20/07/2013

AFINAL HAVIA MESMO UM ABISMO!...


*
AFINAL HAVIA MESMO UM ABISMO!...
ou
HÁ UM OÁSIS NO DESERTO 
**
um ministro ajavardado
com os olhos tintos de sangue
sábio de cátedra e bengala
com arte e engenhoso plano
olhou para os governados
viu tanta e crédula pasmaceira
que desatou a roubá-los
a começar pelos mais fracos
votando os mais vigorosos
às artes de exportação
carregou forte em impostos
parou a vida da nação
até que um vento contrário
ou num golpe bem pensado
reconheceu que falhou
não fora bem entendido
ou não contou com a alma
dum povo estarrecido
bateu com a porta e andou
deixando o país destruído
*
havia na cidade
um bordel de homens musculados
para mulheres
onde as excedentárias se batiam
por um momento de frescura
com o pensamento parado à beira do abismo
*
logo outro se perfilou
com seu porte metalizado
de irrevogável ensejo
intriguista antes que a fruta apodreça
demitiu-se
alentando podre esperança
alvoroçou o governo
mentindo a quem por sério o tomou
voltou atrás e cresceu
proclamou-se  a salvação
do país já naufragado
como se não fora dele a rota
que provocou um tal dano
mas era tarde ou foi longe demais
havia no habitat
um abutre taciturno encanecido
a quem a fome enraivou
disse não ao absurdo compadrio
e exigiu a mais um
um compromisso fatal
*
se o dia amanhece
de cinzento fosco carregado
se as aves tardam a trinar
o pensamento melancólico enlouquece
até que o sol volte apaixonado
e a alma se alongue além do mar
*
então subitamente
surgindo do crepúsculo enegrecido
ouve-se um grito
calam os rumores de falas moribundas
ajustam posições
as gentes do povo e seus algozes
e quando tudo indiciava
que iam a votos
o abutre entregou as almas ao destino
onde o abismo lhes sorria
.
e logo um grupo de mulheres
com seus homens
levaram sementes e gado
cavaram um túnel
rasgaram as entranhas da terra
até acharem um novo céu
e água límpida cristalina pura
sem pressas nem medos
sem deuses nem amos dementes
sem ouro nem cobiça
tomaram consciência do devir
rasgando o poder tirano
deram início à era humana do amor
*
grandes dunas ocultavam
vistas largas sobre o mar
fechando meus horizontes
quis subir mas resvalavam
mãos e pés a gatinhar
galgando os altos montes

autor: jrg

O DIA DA SALVAÇÃO NACIONAL!...




**
O DIA 

DA SALVAÇÃO NACIONAL

***
à porta do supermercado
há um ministro vencido
recolhendo assinaturas
para o país naufragado
ser salvo e não foragido
por entre salmos e juras
*
à porta do banco cerrado
um presidente caduco
pede um chavo p'rás alminhas
ruge o mar encapelado
o povo estarrece maluco
do desnorte das galinhas
*
à porta d'empresa falida
um governo incompetente
diz que ruma rumo certo
não fora a quebra de vida
a salvação desta gente
é gizar um novo aperto
*
à porta o apelo dramático
para a salvação cabal
entreguem ouro e haveres
a alma se não for patético
para salvar Portugal
do domínio dos credores
*
à porta da Salvação
gritam ladrões usurários
e sábios clarividentes
em Portugal a Nação
foi vítima dos operários
não dos roubos inocentes
*
incrédulo o povo astuto
vê o barco a afundar
e numa maré de feição
inverte o seu estatuto
passa a ser ele a mandar
prendendo a governação
*
à porta da solução
fazem fila para o trabalho
na ânsia do mundo novo
quem comanda a salvação
novas cartas no baralho
não é o ladrão é o povo
autor: jrg

"OS TRÊS PARTIDOS DEMOCRÁTICOS", ou A DITADURA DA DEMOCRACIA!!!






"OS TRÊS PARTIDOS DEMOCRÁTICOS", ou A DITADURA DA DEMOCRACIA!!!


