30/09/2010

DEMÊNCIAS...


 imagem da net

***
quando o homem se revê
do lado da anormalidade
sem respostas ao porquê
da normal insanidade

é louco passou-se maluco
tem total impunidade
sorrateiro só toma o suco
passeia-se pela cidade

ninguém sabe o que pensa
se na dimensão da mudança
o louco tirou avença
para ser sempre criança

ser na loucura mutante
todo o mal que subsiste
não é do louco aviltante
mas do normal que existe

o poeta quase doido e pensativo
olha com estranha doçura
o gesto o tique depressivo
da insane e tão doce criatura

pensa nos loucos do mundo
condenados ao degredo
vivos em coma profundo
apenas porque temos medo

desta selecção anormal
ser louco não é certeza
é até bem natural
seja louca a natureza

autor:jrg

26/09/2010

DISTÚRBIO BIPOLAR



 imagem tirada da net

***
habituado a amar
nos olhos a ternura
nos lábios a sensualidade
a tua alma beijar
saciar minha secura
antes que sejas saudade

habituado a sentir
dentro de ti euforia
desatino tua graça menina
que não sabe mentir
de súbito sem alegria
cais na noite repentina

habituado a viver
dentro da ansiedade
batida por estranho vento
ris por me veres sofrer
nua em plena cidade
se cobrir-te tento

habituado a pensar
toda intemporalidade
que sendo o contraditório
um sinal de bipolar
não entendo a paridade
que há no sinal contrário

habituado à harmonia
de querendo nos sermos
que segredo eco depressivo
esconde na apatia
a beleza de podermos
ânsias d'amor compulsivo

há a febre nos teus olhos
o negro das olheiras
nem luz ou doce esperança
um vidro entre folhos
rasga veias vida cimeiras
sangue brota bonança

depois ris e logo choras
agarrada ao meu peito
querias mas não morreste
pedes te leve onde moras
a pé ou de outro jeito
liberta do que me deste



autor:jrg

24/09/2010

OLHAR OS GATOS

 
imagem da net
*
movem-se ágeis graciosos
na arena do quintal
felinos silenciosos
com seus olhos de cristal
*
correm sobem paredes
rodopiam os corpos esguios
saltam amarinham redes
desenrolam da vida os fios
*
treinam eximias caçadas
artes de defesa e conquista
quebram silêncios miadas
escondem-se longe da vista
*
deixam marcas odoríferas
enviam sons lancinantes
no cio tornam-se feras
arranham e mordem amantes
*
são auto suficientes
lavam germes saram feridas
caçam pulgas com os dentes
na morte são sete vidas
*
dóceis ronronam festivos
às mãos que afagam e alisam
tornam-se porém agressivos
quando as festas os amansam
*
se o homem olhasse os gatos
se os tentasse interpretar
se amasse em vez de os dizimar
atingiria outro status

autor.JRG


23/09/2010

ESCLEROSE MÚLTIPLA


foto tirada da net
 **

endurecem os músculos
invadem neurónios
apagam de todo a alegria
genes minúsculos
agressivos da paz erróneos
causam também ataxia
*
placas emergentes da dor
que vencem o senso
do sábio sistema imunitário
como as raízes da flor
apodrecidas geram imenso
odor feroz imaginário
*
penso a ciência tão oculta
a pesquisa indómita
a dor dos que desesperam
o avanço que avulta
a alegria de quem acredita
a vida que aspiram
*
escrever palavras sem dor
se a poesia tivesse
o alcance de a todos chegar
num gesto de amor
a romper conceitos ousasse
a alma doente penetrar
*
gritar o nosso inconformismo
ante as crises que condicionam a pesquisa
que induzem a manipulações
gritar fundo a um novo e justo humanismo
onde o homem sem pressões
siga o rumo da sabedoria que a natureza visa
**
autor: JRG


22/09/2010

LEUCEMIAS

imagem net...Leucemias agudas 

 **

surgem súbitas de repente
de origem genética
ou por celulares mutações
sanguessugas da mente
alteram a beleza estética
criam malformações
*
células loucas vis imaturas
vorazes mitos impúdicas
memória ultrajante milenar
atacam vitais estruturas
resistem a todas as técnicas
vírus infames a multiplicar
*
vencidos nas tentativas da cura
lentos sem alma pasmados
na esperança da quimioterapia
anseiam por amor ternura
ilusão de transplantes achados
corpos infantes de poesia
*
os olhos espelham a alma ferida
falas mansas assustadas
lançam apelos gritam ao mundo
pedem medula sentida
adultos crianças muito amadas
*
apetece juntar a eles nosso grito
entrar em cada coração
como uma mãe ser dador de vida
com um sorriso sem atrito
ser parte inteira a estender a mão
aonde houver alma sofrida

