Blog de intervenção e reflexão e alguma literatura, numa salada que pretendo harmoniosa e saudável.
07/05/2008
DROGA-A RESSACA
Telefonou a antecipar um período de férias por quinze dias
O dia amanhecera fresco, com o sol de uma cor amarelada a despontar por sobre a falésia, enquanto em frente o mar de infinito, a cor verde adensada, espelhada numa larga extensão até que a linha de horizonte , como um traço fino de lápis afiado, se esbatia abruptamente no alcance da visão .
Dormitara na cadeira em frente da cama onde o corpo dela meio despido se espraiava em movimentos lentos , quase doces , por vezes convulsivos. E acordava, ele, em cada instante, sobressaltado , olhando de imediato o volume pequeno mas visível dos 2 panfletos de droga em cima do pequeno móvel das fotografias.
Será que vou ser capaz ? interrogou-se no silêncio do quarto amplo e meio na sombra dos cortinados corridos que escondiam a luz, prolongando a ideia de noite.
O corpo da mulher jovem e talvez bela um dia , ainda, que já fora . Parecia-lhe mais cheio. Que a carne ressequida voltava a ocupar, muito lentamente, os espaços escavados pela fome de anos. Um corpo de mulher na sua cama de desimpedido, livre de grilhetas legais .
Ele e ela como um só, o pensamento dele a vogar um sentido, enquanto o dela imerso em sonhos de afogada salva no ultimo instante, permanecia inacessível a qualquer apelo da razão
Pensava na essência do amor , O sentido presente da significação da palavra enquanto entidade que lhes proporcionava uma oportunidade de redenção. A cama dele, onde vivera noites fatídicas de orgasmos múltiplos com mulheres carenciadas de afectos, perfumadas de aromas exóticos e que ao acordar pela manhã se mostravam na verdade puras de odores imcompativeis com a sua genética do cheiro.
Não havia perfumes adulterados naquele corpo de mulher e no entanto, o ar do quarto estava purificado pela maresia que entrava na fresta da janela e os inundava num amplexo terno e sedutor.
Levantou a perna, ela, num gesto descuidado descobrindo a púbis luzidia, os pelos emaranhados mas soltos, leves, seco de pruridos ou corrimentos o sexo de crostas ainda agarradas no clitóris engelhado, como sem vida.
Levantou-se aturdido pela imagem dum ontem que procurava esquecer e com um sorriso. ainda tímido nos lábios carnudos, foi preparar o pequeno almoço.
Estava acordada, quando voltou de tabuleiro recheado, e o melhor dos sorrisos, a dizer a palavra bom dia.
Recomposta, esclarecida da nova situação, mastigando cada pedaço, rebuscando na memória escaldante, justificações quase pueris.
Os pais separados. A preocupação com a carreira de cada um. O irmão que era a glória da família. Namoricos desinteressantes de adolescente fugidia. Uma mudança de escola intempestiva.
-Seria melhor avisá-los que está bem?
-Não. Puseram-me fora, acreditaram nas palavras de psicólogos imbecis.Que eu havia de me cansar da rua. Quando o que eu precisava era que me amassem sem reservas. Que atendessem ao eclodir de mim como pessoa. Que se confiassem em mim.
Parou. Os olhos febris e suores pelo rosto. Os olhos castanhos, chocolate, a olhar os panfletos em cima da mesa dos retratos. o corpo a contorcer.se em espasmos incontroláveis.
-O que foi? Ele, com mel na voz, quase ciciando as palavras.
Os olhos dela nos panfletos, a levantar-se, encolhida, agarrada a si própria, os braços magros em volta do corpo, a chegar à mesa, a poisar a mão no objecto de toda a fixação, o sonho, a libertação afrodisiaca. Um gesto brusco e o ar desvairado na procura, de quê, ainda.
Os olhos dele em ela, como que guiando o sentido da vontade.
-Não!. O tratado! Quase um grito alucinado, a fugir do nada que não sendo é quase tudo.
Voltou, deixando os panfletos no local exacto onde estavam. Não já para a cama, mas deixando-se escorregar em tremuras, num canto do quarto, o mais escuro dos quatro, continuamente agarrada a olhar aquele homem que não a quisera ter como tantos outros e a perguntar-se porquê. Que fazia ela ali, a sofrer dores insuportáveis. Se bastava uma simples dose do produto. E outra. E outra até à finitude de toda a matéria que ainda era.
Foram oito dias das férias. Fechados os dois, no quarto amplo de cortinas corridas. O comer encomendado pela Net. a langerie umas roupas bonitas para que se gostasse, os sapatos.
Três dias a implorar, ela , em delirios lancinantes. Por mais de uma vez segurara os panfletos entre as mãos trémulas e por entre soluços os largara.
Ao oitavo dia, ele tinha adormecido, por um momento. Acordou ao bater de palmas repetidas. O primeiro olhar foi para a mesa dos retratos. O coração em estrondos de batuques frenéticos. Desapareceram.
Olhou em volta e na expressão de espanto dos seus olhos, a imagem raiada de luz, em catadupas de luz, como um sol dos principios do mundo, intenso, espalhando sonoridades na luz. como se um coro de meninos entoasse uma canção de amor
O vestido vermelho cingido no corpo renovado de carne. Os olhos com uma expressão tão viva de felicidade. Sobretudo os olhos. Castanhos chocolate.
O vermelho sangue do vestido. O cabelo brilhante caído a raiar os ombros a descoberto pela cava do vestido.
Olhou a mesa. os panfletos que haviam desparecido. E o riso dela, cristalino, aberto, confiante a levantar a moldura de criança em cima da mesa, deixando ver os pacotinhos. o papel branco sujo.
Levantou-se, os olhos toldados e abraçou aquele corpo bem cheiroso de aromas únicos, naturais, as mãos dele nas faces da menina bonita que ela se transformara, macias agora, os braços, os seios a voltarem a uma normalidade estranha ao corpo de antes.
Abraçou o corpo em êxtase.
-Minha menina! Minha menina! Como tu estás linda e vistosa.
Como eu amo o que tu és agora. Um amor diferente de todas as espécies de amor. Um amor da ideia que consubstancias na forma do teu ser absoluto.
Vou amar-te e mimar-te sem limites.
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04/05/2008
AS DROGAS-O FIM DA TRAGÉDIA
Os teus olhos ainda grandes, mal me olham, assustados. A pele do rosto descuidada e manchada pelo cisco das poeiras adejantes . Magra, diria escanzelada, enferma de carinhos e de ambição.
O sistema traiu-te e tu trais o sistema. Pagar na mesma moeda. Dente por dente. Sem olhar atrás nem para a frente nebulosa do caminho. Para ti, chegaste ao termo da etapa que para outros ainda é tão curta
Amparas-te no meu braço enquanto caminhamos lado a lado como dois amantes estranhos que tivessem combinado encontrar-se a esta hora, no momento estremo em que deambulavas na ânsia de encontrar algo, alguém que te bastasse o consumo da tragédia que já és.
Congregas o absoluto da tragédia. É isso.
Deixo-te sentada no carro e volto à porta do bar. Não ao Bar. Apenas a porta, onde um tipo de assobio saltitante, a barba indigente, puxa fumaças agressivas de uma espécie de cigarro
Compro três tomas do produto que me indicaste e regresso ao carro em passos decididos. Tenho pressa.
Estás inclinada para a frente e uma humidade indecisa a bailar-te, escorrendo dos lábios entreabertos. Cai sobre o banco. Tremes alucinações. Balbucias palavras inteligíveis .
Arranco com o carro, tenho pressa, enquanto preparas o produto e o injectas numa das veias disponíveis, sob o meu olhar de soslaio.
Chegados, a casa não tem adornos nem vistas. É soturna, com livros e papeis espalhados sem critério. Ainda se o tivesse, se escolhesse o sitio onde o livro tal num determinado lugar do chão, ou o papel em relevo, atirado num momento de raiva ou de simples abstracção
Olho para ti, o teu corpo ainda de criança, mal cresceste, rodeado de feridas provocadas em improvisos da tragédia. A garro-me a esta palavra: TRAGÉDIA, ao seu significado linguístico quando incluída num contexto, a esmiuçá-la quanto à significação da palavra em si e o que representa para ti e para mim, necessariamente emoções contrárias e não porque sejas mulher e eu homem, mas por força de outras eminências do ser e do não ser neste momento.
Olhas para mim enquanto despes, peça a peça, com falsa volúpia nos meneios do corpo, tentando induzir-me em eróticos fluidos inexistentes . Os olhos mortiços, apagados, sem brilho, sem luz, mas olhos e com um certo tipo de visão. evasiva, turva
Atiras-me a cueca mal cheirosa. Mijo e esperma de momentos antigos.
No quarto de banho a água morna sobre o teu corpo. Deixas que as minhas mãos o percorram em movimentos lentos com a esponja embebida em gel e a espuma abundante a cobrir a pele, as chagas ainda não abertas. Os meus dedos penetram o canal anal em movimentos suaves retirando a merda acumulada. Há quantos dias, meses, anos. Desde quando. Dilatado o teu cu por enrabadelas consentidas em sôfregas investidas de gente tão sem ser como tu. O teu sexo original. Que te fizeram? Queimada com cigarro.? elástica pelo uso sem nexo e a violência da irracionalidade.
Os teus pés tão delicados, gretados e as pernas que foram belas e agora encanecidas de veias duras, chagadas . As mamas são dois balões que se foram esvaziando. Espremidas, a carne, as glândulas , a seiva.
Seco o teu corpo com a toalha grande de todos os banhos e estendo-te a camisa de dormir da última mulher que amei. Escovo o teu cabelo. Abraço-te para te sentir. Para que me sintas.
-Estou limpa, vá. podes-me foder .
Olho para ti de novo. estás limpa por fora. Quase linda. Se tu quisesses!!! Se tu quiseres!!!
Preparo uma refeição para nós dois. Bifes grelhados e batatas fritas. Faço sumo de laranja.
Sentados em frente, os meus olhos nos teus olhos até que me fixas e te deixas fixar.
Falas-me do desacerto da família. As carências de amor e de ódio. Apenas indiferença que dói , manipula a pessoa e a degrada. As noitadas sem registo, o desinteresse de tudo. A venda dos sentidos. Por momentos alucinantes de loucura. e as ressacas são uma outra espécie de prazeres ocultos que nos inibem de nós e nos transportam para o outro lado do ser, o não ser. Onde já ninguém se importa de nós, até que um dia, Bah . Apaga-se.
Perdeste os modos de comer. Tens fome e fastio. Sem pressa e enquanto experimento sondar o que resta do teu eu, da essência que resta, que a droga não extinguiu.
-Gostava que ficasses aqui.
-O quê? Viver contigo?
-Não. Ficares aqui, simplesmente e deixares que que te reaprenda e que tu própria reaprendas a pessoa que há em ti.
Choras. As lágrimas escorrem desabridas pelo teu rosto que vem ganhando alguma cor.
Abraço-te e levo-te para a cama. Vejo que ficas na expectativa do que vou fazer a seguir e ensaias as posições aprendidas na tragédia.
-Fazemos um tratado.
-O que é isso?
-Um acordo de princípios . Vou colocar as duas doses que restam ali, ante ti. Para que os teus olhos as vejam. Em cima da mesa das fotos de família . E tu vais resistir-lhes. Que dizes?
Viras-me o cu. E momentos depois, emocionada, a voz embargada numa aura de esperança, envolta em amor, sem palavras, o sentido diáfano do conceito.
-Porque esperas? Acaba com isto de vez. Faço tudo o que quiseres, Na cona , no cu, na boca. E deixa-me seguir o caminho. Podes ficar com a merda da droga. está pago.
Ela disse as palavras sem o olhar. a cabeça enterrada na almofada, a aspirar os aromas lavados há tanto esquecidos.
Levantou-a docemente da cama. Ele. O corpo dela a exalar os cheiros que cativam encantos.