Ao ouvir hoje na Assembleia da República, a voz arrebatada do senhor Paulo Portas, referindo-se aos "TRÊS PARTIDOS DEMOCRÁTICOS", existentes na AR, que discutem os termos da "SALVAÇÃO DE PORTUGAL", ao ler o discurso do senhor Passos Coelho, com a confiança reposta para a prossecução dos seus propósitos de contínua delapidação dos proventos de trabalhadores e reformados, bem como a consequente falência dos serviços públicos fundamentais e ao tomar conhecimento do manifesto "Pa(trio)tético dos Senhores mais ricos de Portugal...(de onde lhes virá tanta riqueza?) acentua-se, no meu pensamento, a ideia que uma feroz ditadura "democrática" está em marcha, sob os auspícios do Senhor Cavaco Silva e de outras eminências pardas que pululam nesta terra de gente habilmente desenrascada...não tarda o PCP,Os Verdes, O bloco de Esquerda e as iniciativas ou organizações que procuram um novo sistema de organização da vida serão proibidos de se manifestarem...
Vivi 30 anos em ditadura...sei o que custa a asfixia do pensamento...e agora...que já me tinha habituado a pensar!...eis que uma noite mais negra se aproxima, no epicentro da tempestade centrifugadora...
autor:jrg

06/07/2013

UMA TRÍADE DE "PARECER" SER..."PORTUGAL APODRECE...

UMA TRÍADE DE "PARECER" SER...
ou mais vale ser que parecer...

***
O que é que esta situação política que estamos a viver em Portugal configura? Vejamos as últimas cenas:
.
O "ilustre técnico financeiro" Vítor Gaspar,falhadas todas as suas tentativas para descobrir a arca do tesouro, demitiu-se porque não sentia o apoio suficiente...à continuação do massacre sobre os reformados,pensionistas e funcionários públicos...

O ilustre P. de Portas, de olhar sinistro e voz metálica, nervos de aço,contorcionista aprimorado,demitiu-se, por não lhe ter sido dada a importância a que se julga com direito...

O pedante Coelho e o obscuro Cavaco, pressionados pelos mandadores sem lei, tecem um enredo escabroso com ares de parecer uma emergência Nacional...porque o que importa é parecer!!! pelo maior tempo possível...parecer que há consenso, parecer que há governo, parecer que há paz e determinação para continuar o terror sobre o povo Português...apagar, quanto antes, esta nódoa de desagregação governamental...Porque Portugal não é a Grécia!!! Custe o que custar!

A seguir (1), o tal Portas, rasga a carta de demissão para que não conste em memória, redime-se de si próprio, e volta ao governo, sabe-se lá com que poderes reforçados...

A seguir (2),o tal Gaspar será chamado para salvar as finanças públicas, com poderes ilimitados para a chacina dos mesmos...mas terá de queimar a sua própria carta de demissão.

E, quando o povo acordar, estremunhado pela sordidez do plano e dos actores em palco, pelo pacto insidioso que os principais protagonistas engendraram em segredo...

Saem os militares a terreiro, não para reporem a ordem constitucional a favor da Nação, mas para reprimirem a contestação, enfim, generalizada, dum povo maior, digno, mas incrivelmente crédulo que o pai natal ainda desce pela chaminé no dia de natal...


Entram os tambores, tocados por mãos hábeis femininas, TOCARUFAR, na frente da manifestação...são um mar de gente de boca aberta que não aceita parecer ordeira quando a alma arde em indignação...são gente tocada pelos ventos insurrectos...porque CHEGA DE PARECER!...QUEREMOS SER!...

Porque a gesta é outra...já não há milicianos...nem ideólogos...nem pensadores e as máquinas estão ao serviço dos tiranos...só nos resta vir para a rua, e defender as nossas vidas com dignidade...salvar a nossa dignidade, desta catástrofe que nos tira o pão e a alma...

MAIS VALE SER QUE PARECER!!!
jrg

04/07/2013

TIREM-ME DESTE FILME TERRORISTA!



Tirem-me deste filme...porra!!! digo eu!

Tirem-me deste filme vergonhoso...porque é asqueroso...é monstruoso...é dispendioso...nem como figurante quero participar...nas cenas histriónicas de antes e depois...é um filme de terror...que nos apresenta um governo terrorista...abjecto...de gatunos verdadeiros, mentirosos compulsivos, senis...uma demência absoluta...

Que povo é este de onde eu nasci que se sujeita a esta malfeitoria? Que se dispõe a participar num filme que ficará na história como deprimente,indecente,indigno,catastrófico...que povo se verga à chantagem duma minoria desgovernada? 

