10/05/2010

QUIETUDE


não havia lua do lado de cá das nuvens nem estrelas
o céu carregado denso a noite escura
dentro do silêncio olhares dissemos palavras belas
trocamos emoções plenas de ternura

teus olhos lindos rasgados vaga-lumes saltitantes
nos teus lábios os aromas excitados
os genes no fogo do teu corpo chamas amantes
os meus dentro de mim inebriados

no mar as ondas marulhavam mansa quietude
cheirava doce maresia na maré vaza
entre suspiros e toques embevecidos na virtude
cheguei meu corpo ao teu em brasa

trocamos mimos de ternura nos lábios e olhares
teu coração no meu desconcertantes
abraços efusivos tremores de ânsias subliminares
amor de luz de efeitos sublimantes

não há antes nem porvir apenas um momento
dos corpos nas almas embutidos
viventes da plenitude dum acontecimento
que apenas provoca doces gemidos

autor: JRG

02/05/2010

I R E N E

I R E N E

Quando nasci gritei
Quero ser mãe…disseste
lembro o teu corpo
de menina feliz tão airosa
a alma a alegria
o sorriso que era de todos o encanto
o sonho de ser mãe a tempo inteiro
a ânsia de justiça
a voz doce e quente
enquanto subias íngreme a falésia
por entre silvas as amoras
que nos manchavam as mãos
os lábios de ternura
as gargalhadas de menina
grande e bela
os teus olhos luzentes
a esperança de sentir crescer
no teu ventre o fruto absoluto
chegados ao cimo
os tons matizados de vermelho
o sol a afundar-se no horizonte
dentro do mar…
porque foi que morreste
e me deixaste órfão
de amor…

autor:JRG

28/04/2010

Á F R I C A

sigo a picada terra amarela
ladeada de vegetação luxuriante
ouço o trinar das aves nas cores da tela
que o pintor retoca em toques de amante


de verso em verso África no poema
ouço o batuque em volta do pilão
meninas cantam dançam no frenesim do tema
batendo ambas a palma de cada mão


inclinam os corpos olhos ao céu
a sintonia do coro das vozes sem maestro
África bela porque foi que tudo aconteceu
todo um povo ser vitima de sequestro...


sinto ainda os odores da floresta
e ouço os gritos alarmistas dos macacos
vejo as crianças de ventre inchado são o que resta
delapidados os recursos em honra dos patacos


seguindo o trilho de gente vitima da tragédia
a fome a sede a sida a malária a violência
a circuncisão barbárie digna da idade média
onde a civilização enforma e realça a evidência 


de súbito terra alagada uma clareira de bonança
o brilho fulgurante nos olhos de meninos e meninas
entre o capim um cheiro intenso a esperança
ouvem-se rumores no som de batucadas sibilinas 

autor:JRG

21/04/2010

DISSERAM-ME...



foto net


***


disseram-me que era filho de Deus
como todos os Homens a Natureza os Animais
que Ele fizera o Céu a Terra os Mares
antes fora filho de Marte Júpiter Neptuno Zeus
nascido de mitos ou de acasos virtuais
e não esta fragrância entre rochedos ímpares 

disseram-me que era filho da nação
obediente a Deus ao amo aos pais e ao imperador
que na minha essência estava protegido
antes fora filho dum improviso absurdo da razão
criança adulta sem perder da vida o amor
e não este ser adúltero da lei e do viver fingido

disseram-me que era filho do homem pai e mãe
herdeiro dos bons costumes e virtudes
que procriasse trilhando caminhos já iluminados
antes fora filho dum mito ou de ninguém
sobrevivente no meio do caos das leis e das ilicitudes
de onde avultam os sábios mais cotados

disseram-me mentiras doutas e eu acreditei
até que o cérebro confuso explodiu de clarividência
peguei na memória do homem e no pensamento
antes fora tão só filho duma mulher comum sem lei
que é da criação humana a única evidência
e não esta metáfora que me obriga fiel a  juramento