-Esquece tudo. Apaga. Agora és uma outra pessoa, sem passado e de presente suspenso.
Estou aqui para te amar num pleno de intenções e conceitos da palavra. Não quero ter nada contigo do que dizes. Não quero foder . Quero-te num todo onde
tu também és querer. O que eu quero agora é amar-te por todos os que não te amaram.
-Ufa! Queimas-me . Onde é que eu assino.
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02/05/2008
ABJECCIONISMO
O Abjeccionismo basear-se-á na resposta de cada um à pergunta : Que pode fazer um homem desesperado, quando o ar é um vómito e nós seres abjectos? (De Pedro Oom)
Ora, sendo o ar que respiramos um vómito continuado, quase irrespirável, nas sua componentes de gases e palavras que procuram definir conceitos e intenções. Palavras que ofendem a razão pura e nos reduzem à qualidade de seres abjectos e desesperados por nos libertarmos das palavras que nos circundam, dos sistemas em que nos deixámos enrodilhar e de que não vislumbramos a alternativa porque nos fizeram esquecer o que somos, nos tiraram o significado do ser.
O que vos proponho é um desafio à vossa capacidade de pensar de e para vós, na resposta possível à pergunta que ficou no ar e à qual, eminentes criadores tentaram responder sem sucesso e por via disso condenados ao ostracismo implacável da mediocridade actuante que nos rege a matéria e o espírito.
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21/04/2008
NOVAS GERAÇÕES-UM EXEMPLO
É uma noticia que nos alerta para os valores que subsistem. E nos evidencia que nem tudo vai mal no reino da educação.
O professor disponibilizou a viatura para uma prova de aferição de conhecimentos no terreno.
Houve um acidente sem feridos, onde a viatura ficou muito danificada. Provavelmente o arranjo ficou de fora das coberturas de seguro contratadas.
Os alunos, jovens, disponibilizaram-se em angariar fundos para ajudar o professor e é emocionante a descrição dos meios, a criatividade, o empenho das famílias, da comunidade.
Um exemplo a ser divulgado por todos os meios. É possível congregar valores em torno da batalha pela educação. Afinal as novas gerações têm valores. Não são só cabeças ocas e insurrectas .
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15/04/2008
A ILHA DA MADEIRA, O SR. JARDIM E NÓS
Sinto uma pressão intensa que me incita a dizer que não compreendo, como já no meu tempo de menino se dizia, da Madeira, que era a pérola do Atlântico. E não compreendo depois de ter visitado os Açores.
A dizer que tenho um estigma que se chama Alberto João Jardim, cravado na memória e me impede a progressão das palavras.
De um lado os prepotentes, arrogantes, ao estilo dos governantes, empresários (Sá), os taxistas. No hotel, paguei a conta com um cheque, porque não tinham multibanco ou visa, a um Sábado. Tendo o cheque sido descontado momentos depois. Que estranhas intimidades. A maior livraria do mundo, ou quase. Corredores e andares pejados de livros, em prateleiras, em mesas, em estendais de cordas e presos por alfinetes de roupa. É uma Fundação!...O Bispo do Funchal é parte. Um casal é parte. Os funcionários são parte. Mas, estes últimos recebem como mais valia a formação. Não há livraria no Funchal que não se tenha abastecido de mão de obra na Fundação livraria Esperança.
Nem tudo é negativo.
Num todo não existe o "tudo negativo". Nem no regime do Sr. Jardim, como não no Regime do Sr. . Salazar. É preciso ver o saldo. Não em obra, Não em aparato. Mas na substância do Ser.
No outro, a multidão de assalariados, servidores apáticos, submissos, deixa andar, nada de politica, nem de cultura, humildes, assistindo ás tramóias dos amos e senhores, votando intimidados pela dinâmica da vozearia contra os Continentais, Colonialistas e opressores do bom povo da Madeira .
Seria mais fácil, se se tratasse de um outro país. Um povo oprimido pela virulência dum astuto ditador de fachada democrática. Mas a Madeira ainda faz parte do meu país. O povo da Madeira é solidariamente ressarcido pelo povo do Continente, ainda que pareça não o saber, para que tenha um rumo, uma vida sã e não tenha que andar à bolina dum nauta emplumado e sem classificação.
O povo da Madeira, pode contar com a solidariedade do povo do Continente, na hora em que tomar consciência do seu isolamento e quiser pôr fim ás diatribes do senhor Jardim.
Eu, enquanto membro do povo do Continente, tenho vergonha de ouvir sistematicamente as atoardas do Sr Jardim, contra o povo do Continente, contra os membros do povo da Madeira que se permitem discordar da sua faustosa politica de endividamento.
O Sr. Jardim é um funcionário público, como o Sr.Sócrates , O Sr. Cavaco Silva, ou a Dona Rosa e o Sr. Edmundo da repartição de finanças. Porque estará ele sempre acima da lei, da natural e da institucional?
Sinto vergonha do povo da Madeira, porque o "diz-me com quem andas" fica-lhe mal. Tenho até, muita dificuldade em apresenta-lo a quem quer que seja. E há tanta gente boa na Madeira. Tanta que podia ser um orgulho Nacional
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13/04/2008
S.MIGUEL,AÇORES,O SONHO DE ESTAR VIVO-Parte II
A decoração a lembrar outros povos, vitórias e derrotas, evidências de culturas, mimos de simpatia Açoriana , num ambiente acolhedor onde bonitas raparigas a sós ou em grupo falam de realidades e de sonhos e soltam gargalhadas diáfanas de alegria esfusiante, construindo certezas no perfume dos aromas.
Que povo é este? Que cruzamento, ou raça pura?
A bela Estela, briosa, de aspecto grave, atento, responsável no atendimento de e sobre cultura e que se diverte à noite em paródias inocentes de procura.
A divina Venilde , linda, o nome a sugerir veleidades de Olimpo, mas terrena, sonhadora e as partidas que a vida lhe pregou. Marco! Como te meteste, meteram nisso? Que tragédia ou ambição te levou ao tráfico, a destruir em lágrimas de sofrimento e dor, os sonhos encantados da mulher que te amava? Do povo que te gerou? As noites pela madrugada na explanação de projectos limpos de droga!...
O Gil do Couto, homem grande na sabedoria humilde sobre a superficialidade enfatuada. A paixão na crença dos milagres do Senhor Santo Cristo. A lisura de uma personalidade sã e conjugativa de amores comuns. O filho Francisco e a pesquisa dos fundos Oceânicos em busca, talvez de Atlântida e Znaida , artesã, o sentido prático da vida, taxativa.
A visita à estufa onde crescem, eu diria milagres gustativos, os saborosos ananases . Abastecer a garrafeira com o licor afrodisíaco do seu néctar.
O dia, onde o Sol e a humidade confraternizam, convida à procura de ambientes mais frescos.
O aroma especifico das infusões naturais. A única plantação em toda a vasta Europa. Os processos manuais de escolha, purificação e embalagem.
A Ribeira Grande. A escavação natural das água vindas da serra em direcção ao mar. O aproveitamento magnifico das margens, convertidas em lugares aprazíveis de lazer e convívio entre povos. As pessoas. Clara, a contagiante melodia das palavras.
E Rabo de Peixe. O lugar maldito, onde a vida se faz ao mar. Tido como perigoso, povoado por inadaptados da comum das gentes da ilha. Bêbados , arruaceiros, oportunistas que obrigam os filhos a não faltar à escola para não lhes cortarem os subsídios estatais, pescadores invejosos, ladrões, piratas. Tudo isto me foi dito. Mas, a avaliar pela obrigação de mandar os filhos à escola, tenho esperança na regeneração.
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S.MIGUEL AÇORES-O SONHO DE ESTAR VIVO-Parte I
Em baixo o mar ataca a estrutura natural com a doçura das ondas espumando de alegria alvoroçada. O meu peito a transbordar de emoções vividas na Terceira.
A espera pela bagagem, adivinhando originalidades nos outros, a ansiedade daquela jovem, o homem de negócios impaciente, rostos abertos, diálogos leves, olhos brilhantes de vida.
O dia quente e húmido, odores marinhos a requerer a minha capacidade de adaptação. Afinal já estive em África e na Guiné o sol era mais intransigente.
A residencial Alcides, o bife especial duma carne macia e sem igual, o delicioso ananás.
O passeio a pé pelas ruas de pedra preta, reluzente. Rostos amigos de gente anónima que se cruza, que pára para comunicar, sem pressas. Caminhar até ao mar. A Avenida marginal com palmeiras e largo passeio. A baía calma e os barcos acostados no cais. A muralha que defende a cidade e esconde o mar
A visão sublime duma espécie nova de mulher: a mulher de cabelos loiros, tez clara e olhos verdes de um verde irisado de outros verdes, como cristal colorido, esmeralda de veios intrusantes , ou outra preciosidade que não acho na memória. A simbiose entre o mar, o verde das árvores e a riqueza dos templos? Onde andam os pintores?
E ali fiquei, abstraído do todo que me envolvia,, seguindo a imagem delicada e segura em passadas confiantes, qual deusa idolatrada. De uma beleza contagiante de mulher, divinizada por mim, naquele instante. Basbaque continental envolto em perfumes sobrenaturais. Como queria registar a tua imagem em papel ou fita de cinema. Que medo eu tenho de me perder na memória. Hoje aqui ficas, para que conste.
As pessoas de Ponta Delgada, já tinha constatado na Terceira, são de uma afabilidade que ultrapassa a mera educação da hospitalidade. Criámos empatias e intimidades conluiadas na disputa de quem me levava ali ou além. Os lugares imprescindíveis Os almoços, os jantares, as noites em diálogos do saber e da solidão permitida.
Ganhou o Neves da papelaria, tipografia. Portugal aqui, liberto de preconceitos. E seguimos viagem por estradas pitorescas de verdes e encantos. Parámos num miradouro para que eu visse em absoluto na sua magnitude exuberante de beleza natural, As Sete Cidades, o contraste entre o azul e o verde das lagoas, a pequena cidade para lá do monte junto ao mar.
Apanhar umas quantas pedra ume que abundam nas margens, como ovos deixados ao abandono. Aspirar os aromas, a sensação de liquidez ambiental e voltar, rumo à cidade.
Passear à noite, na marginal, as luzes lá à frente de outra cidade, Vila Franca e deglutir-me na Sol mar com as queijadas da vila. Junto ao clube naval, num terreiro em frente, jovens estudantes divertem-se nos festejos do inicio do ano académico. Gritos e cantorias, o som das guitarras na noite calma de S.Miguel .
O pequeno almoço, o leite, o queijo, os Açores a entrarem nas minhas entranhas, a adoptarem-me.
Admirar a beleza da igreja matriz. Sentir a religiosidade de um povo aqui cercado e com uma história de abandono por séculos de inércia. Visitar o Santuário do Senhor Santo Cristo. A imagem enclausurada atrás das grades, ao fundo da sala, majestosa , mítica de olhos grandes e comunicantes, com penitentes ajoelhados, gente que se entrega na crença da salvação ou que pede perdão por actos irreflectidos.
Almoçar em Lagoa num restaurante especializado em peixe. Os barcos em terra para arranjos. Pescadores que amanham o peixe junto à muralha. O complexo de piscinas naturais.
A Lagoa do Fogo é um assombro de emoção. A neblina que cobre a paisagem paradisíaca de vegetação luxuriante e que de quando em quando se entreabre movida por aragens frias e nos permite desvendar a cratera coberta de água estanhada, quieta, escondida.
O Zé Carlos da livraria foi o anfitrião deste desvendar de sonhos e, no regresso, mostrou-me outras pequenas delicias, como praias de areia e pedra negra com recantos únicos. Mas é muita emoção acumulada numa só viagem. Ainda não me tinha refeito do deslumbramento causado pela Terceira.