Se não poder sair deste filme quero sair deste povo. Num filme Maquiavélico, depressivo, agressivo, ganancioso...com personagens nojentas...com tantas qualificações que se tornam inqualificáveis...é que eu não quero morrer...

pirei-me!!! jrg

30/06/2013

ALGUNS ASPECTOS DA "VERDADE" HISTÓRICA!



ALGUNS ASPECTOS DA VERDADE HISTÓRICA, 
ditos de uma forma NAIF:

*
Alguns aspectos da verdade histórica: Os Portugueses de 500, hábeis marinheiros, sem terra nem barcos próprios, mas com os olhos brilhantes de cobiça, andavam à gandaia pelo imenso Oceano , entretidos na arte de descobrir novos mundos.

Com o tempo de feição, foram "achando" terras, umas habitadas por" selvagens "que, confrangedoramente, foram civilizando, de Cruz em riste e chicote aperrado...outras vazias de gente onde deixaram a marca do brasão...para mais tarde as povoarem com escravos e famílias de bem, trazidas da lusa Pátria.


Ocuparam as terras assim achadas e exploraram as suas riquezas...venderam os selvagens para trabalhos forçados noutras terras...obrigaram-nos a converterem-se à religião Católica...e de "achado" em "achado", chegaram ao Brasil, Angola,Moçambique,Guiné,Cabo Verde, Timor, S. Tomé e Príncipe, Macau e Índia...um verdadeiro Império de barbárie, não isento, também ele, da cobiça e interesses de outras potências da época.


Algumas destas terras, foram povoadas com colonos esfomeados de ganância, trazidos dos feudos da Pátria Lusa, já então endividada, noutras foram corridos pela crueldade que manifestavam na satisfação da gula...

Depois. muito depois, quando já não era mais possível branquear a "verdade" histriónica da história, tiveram de largar tudo atabalhoadamente...após mais duma década de guerra fratricida...

À luz do presente, seriam julgados por crimes contra a humanidade... 

autor:jrg

29/06/2013

A PONTE 25 DE ABRIL É UMA PASSAGEM OBSTACULIZADA


*
A PONTE 25 DE ABRIL É UMA PASSAGEM OBSTACULIZADA!...
Exigimos uma passagem pedonal!

***
Um grupo de manifestantes descuidados seguia na direcção da ponte 25 de Abril, única via terrestre de ligação da Capital, Lisboa, à outra margem e ao mundo Muçulmano do Sul...por isso existia uma portagem para controlar todas as passagens e impedir qualquer invasão sem aviso prévio...
O Governo, alertado para a possibilidade do encerramento da ponte, por pouco mais ou menos 300 manifestantes, mandou a polícia de intervenção cívica e militar para travar os energúmenos, arrivistas, Anarquistas,Terroristas, que punham em causa a segurança do estado...armados de Varas com pontas de Sílex...barbudos os homens e de sorriso em riste as mulheres...
A polícia foi e, para provar que tem aprendido a estratégica e a táctica, formou um quadrado em jeito de cerco à multidão, conduzindo-a para terreno mais favorável, passando a identificá-los um por um, bem como procedendo a uma minuciosa revista ao seu armamento...com o fito de os acusar de atentado à segurança do estado e outros crimes que oportunamente ocorressem.
Convém frisar que os polícias estavam armados até aos dentes e possuíam treino adequado para desmantelar qualquer tipo de manifestação que atentasse, ou prometesse atentar, contra o bom nome de governantes ou a unidade da Pátria.
A um que trazia uma faca, perguntaram, para que a queria...
_Para descascar a fruta....
A outro que trazia uma garrafa com gasolina...
_Tenho carro ali em baixo que parou por falta de combustível...
A outro que trazia isqueiro...
_Sou fumador...é proibido fumar em marcha?
A todos perguntaram o que estavam a fazer na faixa de rodagem, pondo em perigo a segurança dos automobilistas...
Ao que todos responderam que apenas queriam chamar a atenção para a precariedade das suas vidas...sem emprego...sem esperança de futuro..."queríamos mesmo eliminar obstáculos do nosso caminho...passear a ver se surgiam ideias...ir ao outro lado tomar um banho de mar...porque não há direito que a ponte seja uma passagem obstaculizada com uma portagem e sem permissão para apeados"...
Ai os agentes acharam que era provocação a mais e logo ali deram ordem de dispersão com a obrigatoriedade de se apresentarem a juízo na manhã seguinte...
Os manifestantes dispersaram entoando palavras de ordem:
"Liberdade de circulação...portagem na ponte não..."
"Liberdade de circulação...passagem pedonal na ponte em contra-mão"
"25 de Abril no coração...Tirania vai ao chão...!
autor: jrg