***
autor: JRG



21/09/2010

FIBROMIÁLGICAS....

foto da net
*
estranha expressão a dor
no rosto tão magro
nos olhos vivos carentes
incompreensão temor
ver na esperança um logro
alma corpo dependentes
*
dizem sábios na sabedoria
não morres da doença
podes bem morrer da cura
drogas tomadas ao dia
nada mais que a dor vença
nem um pouco de ternura
*
na viajem ao seu interior
descobrem mal amadas
almas frágeis corroídas
sem vontade ávidas de amor
em cada crise cansadas
no leito frio caem moídas
*
desespero versus depressão
tombam da vida vencidas
tanta a indiferença pública

alto ai tomem minha mão
a todas almas de dor caídas
gritem alto a voz única
*
se nem os médicos almejam
mais que a continuidade
que falta para as legitimar
e as Fibromiálgicas vejam
reconhecida na lei paridade
de voltar a sorrir e amar
*
não há poesia se existe dor
nem se a solidão apaga
o sentimento maior de fruir

mas há perfume de flor
o olhar firme que nos afaga
e faz voltar a sorrir
*
autor: JRG



17/09/2010

CÃES VADIOS

foto: flashcao.com  com br

***
olhos doces meigos tão carentes
pelos crispados de sujidade
lambem as mãos sedentos famintos
ganem por entre os dentes
quando sentem renascer a amizade
abandonados antes distintos

cães das mais diversas linhagens
objectos de um vão capricho
ou de crianças vencidas mimadas
sofrem de destinos selvagens
na rua a sós ao frio ou em nicho
corpos de úlceras chagadas

comem sôfregos restos de comida
curados por gente sem diploma
cães vadios na rua disputam amigos
já ladram à gente mais temida
a quem os acarinha e tirou de coma
protegem em seus novos abrigos

olhos doces meigos fixos ternura
seguem o rasto da precariedade
perseguem em grupo cadelas no cio
fiéis ao instinto que os apura
são amigos leais ostentam vaidade
de ser como nós vitimas a frio

olho para eles ao sol estiraçados
de barriga cheia ou inda vazia
e penso há milénios o homem igual
vitima de outros mais avançados
sem a linguagem que nos distancia 
quem nos marcou esta meta final?

autor: JRG


13/09/2010

A VIOLÊNCIA...



 
 
 tela de Nuti

***
portadores da mesma enfermidade
que oprime o coração a consciência
somos desde a remota antiguidade
infectados pelo vírus da violência

é natural dizem para se sobreviver
bater na mulher filho ou vizinho
desde que frágeis ante o grã poder
e dele dependam para pão e vinho

há quem controle pela educação
recalcam a ira que sobe em espiral
abanam braços batem pés no chão
usam palavras armadas de tom fatal

escreveram-se tratados humanizantes
disciplinas a lógica a retórica
inventaram amor para todos amantes
mas não baniram doença histórica

nasceu e morreu matado o redentor
deuses subiram e desceram no passado
o homem vitima do seu próprio amor
segue a evolução sem rumo tresloucado

na procura insistente que dê resposta
nascem crianças viris indomáveis
sob os estigmas da desordem são aposta
das novas rotas de homens notáveis

na tragédia de viver sem esperança
eis que surge enfim a luz no horizonte
a entidade cósmica que gerou avança
e finda a violência que nos pôs a monte


autor:JRG

12/09/2010

APETECE



tela de Nuti
***
o que apetece
é gritar...
a nossa imperfeição
a soberba
a ganância sem freio
a estulticia
a mentira servil
o segredo
o silêncio forjado

o que apetece
é sorrir
quando nos atropelam
quando nos humilham
quando nos descartam
quando nos prendem
quando nos julgam
se nos omitem
se nos afrontam

o que apetece
é amar
as irregularidades do corpo
as plantas
as flores
as almas amigas
as montanhas
os rios os mares
os animais todos

o que apetece
é viver
simples como a formiga
simples como o vagabundo
simples como o sol
simples como o vento
simples como o fogo
ou a água que escorre
ou a terra que gira

o que apetece
é dizer
não à sórdida riqueza
não à luxúria
não à inveja à gula
não à cobiça
não à fome de saber
não aos preconceitos
não a todos os poderes

o que apetece
é cantar
sempre no silêncio
sempre no medo
sempre no nó da angústia
sempre no degredo
sempre no desespero
sempre que a alma fuja
sempre que o corpo enlouqueça

o que apetece
é olhar
com sentido de entender
com conhecimento
com humildade de aprender
com o gosto de interpretar
com o prazer do belo
sem filtros perversos
sem condenar

autor: JRG

05/09/2010

PENSAMENTOS ADIADOS...