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ÁS MULHERES-AOS HOMENS-SOBRE O CANCRO DA MAMA
Os seios são, do corpo feminino, o órgão mais cobiçado e o mais maltratado, pelo parceiro masculino nos jogos ditos de amor.
Alguns homens gostam de peitos fartos, duros, outros gostam de seios mais equilibrados, mas querem seios pertinentes, para saciarem ditos prazeres ou angústias, a falta ou o exceso , no primeiro contacto com o peito materno Frustrações.
Na relação sexual, servem-se dos seios selvaticamente, apertam, sugam, ferem. E pretendem que estejam sempre duros, proeminentes, à disposição da sua gula libidinosa.
As mulheres fazem o que podem para os manter altivos. Sabem que é um ponto importante de dar e receber prazer. Têm filhos. Têm dores. Mas insistem em tudo fazer para agradar e ser agradadas. Em geral, as mulheres têm um orgulho desmedido nos seus seios. Até usam uma peça especifica para os manter suficientemente elevados, como faróis sedutores que ostentam e prometem os restantes atributos não visíveis .
E de repente, por má formação congénita, por tanto terem sido maltratados nos momentos de paixão, por força dos laços genéticos, de per si ou no todo, eis que o impensável acontece. O bicho temível , corrosivo, que só sabíamos nos outros, que não foi detectado a tempo , ou que foi, mas era do tipo expansivo, intratável, toma conta, sem apelo, do seio da mulher.
A mulher que se vê obrigada a suprimir um dos seios ou os dois, sofre um rude golpe a todos os níveis sensoriais do seu ser e ainda constata , muitas vezes, que não passava de um objecto de prazer para o seu par. Quantas vezes abandonada quando mais precisava.
A perda deste símbolo da sua feminilidade e maternidade, causa distúrbios insanáveis que devem obter de nós o melhor da nossa humanidade. E muitas vezes são abruptamente excluídas e sofrem em silêncio, acarinhadas por uma palavra amiga ou a sós, no silêncio de todos os silêncios sem resposta.
O amor, a amizade, a ternura, devem prevalecer sobre a ablação. Sorrir , confiar na grandeza da sua condição de mulher geradora da vida.
Que sei eu disto? Deste drama?
Quíz apenas interromper silêncios. Dizer que estamos aqui e não te excluímos. E embora talvez tarde, agarra a nossa mão e sorri.
S.MIGUEL,AÇORES - AS FURNAS
As furnas, expelindo vapores diáfanos e sugerindo imagens grotescas de vultos que se movem do outro lado de nós, em frente. O cheiro a enxofre . A água azeda que escorre da bica que bebemos para curar enredos e invejas trazidas de longe. O borbulhar da água fervente brotando do chão e elevando-se em espessa névoa de que nos deixamos envolver em brincadeiras gaiatas. A caldeira num ruído cavo de agonia, um estertor de vida a estremecer o chão que pisamos. Água e lama fervem e extravasam do interior da terra e é como um prato de farinha no clímax da cozedura. A sensação estranha de pensar que pisamos uma camada fina de solo, pronta a estalar a todo o momento, por um qualquer fenómeno que não conhecemos nem dominamos.
Com os sentidos em êxtase continuo, desço à lagoa de águas mansas em cujas margens escavaram, aqui e ali, buracos onde a terra treme e expele vapores em surdina, que as pessoas utilizam para a confecção do famoso cosido da furnas.
O cozido das Furnas é um banquete de deuses, confeccionado ao vapor, deixando entranhar um leve odor a enxofre que o torna um manjar a repetir. O sabor único das carnes, o gosto dos legumes e dos enchidos, a envolvência da paisagem.
Um passeio digestivo pelo parque Terra Nostra , era o convite, em jeito desportivo, para obstar a uma qualquer indigestão, não sem antes beber um pouco mais de água azeda que, dizem, ajuda a digerir tão farto repasto.
Pelo caminho, Zé Carlos foi-me dizendo que as Ilhas que compõem o Arquipélago são como bairros de Lisboa, ciosas das suas belezas particulares e exigentes na implementação de estruturas, rivalizando umas com as outras e todas com S.Miguel .
- Nós, em Ponta delgada dizemos que os Terceirenses são como os Alentejanos. São indolentes. Só querem festas e mordomias.
Os Terceirenses dizem que em S.Miguel os homens têm a ponta delgada.
E eu a lamentar não ter visitado o Algar do Carvão, nem ter visto as célebres corridas de touro à corda na Terceira e a não ter oportunidade de sentir o fervor e a religiosidade destas gentes nas festas do Senhor Santo Cristo do Milagres, ou as Festas do Espírito Santo nos Açores: factos que me ajudariam, por certo, a entender este espírito acolhedor e de grande humanidade.
Chegámos à porta do Parque Terra Nostra , cuja visita é paga. Estranhei. Pagar para visitar um parque?
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12/04/2008
AS MULHERES LOIRAS DE OLHOS VERDES DOS AÇORES
De entre as brumas da Lagoa do Fogo, da doce beleza das Sete Cidades, a majestade da ribeira atravessando a cidade do mesmo nome, passando ao lado da ovelha ranhosa, rabo de peixe, a destoar enquanto lugar de fama duvidosa, dum todo quase sem mácula, dos calafrios emotivos ao respirar as entranhas da terra nas caldeiras das furnas, o cozido, o cheiro e sabor a enxofre, até à indescritível sedução do Nordeste, o recorte da costa a pique, as pequenas cascatas nas montanhas verdes de vida, sobressai a mulher loira de olhos verdes e tez clara.
O loiro dos seus cabelos, escorridos sobre os ombros, ondulantes ao vento, não é oxigenado nem platinado, nem louro como eu conhecia, é um loiro diferente e o verde dos olhos não são enganos, como diz o povo, é um verde esmeralda, ou outra preciosidade por mim desconhecida, raiado de outros verdes e denotam esperança.
Observo a silhueta que se aproxima, com uma fixação quase deselegante, desvio-me para ver o perfil da direita, dou uns passos à frente e volto-me, como que alheado, para mirar o perfil da esquerda, e uma vez mais de frente, apanho os olhos nos meus olhos, sorrio e encolho os ombros a disfarçar, e fico ali, a envolver-me, à beira do santuário do Senhor Santo Cristo, a interiorizar uma ideia quase absoluta da beleza feminina.
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S.MIGUEL, AÇORES - TERRA NOSTRA
O Sol no zénite a refulgir raios cintilantes através das folhas de árvores centenárias, altivas e lindas de grande e pequeno porte. Pássaros que cruzam a densidade do ar em brincadeiras atrevidas, poisando nas ramadas, ou abeirando-se dos lagos e sobre extensas camadas de nenúfares , saltitarem de uma em outra e chapinhando a água morna e quieta.
As flores de cores absolutas, exóticas, múltiplas de género e efeitos sibilinos, transformando os nossos olhos em mirabolantes rodas giratórias.
Subimos carreiros, contornamos lagos e riachos, e voltamos a percorrer, como se de um labirinto que não quiséssemos encontrar o fio.
Os meus olhos emotivos, a voz abafada, tímida , afónica, contrastando com a grandeza que sinto de fazer parte, por um momento, de tão Edílica paisagem.
No cimo de uma elevação, por entre a folhagem de palmeiras e outras maravilhas arborícolas cujos nomes não registei, o edifício adaptado a hotel de grande magnitude arquitectónica a lembrar um conto de fadas, infância, lucidez adormecida. Só pode ser um sonho..
A piscina de águas lamacentas, sulfurosas, onde adultos e crianças se banqueteiam em movimentos ablativos da inércia citadina.
É um ambiente indescritível . Não é possível traduzir em palavras a cor e o enquadramento que os artistas se permitiram para criar uma atmosfera única de emoções sublimes e apaziguadoras.
Venham ver!.
Saímos pela mesma porta e lembrei-me, de repente , que tinha estranhado a entrada paga!... e sorri de felicidade.
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S.MIGUEL, AÇORES - O NORDESTE
As Queijadas da Vila, após o pequeno almoço madrugador. O café, Delta, claro, a despertar renovadas atenções. a Afinar sensibilidades parecendo exaustas, mas que renasciam, qual Fénix, temperadas pela visão dos fieis que se dirigiam à primeira missa da manhã, indiferentes à morrinha, de rostos abertos e confiantes.
Fiz a viagem de Ponta Delgada ao Nordeste na carreira, a primeira da manhã percorrendo a estrada pouco movimentada e readmirando paisagens e recortes, a fixar imagens e momentos, as vacas nos pastos, as carrinhas que transportam o leite, pequenas povoações e gente que entra, gente que sai, as crianças, os jovens a caminho da escola e eu a lembrar-me de mim.
Tinham-me falado do Nordeste como uma miragem num deserto rodeado de oásicos sistemas floridos e verdejantes, numa abordagem surrealista da visão, de quem chega e se depara, com um quadro pintado em fervorosos momentos de arrebatação criadora.
A povoação de casas típicas , arejadas, a casa museu João de Melo, o jardim, o café onde me resguardo e abasteço de iguarias. O miradouro sobre o mar, a rocha a pique, o verde a envolver as casa em cima, num clima de silêncios, voltar ao miradouro, e novamente o mar estanhado, verde chumbo, denso na voragem da maré, a igreja.
Um táxi, carro de aluguer, parado num lugar reservado. Procuro com os olhos o motorista e não vejo ninguém, até que ouço uma voz, vinda de onde?
-Bom dia, precisa que o leve.
Olhei a figura, magro, rosto bonançoso, olhos que reflectem amor, lealdade a procurar saber ao que vinha. Como te chamas, amigo?
Disse-lhe ao que vinha. Desvendar a meus olhos o infinitamente belo. A pretensa miragem. A descoberta de mais uma das maravilhas açorianas, mas que o tempo, chuviscoso , não estava a colaborar.
Os olhos dele iluminaram-se num clarão de empatia a mandar-me entrar.
- A viagem até à cidade de Povoação são vinte euros, o resto é por minha conta.
Homem grande e destemido, homem bom. Como te atreves a acreditar que acertaste em tomar-me como amigo?
Pelo caminho, também eu confiante, sem saber das rotas, adivinhando boas intenções, foi-me falando de si, dos tempos difíceis da emigração na América, o trabalho quase esforçado para amealhar o suficiente e voltar. Na que ele não era dos que se bastavam com dinheiro. Ali é que era a sua paixão e comprara o táxi, algum dinheiro de parte, uma vida sonhada nas refegas erradicas, naquele deserto apaixonante, apaixonado.
-Olhe, ali, aquelas vivendas no alto da montanha, são de pessoas importantes do Continente, casas de férias.
E eu a imaginar, para mim próprio, os senhores importantes do Continente a julgarem-te parolo, imbecil, por teres trocado a vida faustosa das Américas por um lugar pasmado de beleza. E a contextualizar-te comigo.
Parou o táxi junto a um jardim que abarcava uma vasta área em planalto, delineado de formas graciosas, ramadas em túnel, palmeiras anãs , flores, o vermelho, o azul, o rosa, o lilás , o amarelo e os verdes, numa deambulação de cores e odores. Numa simbiose de deuses tocando trombetas melodiosas e eis a placa de homenagem ao homem e à beleza reunida num feixe, com o mar por fundo, escarpa a pique, o poema:
Toda a beleza é beleza
Para quem na beleza crê
A beleza é só certeza
Conforme a vista que a vê
Silêncio de calma
Mudez carinhosa
Afagas muralha
Na noite nervosa
Silêncio que alentas
Meu sonho desfeito
Ai como atormentas
O mal do meu peito
E quando te calas
Calado me dizes
Que as horas sem falas
São horas felizes
De João Teixeira de Medeiros
Embevecido por tanta beleza, recolho-me junto ao murete que limita a queda abrupta e desvenda plena de epopeica visão o mar imenso, ondulante e a esfregar-se, preguiçoso,na base das rochas que já foram suas amantes e agora, só enamoradas.