disseram-me então de dentro da milenar memória
que somos seres erráticos meras cobaias
lançados em célula neste espaço por poeiras siderais
a ver se dava vida  ou se vencia a escória
e deu esta mistura de gente que exulta em fúteis vaias
de ter o que não é e ser o que não tem mais

autor: JRG

05/04/2010

APOTEOSE DO SER


imagem Wikipedia




APOTEOSE DO SER





hoje

não quero falar de sexo nem de orgias

que fazem o deleite de corpos sem beleza

nem do tráfico de mulheres crianças de sexo homonímias

para decalque do prazer em vil tristeza

nem de armas estratégicas de defesa que atacam minorias

para gáudio dos que têm o poder e a riqueza


hoje


não quero falar do amor que não perdoa

nem de amigos sempre ausentes quando preciso

nem de fome que escondida medre e doa

aos que por erro ou rebeldia perderam o juízo

nem de Paris Bona Londres Roma Lisboa

porque estou num tempo sem ganho ou prejuízo


hoje


não quero falar de ciência arte tecnologia

que colocam os povos num absurdo de redoma surpresa

nem das origens do homem e da sua bonomia

que o torna predador o mais temido em toda a natureza

nem do surtir da linguagem e da sua mais valia

que demarcou as nações em conceitos de subtil pureza


não


hoje quero cantar a alegria do homem e do poeta

saído do embuste da torpe subserviência

quero cantar que fiz dentro de mim de ti a descoberta

não há amor ou ódio no homem em sua essência

quero cantar nesta euforia de ser nada e ser alerta

que vivemos desterrados para expiar a consciência


não


hoje quero cantar que estamos no limite do castigo

há uma galáxia que rege a vida cósmica

tudo o que somos não é teu ou meu é muito mais antigo

apenas regurgita da memória atómica

quero cantar a alegria de amar e de sonhar contigo

entre flores e mar uma cantiga melódica





autor: JRG

31/03/2010

O BELO NA ILHA DA MADEIRA



foto tirda da net


o Funchal que um dia conheci
era uma pérola falsa sem gema dentro da concha
essa verdadeira e bela como então a vi
feita de basalto negro agreste  rasgando a rocha

o belo verdadeiramente belo extasiante
era seguir as estreitas veredas pelas escarpas
o casario disperso pelas encostas avante
subir aos picos entre brumas e gente de vistas largas

olhar o mar fustigando as desertas
encapelado rebelde ou manso sempre bravio
 pensar em mentes sãs ao belo abertas
e não acorrentadas no porão sem rumo do navio

seguir inebriado o aroma das plantas e flores
pela floresta lauríssilva deslumbrante
ouvir o canto nobre das aves em seus amores
a cristalina água das cascatas rumorejante 

é como ver a ilha sem escravos nem senhores
entrar na essência da pedra sua beleza
nautas loucos poetas da alma descobridores
a quem o mundo deve tanta grandeza

autor: JRG



27/03/2010

ESTADOS DA ALMA

se eu fosse caule e tu flor...
se corressem dentro de mim os teus anseios...
se eu dentro de ti esbanjasse amor...
se para atingir um fim fossemos os meios...

o direito constitucional à livre circulação de pessoas no território Português, não é reconhecido nem respeitado na entrada e saída de Lisboa pela margem sul do Tejo... para um vagabundo, deslocando-se  a pé, ou de bicicleta, a única alternativa é a ponte de Vila Franca...e ninguém se preocupa com este atentado aos direitos, liberdades e garantias dos cidadãos...

mandaste-me amor belo presente
na tua alma embrulhado de lascívia
o teu corpo inteiro em chama ardente
que no meu se embrenhou em rebeldia

corremos o risco de sermos considerados lá fora tanto como desconsiderados cá dentro...que élites vos legamos, juventude!...as drogas enriqueceram criminosos impunes e destruiram gerações de líderes competentes...

tomei um chá de Lúcia lima
para aquietar meu coração
é uma planta em cuja estima
confio a alma plena de ilusão

sempre que desvendamos um mistério que nos apaixonou, o resultado é uma desilusão...é assim o homem...o segredo da mulher é manter-se misteriosa...