22/05/2013

O ESCRITOR LUÍS MACHADO NO LANÇAMENTO DO LIVRO "A Insurreição das PALAVRAS" de joão raimundo gonçalves

O ESCRITOR LUÍS MACHADO NO LANÇAMENTO DO LIVRO 
"A Insurreição das PALAVRAS" 
de joão raimundo gonçalves
***
Foto António Vieira da Silva
*
REVOLUÇÃO CÓSMICA
...
sou mulher!
Ah Ah Ah Ah Ah Ah Ah Ah
sou mulher!
cuidem-se os agiotas e outros trafulhas
os políticos e maridos valentões
armados até aos dentes contra cidadãos
mulheres velhos e crianças
sou livre das amarras da história
sarei feridas humilhações
cansei do riso à socapa por me entenderem mais fraca
*
e agora?
*
sou simplesmente mulher
ou fêmea
adúltera bígama polígama lésbica
mas pura
serei o que eu quiser
o instinto de mãe e do prazer
sem luxúria nem lascívia
porque não tenho medo e reúno a coragem do mundo
erguerei bem alto
a bandeira flamejante do ser
*
acabou-se!
*
não há mais trocos nem prostitutas
nem favores
nem violência de estirpe duvidosa
nem a condescendênciazinha das quotas
nem da paridade dos sexos
nem os lugares de estimação por troca de silêncios
nem modas astutas
nem corrupções sensuais
nem trabalhos duplamente esforçados
nem cama mesa e roupa lavada
*


basta!
*
ouviram bem?
*
BASTA!
*

sou a fonte de onde brota a criação
sou a direcção dos ventos
sou o mar salgado a mina de água doce
sou o fogo que espalha fertilidade
sou a terra em movimento nos círculos etéreos da eternidade
sou a força de todo o pensamento
sou a mãe que pariu em dor suprema toda a gente
sou dócil de amor a quem me ama
sou o cheiro e o sabor que há na natureza
sou um animal no reino da animália
*
olhos nos olhos!
*
declaro iniciada a revolução
sobre as mentalidades desumanas mesquinhas
sobre as leis absurdas que escravizam
sobre a organização monoparental das sociedades
sobre todas as lideranças
sobre o medo e a violência dos poderes
sobre a manipulação dos gestos e das palavras
vamos a votos nas ruas
se o estado faliu está em bancarrota
a nação é nossa vamos a ela

***
jrg

poema incluído no livro: A insurreição das PALAVRAS" de joão raimundo gonçalves, editado por edições Vieira da Silva.

07/05/2013

A insurreição das PALAVRAS...- CONVITE




TRAFARIA OU O MITO
DA ESPERANÇA MORTA
*
a vila pasma moribunda
de silêncio frente a Lisboa adormecida
um barco de pesca atraca sem ruído
no cais da lota enquanto o país se afunda
grita a gaivota alerta à vida
na mansidão do Tejo ouço um vagido
é a esperança que minh’alma ronda
*
é tempo de incendiarmos as palavras
inflamá-las de coragem e amor
e atirá-las sobre os vermes que avançam
incólumes sobre a terra que lavras
pela planície humana apavorada uma flor
que ao soprar dos ventos ranjam
as portas que na tua alma de combate abras
*
cheira a pólvora seca
fulminante ou rastilhos de uma revolta
explodem palavras obscenas
na vila onde um vagabundo disseca
a vida que parou à sua volta
caras vermelhas de indignação serenas
pela sordidez do poder à
*é preciso salvar a esperança
vítima de minorias absolutas obscuras
dada à praia ainda em agonia
se for preciso convoquemos uma criança
ou mulheres livres de roupas escuras
para comandar a força da nossa cobardia
a vila treme a ver se Lisboa avança
*
e é todo um clamor a norte a sul
de mães e filhos saídas do silêncio a acordar
fecharam escolas asilos e tavernas
a estrada tomou da luz a cor do céu azul
fábricas escritórios bancos a encerrar
porque a esperança é o que faz andar as pernas
é a alma de viver fora do casul (o)
*
marcham bombeiros e polícias à paisana
chegam à vila dos passos os rumores
das vozes saem cânticos de esperança a renascer
Lisboa a fervilhar de emoção abana
é um país que se agiganta sem medos nem temores
por uma vez a verdade sem mentira vai vencer
num volte face sobre a loucura agreste e desumana
*
quem disse que a esperança morreu
ou que o silêncio a mataria por demência
não viu que havia gente a pensar
nem o ventre da mulher onde ela renasceu
só havia nas crianças essa consciência
quando sorriam sobre a tristeza dum povo a definhar
Vitória! em Portugal a Primavera amanheceu!
*
autor: joão raimundo gonçalves
(poema inserido no livro: A insurreição das PALAVRAS"