O homem do táxi e eu, em silêncio, ambos sabendo que amávamos a mesma substância mítica e sem ciúmes nem desavenças fruíamos desse amor, partilhando emoções vindas do sonho de sermos homens.
registed by: Samuel Dabó
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09/04/2008
DEIXEM VIVER ESMERALDA
A menina tem cinco anos hoje. O pai biológico que entretanto fez testes de paternidades viu confirmada a génese e quer a menina de volta, contra a opinião de psicólogos, sociólogos , pedopediatras e os pais adoptivos.
O caso é levado aos tribunais. Os juízes não se entendem. Ora ordenam a entrega, ora favorecem compassos de espera. A última página, à porta do tribunal, com a criança a recusar sair do carro e alguém abalizado a instigar o pai adoptivo para que tomasse uma atitude de força contra a criança.
Juízes, advogados, gente a que nos habituámos o devido respeito.
Não há quem pare esta tragédia que se abateu sobre uma criança que não pediu a ninguém para vir?
A declaração universal dos direitos da criança não é suficiente para acabar com este suplicio?
Não será tempo de fazermos ouvir o nosso : Nãããããããããoooooooooo !!!!!!!!!!!!, em uníssono , de Norte a Sul, para que os hipócritas do direito deixem esta criança em paz?
Não basta perguntar à criança. Onde , com quem queres ficar?
Vamos, nós gente que habitamos este país, que pagamos impostos directos e indirectos, permitir que uma criança de cinco anos seja disputada na praça pública, nas salas frias dos tribunais, despojada da sua personalidade, interditada de amar a quem ama e de querer a quem quer?
Estendo-te a minha mão, Esmeralda, temendo que não vá a tempo de a poderes agarrar. E apelo às pessoas, chamadas povo, do meu país, e aos que têm a responsabilidade pelo nosso bem estar, para que termine esta chacina da tua identidade.
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06/04/2008
VIOLENCIA INFANTIL!!!!!
O menino debatia-se, perante a sua própria impotência, e gritava o mais alto que lho permitiam os seu pulmões ainda viçosos.
-Larga a minha mão! Larga a mão! e chorava.
Indiferente, insensível ao choro, quase o arrastando, a educadora lá ia dizendo.
-Tens que vir! Tens que vir!.
-E o menino, debatendo-se ( não, não vi pontapés), fincando os pés, resistindo.
-Larga a minha mão!
Juro que é verdade. Eu vi!
Não uso telemóvel com câmara. Mas, por um momento pensei chamar a policia e ser testemunha do ataque violenta dum menino à sua educadora. Que pais? Que País. Aonde vamos parar.
Mas não. Pus-me a pensar. É pura coincidência!
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04/04/2008
À Dra PAULA TEIXEIRA DA CRUZ
A dra. Paula Teixeira da Cruz, na coluna pessoal do Correio da manhã de ontem, sobre o caso da aluna, a professora e o telemovel, consensual, plena de humanidade e racionalidade.
As minhas felicitações pela coragem de desmistificar e educar consciências.
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31/03/2008
EU, homem,macho latino-ELA mulher, fêmea latina
Arrumei a louça na máquina.
Levei o lixo para o caixote. Dei comer, restos, aos gatos a cães vadios, da rua.
Ela, fêmea Latina, hoje, pôs e tirou roupa por duas vezes, na máquina. Estendeu a roupa nas cordas e apanhou-a mais tarde, quando secas e antes de começar a chover. Desinfectou a casa de banho, o sitio do fogão, a cozinha, a sala, o quarto, fez o almoço, o jantar, engomou roupa e cozeu algumas peças, minhas e dela, desconcertadas e ainda lavou as escadas, que hoje era o nosso dia, isto é, dela.
Á noite, no balanço do dia, prometi que no futuro, se lá chegar com saúde, tomarei conta de mais algumas tarefas para a ajudar.
Quanto ao resto.!... Claro que levei nega.
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27/03/2008
EU ( TU ) LOTUS
Ali ,onde criei o hábito de acordar a meio da noite e postar-me, abstracto e sonhador, talvez sonâmbulo, sorvendo os teus doces tormentos, encontrar-te igualmente alerta, naquele teu espaço que eu reservara em absoluto para mim, que tornara meu, para te ter sempre presente,. na luta pela tua afirmação pessoal que me nos contagiava .
Ali, onde o mundo ganhava formas de ser no complemento abissal e cósmico de duas gerações comprometidas com passados distintos mas afins no desejo sublime de ser feliz.
Ali onde te coloquei, em pedestal de pétalas viçosas, como ídolo de adoração, e te dei todo o fogo do amor puro da amizade, me inquietei , me inquieto,por ti, na ânsia de saber se ainda és o Eu que idolatrei, se desististe de cumprir o teu destino.
Ali, minha amiga, reina agora o silêncio, o deserto, a desolação da dúvida, da culpa, de não ter sido suficiente, de não saber o que fazer, procurar-te, procurar-te, num espaço tão ilimitado e temer que não tenha tempo de ter a felicidade de voltar a deslumbrar-me com o teu sorriso lindo. adivinhado por entre brumas de esperança.
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25/03/2008
NA VILA ONDE EU MORO NUNCA ACONTECE NADA
Na pequena vila onde eu moro, frente ao rio quase mar, eu diria que é metade do espaço visível desde a minha janela, esverdeado, a forte corrente, as gaivotas e os velhos que olham de frente, para a cidade grande da outra margem. E fazem gestos como se vissem tágides emersas, saltando atrevidas de onda em onda e lançando bolhas de espuma branca e dócil.
É uma Vila pacata, onde não acontece absolutamente nada e a partir da nove da noite já são raros os passantes ou erradios. Os cafés fecham cerca das dez Depois, é o silêncio. Deitar cedo para cedo erguer E voltar ao mesmo, observar, fazer conjecturas sobre o tempo.
Ao fim de semana, o passeio público de candeeiros SEC. XIX e palmeiras de difícil crescimento, enche-se do alarido das crianças, correndo, de bicicleta, em inconstantes desvarios, por vezes choros, enquanto outros, sossegados em casa, à espera que seja noite.
O relógio toca na igreja, as horas com avé Marias, as meias, as quartas, com badaladas gritantes. E ao meio dia, a sirene apita a anunciar a hora do almoço, como desde sempre, quando havia as fábricas do peixe, hoje em ruínas à espera do comprador ideal, do anúncio de uma ligação mais directa à outra margem, ou que o vento as vá reduzindo a pó e as solidifique para a posteridade.
A tapar a visão sobre a foz, sobre o mar imenso, sobre a outra margem mais à esquerda, Estoril, Cascais, A construção cinzenta, enorme, agigantada pela ganância de lucros elevados, os altaneiro silos de cereais que produzem eco nos ouvidos das pessoas e transpiram poeiras asfixiantes em tempo de ventos de feição direito à vila.
Na Vila onde eu moro, para saber noticias do que se passa, só a televisão, a rádio ou o computador quando ligado à Internet. E ás vezes as noticias falam de acontecimentos que aconteceram na Vila onde eu moro. E ninguém deu por nada.
autor: joão raimundo
21/03/2008
MEMÓRIAS DA GUERRA (K)
A algazarra do costume. Dezenas de vozes carentes de se fazerem ouvir. O silêncio à ordem de sentido, dada pelo furriel de serviço. Perfilados ao redor das mesas. Rostos magros de flores da pátria escolhidas ao pormenor e acreditando que a pátria é um valor acrescentado.
Ordenado que foi o : à vontade! Voltam as conversas, em rumores que se confundem com o tinir das marmitas de alumínio, a colher que retira o caldo de massa do interior da terrina, sem um verde esperança de legumes, só massa e batatas e talvez um fio de azeite.
O segundo prato, ou conduto, é repetitivo. Hoje massa, ontem arroz, amanhã batatas e sebo.
Digo sebo porque a parte da rês que tocava à soldadesca, à tropa macaca, compunha-se das partes mais gordas da carcaça. As febras eram destinadas a sargentos e oficiais.
Manuel António observava em silêncio a sofreguidão com que a maioria devorava a mixórdia aprovada pelo capitão. Só há uma forma de reclamar, prevista no código militar, e tem de ser em uníssono, o levantamento de rancho. Com aqueles alarves não era possível. O vinho ácido e quente. O pão, o verdadeiro maná.
Manuel António repetiu a sopa deslavada e trouxe o pão para o comer com leite achocolatado ou laranjada, em jeito de sopa feita e comida na hora (pedaço de pão na boca, golo do liquido doce e os dentes a torturar o pão assim embebido). Um maná.
À saída do refeitório apinhavam-se em fila ordenada, disciplinada, crianças e adolescentes, com latas vazias pedindo os restos de comida a troco da lavagem da marmita. Meninos e meninas sem escola nem profissão.
Passam mulheres de tronco nu, os seios flácidos, tripas caídas sobre o umbigo, os corpos magros de fomes antigas, velhas; as moças de seios rígidos, virgens de caricias , bajudas na linguagem crioula, intocáveis porque já prometidas, vendidas, agendadas; mulheres chamadas de grande, porque casadas, de seios redondos e fortes carregados de leite levando bebés atrelados às costas e crianças, púberes, uma leve tanga sobre a anca, os seios pequeninos a despontar.
Desfilam no seu andar cadenciado, sem pressas e trocam saudações e cospem no chão de terra amarelada e seca, perante os olhos gulosos da soldadesca em ressaca de afectos.
-Bunda di bó
É pessoal. Eu não é bajuda. Eu mulher grande. E cospem no chão sedento da parada.
Soldados tiram fotografias com alguma jovem de seios rígidos e colocam as mãos descaídas numa caricia marota que não encontra sensibilidade. Aqueles mamilos estão mortos. Aquelas mulheres não tem orgasmos. São meras peças da engrenagem da procriação e trabalham nas bolanhas, na moagem do arroz no pilão, na lavagem dos panos e túnicas.
À noite, volta o silêncio, apenas consentido o ruído do motor da geradora, que, de habitual, já não ressoa nos ouvidos dos homens que querem dormir.
Manuel António e o Vago mestre discutem as opções dos povos face à opressão do imperialismo das grandes potências. E concordam que é na luta pela emancipação, no sangue vertido em combates absurdos, na tragédia da fome e das violações sistemáticas, que os povos edificam a sua nação.
autor: joão raimundo
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16/03/2008
SER PORTUGUÊS E ACREDITAR
Técnicos de acção social preconizam que só acima de 1.000 euros é possível viver com dignidade em Portugal, hoje, pode ler-se no correio da Manhã deste Domingo esplendoroso. E este constatar, que já tínhamos questionado no post"SE", abre um renovar de esperança para os milhares de Portugueses que ainda sobrevivem com 266.
O 13ª pecado, agora divulgado e agregado aos 7 originais, vem na mesma linha de esperança. Vamos, enfim, assistir à repartição dos excessos. O estado do Vaticano vai abrir os cofres, vender o ouro, os edifícios, as obras de arte, as participações em empresas milionárias e vai investir em pobreza. Os homens e mulheres mais ricos do mundo e que já doaram tudo a filantrópicas fundações personalizadas, vão canalizar os seus investimentos em pobreza.
Despertem os acossados pela fome, os insolventes, as vitimas da sedução do marketing, os malabaristas de orçamentos mitigados, porque estamos no limiar de uma nova ordem.
15/03/2008
AS MANIFESTAÇÕES E O LUCRO
Nas manifestações, tipo a realizada no último sábado, quem ganha são sempre os mesmos, os mandadores sem lei, os vampiros da economia global.
Autocarros alugados. Gasóleo e gasolina dos carros pessoais. Os restaurantes apinhados. O pano e a tinta dos cartazes. As energias, próprias, consumidas até à exaustão. O papel dos comunicados e dos folhetos distribuídos aos milhares.