assim como os responsáveis pelos massacres da segunda grande guerra e outros genocidios, não foram até hoje julgados, nem condenados...assim no grande julgamento do chamado caso Casa Pia...os predadores são condenados a penas irrisórias de que recorrerão...em breve estarão livres do peso da censura...as forças ocultas ...que permitem estas situações...essas não serão julgadas...nem condenadas...fomentam novas violações da personalidade...e minam a seriedade dos que investigam...

 *****

 

O primeiro round do chamado caso da Casa Pia, teve o seu desfecho com a leitura da sentença...

agora seguem-se os recursos...até à absolvição final...o crime contra a personalidade de uma criança nunca será reparado...os predadores ficam referenciados e dificilmente serão esquecidos pela sociedade...

A pedofilia...o facto em si é um crime hediondo...demonstra à evidência que pouco evoluímos como espécie...o julgamento, como todos os julgamentos complexos, é "Kafkiano", são todos inocentes...reclamam os predadores...vitimas de uma monstruosidade jurídica...vitimas de não saberem de que são acusados...e os outros?...os que, na sombra, manobram... os mandadores sem lei...? esses continuarão na senda do crime...impunes...pagam o silêncio...ameaçam de morte...pertencem aos grupos secretos que dominam todos os poderes...menos o da alma de cada um de nós...
é preciso reescrever um novo humanismo que nos coloque a par com as outras espécies que florescem no Planeta...

22/08/2010

PENSAR É UM EXERCÍCIO DA ALMA

teimamos em não considerar as anomalias da espécie como uma evidência da nossa barbárie...não há cultura que apague as atrofias da mente...ninguém sabe o que aconteceria se os castrássemos...aos pedófilos...se os amputássemos...aos criminosos...ou se os tivéssemos amado, desde a infância...

*** 
não me sai da ideia que fomos atirados, então ainda sementes animais, germes carregados de memórias, para este Planeta deserto, de clima ameno que fomos tornando inóspito...é tempo de se revelarem...de que Galáxia ou mundo distante...agora que sabemos quase tudo...que é ainda tão nada...

***
não há como o sonho...nós próprios somos um sonho...sempre que acordamos, achamos a realidade diferente...o segredo está em saber que somos seres mutantes...e alimentar-nos de sonhos...com pitadas de mundos diferentes...saber que a mudança é crescer...que o sonho pode alterar a diferença...que o ser é sendo...e no fim ...dá sempre uma incógnita...

*** 
do mesmo modo que somos a memória desde as origens...sabemos que nenhum de nós vive sem o outro...não podemos dispensar o outro...é tempo de o olharmos como o nosso mais intimo...com amor...com confiança...incentivando-o a ser melhor humano...a, em conjunto, cuidarmos melhor do Planeta...

*** 
não há esconderijos perfeitos...a melhor ocultação é ainda a evidência...

***
 há sempre algo de fora, um sinal, uma evidência que não conseguimos ocultar, um odor na essências da palavra, quando nos escondemos no silêncio pavoroso do não ser...melhor é gritar... ouvir-mo-nos onde nos dói...

*** 
ciclicamente o mundo humano, por influência das energias cósmicas sobre a natureza envolvente, atravessa períodos semelhantes, catalogados anteriormente como idades...das trevas...da pedra...do ferro..de oiro..das luzes...cada vez mais sobre memórias recentes...a actual idade poderia ser semelhante a um misto de idade ...média...o despotismo mascarado de democracia...e a das trevas...sem valores nem Norte...

autor dos pensamentos:J.R.G.

15/08/2010

PORQUE ME PERDURA O TEU SILÊNCIO

há quanto tempo, meu amor?
murcharam flores antes viçosas
secaram plantas ervas daninhas
as águas dos rios pararam
as aves que pousavam na janela
fizeram ninhos nas ramadas
em frente onde te sonho acordada

o tempo passa ao de leve
pelo corpo há tanto adormecido
amar-te é tão ou quase a dimensão
do infinito em que adeja o pensamento
a alma o amor a angústia
onde nos somos prisioneiros
fiéis ao preconceito do ser nosso

se fossemos nada de ninguém
e nos caminhássemos suspensos
permissivos às mudanças que na mente
ateiam chamas derretem medos
espantam o alarido do silêncio
e nos percorrem todos os sentidos
em busca dos segredos que não há

aquela andorinha tão negra
demora o ninho que traz no ventre
verte sinais ou marcas dum outro vento
emite sons subtis no voo rasante
vagabunda do ar entre estações
sempre que pousa és tu meu olhar
mulher suprema de mim amante

visito os locais por onde passas os dedos
taças de cristal sorrisos oblíquos
de onde te roubo em beijos as cerejas
que teimas em prender entre os lábios doces
preso eu de em ti desde a magia de sentir
amor onde tu de em mim florescemos
erva daninha eu talvez na tua sombra

autor: JRG

NINGUÉM AMA DEMAIS...