há um corpo de mulher assim despida
no meio do mar sobre a restinga
base efémera enquanto vaza ali detida
baluarte da maré que nela vinga

há pessoas aprisionadas dentro da sua consciência e da consciência dos que influiram na sua formação, para se libertarem precisam de assumir a sua inconsciência...

quando eu sinto que me sentes
e tu sentes que eu te sinto
se sentes que eu sei que não mentes
e eu sinto que sabes que não minto...

na guerra só há uma estação, o Inverno infernal...só na guerra não é crime matar, a morte do outro é considerada legitima defesa, mesmo que o matador seja o agressor...lembrei-me disto a propósito da Primavera...

em cada Primavera a esperança
do renascimento na fecundidade
sentir a alma pura da criança
que teima em ser de nós realidade

nos anos 60 a expectativa era saber se a máquina viria para substituir o homem, ou para lhe proporcionar mais lazer e fruição dos saberes... inegavelmente a máquina proporcionou ao homem a era do conhecimento global, mas, a par do desenvolvimento , vem arredando cada vez mais homens do mercado de trabalho e corremos o risco de nos transformarmos em subsidio dependentes, até à falência inevitável do estado social...

quando pensava nos medos
e de como das amarras me libertei
eis que surgem novos enredos
no homem kafkiano de fora da lei

casar era um conceito que permitia ao homem dispôr de uma mulher submissa, para sexo, comida, cama e roupa lavada... não obstante a evolução operada nos últimos anos, ainda há demasiados homens que pensam assim...

vou embora!...
não estou para te aturar
não vás!...lá fora...
há gente que desespera de esperar

vou embora!...
fartei-me de maus tratos
não vás!...prometo agora...
respeitar os teus direitos

vou embora!...
não acredito em novas boas intenções
não vás!...linda...sedutora
descobri de mim novas versões

autor das reflexões e dos poemas: JRG

A ILHA DA MADEIRA


Sou amante do belo genuíno, seja uma mulher, um homem, ou a natureza...na Ilha da Madeira sou amante do que permanece intacto, a natureza rude e majestática...

A Ilha da Madeira é uma beleza virtual para turista consumir...a verdadeira, pura e real beleza da Ilha corre o risco de ruir, mercê da inércia de uns e da incúria gananciosa de uns tantos...

Há um silêncio estranho nas relações dos governos da Madeira e do Continente...É a hora de correr o Marfim...é fartar vilanagem!...

Com a dimensão geográfica que tem a Ilha da Madeira, não faz sentido esburacar o ambiente com túneis que podem colocar em risco toda a estrutura da Ilha...é bem mais turístico e saudável o percurso sinuoso pelas encostas dos picos...

É tempo de os habitantes da Ilha da Madeira, pararem um momento para pensarem...

autor: JRG

22/03/2010

A SIMBIOSE DAS VIRTUDES

foto tirada da net


 

Navego aqui de aprendiz entre poetas

Canto o belo na mulher em seu jardim a natureza

Sou gente que tem na alma portas abertas

Alguém que sente na poesia a evidência da beleza



Escrevo versos que grassam o erotismo

Troco palavras livres de amor e paixão ardente

Rasgo conceitos na corda bamba do abismo

Exalto o ser cativo o medo de liberdade tão carente



Olho a vida medindo nela a indiferença

Em cada rosto a amargura do segredo a incerteza

Só me alegro ante um sorriso de criança

Ainda livre mas por pouco desta vil e vã tristeza



Penso em ti mulher que muito amei

Onde reuni de outras um mundo puro de virtudes

Na ânsia de me seres perfeita a ti juntei

A liberdade o despudor a ousadia de atitudes



Penso no sexo as fantasias que fazemos

Repletos corpo e alma plenos em todos os sentidos

O cheiro o sabor de quando nos lambemos

O sentir de dentro a força na ternura dos gemidos



Penso na eficácia da tua organização

Na sabedoria com que encaras toda a forma de viver

Na ingenuidade na firmeza ou na ilusão

Com que enfrentas a vida eterna antes de morrer



E digo que por uma vez sem temer eu consegui

Amar em cada mulher a parte de leão

Quando queria uma amiga ou mãe ou uma amante

Sabia que eras tu a mulher quando te vi

Melódica na voz suave e carinhosa no bater do coração

Plena de ti inteira libertina e confiante



Autor: JRG

19/03/2010

DE MANHÃ...