E a luta continua. Nas escolas, professores de luto, deixando escapar impropérios contra a Ministra, o governo, usando até, quem sabe?, palavrões do fino vernáculo Nacional , perante alunos problemáticos, atentos a tudo o que seja revolta, porque eles são filhos da revolta, eles são a revolta.
No rescaldo, todos cantam vitória e, como os putos que éramos, fazem negaças: "- dei-te na cara!. Han! Han!, ganhei!"
13/03/2008
MEMÓRIAS DA GUERRA ( J )
A fila era enorme sob o sol escaldante e obrigara à vinda dos T6 para prevenir o deflagrar de qualquer acção inimiga e proteger as vidas das senhoras do M.N.F e repórteres de imagem.
Os homens esforçavam-se por manter um ar natural e saudável, não obstante o sol implacável a provocar suores e a atracção da mosquitagem pelo liquido pegajoso. Todo o procedimento em perfeita obediência à disciplina militar, sem atropelos, sem pressas. Amanhã haveria nova sessão e quem não falasse, as palavras de uns serviriam para as famílias de todos. O tempo era curto e havia que estar em todos os locais.
Chegavam de helicóptero, as senhoras brancas de pele, maquilhagem a disfarçar a idade, saia abaixo do joelho, mais parecendo jagudis olhando a macacada na esperança de ver algum tombar para gáudio dos seus apetites lúdicos.
Traziam cigarros e bate estradas que distribuíam, trocando palavras avulsas de patriotismo e piadas descabidas do contexto. Antes trouxessem legumes.
Manuel António não foi contemplado na selecção das saudações Nataliceas. Estava conotado como elemento subversivo, embora pacífico, mas não fosse extravasar, . Não que qualquer mensagem abusiva pudesse chegar a casa das pessoas, a censura não o permitiria, mas o comandante gostava deste jovem, admirava a sua postura face ao conflito, a coerência de princípios, a humanidade na entreajuda aos companheiros.
Manuel António encaminhou-se para o edifício onde funcionava o armazém de géneros. O vago mestre fazia contas, ou rabiscava as faltas num caderno de folhas amareladas.
-Ainda bem que vieste, podes dar-me uma ajuda na contagem de produtos que estão lá em cima.
- Vamos a isso. Prefiro a continuar inserido na palhaçada das saudações.
Os produtos, cobertos de pó, pelo desuso, amordaçados em caixas de cartão ao alto, na última prateleira, revelaram-se, para Manuel António, como a descoberta de água num deserto e foi escrevendo no caderno amarelado, os títulos e a quantidade, meneando a cabeça, impaciente por acabar, descer e confrontar o amigo.
No armazém, junto ao tecto, o efeito de estufa que as frestas das telhas de luzalite só à noite amenizavam. A água escorrendo pelo corpo, a pegar-se como óleo de cheiro pestilento,Catinga.
Desceu a escada improvisada, repôs os níveis de água destilados, água fresca do frigorífico, privilégios, água salobra a lembrar o anúncio " a saúde está primeiro, beba água do vimeiro " e atacou.
- Então, meu amigo das conversas nocturnas, humanista dos quatro costados, a sopa é de massa com água, há meses e guardas os legumes sagrados para quê? Para encher os bolsos de quem?
- Legumes?! Estás louco? Quais legumes?
Manuel António pegou no caderno e cantou:
- Cenoura leofilizada, mil embalagens. Feijão verde, leofilizado, mil embalagens. cebola leofilizada, mil embalagens, batata leofilizada, mil embalagens. Ervilhas leofilizadas, mil embalagens.
O vago mestre mostrou surpresa sentida, afastando qualquer intuito de subtracção de riqueza. Simplesmente não sabia.
- A partir de amanhã podes contar com sopa de legumes todos os dias até ao fim dos produtos armazenados e não fales disto a ninguém.
E seguiram os dois, abraçados na cumplicidade, a imaginar o efeito do rancho ao almoço do dia seguinte.
Na parada, o sol a fazer-se ao ocaso, mais amarelo, como que atacado pela malária, as senhoras do M.N.F , perdido o viço inicial com a frescura da manhã, mas ainda assim cobiçadas por mentes desfalecidas de prazer.
Autor: João Raimundo
12/03/2008
AO MINISTÉRIO DO TRABALHO E DA SOLIDARIEDADE
E se esta medida é Universal, e não um espasmo de legislador local, apelo a Deus e ao Diabo, ou ou a um qualquer outro poder cósmico para que tal medida, vexatória dos direitos fundamentais do homem, seja mandada retirar da legislação laboral Portuguesa, e onde quer que ela subsista.
10/03/2008
EDITAL DA REPÚBLICA - OS PROFESSORES
Os professores devem ser avaliados. Não tem o Dever de se manifestar de forma afrontosa contra os seus superiores hierárquicos. Os alunos vão ficar menos respeitadores depois desta ofensiva.
Os professores devem ser avaliados pela sua componente pedagógica, não premiando os que se agarram ao ensino como amanuenses desmotivados.
É verdade que muitos professores não respeitam os alunos, nem os pais, nem o país que neles confiou a missão de formar pessoas mais capazes para enfrentar os desafios.
Estão habituados a faltar por motivos pessoais, sempre indeterminados. Alguns, quando começa o ano lectivo, já levam nas agendas as férias intercalares e a sua conjugação com as pontes entre feriados.
Habituados à escola dirigida centralmente pelo ministério, que sempre era um motivo de combate sindical, recusam a autonomia da administração da escola agora reformulada?
Os melhores mestres não saem à rua para para desqualificar uma colega, que chegou a ministra, sem trazerem na bagagem um projecto de opção.
Que fazer, senhores professores?
O s Portugueses que os senhores ensinam não são os menos qualificados da Europa?
Os trabalhadores Portugueses não são os menos produtivos da Europa?
Os hábitos de leitura dos Portugueses não são preocupantes face à dimensão da ignorância?
É urgente inverter a situação actual.
O governo e a ministra devem prosseguir com firmeza esta batalha pela educação, cedendo onde o bom senso mandar que ceda, porque nada é perfeito , e não se deixarem amedrontar pelo volume apregoado das manifestações, pois já os mandatários de Salazar convocavam a massa do povo ignaro e nós, os que anónimamente resistimos à opressão, não acreditamos que aquele era a maioria do nosso povo.
Por uma educação que nos atire definitivamente para a ribalta, pedimos os esforços de todos, governo, professores, pais e alunos. E continuamos a acreditar que os professores são o cerne da questão. Sem verdadeiros mestres motivados para ensinar, vamos continuar na cauda do mundo.
MEMÓRIAS DA GUERRA (H)
O manto de capim seco e amarelo à volta do acantonamento era passível de ocultar um qualquer avanço do inimigo, fugindo ao alerta da sentinela atenta e bem que podia ser cortado manhã cedo, quando o sol ainda desperta. Mas não. O comandante ordenava que a tarefa seria executada após o almoço, para quebrar a indolência e exacerbar a agressividade.
Manuel António cortava o capim e mais uns quantos, enquanto outros o amontoavam na clareira e procediam à queima. O cabelo curto, as faces magras, o suor deslizando pelo corpo nu, sussurrando entre dentes: filhos da puta!...
Ao longe, o som ritmado do pilão, o bater das palmas, a cantoria imperceptível de vozes juvenis, a sobressair do silêncio, Alexandra um amor enorme, do tamanho do mundo, o grito dos macacos em pequenas guerras absurdas na defesa dos direitos ancestrais, desde quando?
Acabada a tarefa, passos trémulos de cansaço, encontra o vago mestre, companheiro dos diálogos da noite,quando o barulho dos motores da geradora abafam a clareza das palavras subversivas, que o convida à orgia.
Na sala pequena da dispensa, uma terrina de sopa, dois, três litros, talvez mais, de uma mistura amarela, cerveja/vinho branco/gelo/açúcar, sobre a mesa tosca de madeira, e uma caneca, duas, de alumínio.
-Bebe, deves ter sede.
Bebeu. Era agradável. Bebeu mais. Perdeu a noção do tempo, a memória em amnésia compulsiva. Um e outro abraçados, dançando a um som que só eles ouviam, proferindo palavras de descrédito contra a instituição, contra os poderes que lhes retiraram a condição humana e os reduzira a uma subespécie, ordeira e contemplativa.
Vazaram a terrina, saíram, procurando dar um ar de compostura ao andar, equilíbrio impossível, zigue zague em direcção à caserna, o cérebro às voltas com a direcção certa. Deserto. Alguém que dá uma ajuda, soltando gargalhadas do ridículo. Cair na cama, o tecto às voltas. Parar. Parar. Vomitar até à bílis, o chão de cimento imundo, o cansaço. Adormeceu.
Autor: João RaimundoDIALOGOS DA VIDA E DA MORTE
Tempestade medonha. Faíscas de cruzar todo o céu visível e o som estridente, dos trovões, varrendo o silêncio da noite sem astros, estremecendo o homem que se atrevia, fortuitamente só, a desafiar os elementos imprevisíveis que se abatiam de um fôlego, sobre a figura vacilante em movimentos de ir e vir, puxando a linha, sentindo o puxa puxa do peixe fisgado, na tentativa de se libertar.
Tentava perceber a comunicação iniciada. Quantos estariam, naquele momento, prisioneiros desgarrados do homem bom que ele entendia ser.
Decidiu-se e iniciou a recolha da linha, saída do mar tormentoso, inclinada no sentido do vento, pesada, talvez presa em algum escolho vagueando no turbilhão da corrente.
Colhida a linha, o fio de nylon onde os anzóis escondidos em iscos artificiais procuravam seduzir os peixes mais ousados, surgiu na rebentação.
Com a aproximação de terra, os peixes soltavam as últimas energias na tentativa de, num golpe de sorte, evitarem a morte prematura. E foram chegando, depositados em terra firme, ainda presos, o afã do pescador acima e abaixo, para que não se perdesse algum. Os que ficavam na terra firme cobertos da areia levantada pela tempestade, batendo o rabo, ainda, em movimentos cada vez mais rápidos de agonia.
Os peixes tirados um a um dos anzóis, a recolha do aparelho para a cesta fabricada de canas verdes, o rosto molhado do pescador de olhos se mi-cerrados a evitar os bagos de areia.
A tempestade no auge. O regresso a casa, estupidamente só, carregado de peixe na noite escura sem astros no céu.
O pescador de robalos.
Autor: João Raimundo
02/03/2008
VAGABUNDO -
Lá vem o Zé da Arrábida descendo a rua levemente inclinada, ziguezagueando pelo passeio estreito, quase caindo, a roupa encardida pegada ao corpo, boné ao lado e a barba, a barba branqueada de muitos anos.
Vem bêbado, como sempre acontece desde que recebe a magra pensão mensal. Vinho e tabaco. Não dá para mais, Algum comer recolhe aqui e ali, só compra o vinho.
O Zé da Arrábida é uma espécie de vagabundo. Um profeta da desgraça.
Na casa onde vive, amontoa-se a imundice de anos desleixados, e objectos que vai encontrando na rua leva.os, à espera que sejam úteis.
Hoje te saúdo, Zé, com o advento da Primavera que aí vem.
27/02/2008
OS SINDICATOS E O PODER POLITICO
Aos 62 anos, 44 de vida contributiva mais 2 de guerra, dirijo-me, qual condenado, que ninguém quer, se não a custo zero, ao posto do IEFP, para cumprir a apresentação periódica, pelo crime de desemprego.
Daqui pergunto aos sindicatos, a troco de quê, aceitaram esta medida ultrajante?
26/02/2008
MEMÓRIAS DA GUERRA (G)
- Levantar! está no ir!.
Ensonados, os corpos húmidos, sonhos interrompidos, pesadelos, corações acelerados, os homens da companhia vão-se arrumando para a partida. E vão saindo para a parada, formando em fila, ordenados, para receberem o pequeno almoço e a ração de combate.