dói-me que alguém diga


que amamos demais


a quem como onde porquê


assim de chofre como quem mata


e nos deixa esta agonia


por herança


de termos sido apenas nós






penso que não há amor demais


quando alguém se sente


em paz por ser de tanto amor amada


penso que o corpo cansa se cansa


quando a alma é esquecida


quando dentro do corpo


o sentimento de amar se esfria na mudança






dói-me que alguém parta de nós


por amarmos demais


e nos diga como estilhaços


a deixar-nos o nó da angústia


cravado na garganta antes tão dócil


dói-me o teu grito


de amor tanto porque te sinto






então digo-te que te olhes


que vejas a tua grande dimensão


tu mulher tão inteira


origem do amor e de toda a criatura


digo-te que não penses mais as palavras amargas


deixa que se solte a tua força


tão bela tu tão imensa


porque não sabes

ninguém sabe antes de acontecer

a força que o ser em si alçança

quando se ergue na imponência do amor

como uma flor que ousa e medra

entre as plantas daninhas que a acossam

ser a mais bela do jardim

autor: JRG

09/08/2010

BEIJO-TE OS OLHOS...PORTAS DA ALMA

beijo-te
talvez nos olhos doces
portas da alma
amar como tu entendes
como eu entendo
é simplesmente amar
na nossa complexidade


amar na doçura do luar
na brisa suave  e mansa
que entra pela janela
do teu olhar amor
entre montanhas
ou na orla costeira do mar
entre janelas


mas como não haver 
tantas as janelas tuas minhas
entre flores e lágrimas
sedentas as fadas
graciosas e belas crianças
embrulhadas em teias
sem esperança


tiveste um sonho
e eu sonhei-te dentro 
transpunha montanhas voando
declives cascatas águas cristalinas
adejando sobre mares
perdi-te ali logo quando me achaste
porque era outro o teu olhar


beijo-te nos olhos lindos
talvez portas da alma
onde amar é um sentimento puro
um absoluto de ser amante
sem dúvidas nem desvios
ainda que de outras janelas
outros olhos nos fixem famintos


autor: JRG

04/08/2010

TENHO AMIGAS MAIS DE MIL...










foto tirada da net


***

tenho amigas mais de mil



flores mimosas multicoloridas


umas são rosas outras jasmim


dálias magnólias flores de lis


chamo por elas lótus camélias


pétalas de seda toque subtil






os meu olhos nelas radiantes


dói-me de vê-las às vezes tristes


dores e sentires desorvalhadas


sorvo os perfumes entre as abelhas


que Mel tão doce delas retiram


régo-as de amor para que sorriam






tenho amigas mais de mil


flores viçosas belas almas gentis


hortênsias glicínias açucenas


cravos margaridas orquídias


também papoilas vermelhas campestres


xorões das areias do mar






tanta beleza não canso de olhar


se alguma murcha acorro depressa


levo um sorriso palavras amenas


desfaço lianas e ervas daninhas


se me picam urtigas nem dou por doer


elas amigas me curam de amor






tenho amigas mais de mil


mulheres virtuosas na sua infinitude


sei-as de cor as que me sentem


em cuja mão sinto a firmeza


e se um olhar triste nos anoitece


logo um sol maior nos ilumina






tulipas violetas amores perfeitos


inebriantes odores que adejam no ar


sou brisa sou fruto de amores proibidos


que em tal flora me descanso


e ganho energias para navegar


novas rotas novos rumos meu olhar...






tenho amigas mais de mil


mulheres do campo da urbe e do mar


trazem na alma cheiros da maresia


no corpo urzes alecrim e rosmaninho


nos lábios madressilvas lirios do campo


sonham alfazemas doces encantos






malmequeres brancos amarelos


doce magia fascínio dos enamorados


pétala a pétala vou descerrando o mistério


quantos amores assim foram brotando


queres-me bem ou mal me queres


entre sorrisos e olhares envergonhados




autor: JRG