25/04/2013

DI-TA-DU-RA



**
DI-TA-DU-RA

**

uma ditadura
é o quê?
obscurantismo violência
é uma cercadura
sem como nem porquê
de livre arbítrio em evidência
*
um ditador
é o quê?
um corpo sem alma volante
desprovido de amor
que usa palavras que não lê
sobranceiro à ideia pedante
*
a democracia 
é o quê?
a representativa é um embuste
dispendiosa vazia
tem da liberdade uma ideia cliché
e funciona por ajuste
*
um democrata
é o quê?
representa a oligarquia
que come com talher de prata
pode até ser no limite um Pinochet
feito de pura magia
*
a vida Universal
é o quê?
uma manifestação de amor
partilha solidária
direitos e deveres sem falsa mercê
respeito por tudo em seu redor
*
a democracia pura
o que é?
se for o dever de todos participarem
na construção da vida com ternura
se for cada cidadão bater o pé
quando  a sua dignidade ultrajarem
*
a democracia pura
só pode ser
a organização da vida com valores
feita por todos à altura
da dimensão do homem e conhecer
o limite dos horrores
*
um político
o que é?
um manipulador de sentimentos
um criminoso atípico
que onera por demência o pobre Zé
e lhe atribui fins obsoletos
*
um matriarcado
o que é?
um sistema como outro filosófico
por via uterina ligado
que não trata pessoas a ponta-pé
não é grotesco nem anedótico
*
as pessoas gente
o que são?
são uma parte do Universo vivo
que organizada vive contente
sem cobiça prepotente ou tentação
de tornar o outro cativo

jrg

20/04/2013

A SALVAÇÃO DUM PAÍS



***
A SALVAÇÃO DUM PAÍS
**
o meu país definha
em cada dia do tempo que passa
e ninguém parece ver
um país cercado d'erva daninha
voraz erva tão devassa
que não deixa meu país crescer
*
o meu país não acorda
do sobressalto nem do pesadelo
levado pelo vento à deriva
miga pão e bebe vinho faz açorda
abarca a mentira com desvelo
marca passo à espera da maré viva
*
o meu país está num beco
cuja saída se encontra obstruída
é uma ilha que o mar afunda
sem alma nem esperança um poço seco
à espera da ajuda desvalida
dos poderes insanos onde o ódio abunda
*
o meu país precisa
do ar purificador dum tempo de paz
perene de valores humanos
duma ideia que se torne na mente concisa
ou no coração tanto me faz
desde que livre do arbítrio dos tiranos
*
no meu país de gente boa
é preciso que a palavra esperança
reconstitua orgulho e alegria
de Caminha a Faro passando por Lisboa
encher a alma de confiança
varrendo o lixo do poder em confraria
*
no meu país há quem cante
que almas mortas ou somente moribundas
resvalam da coragem com desânimo
não ganhamos esta guerra senão avante
de peito aberto às barafundas
que ultrajam um povo nobre e magnânimo
*
no meu país há uma rota
ouço tambores que rufam rumo à vitória
assim acreditem os do povo maduro
armados do saber que é hoje a nova frota
a tirania é estúpida sem memória
cerremos fileiras em torno do pensamento puro

autor: jrg

29/03/2013

SÓCRATES !