São jovens,Trigueiros, vindos de todas as regiões da grande metrópole. Fazem parte dum rebanho ordeiro e mantido cordato pelo medo e iletracia. Estão convictos que a sua presença em África é em defesa da Pátria. Os outros, os da Pátria alheia, são simplesmente turras.
Manuel António vai tentando minar-lhes a inteligência.
- Repara nesta situação: estás em tua casa, com a família e os teus pertences e de repente, aparecem uns tipos e dizem que é tudo deles. Se queres viver, tens de trabalhar para eles. E pagar imposto por seres natural da tua terra.
No pequeno circulo, já aviado, onde se desenrolava esta conversa, Manel o Básico.
_ Pois é, pois é. Eu cá não deixava.
E ria-se.
- É básico!
- Eu básico, pá? Eu sou padeiro. Não é Manuel António?
- Claro. E a propósito, desenrasca-me mais um casqueiro que a viagem vai ser longa.
A fila iniciou a marcha. Na frente os guias Africanos. De mistura com os soldados,outros Africanos, as milícias. O oitenta era um deles. Ganhava oitenta pesos e porque nunca tinha visto tanto dinheiro, pulou de contente por toda a ta banca. Ficou o oitenta.
O nascer do sol trazia, desde logo, a força do calor que nem a mata densa refrescava.
Os homens seguem os trilhos oficiais e não sabem, verdadeiramente, ao que vão. Obedecem cegamente, como manda a disciplina militar. Atentos a ruídos estranhos.
Pássaros coloridos cortam o ar rarefeito e trazem uma aura de frescura. Os jagudis, macabros, espreitam no cimo das árvores uma oportunidade de festim. É proibido matar jagudis. Os abutres são protegidos, constituindo uma espécie de preservadores da higiene ambiental. Os macacos saltam, espavoridos, gritando slogan e impropérios à passagem da tropa. Pressentem tormenta.
As horas passam lentamente. Tudo é lento em África, menos a as balas. O cansaço vai-se apoderando dos homens liquefeitos pela intensidade do sol, a água a esgotar-se nos cantis. Os mosquitos sugando o suor. Sôfregos, não satisfeitos, trespassam a pele e chegam ao sangue.
Manuel António pensa em Alexandra, com a certeza que ela o espera sem temor, ansiosa. E busca, nessa certeza, forças para continuar. Os pés, com joanete, são uma tortura.A água como que se evapora. Juraria que não abusou do consumo. É certo que repartiu com um companheiro desprevenido. Não quis abastecer com água da bolanha e usar os comprimidos para purificação. Não queria facilitar, para poder vencer esta provação. De quê? de quem? De si próprio, á espera de ser homem?
Houve ordem para parar e, tomadas as devidas precauções, o piquenique podia começar.
Há sete horas que caminhavam, lentamente, sem paragens. Os camuflados húmidos que os raios intensos do sol não secavam. Sentados, um pouco. Olhos pesados. Sol, suor, pó. Os mosquitos. Dores de cabeça. Pensamentos em turbilhão querendo romper, acertar o passo com a razão.
A paragem foi de pouco estimulo, já porque a ração é intragável e o recomeço, sem destino conhecido, sem saber quando acaba, se vai ou não haver combate, não ajuda os membros tolhidos pela jornada.
Num instante, tudo começou, o estrondo seco das saídas de morteiro, os rebentamentos das granadas, perto. Tinha inicio o assalto a uma importante base inimiga, mas parecia haver surpresas. E as nossas tropas estavam sob fogo intenso e de grande amplitude.
Há feridos. Passam a palavra para o enfermeiro que corre ao local. Já não há medo nem fadiga. Os tiros e explosões, fizeram desaparecer, como por magia, o quase desfalecimento dos homens de longe. O combate está encarniçado.Na linha da frente ouvem-se gritos ofensivos, de um lado e do outro. Tiros a sério. Não é filme. Matam. Ferem. Estropiam.
- Filhos da puta!
Manuel António resiste. Não quer matar, mas também não quer ser morto. Deitado no chão. A arma em posição. Dedo no gatilho. Fez , até, alguns disparos para o ar. Céu aberto O coração apertado. Frontes latejantes. O cérebro a estalar. Ouve os gritos na frente. Os mosquitos aproveitam-se e sugam mais.
Quando a derrota parecia eminente, a aviação, entretanto chamada, vez a sua entrada. O roncar conhecido dos motores fez soltar gritos de alegria e renovar o estimulo para voltar.
Os aviões soltaram bombas. As armas adversárias. foram-se calando para não denunciar posições, dada a desproporção de forças.
Um helicóptero, por sobre as nossas cabeças. Os comandantes, frescos, sedentos de medalhas e glórias vãs avaliavam a situação. Havia muitos feridos e alguns mortos. Os homens estavam exaustos. Mandaram recuar.
A viagem de regresso fez-se com outra força. A presença dos aviões dava confiança e reconstituía energias julgadas impossíveis. A noite aproximava-se de mansinho.
Autor: João Raimundo
25/02/2008
O VAGABUNDO
O vagabundo é , em si próprio, um símbolo da liberdade absoluta.
O vagabundo não dá nem recebe do estado. Não precisa do estado.
O vagabundo não tem dinheiro, nem precisa. Alimenta-se de sobras e da repugnância dos que o querem ver longe. Colhe o Sol e a chuva, o frio, o calor, e dorme ao relento ou no abrigo de qualquer recanto, sem medos.
O vagabundo não aceita favores nem o abrigo de lares inventados à sua medida, cama, mesa e roupa lavada. A refeição quente do dia. Leis, deveres/obrigações.
Os senhores muito ricos vivem em constante sobressalto. Rodeiam-se de guarda costas. Vivem rodeados por fortes muralhas e protegem os filhos pequenos da promiscuidade pública.
As pessoas ricas vivem atulhadas de medo quando saem à rua, ou se anuncia algum cataclismo económico que não previram ou não puderam controlar.
O vagabundo passeia-se pelas ruas do império que as pessoas ricas criaram, caga, mija e dorme no asfalto.
O vagabundo lava-se nas bicas e lagos da cidade. Não paga água, gás electricidade. Não usa telefone ou celular. Não paga rendas. Não paga impostos. Não utiliza a justiça. Não polui o ambiente. Não faz economias nem gera riqueza. Não joga na bolsa . O vagabundo vê televisão sem pagar taxa e lê de todos os jornais e revistas para não perder o sentido das palavras, sem os comprar. Não teme o trabalho nem o desemprego. Fuma dos restos deitados à rua ou crava os passantes desprevenidos. Pede dinheiro para beber. O vagabundo não perde tempo com o tempo. Não há passado nem futuro. Não promove a guerra, nem precisa de armas de destruição maciça É completamente livre.
23/02/2008
ANDAMOS TODOS A FINGIR
Fingimos que não se passa nada. Que não amamos o que de facto amamos.
Fingimos que somos grandes e capazes. E somos, mas como fingimos, não sabemos.
Fingimos orgasmos alucinantes e passamos a maníaco-depressivos.
Fingimos que temos saúde e escondemos as maleitas dos olhares indiscretos.
Fingimos que ganhamos, quando as derrotas são uma constante na nossa vida. E continuamos a apostar nas mesmas intenções.
Fingimos seriedade no emprego, na vida social, nos negócios, na religião. Estamos sempre prontos a renegar os princípios.
Fingimos para com Deus e o Diabo, procurando corromper um ou outro, manipulando as nossas próprias intenções.
Fingimos quando dizemos ter jogado tudo, porque há sempre uma nova cartada, só a morte.
Fingimos a inocência, quando a culpa irradia do nosso comportamento compulsivo.
Fingimos a alegria em copos de vinho e doses de alucinógenos, abafando a tristeza da vida sem sentido.
Fingimos acreditar que o povo é inteligente e sabe o que quer e não esquece.
Andamos todos a fingir!...
12/02/2008
SE...
-grande parte dos empresários portugueses não sofresse do síndroma do neocolonialismo.
-repartissem com mais equidade o resultado das mais valias obtidas com trabalho.
-não despedissem os mais aptos, em prol da mediocridade, mais submissa.
-os desempregados tivessem direito a 13º mês.
-os desempregados recebessem 70% e não 65% da última remuneração.
-os políticos fossem todos ricos e não auferissem rendimentos quando eleitos.
-os produtos a comercializar tivessem as mesmas regras do registo de nomes para empresas.
-a mentira, a traição a trafulhice, a mediocridade, não fossem premiadas.
-o ordenado mínimo fosse já de 1ooo euros/mês.
-os professores fossem avaliados, através de formação pedagógica exigente.
-a elaboração das disciplinas e matérias fosse entregue a cientistas da educação.
-a tarefa de educar os mais incipientes, os alcoólicos, toxicodependentes, fosse um desígnio
Nacional.
-todas as drogas fossem liberalizadas.
-a riqueza não se medisse pelo dinheiro acumulado ou a grandeza das propriedades.
-o futebol não fosse uma instituição intocável.
-50%da população lesse os livros que se publicam.
-as leis fossem mais precisas e não deixassem espaço para juízes e advogados a manipularem.
-houvesse um livrinho vermelho para corrigir as pessoas.
-acabassem as forças armadas.
-se os responsáveis pela politica de ambiente tivessem netos.
-os casinos e bingo fossem abolidos.
-as mulheres Portuguesas fossem mais feias.
-o ser homem não fosse uma condição de mérito.
-nos orgulhássemos que Thomas Morus escolheu um Português para indutor da sua Utopia.
Estaríamos,por ventura, mais bem posicionados no ranking dos países desenvolvidos do mundo.
CORRUPCÇÃO (III)
Em Timor também existem importantes plantações de café. Sabendo nós que um quilo de café custa mais caro que o equivalente de petróleo, sugerimos mais reflexão aos facínoras do poder financeiro, porque a morte está há distância de um suspiro.
Quanto ao facto em si, e a acreditar nas noticias dos média, não compreendemos como é possível que após uma hora de tiroteio e morto o indiciado cabecilha da acção, alguém tenha baleado o Presidente Ramos Horta.
Estamos convictos que, neste caso, até a policia judiciária faria um brilharete.
11/02/2008
CORRUPÇÃO (II)
Os serviços secretos são instigados à corrupção para obterem informações.
As policias de todo o mundo,pagam as informações, corrompendo marginais e não só.
Há testemunhas pagas para depor em tribunal Sobre causas onde,por vezes, nem conhecem os intervenientes na contenda.
As grandes empresas praticam a espionagem, Industrial ou Comercial, e pagam bem as informações dos traidores.
Há chefes que premeiam os delatores, com promoções e outras mordomias.
Nos concursos públicos de vulto, há sempre alguma informação restrita, sobre alterações previstas ao projecto, que vão projectar os custos e que não são do conhecimento de todos os concorrentes.
Há também a coacção fisica, as ameaças de morte, sobre quem decide ou um familiar querido. Sendo a vida o bem mais precioso, este é o meio mais caro para corromper.
As coisas só se descobrem se houver falha de pagamento. Mas mesmo nestes casos, a teia é tão densa que só a arraia miúda é implicada.
Entre pares, quem é que não gosta de saber o que pensa e faz, ou se propõe fazer, o outro lado?
E vale tudo...
10/02/2008
REFLEXÕES SOBRE O SER
Há quem defenda que a vida das pessoas se rege pelos mesmos principios, de luta pela afirmação sobrevivência, travada no colo uterino pela vitória, entre milhões, do candidato a Ser.
Quer isto dizer que somos todos vencedores, os que por aqui andamos. E é nesta qualidade que nos animamos na continuidade da luta pelo poder.
Todavia, ao longo dos milhões de anos de Sermos, fomos aperfeiçoando as regras de convivência entre clãs e entre grupos de clãs, e entre Seres entre si.
