar o patriarcal sentimento

Com que acolhem a prepotência insigne do seu presidente



Estranho é ver a unicidade de grupos políticos diletantes

No aprovar da lei que gerou toda a discórdia

São só migalhas dizem rebarbativos concordantes

Fazem pensar que são parte do presidente nesta mixórdia



Por artes de magia ou por ingenuidade Continental

O rendimento per capita é maior no pedinte que no dador

Ou porque a medida é feita de comum e desigual

Ou é na área do presidente que a capitalização do lucro inclina a seu favor



Como disse a seu tempo um controverso estadista oriental

“Uma faúlha pode incendiar toda a pradaria”

Assim esta lei das finanças regionais é um pretexto ocasional

Para evidenciar a singularidade da nossa mediania



Tenham vergonha o povo vota não à concordância

Em torno de jardim o truão presidente

Mal-educado insolente homem de mão da manigância

Se alguém ceder que se demita o povo não se revê em quem lhe ferra o dente



Autor. JRG

31/01/2010

A LEI DOS CASAMENTOS GAY E O ORÇAMENTO DE ESTADO...

Os doutos comentadores

Ainda não se aperceberam

Que entre engenheiros e doutores

Os gays se antecederam



Primeiro foi aprovado

Entre aplausos do parlamento

O direito antes privado

Dos gays ao seu casamento



O presidente bem que blasfemou

Contra esta lei dita pela igreja contra a natura

Como se fosse um qualquer deus quem aprovou

A constituição dos genes que o corpo apura



Posta a lei em brusco movimento

Logo correram editais

Para que se aprove o orçamento

São precisos dois casais



Muitos se fizeram rogados

Exigiram explicações

Em comunhão de bens ou separados

Ressalvadas as devidas proporções



Litigaram no orçamento a partilha

Entre a despesa e a receita

Quanto fica a dividir pela matilha

Não levando o povo mais desta feita



Houve ciúmes lamentações desavenças

Uns concordaram entre sessões

Outros prometeram dizer sim e não como crianças

Mas concordaram não ser tempo de obsessões



Quem observar a vida quotidiana

Não pode dizer mal da situação

Correm notas paralelas por certo nesta gincana

Os combustíveis sobem aumenta no trânsito a confusão



Nos hipers nas discotecas nos casinos

A euforia não descola seja a crédito ou a pronto salva-se o brio

Não se pode contemplar no orçamento tais desatinos

Em nome do emprego e do orçamental equilíbrio



Sobem livres de taxas os lucros financeiros

Mais-valias criadas por cérebros de engenharia

A corrupção genética ganha companheiros

Ganham num dia o que o povo inteiro não ganharia



Já não importa fabricar novos produtos

O importante é a venda fictícia de ilusões

É mais fácil criar ideias fúteis que atributos

Não deixam desperdícios e nas crises geram fusões


O problema dizem é todo da educação

com a iletracia geral do entendimento

os sindicatos de professores confundem a Nação

o problema não é o estudo a competência é o orçamento



Em última instância inventam-se pandemias

Obrigam-se os povos a contribuírem

Afluem fluxos do tesouro sobem as arritmias

Os povos desesperam sem amor para se unirem



A justiça é uma panaceia viciada

Salvaguardada na superior teia legislativa

É concebida à medida dos crimes de cara lavada

E arbitra livremente a contento toda a comitiva



Há vozes discordantes sobre o modelo da economia

Uns querem que o estado apenas trace as linhas

Que entregue os bens supremos salve da crise a ignomínia

Outros que assuma do poder nossas vidinhas



Ouvido apenas quando se trata de eleger

O comum do povo discute nos bares o futebol

Desenrasca-se como pode da avalanche do poder

Entretém-se a discutir pequenas manchas de lençol



Em toda esta circense palhaçada

Só um palhaço será tristemente rico no momento

O jardim colorido da Ilha da Madeira

Ao descobrir no pote e no penico o tesouro do orçamento





Autor: JRG

23/01/2010

A PROSTITUTA

ah sou a pública evasão para desejos inibidos

a que não teme a fúria dos deuses

a que mostra a calcinha na esquina de uma rua

a que satisfaz do preconceito os devarios hibridos

a que sofre sorrindo e chora pelos teus revezes

a que sem prazer se expõe ante o abominável lascivo nua





sou a prostituta a puta a rapariguinha da treta

cheiro a perfumes baratos odores de misturas insalubres

levo tareia dos tribunos a quem presto vassalagem

o meu ser é fruto apodrecido branca mista ou preta

dispenso a camisinha se a nota for graúda não ligo a cenas lúgubres

sou mulher taxada ao tempo e ao serviço não tenho alma sou selvagem





olhem-me de frente mulheres servis idolatradas

sou a fêmea que não sonha que não tem cio nem orgasmos

a que não cheira nem geme de prazeres é a despachar não digo nada

sou a outra face de cada uma de vós mulheres prendadas

não sou verso nem poema apenas um corpo sem espasmos

onde os machões de vós afogam a mágoa duma sexualidade frustrada





autor: JRG