de manhã quando levanto
olho o espelho e vejo um rosto
o sono que nele se vai quebrando
ou no desassossego ainda em mosto

os olhos encolhidos a boca num esgar
a pele ressequida de suor
talvez um pesadelo o meu sonhar
e este gosto amargo na boca sem pudor

de manhã quando levanto
e me lobrigo entre pestanas entaramelado
balbucio o teu nome num quebranto
aspiro o teu cheiro agre adocicado

sinto ainda do teu corpo o quente
e sobe-me o aroma do teu odor
sou eu ou outro este que vejo e te sente
no acordar de cada sonho o teu calor

de manhã quando levanto
abro os olhos para te ver dentro de mim
sorrio ante a beleza do teu encanto
e sinto que és a mais bela flor deste jardim

mexo os lábios e digo bom dia
passo a mão sobre a pele os pelos duros
esboço um sorriso de harmonia
dou um grito a chamar os de mim mais puros

de manhã quando levanto
trago na alma o sabor e o perfume
da mulher de cujo amor sempre me espanto
tão duradouro aceso este meu lume


autor:JRG

15/03/2010

A MAGIA DA BORBOLETA

foto tirada da net



se uma borboleta houvesse



com tanta sabedoria



talvez a mim me dissesse



em segredo uma outra alegoria







homem você deve respeitar



a mulher que amando o contempla



sendo bela na magia de encantar



viva nela vida pura e ampla







em seu brilho resplandecente



no deleite da harmonia



lhe permita ser eternamente



mulher que sonha e sente a poesia







se uma borboleta houvesse



que parasse no homem a soberba



e num segredo intimo dissesse



o que em toda a mulher o perturba











autor: JRG

10/03/2010

MULHER LIVRE

foto tirada da net


Como é possível no mundo haver

Olhos belos tanta tristeza

Apenas por ser uma mulher

E tida por de maior fraqueza



Quando vejo os olhos dela

Que rutilam sorridentes

Senhora de saberes tão bela

Lanço gritos estridentes



É mãe mulher amante

E livre no pensamento e ser

Não há homem por mais tratante

Que não lhe deva viver



Quando vejo os olhos dela

Entre estrelas cintilantes

De natureza tão bela

Seus perfumes fascinantes



Que vileza cobardia nela bater

Violentá-la no eu na mente

Todo o homem que se ri do seu sofrer

É um aborto gorado má semente



Quando vejo os olhos dela

Doces lânguidos meigos de ternura

Mal posso imaginar que sendo bela

Seja vítima de maus tratos de tortura



Que lentidão para reconhecer

Sua dinâmica e força superior

Quanto tempo pode durar para viver

Na era da mulher plena a seu favor



Quando vejo os olhos dela,

Na luz do sorriso, radiantes

Exorto a criadora pura e bela

A aproximar os mundos tão distantes



Que absurdo este legislar

Sobre direitos absolutos naturais

Nada pode impedir uma mulher de dar

Educação e sentido aos homens colossais



Quando vejo os olhos dela

Azuis ou verdes pretos castanhos

Ou de outras cores que a fazem bela

Incito-a a libertar-se de medos estranhos



Que toda a mulher se permita a ousadia

De ser o rosto sonhado da justiça

Não só cantada em versos de dúctil poesia

Mas tida em conta como mais valia ética



Quando vejo os olhos dela

Febris de amor ou sofrimento

Fico suspenso de saber se de tão bela

É agora chegado o seu momento



autor: JRG