SÓCRATES
***
a palavra Sócrates
coloca tanta muita gente furibunda
primeiro o Grego da filosofia
depois foi o Brasileiro e seus fortes remates
agora é o político Tuga que a circunda
depois de condenado perfidamente à revelia
*
se o filósofo Sócrates
em vez de condenado a tomar cicuta
pudesse litigar sua defesa
talvez houvesse menos mais disparates
nem a razão pareceria tão estulta
quando esgrimida sem sofisma à tibieza
*
se o médio Sócrates
em vez de defender ousasse ser só ataque
quem sabe no Brasil o que faria
talvez se confrontado com os dislates
mandasse golear toda a claque
estendendo à verborreia a certeira pontaria
*
o grande erro de Sócrates
o político mais audaz da nossa Lusa história
foi ter ido a combate sem defesa
traído por alguns amigos vaiado pelo orates
vítima da mais cobarde oratória
que o culpou de crimes imputados até à realeza
*
é mentira que o homem
seja na natureza o ser mais que perfeito
sendo tão frágil ao nascer e na morte
cresce a aldrabar o mundo para que o tomem
por deus do universo rarefeito
submetendo o fraco à lei imbecil do mais forte
*
melhor seria se houvesse
de cada acção ou ideia melhor entendimento
que nos estimulasse a alegria
de acharmos na vida o sentido que fizesse
luz na consciência e pensamento
que a palavra Sócrates carrega em energia
*
melhor fora se houvesse
a noção exacta da nossa ínfima pequenez
num mundo giro e maravilhoso
onde cada qual de nós tão se incumbisse
de livrar na vida a sordidez
que mancha o pensamento livre mais ditoso
*
jrg


17/03/2013

ESCRAVIDÃO AO DINHEIRO !


foto pública tirada da net
*
ESCRAVIDÃO AO DINHEIRO
**
Olhem para aquele banqueiro
vagabundo sem pátria
que na vil sordidez se aguenta
cativo esbanja dinheiro
vendido à ganância que diária
suga o sangue pardacenta
*
olhem para aquele ser político
ciência da mistificação
não manda mais que acredita
no poder do vício etílico
que o dinheiro inebria a razão
escravo que escraviza a dita
*
olhem para aquele usurário
ganancioso de lucro
vegetal sem vida aferrolhado
da vida tão perdulário
que soma à cobiça o sepulcro
onde guarda o bem roubado
*
olhem para aquele comentador
tem o dom da oratória
com o qual a razão tenta iludir
rendido a dinheiro sem cor
vende a alma por uma história
dum pais preste a ruir
*
olhem para aquele empreendedor
ávido por ser o primeiro
a escravizar o homem ao produto
não faz nada por amor
vende sonhos que cativa por dinheiro
seu único salvo-conduto
*
olhem bem para aquele militar
garboso no seu uniforme
garante das leis da constituição
escravizado para lutar
defendendo quem lhe paga o pré em nome
duma ideia vaga de nação
*
olhem bem a massa dos indignados
cães raivosos na disputa do osso
distraídos lançam culpas aos do lado
desunidos para melhor roubados
da falsa liberdade que lhes cava o fosso
e os atira ao norte já confiscado
*
olhem para aquelas crianças sorrindo
de África Ásia ou Oceania
das Américas mas também do Europeu
não querem dinheiro nem pão desavindo
um pouco de paz e de poesia
desfrutar da vida que alguém lhes deu
*
olhem p'ra aquela bela mulher
concebeu gerou criou
carinhosa a humana criatura
não quer dinheiro quer ser
do amor alguém que alcançou
viver a vida em ternura
*
olhem bem para quê tanta riqueza
há quem morra de fome
há quem morra a rebentar de fartura
há mais lobos no homem que na natureza
por uma única vez escrevam o nome
de quem vos ama e de quem vos tortura
***
autor: joão raimundo gonçalves (jrg)

07/03/2013

GRÂNDOLA O HINO DOS HUMILDES !



**
ouço a Grândola Vila morena
que venceu a ditadura
vejo o ar de enfado dos bandidos
se a alma é grande tudo vale a pena
falam demais mentira pura
acabou o jogo não seremos vencidos
*
a protectora dos animais
ofendeu-se com o coelho enforcado
num protesto de estudantes
é bárbaro ofende a honra dos samurais
um coelho mata-se a punhado
e come-se às escondidas dos tratantes
*
Ouço a "Grândola" ecoar pelo país
a revolta revigora a alastrar
qualquer criança canta à despedida
do bando que insiste ser raiz
estando a soldo dos interesses doutro mar
e recusando a ordem de saída
*
o presidente mouco acordou
do sono longo letárgico profundo
veio falar da maré viva
ouviu o clamor do povo e julgou
que era já o fim do mundo
num mar de gente cansada à deriva
*
ouço Grândola a matinal canção
Primavera amanhecida
aos ventos erguida por povo valente
para expulsar o ladrão
mais a dívida forjada e a já vencida
que querem cobrar novamente
*
os criminosos resistem
à ordem feminina de imediata demissão
inglória vontade a dos arguidos
o crime não compensará por mais que gritem
que foram eleitos pela nação
já se ouvem os rumores de novos sentidos
*
ouço Grândola o hino dos humildes
de vilas morenas cidades
rufam tambores cresce o alarido da revolta
mulheres que suspendem as lides
crianças famintas homens sem idades
anda uma revolução à solta

autor: jrg

04/03/2013

VIVA A MULHER PORTUGUESA!