Nos últimos 200 anos o Ser que somos, deu um salto significativo na dignificação da espécie, alterando comportamentos autocráticos e de superioridade rácica, igualizando todos os Seres nos níveis de oportunidades e permitindo, depois , que a luta se trave pela superioridade de riqueza acumulada e não já pelo direito a existir como Ser.
Não obstante este avanço de mentalidades, grande parte do mundo ainda vive sobre leis que protejem os continuadores da saga medieval dos grandes senhores.
E chegados a este estádio de desenvolvimento, lembro que os Indios Americanos davam grande importância ao Conselho dos anciãos.
continua...
PAIS BIOLÓGICOS
Pode até ser. Mas não acretitamos.
As noticias que trazem ao nosso conhecimento os dramas de famílias e crianças, estas disputadas em tribunal como mercadoria, mostram-nos um mundo preverso e hediondo que a razão ignora para gáudio da afirmação do sujeito entretido em alimentar o sonho de ser, ao menos uma vez, o actor principal.
09/02/2008
MEMÓRIAS DA GUERRA
O grupo da frente, os picas, pé após pica e novamente pé, na tentativa de detectar mina ou armadilha, detinha a responsabilidade e o risco.
Para tráz, estrada liberta do medo traiçoeiro, ficavam emboscados os pelotões , cada um de quatro, na espessa floresta de tons verdes contrastando com o amarelo do capim.
Chegados ao local, os homens do último pelotão e a milicia que lhes servia de escudo avançado, tomaram posição nas bermas da estrada, sobre a protecção quente e humida da mata.
Por uns breves momentos, a memória alcançava outras paragens, momentos de meninos, outras guerras, os pais, os amores.
O perfume adocicado dos cajueiros, nesperas de África no aroma. O olhar atento dos vigias. Ouviram-se, enfim, o roncar das berliets que se aproximavam, dois terços percorridos sem incidentes
Os homens, impacientes, subiram para as camionetas carregadas de víveres, e alguns sorrisos procuravam desanuviar a tensão das horas anteriores.
Ao iniciar da marcha, Blooommm!..., Uma forte e inexperada explosão, atirou ao ar homens e fardos de comida, como se houvesse uma falha de gravidade.
Os homens espalharam-se pelas bermas e disparavam em todas as direcções, sem nexo.
Depois nada, o silêncio e de repente, um grito lancinante do motorista da primeira camioneta: não, não me deixem morrer. Quero ver o meu filho.
A perna presa por tendões, junto ao joelho. Era grave O comandante pede um helicoptero via rádio. Que não. Os gritos do motorista: quero ver o meu filho. E o quartel general dando instruções, o heli teria de vir de Bissau.
A coluna reorganizou-se. Apesar das picas, o adversário usava outras técnicas, os fornilhos comandados à distância, cujos explosivos são enterrados mais fundo e com antecedência, tornando a detecção quase impossivel com os métodos artesanais.
Apesar dos esforços do enfermeiro, o motorista não iria conhecer o seu filho. E o filho deste homem não vai saber que o pai morreu sem glória, de uma forma torpe ao serviço de interesses
mesquinhos.
Os milicias Africanos que deviam ir na frente recusavam. O chefe deles, corajoso e leal aos compromissos, gritava com eles para que tomassem as posições. E deu o exemplo, procurando arrastá-los, correu para a frente das viaturas e Blooommmm!, nova explosão e já só o corpo dele em pedaços que ninguém iria chorar.
Perdemos a confiança nos milicias. Se eles tinham recusado é porque estavam coniventes. Corrompidos.
Alguns de nós, vencido, de todo,o cansaço, tomámos a dianteira da coluna e regressámos sem mais incidentes.
Autor: João Raimundo
OS IDOSOS POIS...POIS...
Alguns mal podem andar. Alguns não têm ninguém. E a lei que lhes permite,pomposamente, o direito de usufruir de uma melhoria no seu rendimento, o considerado complemento solidário que os coloca no limite da considerada pobreza, é de difícil alcance para muitos.
Oito folhas de papel. E têm que se deslocar. E se tem filhos ricos ou remediados. Se tem casas, quintas a render.
Há 50 anos, num regime autocrático, que abomino, havia a figura da visitadora, no ambito das casas de pescadores, que visitavam cada família e ali mesmo aquilatavam das suas dificuldades,remendando aqui e ali, com parca ajuda,mas tudo na graça do Senhor.
A junta de freguesia ajudava as crianças mais carentes, com livros e material escolar, algumas juntas de freguesia. Esmolas da despótica nação. Não é isto que queremos.
Em relação a este complemento solidário para que os idosos não vivam abaixo do limiar da pobreza, defendemos que deveriam ser acompanhados pelas juntas de freguesia que são quem melhor os devia conhecer e à sua situação económica.
Exigimos medidas mais simples e de proximidade, para que o dito bónus chegue a todos ainda em tempo útill.
03/02/2008
VENCER É UMA PRIORIDADE
Cada pessoa é uma vontade em movimento.
Só a pessoa em movimento é capaz de mobilizar as vontades dispersas que há em cada um de nós.
O mar agiganta-se junto à costa, vai e vem. Esbate-se con violência contra os obstáculos que colocamos para impedir o galopante avanço. Vai e vem. E por vezes rompe as barreiras impostas, por mais intransponíveis que pareçam.
Existem situações de desespero. Pessoas que se automotilam, que se abatem, porque não encontram uma palavra de esperança. Um pai, um irmão, um amigo.
Digo-vos: Esperança ! Vencer!
Creiam que não são palavras vãs. É tudo uma questão do tempo que medeia entre o acontecimento e a sua resolução.
É tempo de vencer. De acreditarmos nas nossas potencialidades para dar um novo rumo à vida que parece inerte e sem sabor.
30/01/2008
A MULHER PORTUGUESA
Todos nós conhecemos mulheres coragem que no dia a dia das nossas vidas, labutam, enfrentam torrentes de dificuldades e dramas.
Mulheres que oferecem toda a sua virtude em tentar salvar um filho caído nas malhas da droga.
Para que não seja mais um indigente a afligir as vidas dos outros. Sofrem, aguentam, trabalham, endividam-se e cantam primaveras na ribalta da vida. Anos e anos de continuidade sem perder a esperança que só a morte cala e à vezes conseguem, sem o apoio de ninguém. Ninguém!!
Famílias destruídas pela ganância do dinheiro fácil. Criminosos sem lei que engordam pela desgraça de uns milhares de cérebros sonegados ao país. Gerações destroçadas. Quem paga?
Propomos que no próximo dia 10 de Junho, o Senhor Presidente da República condecore uma mulher coragem.
Propomos que o governo crie uma linha de apoio financeiro, no âmbito do Instituto da droga e toxidependência, de apoio à reconstituição dos niveis de vida aceitáveis (como pagamento de dividas)das famílias afectadas.
DESEMPREGADOS E HUMILHADOS
Todas as normas subsequentes, apresentações periódicas...etc..., tiveram a aprovação, senão expressa, tácita dos parceiros sociais, empregadores, sindicatos e partidos políticos.
A realidade é:
Os centros de emprego estão repletos de desempregados que aguardam a sua vez para serem atendidos, amontoados em condições pouco salubre, despojados, inertes.
São convocados para apresentações periódicas em locais predeterminados, sobre pena de, faltando sem justificação aceitável, ser-lhes cortado o apoio financeiro, quer tenham vinte ou 60 e mais anos.
A formação é diminuta.
Os desempregados não têm direito ao chamado subsidio de Natal.
Obrigam pessoas com 60 e mais anos a responderem a anúncios de emprego, quando a idade máxima das ofertas se situa nos 45 anos, para fazerem prova de procura activa de emprego.
Os desempregados exigem mais respeito pela sua situação, involuntária e traumatizante.
Os desempregados com 60 e mais anos devem ser isentos de apresentações periódicas.
Há demasiados funcionários nos centros de emprego para o serviço prestado.Trabalham muito lentamente ou não estão a ser bem aproveitados.
27/01/2008
CORRUPÇÃO ( I )
Muita gente sabe que as sociedades estão minadas pela corrupção. Sempre estiveram. Está inerente à condição humana da vida. Os gestores mandam os executivos corromper. Os detentores de algum poder de decisão dão a entender que estão permeáveis.
Perguntamos, porquê tanto alarido?
Milhares de pessoas falam de corrupção diariamente e é como o ditado "quando os cães ladram a caravana passa ". Mas se for o Dr. João Cravinho, o Dr Marinho Pinto, ou outra considerada figura do sistema, é preciso que não insistam. Saber com que propósitos o fazem. Está em risco a Democracia.
Muita gente sabe que os grandes empreendimentos são uma fonte de receita de milhões para muitos dos intervenientes. Há sempre derrapagens no acerto final, as quais, por vezes, duplicam o preço inicial. E nós, os da ralé, Hilotas das sociedades modernas, assistimos impotentes, a medidas de controlo que raiam a Utopia.
É PROÍBIDO CUSPIR NA RUA
Organizámos a vida em sociedade editando milhares de leis, que proíbem ou permitem certos actos e atitudes, e reprimimos com multas e prisões os que, sem álibi ou defesa que baste, são apanhados nas infracções.
Fumar em recintos fechados. É preciso fazer uma lei para para regular um prazer ou vicio de alguns, quando se trata simplesmente duma lei natural de boa educação?
Cuspir no chão, escarrar. É um hábito antigo e moderno dos Portugueses. Na vila onde moro, existe uma rua onde se torna necessário ziguezaguear por entre manchas dos ditos. Para quando o decreto a proibir escarrar nas ruas?
A disciplina de cidadania no curriculum escolar é uma medida que vai permitir erradicar, dentro de alguns anos muitos dos atropelos verificados no dia a dia. Mas os mestres têm que dar o exemplo.
A grande tarefa que o nosso povo tem de executar quanto antes, é a educação.
Não passar à frente nas filas de espera...
Não pisar ninguém que pareça mais fraco...
Não matar...
Não cobiçar a mulher do próximo...
E é então que surgem os teóricos da humanidade à sua medida.
A selecção natural. Dos fracos não reza a história. Oportunidades iguais. E que cada um mostre o que vale.
EDUCAÇÃO E FORMAÇÃO, sâo as duas vertentes para um mesmo fim: colocar portugal num nível superior de desenvolvimento.
23/01/2008
E O AMOR É !
Eu costumo dizer que o cumulo do amor por si próprio, não é olhar a imagem reflectida na água ou no espelho e achar-se belo ou bela, segundo padrões subjectivos que diferem, as mais das vezes da relação ser/parecer, mas sim, o deliciar-se, gostar, dos aromas exalados, incluindo os que expelimos do interior de nós, através dos gazes ( vulgarmente chamados " bufas " ).
Gostar de si, e ou, do seu par, em absoluto.
O amor é uma paixão continua que não se extingue, ainda que subsistam problemas angustiantes na vida dos parceiros, se os aromas os prenderem e estimularem para os solver em conjunto.
O grande problema das desavenças conjugais é este desencontro entre o parecer (aromas comprados na perfumaria, atavios desproporcionados, linguagem desleal) e o ser, os aromas puros, a lealdade no projecto.
E é pela manhã que a verdade nua e crua se evidencia. Deitámos extasiados com os perfumes que aceitámos como padrão e aos poucos, pela manhã, ao acordar, o amor vai-se indo. E qualquer diferença de opinião, torna-se numa tempestade.
Relembro as mulheres que exalavam o aroma do cio, sob as sais curtas, quando subiam para os eléctricos de Lisboa, pela manhã, lavadas. Quantas mulheres eu não amei, sem ter amado?! E fiquei com uma delas para sempre.
TERRORISMO (II)
Estamos perante um acto terrorista global, para o qual não se vislumbra qualquer solução de curto prazo.
A solução, para alguns grupos farmacêuticos, seria que estas crianças em risco fossem oferecidas para cobaias. Sempre se salvariam algumas.