VIVA A MULHER PORTUGUESA!
**

viva a Maria da Fonte
com seus olhos cintilantes
a alma de fora a arfar
arrasta a multidão a monte
para varrer os tratantes
que ao povo querem matar
*

viva Deu-La-Deu Martins
com sua sabedoria
cercado o povo e já faminto
atirou pão aos mastins
vencendo tão feroz a tirania
que nos apertava o cinto
*

viva a Brites de Almeida
padeira em Aljubarrota
não se rendia o tirano
foi à toca matou sete dessa feita
tendo evitado a derrota
mais parecendo um ser insano
*

Viva a Florbela Espanca
com seu amor infinito
afrontou o másculo conceito
que uma mulher não se espanta
se o pensamento vence o mito
e faz dela o ser perfeito

*

viva Catarina Eufémia
sem medo da força bruta
manchou de sangue a campina
com coragem foi-se à tirania
mais vale uma morte abrupta
que ser por vâ feminina
*

viva a Luisa Trindade
frente ao batalhão do poder
sem medo a pedir pão
nem trabalho nem liberdade
só palavras de roer
exigindo dos traidores a rendição
*

viva Ana Maria Pinto
em toda a parte e frente ao parlamento
a voz que acorda o povo
onde houver uma mulher o que eu sinto
é um país a renascer no pensamento
na hora de acender o fogo

*
viva a mulher Portuguesa
porque é dela o movimento
que traz a revolução
na força da sua grandeza
produz novo o pensamento
com seus filhos pela mão

autor: jrg

03/03/2013

A REVOLUÇÃO ADIADA


*
A REVOLUÇÃO ADIADA
**
no palco havia
uma frente de mulheres aguerridas
ante uma multidão
de gente sofrida que grita abaixo a tirania
fora com os ladrões
era Lisboa no terreiro do povo
rendida ao canto
das palavras vestidas de indignação
vibrantes as vozes
dessas mulheres que da frente liam
proclamando um manifesto
do que não queremos para as nossas vidas
emocionam-se os poetas
as gentes e as crianças manifestam-se
está tudo ali quase um milhão
a ver se sai a palavra do povo que mais ordena
a ordem de ali mesmo acampar
até que os bandidos larguem o osso
mas o que sai são pedidos pungentes de fora troika
nada de violência
havemos de os cansar bramando até à insolvência
enquanto o país se arruína
porque a alma do povo ainda anda à deriva
eram tantas as mulheres
que naquele palco ante a multidão havia
mas nenhuma era Maria da Fonte
e se fossem! que desígnios de governo nos traziam?
quase um milhão de gente
inundou o Terreiro do Povo em Lisboa
e a revolução parou à hora da saída
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autor: jrg

02/03/2013

NÃO ME CORTAM MAIS NADA!



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NÃO ME CORTAM MAIS NADA
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se me cortam as guias
ao pensamento
se me levam o tempo expedito
o que me resta são dias
famintos de ideias em movimento
em que eu acredito
*
se me cortam a esperança
de sonhar
se me levam presa a liberdade
o que me resta de criança
fica imerso do outro lado do mar
a asfixiar-me d'ansiedade
*
se me cortam a alma corrente
ao corpo ancião
se me levam cedo o amanhecer
o que me resta não mente
são horas desertas em depressão
o inverso e reverso do ser
*
se me cortam a dignidade
de viver em paz
se me levam humilhada a memória
o que me resta de humildade
é embrulhar-me de tristeza tanto faz
ser ou não ser parte da história
*
se me cortam a alegria
de aprender
se me levam a vontade indómita
o que me resta é poesia
armar-me de palavras para vencer
o que ninguém mais acredita
*
se me cortam a consciência
resvalo no abismo
se me levam a razão da dignitude
o que me resta é a decência
embrulho e atiro tudo ao fatalismo
sou pessoa alguém me ajude
*
se me cortam rente as pernas
para não mais andar
se me levam do corpo o movimento
o que me resta é apenas
abrir brechas no poder e respirar
pelo fim do meu tormento

autor:jrg

28/02/2013

POR UM NOVO HUMANISMO...A MÁTRIA!