Para outros, todas as crianças em risco, deveriam ser prometidas como mão de obra ao custo da refeição diária. Sempre se salvariam outras tantas.
A Ajuda alimentar é, na maioria das vezes, desviada para obtenção de lucros.
A ajuda medicamentosa, idem.
E a burocracia?
Sei de uma editora que esperou largos meses, com milhares de livros encaixotados, a aguardar autorização de embarque para Angola.
A doação de usados ( roupas, brinquedos, maquinas do lar, mobilias,etc.) que os povos abastados oferecem a associações de natureza humanitária, são muitas vezes subtraídos, numa primeira escolha, pelos prórios antes de serem enviados aos locais de carência.
E depois, há o transporte. Sugeria que todos os aviões comerciais reservassem um espaço no porão de bagagem, para carga de bens humanitários.
É mais fácil transportar droga, armas e outros bens que viajam à borla e aquecem os bolsos de muita gente dita de bem.
21/01/2008
TERRORISMO! ( I )
Sendo o terrorismo uma prática antiga, que espalhou a desolação por todos os povos do mundo conhecido, e que se manifesta de formas variadas,mesmo nas chamadas democracias, dou por mim a reflectir sobre terrorismo e terroristas no último meio século.
Começando por nós, Portugueses, que durante mais de uma dezena de anos chamámos terroristas aos guerrilheiros Africanos que se sublevaram em Angola Guiné e Moçambique, quando usavam as técnicas militares que melhor os serviam, manifestando, embora, ódios acumulados nos longos anos de servidão e maus tratos.
Lembro as armadilhas que se colocavam nos trilhos e estradas de terra batida. Os assaltos a aldeias indefesas, as emboscadas em que se matava, por engano, mulheres e crianças.
Aldeias a arder. Animais fugindo espavoridos. Crianças seviciadas sexualmente, sodomisadas.
Os bárbaros, Tártaros, Cruzados...
Os Americanos não. É tudo em defesa da Democracia e dos valores Ocidentais. Napalm, bombas atómicas, armas de destruição massiva.
Os Árabes, terroristas apontados, nos nossos dias, utilizam armas e técnicas compradas aos garantes dos valores ocidentais. São formados e até serviram os ditos valores e ou interesses.
Eu digo que existem mais formas de terror,voltarei ao assunto.
14/01/2008
"SIC A GANHAR É QUE A GENTE SE ENTENDE"
Um amigo meu que assistia ao programa da SIC " A ganhar é que a gente se entende", fez uns telefonemas, a partir de casa, e foi seleccionado para participar no passatempo "Quem é Quem", isto depois de gastar umas dezenas de euros em telefone.
Participou e ganhou.
Dois dias depois, recebeu uma carta da SIC confirmando que tinha ganho um prémio monetário,que seria pago no prazo máximo de 90 dias!...
O meu amigo aguardou.
Passados os 90 dias, enviou uma carta registada à SIC solicitando o pagamento do prémio.
Nada de resposta. Nada de prémio.
Enviou E-Mail e obteve como resposta que íam transmitir à produção.
Nada.
O meu amigo escreveu à Ercc, à Direcção Geral do Consumidor, à Asae, à Obercom, ao Correio dos leitores do Jornal Correio da Manhã,ao Correio dos leitores do Destak, e nada. Só a Asae respondeu dizendo que o assunto não era da sua competência.
O meu amigo obteve, enfim uma resposta da SIC, dizendo que havia atrasos nos pagamentos de prémios, mas que iria receber em finais de Janeiro,Fevereiro.
O que ressalta deste episódio é: A falta de resposta de entidades criadas para fiscalizar e ou para dar apoio ao consumidor.
A solidariedade de orgãos de comunicação social, quando se trata de reclamar situações referentes a outros orgãos congéneres.
A falta de protecção a que estão sujeitos os consumidores deste tipo de serviços, já que recorrerà justiça não é exequível, dada a pouca dimensão das importãncias.
Aqui deixo a minha solidariedade a todos os que esperam pagamento de prémios ganhos em concursos televisivos, deste ou de qualquer outro canal de TV.
13/01/2008
MINISTRO INDIGNADO
Uma noticia, em caixa, no jornal Correio da Manhã, dá conta da indignação do Ministro das Finanças por o Eurostast ter aprovado, uma semana antes, novas normas que obrigam o registo contabilistico das despesas militares, no ano em que é feita a entrega fisica do equipamento. O que vai,por certo, implicar novas atribulações para diminuir o défice.
Pergunta do povo:E quanto à nova lei da Segurança Social, que muda a forma de constituição das reformas a poucos anos do alcance dos direitos julgados adquiridos?
Seria bom que os homens se dessem conta que andamos todos no mesmo Universo inteligível.As situações podem ter alcance diverso, mas as consequências atingem na devida proporcionalidade, a cada um de nós.
E depois, teremos todos o mesmo fim irrisório...
CÓDIGO DA ESTRADA
é condenado, sem audição, a pagar 500 euros de multa e inibição de conduzir por um periodo de 60 dias.
Em 31 de Dezembro 2007/ 01 Janeiro 2008, uma personalidade mediática é fiscalizado pela policia, com uma taxa de 1,6 de álcool, presente a tribunal é condenado a 400 euros, pagos à APPC, e aguarda para saber se tem de cumprir trabalho comunitário.
Em 10 de Janeiro de 2008, um padre, fiscalizado pela autoridade, com uma taxa de álcool de 1,7 é condenado a 6 meses de inibição de conduzir e 70 dias de multa à taxa de 10 euros/dia.
São apenas 3 casos de arbitrariedade de aplicação de justiça, entre muitos que têm sido noticiados, neste Portugal dos pequeninos.
O povo exige uma melhor definição da lei e da sua aplicação.
REFLEXÕES SOBRE A RESPOSTA
A riquesa acomulada, nos dia de hoje, seria suficiente para que cada ser humano usufruisse dos bens criados, a seu bel prazer e sem desperdicios.
Porquê, então, esta luta pela destruição do que pertence a toda a humanidade?
Porquê este apropriar,por uns, das mais valias criadas por outros, arredando-os, logo que oportuno, dos beneficios da coisa criada, em nome da competetividade. Da pretensa compra da paternidade, porque se tem dinheiro?
Em todas as religiões há um apelo de Deus para que os ricos se despojem das suas riquezas.
Será que todos os ricos do mundo são ateus?
06/12/2007
andanças
O silvo irritante dos mosquitos,colide com o arfar abafado de alguém que se masturba, na individualidade do beliche, na intimidade inventada entre centena e meia.
Renato não dorme. Ansiedade.
Um rosto fixo na memória recente que se recusa a partir. A deixar que as coisas andem.
A despedida , no cais de embarque, as correrias de quem quer acompanhar o navio por terra, ou impedi-lo de se fazer ao mar.
As lágrimas que correm, alegremente , e turvam a visão.
A impotência de dizer não a esta partida forçada, imposta. Em nome da pátria.
Tinha pensado, insistentemente em fugir. falara-lhe, uma noite, com a cabeça deitada sobre as pernas dela, a saia subida, aspirando com deleite o aroma que lhe vinha do sexo.
Alexandra contrapunha com a punição. Crime de lesa pátria. E depois, ela acreditava na eternidade do nosso amor, não tinha como possível que me acidentasse tão longe.
Acreditava na vinda dele, Renato, ileso e pujante de vida para se fazerem ao mundo na força do amor que era o deles, como de ninguém mais.
Alexandra tinha-me pedido um dia uma definição de amor. Que coisa era esta, que sentimento, força, que queimava sem cesssar no peito e no cérebro, que se enredava na razão e se sobrepunha a que ocorresse um fio que fosse de lucidez e que explicasse a tempestade maravilhosa de nos sabermoos como um único, uma só vontade.,impelida para abismos de felicidade.
Renato, numa cama estranha, com odores diversos e ruídos sobrepostos, de dentro e de fora. tinham avisado que estaria eminente um ataque ao quartel. Era um hábito dos turras para testar as valias dos novos combatentes.
E agora, neste momento, como fazia sentido estudar, reflectir, inventar, criar, conceitos que dessem à palavra amor uma dimensão maior. Mas não só conceitos. Alianças firmadas entre as partes. A definição de amor, não pode sofrer interpretações subjectivas.
Fazer atrocidades às crianças ´´e tão criminoso dum lado como do outro.
E mete-se a religião. Os deuses quue se intrometeram nas diversas tribos que constituem o mundo humano.
O mundo ocidental. O mundo Islamico. E dentro de cada um, as subdivisões. seitas que se digladiam e enriquecem à margem dos incautos, arrastados por correntes, eivados da palavra transcrita do senhor.
Acordou cansado, com a ideia de pesadelos nocturnos e traços vincados nas faces tisnadas. Colocava-se perante o dia com a moral em baixo. E isso não era conveniente. Diria mesmo que era uma traição aos compromissos. Vencer! Vencer!
05/11/2006
À BOLINA
Há um partilhar de emoções novas. A construção de projectos que se adelgaçam com o tempo. E a esperança.
És bela e sensual, igualmente casada com um homem que amaste mas que os anos cansaram e se quedou,pai das duas gémeas que tu geraste, quando tudo estava no inicio e acreditavas no amor eterno.
Foi quando te conheci, entre o desencanto e o desabrochar da paixão. Sonhei com a simbiose perfeita entre nós. O absoluto. A irreverência do teu olhar e a ternura das palavras. A linguagem do corpo. Sonhei.
23/04/2006
JUSTIÇA
Agora vem o supremo reduzir as penas, (Suprema hipócrisia). Do nosso ponto de vista,nós povo, o Supremo só podia manter as penas, agravá-las ou anular o julgamento. Reduzir as penas é, aceitando o crime, considerar que tal crime não merece pena maior.
22/04/2006
DROGAS
Tanto os que são contra como os que são a favor.
O problema está no que está em jogo: dinheiro, poder, ganância.
É só imaginar a quantidade de gente que beneficia com a proibição e crime sobre o consumo.
E os argumentos dos que são contra: Paraíso para os traficantes.
E quanto aos traficados? crianças, jovens, famílias!...
19/04/2006
O PLÁGIO
Andamos a vida toda a plagiar. Tudo é plagiável.
A escrita: escrevemos igualzinho ao inventor primeiro e aos que se lhes seguiram.
A Fala: Repetimos as mesmas palavras, só varia o sotaque.
O Pensamento: Interpretamos de maneira diferente os mesmos axiomas, mas há quem os siga religiosamente.
18/04/2006
LISTA DE ESPERA
Adormece súbitamente, sentado, ao volante, em pé. Alguém terá visto já, algures, uma viatura que lentamente e sem qualquer obstáculo à frente se vai imobilizando.
Pois bem, é um doente do sono, quem a conduz.
O Homem, instado pela família e amigos, resolve ir ao médico e é enviado ao hospital para marcar a consulta do sono.
Quatro anos depois, recebe um telefonema do hospital. Se ainda quer a consulta. E ele quer, porque ainda está vivo.
15/04/2006
FILHO - UM BEM PRECIOSO
E na proveta?
A concepção assistida começa a fazer parte das nossas preocupações.
14/04/2006
TORTURA
sistema de previdência social.
O povo, ancestralmente conotado com o desenrascanço, não luta. Vai-se desenrascando
Salvo os que, aterrorizados vão aguentando a tortura da submissão.
O POVO SAÍU À RUA
Vitória!
Em Portugal,a nova lei do trabalho,que acolhe medidas agressivas para os trabalhadores e cortes nas regalias duramente conquistadas, foi aprovada e já se preparam para alterações que consubstanciem o Terror sobre os trabalhadores.
NUCLEAR
Mas algum outro estado, povo utilizou a bomba atómica a não ser os EUA?
Os povos de todo o mundo deviam unir-se e solicitar às Nações Unidas a proibição de os EUA poderem continuar a deter o total privilégio de fabricar armas de destruição maciça.