foto pública tirada da net
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Um grupo de cidadãs e cidadãos, perante a destruição do sistema de organização política  em vigor nas sociedades de Civilização Ocidental, reuniram-se em assembleia e elaboraram um documento de princípios, com o fim de acautelarem as suas vidas que estão a ser destruídas dia após dias por um governo composto de mentes criminosas...
A comunidade em construção, a que chamamos Matriarcado, poderia situar-se numa vila, numa cidade ou num país, mas teria como base da sua estrutura gente de corpo e alma humanizada...pessoas mesmo, conscientes e de consciência...
...
PREÂMBULO
Libertar o povo da ditadura financeira, da opressão dos conceitos expressos como valores absolutos, da hegemonia do paradigma masculino, face à falência do sistema político actual, representa uma transformação revolucionária e o início de uma viragem histórica, civilizacional, da sociedade humana.

O poder e a organização política que o sustenta, está posto em causa pela sua própria evidência destrutiva...não tem credibilidade e é palco de trágicas comédias diárias que o paralisam e tornam patética cada tentativa de se valorizar.

O movimento Matriarcal, tem o objectivo de restituir aos cidadãos os direitos e liberdades fundamentais, consignados no ADN da espécie humana. No exercício destes direitos e liberdades, cidadãs e cidadãos livres do povo, propõem-se elaborar uma Constituição que corresponda às aspirações comuns à alma humana, sem subserviências de qualquer espécie, nem prepotências de género, de âmbito político partidário, de condição social ou de religião, procurando devolver às pessoas, a confiança, a alma e a esperança confiscadas.

O movimento Matriarcal afirma a ideia de o povo se organizar de forma autónoma, não-alinhada, neutral, no respeito pela sua cultura , como parte integrante da alma humana Universal, com o propósito de garantir os direitos fundamentais dos cidadãos, de estabelecer os princípios basilares duma democracia participativa, de assegurar o primado de comunidade de Direito Matriarcal e de abrir caminho para uma sociedade humanista, humanizante e humanitária, no respeito da vontade do povo, tendo em vista a construção de um lugar mais livre, mais justo e mais fraterno, onde amar seja o verbo e não o complemento arbitrário das conveniências individuais ou de grupo.
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Hoje já não há nacionalismos...nem pátrias...o exercício da governação é um acto de pirataria sobre os povos ainda ingénuos, consubstanciada numa associação criminosa que se chama Estado! Nos países em vias de desenvolvimento, como Portugal, instalou-se um feudo, denominado neo-liberal...eu diria, repito, uma associação criminosa, ao serviço de interesses obscuros...ao serviço dum absolutismo financeiro...ao serviço duma ideia de cisão evolucionista em que o Humanismo cede lugar ao Despotismo "Democrático"...exercendo o seu consulado discricionáriamente, sem respeito pelos mais elementares direitos humanos e de cidadania e em harmoniosa aliança com os demais poderes hierárquicos...(Presidência, Assembleia da República e Tribunal Constitucional)...a cisão era inevitável…declaramos que somos capazes de governar as nossas vidas.

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É preciso criar um mote de união ( A HUMANIDADE, O PLANETA, O AMOR)...um dique de esperança que evite a desagregação da dignidade humana nesta comunidade de pessoas onde vivemos...e expandi-lo pelo mundo dos outros, também eles às portas da agonia dos valores essenciais à boa convivência humana...dar as mãos...trocar as palavras...juntar as emoções...redimensionar o pensamento...auscultando a memória do inconsciente...por um novo Humanismo, a que não é alheio o florescer duma nova dimensão Planetária: o Feminino...a ideia de MÁTRIA, ou matriarcado, está em cima da mesa...e ao alcance de qualquer povo, ou comunidade que decida sufragá-lo livremente...
O novo Humanismo tem uma visão feminina da vida...porque não faz mais sentido esta barbárie em que vivemos...é neste pressuposto que vos apresentamos à discussão, o enunciado que se segue, linhas gerais de princípio, com vista à organização social, cultural, económica e política da nossa comunidade...


autor: jrg
nota: texto extraído dum romance em construção...jrg